8 de fev. de 2022

Bubble tea - Capítulo 02

 Capítulo 02: (พิสูจน์ตัวเอง) Provar a mim mesmo

As apresentações já tinham acabado. Eu, Than, sou aluno do 1º ano. A escola Thianrat tem uma fama enorme. É conhecida por ser uma escola rígida, com muita disciplina. A família da minha mãe não é rica. Não somos pobres também, mas não dá pra viver esbanjando. Minha mãe é muito rigorosa com estudo. Não posso ter histórico ruim nem brigar com ninguém.

Será que a vida no colégio vai ser diferente de antes?  
Hum... não quero sonhar alto... só quero estudar direito. Mas será que vou conseguir mesmo?

Cheguei na sala e sentei.  

Na hora do intervalo, um cara comum, rosto sério, mas olhar gentil, veio falar comigo. Parecia ser veterano. Ele me perguntou: "Calouro, qual sala você é?"  
Respondi baixo. Ele não riu de mim, só assentiu e foi embora. Acho que os veteranos aqui gostam de dar uma "boas-vindas" pros calouros. Desde cedo já estão acostumados.

E depois o sinal tocou de novo.  
Hora de ir pro refeitório.  

Ainda não conhecia muito o caminho, então segui a multidão. Na cantina estava lotado. Fiz fila, peguei meu prato. O cardápio era barato, comida caseira mesmo. Sentei numa mesa sozinho. Olhando em volta, todo mundo parecia ter grupo. Menos eu.  
Peguei meu celular e fiquei rolando o feed. Melhor do que ficar encarando o nada.

Comer sozinho é estranho. Dá uma sensação esquisita. Mas eu tenho que me acostumar. Desde pequeno minha mãe sempre disse: "Than, você precisa ser independente". Na escola antiga eu tinha amigos, mas aqui é tudo novo. Se eu não me mexer, ninguém vai vir falar comigo.  
Respirei fundo. "Tudo bem, Than. Um passo de cada vez."

Saindo da cantina, a tarde foi uma loucura. Aulas, aulas e mais aulas.  
A Thianrat divide em 3 turnos: de manhã é aula normal, à tarde tem aula extra, e à noite tem reforço. O primeiro turno já acabou. O segundo turno é aula de matéria mesmo. E o último turno é pra quem faz curso preparatório.  
Todo mundo aqui tem algum objetivo. Tem gente que estuda pra concurso, tem gente que quer passar em faculdade pública. Eu... eu só quero ser o melhor aluno.

Quando bateu o sinal de saída, já estava anoitecendo. Andar de ônibus em Bangkok é complicado. Muita gente, muito trânsito. Fiquei de pé o caminho inteiro sem nem saber onde ia descer.  
Desci no ponto errado e tive que andar até em casa.

"Casa..."  
Murmurando, fui entrando.

Na porta me deparei com o P'Chai. Ele estava encostado no muro, mexendo no celular, esperando alguém. Quando me viu, levantou a cabeça.  
Assim que ele me viu, veio na minha direção.  
"Volta pra casa tão tarde?" P'Chai perguntou, a voz meio brava.  
"Não! É que eu perdi o ônibus e tive que esperar outro. E eu não conheço muito o caminho ainda" respondi rápido, já me desculpando.  

P'Chai me olhou de cima a baixo. Suspirou.  
"Than, você vai voltar andando sozinho de novo?"  
"Eu... eu consigo, P'."  
"Consegue nada. É perigoso. Bangkok à noite não é brincadeira" ele falou, cruzando os braços. "Mesmo que você não tenha feito nada de errado, pode acontecer coisa."

"Não estou preocupando o P', né?" perguntei, meio sem graça.  
"Quem disse que não está? Você é calouro. Tem que tomar cuidado" P'Chai respondeu sério. "Vai, entra. Já está tarde. A tia deve estar preocupada."  
"Sim, obrigado, P'Chai." Fiz uma reverência.  

"Não precisa ser tão formal..." P'Chai coçou a nuca, meio sem jeito.  
"Na Thianrat é assim mesmo. Tem que respeitar os veteranos. Mas..." ele baixou a voz. "Se precisar de ajuda, me chama. Tá?"  
Meu coração deu um pulo. "Tá... tá bom, P'."

"Vai, entra logo" ele empurrou minha cabeça de leve.  
"Sim, P'."  

Entrei e fechei o portão.  
Por que o coração estava batendo tão rápido?

Dentro de casa minha mãe já tinha feito janta.  
"Demorou, filho."  
"Perdi o ônibus, mãe."  
Ela suspirou. "Tem que tomar cuidado, tá? Bangkok não é segura."  

Comi em silêncio. Só pensava no P'Chai.  
Ele nem precisava ter falado comigo. Mas falou.  
Será que... ele é legal com todo mundo?

Depois da janta fui pro meu quarto. Tinha dever pra caramba.  
Abri o caderno e comecei a copiar a matéria. A caneta escorregava na mão de nervoso.  
Eu quero provar que mereço estar aqui.  
Quero provar pra minha mãe. Pra mim.  
Quero fazer amigos também. Mas como?

Fiquei até tarde estudando. Quando vi já era quase meia-noite.  
Deitei na cama e encarei o teto.  
Amanhã tem mais.  
Amanhã eu vou tentar conversar com alguém.  
Amanhã eu vou... tentar ser menos invisível.

Antes de dormir mandei uma mensagem pra mim mesmo no bloco de notas:  
Than, você consegue. Só não desiste.

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