7 de jul. de 2023

Bubble Tea - Capítulo 07

Capítulo 07: A Sinceridade do Phumi


Eu confesso que não sabia o que o Khun Naek estava pensando.  

Queria perguntar, mas não tinha coragem. Naquele momento, ele já tinha me respondido várias vezes.


Sim. Ficar perto dele me deixava muito nervoso.


A rotina da loja era sempre a mesma. Clientes entravam e saíam. Não era muito difícil, não exigia tanta atenção. Cerca de 70% eram pedidos simples. O resto eram pessoas que vinham só para conversar, porque a loja era pequena e aconchegante. Mesmo assim, eu ainda era grande demais para alguns e pequeno demais para outros. Mas havia muitas coisas que eu precisava aprender.


Eu não era bom em conversar com clientes. Mas tentava sorrir mesmo quando estava cansado. Porque era isso que me fazia continuar aqui. Eu não gostava de ficar parado. Gostava de estar ocupado, fazendo alguma coisa que não me deixasse pensar demais.


Mas aos poucos fui me acostumando com essa vida. Virou um ciclo do qual eu não queria mais sair.


Sobre o Khun Naek...


O Khun Naek era o tipo de pessoa que eu não sabia em que momento ficava igual a mim. De manhã ele era o chefe sério. De tarde, o cliente que sentava sozinho no canto. De noite, o cara que ficava me olhando de longe.  

Principalmente quando ele e eu ficávamos sozinhos.


Naquele dia ele ficou me encarando de frente e perguntou:  

"Pich, você gosta mesmo disso?"  

"Gosto."  

"Não se arrepende de nada?"


Fiquei sem resposta. Phumi não era do tipo que conversava com funcionários desse jeito.  

"Pich, eu..."  

"Pode falar comigo como quiser."


"Pich." Ele suspirou fundo. Parecia que carregava um peso no peito. Não sabia se era da empresa, da família ou de mim. Perguntou com a voz baixa. Perguntou de novo.  

"Nós somos amigos, né? Mas não é só isso, certo?"


Não respondi na hora. Mas por dentro eu sabia a resposta.  

Se eu não dissesse nada agora, ia me arrepender pelo resto da vida. O Khun Naek era importante para mim. Lembro que ele me ajudou quando eu não tinha nada. Por isso eu não podia deixar de ser honesto com ele. Mesmo com medo.


"Pich..."  

"O quê?" Perguntei com a voz falhando.  

"Nada não..." Ele me olhou, suspirou. Parecia que não ia conseguir falar. Então pegou minha mão por cima do balcão e apertou.  

Phumi raramente tocava nas pessoas. Isso significava muito.


"Obrigado, Pich."  

"Essa é a última vez que vou dizer isso. Eu sei o que você sente por mim. E eu não vou fingir que não sei mais."


"Mas eu sou seu funcionário. Você não precisa se sentir obrigado a fazer nada."  

"Eu não sou."  

"Então por que você veio até aqui hoje? Você e eu viemos trabalhar juntos, não é?"


"..."  

"Pich."  

"Pode falar." Respondi baixinho. Enquanto isso, minha mão ainda estava na dele, suando de nervoso.


"Não fala nada."  

"Eu só quero que você saiba. Não importa o que aconteça, eu não quero te perder. Não quero que você vá embora..."  

"Pich, não fala assim."  

"Eu falo a verdade." Ele disse sério, olhando direto nos meus olhos.


"Você está com pena de mim?"  

"Não estou."  

"Então por quê?"  

"Porque eu gosto de você desde o primeiro dia em que te vi aqui." Ele disse antes que eu pudesse impedir. "Eu sei que você tem medo. Eu também tenho. Mas se a gente não tentar, vai se arrepender."


"Pich, eu tenho responsabilidades."  

"Eu sei. Eu também tenho." Ele me interrompeu com um sorriso cansado. "Mas isso não significa que a gente não possa ser feliz um pouco."


Os dois ficamos em silêncio por um tempo. Não tinha mais clientes, só o som da chaleira e do ventilador.


Phumi era do tipo que não demonstrava sentimentos. Era calmo, racional. Mas naquele dia ele quebrou a própria regra por mim. E eu soube que não podia mais voltar atrás.


Naquele dia eu entendi.  

Amizade era pouco.  

Era mais que isso.  

E eu também sentia.

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