Capítulo 08
Eu sempre achei que gostar de alguém era só uma ilusão.
Cheguei a duvidar se um amor tão intenso, capaz de incendiar tudo, existia de verdade.
Mas ao me ver, mesmo nesse estado, incapaz de parar de pensar no Kanto, tive que admitir: talvez esse tipo de coisa exista sim.
E também entendi que, por mais intenso que seja o amor, se for apenas de um lado, ele não leva a lugar nenhum.
Falando nisso, o Fukuhara já tinha dito algo assim, não foi? Que ao se entregar ao amor, o importante não é "como somos amados", e sim "o quanto conseguimos amar o outro".
Realmente. Que garoto mais homem.
Ele entende de amor muito mais do que eu.
Por mais que eu ame, se ele não me amar de volta, esse amor não vai dar em nada.
Para encerrar essa história, eu tinha planejado jogar tudo pro alto, chorar e dar um ponto final.
Mas nos dois longos dias de fim de semana, fiquei ali, parada como uma casca vazia, sem conseguir derramar uma única lágrima.
Eu achei que se dissesse que gostava dele, algo mudaria.
Achei que se nossos corpos se tocassem, eu ganharia alguma coisa.
No entanto, agora que tudo terminou da pior forma, o que eu faço? O que eu deveria fazer?
Não consigo pensar em nada. E ainda assim quero buscar algo, então só consigo ficar sentada, sem me mexer.
E então chegou a segunda-feira.
Me levantei da cama com dificuldade, me arrumei como sempre e fui para a empresa.
Já passava do meio-dia. Quando cheguei ao escritório, bem na hora Fukuhara e Fukada estavam se levantando para ir almoçar.
— Boa tarde atrasada.
Fukada provocou.
— Hum. Fukuhara, desculpa, mas posso te pedir um favorzinho?
— O que foi?
— Queria que você levasse esse DVD para o chef chamado Kanto, do restaurante Kanaria. Precisa entregar em mãos.
Era a cópia do DVD que eu tinha pegado emprestado do Fukuhara.
Eu não aguentaria ir entregar isso para ele pessoalmente.
Por isso quis pedir para o Fukuhara ir, com um pouco de maldade e um pouco de bondade.
Queria saber como ele reagiria se tivesse a chance de conversar diretamente.
— Claro. O Kanto... é aquele cara alto que sempre fica olhando pra cá, né?
...O garoto também percebeu isso?
Que surpresa.
— Olhando?
Fukada repetiu a fala dele.
— É. Faz tempo que eu notei. Toda vez que venho aqui, ele olha pra cá. Então é conhecido do Miyamoto-san.
— Isso. É conhecido meu. Por isso estou te pedindo.
— Entendi.
— ...Nesse caso eu vou junto. A gente almoça lá.
— Isso não dá. O Fukada tem outra coisa pra fazer.
Me apressei em impedir o Fukada.
Se ele visse o Fukuhara conversando com o Kanto, talvez percebesse os sentimentos do Kanto.
— Eu não vou almoçar. Volto logo. Se o senhor puder esperar.
— Esperar isso aqui eu espero, né?
Não era minha intenção atrapalhar os dois, por isso falei e olhei para o Fukada.
Ele hesitou um pouco, mas sorriu.
— Claro que espero. Volta cedo. Aliás, lembrei que também tenho algo pra falar com o Miyamoto.
— Comigo?
A mão do Fukada segurou meu braço com força, como se não fosse me deixar escapar.
— Então eu vou.
Fukuhara, sem perceber nada, acenou para nós e seguiu direto para o Kanaria.
Fiquei olhando o garoto ir embora e me virei para o Fukada.
— Qual é esse assunto que o senhor quer falar comigo?
E então ele me puxou para longe da entrada da empresa, para um beco próximo, ainda segurando meu braço.
— Acabei de lembrar.
— Do que?
— Do perseguidor.
— ...Hã?
Fiquei sem graça diante do olhar irado do Fukada.
É mesmo. No início eu tinha pedido a opinião dele sobre o Kanto. E ele lembrava até agora.
Não, é óbvio. Ele sempre gostou do Fukuhara de forma séria.
— O senhor disse que tinha um homem olhando fixamente para o garoto de longe, né? Disse que era estranho porque, toda vez que ia ao lugar dele, o cara só ficava encarando sem puxar assunto.
— Eu falei isso?
— Não finja.
Fukada apertou ainda mais meu braço.
— Está doendo.
— Esse cara é o Kanto, do restaurante Kanaria, não é?
— Fukada.
— O senhor sabia disso e mesmo assim mandou o garoto ir até ele? Está tentando me sacanear?
— Não é isso. O Kanto não é um perseguidor nem nada.
Percebi que não dava mais para esconder, então contei só o necessário.
— Eu acho... que o Kanto... gosta do Fukuhara. Mas isso é só uma suposição minha. Ainda não sei a verdade.
— O senhor não sabe, mas por que deixou o Fukuhara ir sozinho?
— É que... eu queria que eles se encontrassem pessoalmente uma vez...
Por que eu sou incapaz de entender o sentimento dos outros? Só penso em mim...
Na posição do Fukada, era natural que ele estivesse furioso.
— Mas... dentro do restaurante não tem como acontecer nada estranho, né? O Fukuhara também disse que ia voltar logo depois de entregar.
— E se esse cara for mesmo um perseguidor e fizer algo com o Fukuhara, o que o senhor vai fazer?
— Não vai acontecer nada!
O Kanto olhava para o Fukuhara com tanto carinho. Ele jamais machucaria o garoto. Mas como eu tinha dito que não sabia ao certo os sentimentos dele, não podia explicar assim.
— O Kanto... é uma pessoa decente. Ele não faria isso.
— Quem está apaixonado consegue manter a calma?
— Fukada!
Ele me soltou com um empurrão e saiu correndo.
— Fukada!
O que eu faço?
Não me diga que ele foi para o Kanaria...
Preciso ir atrás.
Não posso deixar os três se encontrarem.
Mesmo pensando isso, meus pés não se mexiam.
No momento, eu não queria ver o rosto do Kanto. Tinha medo de ver que expressão ele faria com o Fukuhara na frente dele.
Eu sou uma pessoa horrível. Não importa o que aconteça, só penso em mim.
Saí do beco devagar e voltei para frente da empresa. Vi o Fukuhara vindo de longe. Mas não estava com o Fukada.
— Ah, Miyamoto-san. Eu entreguei.
O rosto dele estava sorridente.
Não parecia o rosto de quem tinha recebido uma declaração. Eu pensava isso... mas tinha medo de perguntar se algo mais tinha acontecido.
— O Kanto-san disse: "Diga a ele que não precisa fazer coisas desnecessárias". E também "chega". Ele dá um pouco de medo, né?
— ...E o Fukada? Não encontrou ele?
— Encontrei. Na esquina ali.
— E depois?
— Depois... ele saiu correndo dizendo que também tinha sido chamado pelo Miyamoto-san. "Miyamoto-san só fica mandando o Fukada-san fazer recado, que pena"... Miyamoto-san?
Ele tinha ido.
— Seu rosto está pálido. Está tudo bem?
Tinha ido encontrar o Kanto.
— Está com anemia? Se apoia aqui.
Afastei a mão do Fukuhara, que ia me segurar, e segui cambaleando.
— Aonde o senhor vai? Está com uma cara péssima!
— Não precisa. Não me siga.
— Miyamoto-san.
— É minha responsabilidade. Proibido você ir.
Eu precisava ir.
Precisava ir atrás.
Porque eu fui quem causou isso.
Mas minhas pernas estavam pesadas como chumbo e eu mal conseguia andar.
Na verdade eu queria correr, mas sem me apoiar na parede eu não conseguiria ficar de pé.
De algum jeito continuei. Quando vi o Kanaria, o Fukada estava saindo de dentro do restaurante.
— Fukada!
Chamei, e ele se aproximou.
— O que houve? Está com uma cara péssima.
— O que o senhor fez? O que disse?
— Fazer? ...Eu só fui dar um aviso.
Ah...
— Eu disse que ouvi dizer que ele gostava de um colega meu, mas que essa pessoa é minha. Que de agora em diante não se aproximasse mais. E que eu não ia deixar o garoto ir lá de novo.
— E o Kanto disse o quê...?
— Nada. Só "entendi".
Dei vontade de socar o Fukada.
De cobrar por que ele não conseguia ser compreensivo, quando o outro só pensava no Fukuhara.
Mas eu não tinha nem um milímetro de direito para isso.
O Fukada é o namorado do Fukuhara. E eu, sabendo disso, mandei o Fukuhara até lá para me consolar, para me vingar dele.
Pior: eu sabia que o Kanto gostava do Fukuhara e fiquei calada. Então eu é quem deveria ser cobrada pelo Fukada.
— Vou repetir mais uma vez. Eu gosto do garoto de verdade. Não tenho a menor intenção de entregá-lo para mais ninguém. Não faça uma coisa dessas de novo. E se não está bem, vá para casa.
Fukada me deixou ali e voltou para a empresa.
Diante de mim estava o Kanaria.
Mas o Kanto certamente não me veria daqui. Então eu podia voltar para a empresa sem encará-lo.
Podia fingir que não sabia de nada e deixar tudo passar.
Mas eu não me permiti.
Eu era a única que sabia de tudo. A causa desse resultado também era eu.
Respirei fundo, me armei de coragem e fui até a porta do restaurante.
A porta estava a poucos passos.
A porta que eu sempre abria com facilidade agora parecia de ferro, dura e pesada.
— Seja bem-vindo.
Parece que o Fukada foi discreto e não contou nada na frente dos outros. O gerente me recebeu com o sorriso de sempre.
— O Kanto está...
— Está sim. Hoje o Kanto-san não para de ter cliente, né? Kanto-san, é o Miyamoto-san.
O gerente chamou para dentro e ele apareceu com uma expressão neutra.
— ...O que você quer?
A voz dele estava cheia de espinhos.
— Eu preciso falar...
Aqueles espinhos cravaram no meu peito, mas eu precisei aceitar a dor.
Kanto ficou em silêncio. Depois soltou um suspiro longo e fez um gesto com o queixo para fora, indicando que eu o seguisse.
Saímos pela mesma porta por onde eu tinha entrado.
Assim que a porta fechou, ele tirou o chapéu e suspirou de novo.
— É sobre o homem de antes?
— Desculpa...
— Chega.
— Mas...
— Não venha mais aqui.
Aquela frase apertou meu peito.
— Essa é minha liberdade.
Tentei parecer forte, mas mal conseguia respirar.
— Não é sua liberdade. Resumindo: eu não quero te ver mais. Então não venha. Ou se vier ao restaurante, não me chame.
Chegar a esse ponto...
— Pelo amor de Deus...
Ele murmurou, irritado. E só isso fez toda a minha mágoa e raiva explodirem.
Eu fiz isso porque achei que seria bom para ele. Me calei, pensei nele, foi por isso que fiz.
Mesmo que eu possa ter calculado errado, não foi por maldade.
E mesmo assim ele diz que nem me ver eu posso?
— Pelo amor de Deus, o que é isso!
Gritei para não chorar.
Tive a sensação de que, em vez de chorar, a raiva manteria meu coração forte.
— Se o senhor não gosta de mim, tudo bem. Eu já sabia disso desde o começo. Mas e aí? O Fukuhara gosta mais do Fukada. Até eu... queria não gostar do senhor. Porque eu sei que o senhor ama o Fukuhara. Se eu não gostasse do senhor, não estaria sofrendo assim. Mesmo assim, por gostar, achei melhor não contar e fiquei calada. Não foi para sacanear o senhor.
— Miyamoto?
— Em vez de um covarde como o Kanto, que não tem coragem de dizer que gosta, o Fukada combina muito mais com o Fukuhara. Um cara desligado como o Kanto, levar um fora é merecido! ...Mas... eu realmente queria que o Kanto fosse feliz...
— Espera aí.
Enquanto eu gritava, ele segurou meus ombros com força.
— O que é isso? É a verdade.
— O tal Fukada é o homem que veio aqui me cobrar antes?
— É.
— Ele não é seu namorado?
— ...Hã?
— Esse "não mexa com meu colega" não era sobre você?
O sangue que tinha subido à cabeça por causa da raiva desceu de repente.
— Ele é namorado do Koji? Não é seu namorado?
— Eu não sei!
Fugi dali como um coelho fugindo do caçador.
— Miyamoto!
Como eu posso ser tão idiota?
Se ele achou que eu tinha namorado, era só deixar o mal-entendido. Era só deixar o Kanto alimentar esse sonho.
Eu não só cuspi meus verdadeiros sentimentos, como destruí o amor sério dele.
Se eu pudesse fazer isso, já teria feito há muito tempo. Foi justamente para isso não acontecer que fiquei calada todo esse tempo.
Kanto não correu atrás de mim.
Claro. Era horário de pico do almoço. Um chef não pode sair do restaurante.
Mas um caminho sem passos atrás de mim é um caminho que leva à separação.
A partir de agora, tudo vai acabar.
Meu amor. O amor do Kanto. Tudo vai acabar.
Era o resultado inevitável. E ainda assim me odeio por ter sido eu quem puxou o gatilho.
Mais do que o Kanto, que não me ama. Mais do que o Fukuhara, que o Kanto ama. Mais do que o Fukada, que não me ouviu e foi declarar o amor para o Kanto... eu sou a mais idiota, a mais patética, a mais detestável...
Já me chamaram de irresponsável e tudo mais, mas eu ainda achava que tinha consciência. De que, mesmo querendo morrer de dor, eu voltava para a empresa e trabalhava.
Eu pensei que me conhecia por completo.
Pensei que era alguém bonito, talentoso, com a vida nos trilhos, cabeça no lugar, com tudo o que queria.
Mas agora sinto que tudo isso estava errado.
O homem que eu gosto não liga para mim. Envolvi meus amigos. Não só não fui clara sobre meus sentimentos, como ainda interpretei tudo errado e estraguei o sentimento de uma pessoa importante.
Pode ser que, no fundo, eu seja só uma idiota, ciumenta e desajeitada.
Não. Com certeza sou.
— ...O senhor está derretendo.
Ao me ver com a cara na mesa, sem me mexer, o Fukuhara veio falar comigo. Ele é mais novo que eu no cargo.
Gentil, fofo, alegre, querido por todos.
— Se não está bem, volte para casa.
— ...Vou trabalhar. Se ficar sozinho em casa, vou piorar.
— Sério, o que houve? Não parece o Miyamoto-san de sempre.
— Esse é o Miyamoto de verdade. Eu sou uma pessoa horrível.
— O que o senhor está falando. O senhor é alguém que eu admiro.
...Ainda bem que quem o Kanto gosta é esse garoto. Consigo apagar um pouco do sentimento negativo.
— Fukuharaaa.
E me joguei no Fukuhara que estava do lado, como quem faz manha.
— Estou péssimo mesmo...
O Fukuhara, todo másculo, só ficou fazendo carinho na minha cabeça e dizendo "calma, calma".
— Quer um café?
— Hum. Café preto.
— Então solta.
— Tá.
Soltei o Fukuhara e, meio à força, me sentei de novo no computador.
O trabalho de agora é uma concorrência. Mas com esse estado mental, duvido que a gente ganhe.
Enquanto pensava nisso, ouvi algo como gritos.
— Hã...?
Deve ser alguém brigando. Prestei atenção e vinha do andar de baixo.
Esse prédio tem escada e janelas abertas, então mesmo sem ouvir claramente, a voz de baixo chegava até aqui.
— Sim, um café.
Peguei a xícara que o Fukuhara me deu e perguntei.
— O que está acontecendo lá embaixo?
— Não sei direito, mas parece que é cliente do Fukada-san.
— Do Fukada? Mas essa voz...
O barulho parecia cada vez mais uma briga.
Logo todo mundo começou a prestar atenção lá embaixo.
— Quem? O que foi?
Perguntei para quem subia, e a pessoa deu de ombros.
— Sei lá. O Fukada mandou todo mundo sair, então não sei o que é... Mas a outra pessoa é do restaurante aqui perto.
— Restaurante aqui perto...?
Tive um mau pressentimento...
— É. Sabe, aquela cafeteria que o Miyamoto-san sempre vai.
— Não é o Kanaria?
— Não sei o nome, mas é aquele lugar com comida boa. Na janela tem umas decorações de vidro...
Sem ouvir até o fim, me levantei.
Por quê?
Não preciso nem perguntar.
Quem contou para ele que o namorado do Fukuhara se chama "Fukada" fui eu. E o próprio Fukada disse que o Fukuhara era colega dele.
Ele deve saber que o garoto trabalha nesta empresa.
E não só eu, mas todos daqui somos clientes frequentes, então o Kanto com certeza sabe que este é o nosso escritório.
— Kanto!
Desci correndo as escadas, afastei a multidão que estava na sala de espera e entrei. E naquele instante vi o soco do Kanto atingir o rosto do Fukada.
— Fukada!
Não foi forte o suficiente para derrubar, mas levar um soco no rosto nunca é pouca coisa.
— ...Boa. Então agora é a minha vez.
— Para!
Me joguei na frente do Fukada, que estava esfregando o rosto e levantando o punho, para proteger o Kanto.
Sou mais fraca que o Fukada, mas talvez ele não me batesse.
— Miyamoto.
— O que o senhor está fazendo, seu idiota!
Ele ainda acha que o Kanto é um perseguidor?
Ou o Kanto veio aqui declarar seus sentimentos?
— Sai da frente. Não tenho motivo para não bater nele.
— O senhor não está entendendo nada.
De qualquer forma, eu não queria que o Fukada batesse no Kanto. O Fukada já tem o Fukuhara, então não quero que ele machuque mais ninguém.
— Eu já apanhei por ter motivo para isso. Agora é a minha vez. E o senhor não tem motivo nenhum para proteger essa pessoa.
Então era isso.
— Tenho! Esse é o homem da minha vida. Eu gosto do Kanto, então não bata nele!
Mesmo achando que o Fukada não pararia por causa disso, em vez de discutir besteira, eu quis falar o que realmente sentia.
— ...O senhor está falando sério?
— Estou.
Fukada suspirou e baixou o punho.
E então, atrás de mim, o cara que tinha batido nele riu.
— Então vamos considerar que estamos quites.
— Quites? Para mim ele também é importante. Então eu posso bater.
— Não dá. Nosso relacionamento não é tão profundo quanto o meu.
— Faz sentido, né...
O quê...?
A briga parecia ter acabado, mas por que o Fukada estava sendo tão educado com o Kanto? E "nosso relacionamento não é tão profundo quanto o meu"... o Kanto, que levou um fora, dizendo isso para o Fukada, que é o namorado?
— Depois o senhor me explica direito e me mostra as provas, certo?
— Se você for sincero.
Nesse ponto, o Kanto parecia estar por cima...
— Eu sou sincero. Por isso deixei o senhor me bater.
— Ótimo. Então vamos conversar direito.
— Kanto...?
Olhei para ele, confusa, e ele me sorriu.
Parece que... não está bravo. Não está bravo com quem deu o ultimato e destruiu o amor dele.
— Então, Fukada. O resto é com você.
— ...Entendi.
— Vem, Miyamoto.
Kanto pegou na minha mão, enquanto eu não entendia nada.
— Aonde?
O que aconteceu? Por que os dois estão tão amigáveis de repente?
— Deixa eu ver... Seu apartamento é mais perto que o meu, então é melhor irmos para lá, né?
— E o restaurante? Ainda não fechou.
— Já deixei o resto com o Ono-san. Resolver o mal-entendido seu e o meu é mais importante agora.
— O quê?
Não entendi nada.
Só sei que parece que ele não me odeia.
Mas não faço ideia do porquê.
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