Capítulo 07
— Fui forçado a vir para este mundo incompreensível… E, além disso, esperam que eu lidere um exército claramente inferior para vencer esta guerra. Sou homem, mas querem que eu tenha um filho? Pare de jogar sal nas feridas dos outros. — Yuichiro cerrou os dentes ao falar.
No ar, o rabo de Izrael se agitava de dor.
Yuichiro teve a impressão de que aquele homem implicava com Izrael desde o início. Temeraire também parecia desprezá-lo.
As mãos de Noah, levemente trêmulas, agarraram o braço de Yuichiro.
— Deixe ele ir.
— Por quê? Você também não quer ser rei.
— Eu não quero ser rei, mas…
— Então por que eu deveria parar? Se eu concordar, isso significa que aceitarei você como rei e você terá que ter um filho comigo. Consegue fazer isso?
Ele encarou Noah, provocando-o. Imediatamente, os lábios de Noah tremeram. Seu rosto estava tomado por hesitação e angústia. Ao ver sua expressão, Yuichiro riu e gritou:
— Se não consegue, então cale a boca e veja seu amigo morrer!
Assim que terminou de falar, Noah gritou:
— Iz é meu amigo!
No instante seguinte, abriu a boca e mordeu o braço de Yuichiro com força. A dor dos dentes cravando na carne, mesmo através do tecido, fez Yuichiro afrouxar o aperto no corpo de Izrael. Ainda que Izrael já tivesse caído ao chão, Noah continuava mordendo.
— Solta… — murmurou.
Os caninos de Noah rasgaram a pele onde haviam afundado, e o sangue começou a infiltrar-se lentamente no tecido branco. Yuichiro repetiu, perturbado pela mancha vermelha que se espalhava:
— Solta.
Os lábios de Noah finalmente se afrouxaram, como se ele tivesse despertado ao ouvir aquelas palavras novamente. Um leve tremor percorreu o braço de Yuichiro, e Noah caiu ao chão. Sua boca estava manchada com vestígios do sangue dele.
Goat assobiou uma pequena melodia.
— Nunca vi uma deusa tentando matar uma joia no primeiro encontro. E, em troca, ser mordida por um rei… — brincou.
Yuichiro sentiu-se estranhamente relaxado ao ouvir a risada despreocupada dele. Arregaçou as mangas para examinar a marca da mordida. A ferida não parecia profunda em comparação com a quantidade de sangue.
Temeraire colocou gentilmente um pano branco sobre o ferimento enquanto analisava as pequenas marcas dos dentes.
— Vou enfaixar depois — disse ele.
— Não precisa.
— N-Não, por favor, deixe comigo.
Yuichiro suspirou diante da teimosia que não lhe permitia recusar.
Enquanto isso, Izrael, já recuperado, estava agachado no chão.
— Ah… É a primeira vez que sou estrangulado por uma deusa…
Ele dizia a mesma coisa que Goat.
— A sétima deusa é meio moleca — comentou Izrael em voz baixa, olhando para Yuichiro como se tivesse esquecido que quase fora morto instantes antes.
— “Moleca” é suficiente para descrever o que eu acabei de fazer?
— Yuichiro, você pode me matar se quiser. Mas, se fizer isso, nunca mais poderá voltar ao mundo de onde veio.
Seu tom não era ameaçador apenas direto.
— Existe alguma forma de voltar? — perguntou Yuichiro, fixando o olhar em Izrael.
— Se ainda quiser retornar, primeiro precisa cumprir seu papel como deusa.
O papel da deusa seriam as duas coisas mencionadas antes: “vitória” e “concepção”.
O simples pensamento foi suficiente para embrulhar o estômago de Yuichiro. Ele murmurou, quase rosnando, engolindo a saliva amarga:
— Eu não vou acabar como… vou?
— Urashima Tarō?
— Quero dizer que, depois de décadas neste mundo, não haverá lugar para mim quando eu voltar ao meu mundo original. — Considerando as circunstâncias de quando atravessou para cá, provavelmente já o haviam declarado desaparecido em combate.
Izrael, por outro lado, balançou o braço curto de um lado para o outro.
— Acho que não. A linha do tempo deste mundo é diferente da do seu. Dez anos aqui equivalem a apenas um ano lá. Se quiser, posso criar uma nova identidade para você.
— Identidade?
— No seu mundo, vocês chamam de registro familiar, certo? — Izrael inclinou o queixo para a direita. — Criar um novo registro familiar… eu entendo bastante sobre isso. Melhor dizendo, conheço muito bem.
— Você sabe bastante sobre o meu mundo.
— Não. Às vezes, Deus fala comigo.
Ao ouvir a palavra “Deus”, Yuichiro franziu o cenho. Deusas, pérolas sagradas, Deus… O que havia com aquelas crenças religiosas naquele mundo?
— Existe um Deus neste mundo?
— É minha responsabilidade transmitir as palavras de Deus ao povo. Yuichiro também foi escolhido como deusa por Deus.
Se existisse mesmo um Deus, Yuichiro teria vontade de socá-lo com toda a força. Mas já estava cansado de amaldiçoar o próprio azar. Não tinha escolha a não ser fugir ou aceitar o destino pois não havia como consertar a situação.
— Mesmo que eu aja como a deusa que desejam, não ganharei mérito algum.
— Mérito?
— É entediante voltar ao seu mundo original e estar falido. — Yuichiro puxou o colar do pescoço de Goat com os dedos. — Se eu vencer esta batalha, você pode me pagar com isto.
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