18 de jun. de 2026
MSN - Capítulo 07.1
Nyi - Capítulo 04
Ang Ang - Capítulo 17 🔞
Capítulo 17
— Eu queria ser médica.
A mão de Hwayoung deslizou com cuidado pelas nádegas de Gyuwon. Como o cabelo dele ainda estava molhado, Gyuwon ouvia a história com os olhos semicerrados.
De certa forma, Hwayoung combinava com a profissão. Ela era carinhosa e atenciosa, e sempre cuidava dele depois que tudo terminava. Também tinha um lado firme, que parecia adequado à vocação. Então por que acabara se tornando contadora?
Hwayoung soltou uma risadinha, como se tivesse entendido a dúvida dele.
— Combina tanto comigo, não acha? Nem sei o que fazer. Combina demais.
Depois de dizer isso, depositou um beijo leve nas costas de Gyuwon e continuou:
— Se eu fosse dentista, até alguém como você subiria naquela cadeira sem reclamar. Ficaria tão extasiado que acabaria rangendo todos os dentes, não é? E quando penso em cirurgia... sinceramente, só consigo imaginar proctologia. Considerei várias especialidades, mas nenhuma parecia certa. Achei que lidar com pessoas seria cansativo demais, então resolvi brincar com números.
Ela examinou cuidadosamente as nádegas dele, a região que havia sido estimulada antes e também o ombro onde o mordera. Só então se afastou.
— Se aparecesse um paciente como você, eu não conseguiria me controlar. Não tenho muita confiança na separação entre vida profissional e pessoal. E, acima de tudo, meu irmão...
Enquanto falava, Hwayoung observou o rosto de Gyuwon. Ele virou a cabeça, confuso. Ao vê-lo corar, ela pensou por um instante e sorriu.
— Oppa Gyuwon?
O rosto dele ficou ainda mais vermelho.
— Você não gosta quando eu te chamo de oppa?
Ela perguntou de propósito, mesmo sabendo que aquele não era o problema.
— Não...
A resposta saiu quase como um murmúrio.
Hwayoung caiu na gargalhada.
Nesse momento, alguém bateu à porta.
— Entre.
Enquanto Hwayoung caminhava tranquilamente até a entrada, Gyuwon vestiu as calças às pressas.
“Oppa Gyuwon”.
A forma como ela o chamara parecia estranhamente agradável. Carinhosa, delicada e ligeiramente provocadora.
Doce.
Tão doce que fazia suas orelhas e sua cabeça formigarem.
Tentou convencer a si mesmo de que estava tudo bem, embora não conseguisse esconder o rosto vermelho. Talvez não estivesse tão evidente. Além disso, sua pele bronzeada ajudaria a disfarçar.
Assim que abriu a porta, Hwayoung franziu a testa ao ver o gerente. Pelo momento exato em que aparecera, era óbvio que ele estava acompanhando as câmeras.
Coisas que antes ignorava — como segurança e privacidade — passaram a incomodá-la desde que começara um relacionamento com Gyuwon.
Decidiu internamente que nunca mais voltaria àquele lugar.
O gerente entregou rapidamente um vídeo a ela e perguntou, percebendo seu desagrado:
— Se não se importar... eu gostaria de conversar.
Ao lado dele estava Yunho, parecendo alguém que acabara de levar uma surra.
Hwayoung não sentiu a menor pena.
Ser espancado pelo gerente era muito melhor do que ser espancado por ela.
Ela saiu para o corredor, fechou a porta atrás de si e assentiu.
Era um gesto que significava “fale”, mas também deixava claro que ninguém entraria naquele quarto.
O gerente respirou fundo.
— Yunho tem algo para dizer.
Parecia que ele próprio não queria falar diante da expressão gelada de Hwayoung.
Incentivado pelo gerente, Yunho finalmente abriu a boca, o rosto completamente vermelho.
— É verdade que... eu gravei o vídeo da Hwayoung e enviei para o trabalho. Mas o Benz não fui eu.
A desconfiança apareceu imediatamente no rosto dela.
— É verdade! Eu tenho provas!
Ele parecia desesperado.
— Provas?
— É verdade — confirmou o gerente. — Naquele dia, Yunho estava fazendo um serviço para mim. Ele estava em viagem de negócios, e posso confirmar que saiu do local às nove da manhã. Então a pessoa do Benz deve ser outra.
Hwayoung alternou o olhar entre os dois.
Cem milhões de wones em reparos não eram pouca coisa.
Ela avaliou por um instante se aquilo não seria uma armação para encobrir o prejuízo.
Na verdade, já tinha chegado à conclusão antes mesmo de refletir muito.
Agora que sabia quem Yunho realmente era, a possibilidade de ele ter feito algo tão estúpido diminuía bastante.
— Você garante isso? — perguntou ao gerente.
Se ele demonstrasse qualquer hesitação, ela iria embora sem olhar para trás.
Mas ele assentiu imediatamente.
Havia um perseguidor.
E a situação estava tomando um rumo desagradável.
— Você já me seguiu alguma vez?
Yunho apontou para si mesmo.
— Eu?
Quando ela confirmou com um aceno, ele balançou a cabeça freneticamente.
Parecia genuinamente ofendido pela acusação.
Hwayoung sorriu.
— Certo. Vou cuidar disso. Quando eu pegar a pessoa, aviso você. Assim poderá recuperar o dinheiro do conserto do Benz.
Ela se curvou levemente e estava prestes a entrar quando o gerente a chamou.
— Hwayoung.
Ela parou e se virou.
— Sim?
— Não sei o que você pensa sobre isso... mas o clima anda estranho ultimamente. Recomendo que tome cuidado.
Ela inclinou a cabeça.
— O que quer dizer?
O gerente abaixou a voz.
— Estão espalhando rumores de que você encontrou um escravo. Não se esqueça do tipo de pessoa que você é neste mundo.
Hwayoung soltou uma risada curta.
— E que tipo de pessoa eu sou?
O gerente e Yunho trocaram olhares.
Os dois pareciam procurar as palavras certas.
Depois de hesitar bastante, Yunho respondeu:
— Um... ídolo?
A voz de Hwayoung quase falhou.
— Quantos anos você acha que eu tenho para me chamar de ídolo?!
Ela abriu a porta sem demonstrar o menor arrependimento.
Do outro lado, Gyuwon estava parado.
Ele lançou um olhar para Yunho e para o gerente antes de se afastar lentamente.
Assim que Hwayoung entrou, ele fechou a porta.
O silêncio se instalou por alguns segundos.
Foi ela quem o quebrou.
— Oppa Gyuwon, escutar atrás da porta é feio. Estou ficando envergonhada.
Ela falou em tom brincalhão.
Mas Gyuwon não sorriu.
Seu rosto frio e seco deixava claro que estava falando sério.
— Então existe outro perseguidor.
— Talvez.
Ela deu de ombros.
— Se deixarmos quieto, uma hora ele aparece sozinho.
Gyuwon arregalou os olhos.
— Não, não é isso.
— Hm?
— Você não está preocupada?
Hwayoung percebeu a expressão inquieta dele e abriu um sorriso suave.
— Estou.
A resposta simples o pegou desprevenido.
Ela continuou:
— Eu sou meio simplória por natureza. Não tenho imaginação suficiente para temer algo que não está diante dos meus olhos. Talvez porque eu gaste toda a minha imaginação em outras coisas.
Ela riu de forma despreocupada.
Mesmo assim, uma pequena inquietação permaneceu no coração de Gyuwon.
Pela primeira vez desde que a conhecera, ele sentiu um desconforto difícil de explicar.
Hwayoung ergueu os olhos para Gyuwon com um sorriso radiante.Stand by Your Side - Capítulo 07
1930 - Capítulo 09
O tão esperado agente finalmente apareceu.
Shian revisou várias vezes os relatórios compilados por Zheng Meirong e, em seguida, convocou alguns gerentes de departamento para uma reunião.
Não era a primeira vez que o Grupo Hailong investia na indústria do entretenimento. Os executivos conheciam bem o setor e rapidamente recomendaram algumas grandes agências que estavam interessadas em receber novos investimentos.
— Também podemos abrir uma empresa nova — explicou Zheng Meirong. — Das que mencionamos agora há pouco, Xinlian, Fenghuang e Dingxin, todas permitem contratar profissionais experientes do mercado. Só que o custo será maior.
Shian folheava os documentos em silêncio.
— Pelos relatórios financeiros dos últimos anos, vejo que o grupo já possui uma agência artística. Por que ninguém a mencionou?
O ambiente mergulhou em silêncio.
Depois de alguns segundos, Zheng Meirong respondeu:
— ...Ela foi criada para Qin Nong.
Naturalmente, ela não mencionou que boa parte da equipe era composta por paparazzi enviados por Jin Shian para vigiar a atriz.
Shian não fazia ideia de quem era Qin Nong, mas decidiu seguir a conversa.
— Ela ainda está lá?
Zheng Meirong interpretou a pergunta de outra forma.
— Claro que não, presidente Jin.
Shian bateu levemente os dedos na mesa.
— Vejo que a empresa teve excelentes resultados no passado. Mas nos últimos dois anos o desempenho caiu bastante.
Zheng Meirong sentiu o couro cabeludo formigar.
— Bem... depois que Qin Nong saiu, o senhor perdeu o interesse pelo negócio. Considerando tudo, o fato de não ter retirado os investimentos já foi um milagre.
Na verdade, quem havia esquecido da existência daquela empresa não era Jin Shian.
Era ela.
Em silêncio, rezou para que o presidente não resolvesse responsabilizá-la.
Mas Shian parecia satisfeito.
— Entre começar algo novo e reencontrar velhos conhecidos, prefiro a segunda opção. Já que temos uma antiga parceria, devemos cuidar dos velhos amigos. Quem está administrando a empresa atualmente?
— Li Nian.
No dia seguinte, Li Nian foi convidado a comparecer à sede do Grupo Hailong.
Quando Shian entrou no escritório, encontrou-o sentado à espera.
Pela quantidade de pontas de cigarro alinhadas no cinzeiro, devia estar ali havia bastante tempo.
Shian observou a fileira perfeitamente organizada com interesse.
Então virou-se para Zheng Meirong.
— Peça para trocarem esse cinzeiro. Como podemos tratar o presidente Li com tamanha falta de consideração?
Li Nian levantou-se imediatamente e sorriu.
— Não precisa, não precisa. Fui eu quem teve preguiça de trocar.
Era um homem de estatura baixa.
A pele tinha um tom amarelado e cansado. Havia sombras escuras sob os olhos, como se passasse noites demais sem dormir ou se entregasse a excessos pouco saudáveis.
Mas seus olhos...
Seus olhos eram vivos.
Ágeis.
Afiados.
Cheios de inteligência.
Ao vê-los, Shian soube imediatamente que aquele homem era útil.
Depois que Zheng Meirong saiu, ele dispensou também os funcionários responsáveis pelo serviço de chá.
Li Nian voltou a se sentar.
— Faz um mês que você desapareceu. Pensei que finalmente tivesse desistido de Qin Nong. Mas agora vejo que encontrou um novo passatempo. Até uma mesa para praticar caligrafia apareceu no seu escritório.
Shian acomodou-se à sua frente.
— Vou ser sincero. Perdi a memória.
Li Nian não pareceu particularmente surpreso.
Apenas deu de ombros.
Aquilo agradou ainda mais Shian.
Ele tinha seus próprios motivos.
Havia muitas coisas naquele mundo que ainda desconhecia. Se procurasse novos parceiros, suas atitudes estranhas certamente despertariam suspeitas.
Com velhos conhecidos, porém, podia simplesmente dizer a verdade.
As pessoas tendiam a acreditar que alguém mudara depois de um acidente.
Jamais imaginariam que aquela pessoa era, na prática, outra.
Além disso, os relatórios mostravam que a Anlong Entertainment tivera resultados excelentes durante anos.
Li Nian claramente não era incompetente.
Acendendo outro cigarro, ele perguntou:
— Então era por isso que você sumiu. E por que me chamou?
— Quero que você transforme um novato em estrela.
Li Nian caiu na gargalhada.
— Eu sabia! Então você desistiu de Qin Nong porque encontrou um novo amor?
Shian sorriu sem graça.
— Estou falando sério. Nem sequer lembro quem é Qin Nong.
Li Nian o observou por alguns instantes e balançou a cabeça.
— Então ela teve sorte. Deveria acender incenso em agradecimento por você finalmente deixá-la em paz.
Sem saber o que seu antecessor havia feito à mulher, Shian sentiu certo constrangimento.
— Certo. Quem é o novato?
Shian abriu uma foto de Bai Yang no celular.
Era uma selfie dos dois.
Li Nian inclinou-se para olhar.
E imediatamente sorriu.
— Presidente Jin... mudou de gosto? Agora prefere homens?
As orelhas de Shian ficaram vermelhas.
— Não é isso.
— Claro, claro. Entendi perfeitamente.
O sorriso de Li Nian ficou ainda mais divertido.
— Esse garoto me parece familiar. O que ele quer fazer?
— Gosta de cantar.
Pensou por um instante.
— Na verdade, ele quer ser celebridade. Faça o que achar melhor.
Li Nian ficou observando a foto durante vários segundos.
Depois levantou os olhos.
— Nesse caso, você vai precisar gastar bastante dinheiro.
— Dinheiro não é problema. Você acha que ele não tem potencial?
Li Nian sorriu de maneira tranquila.
— Com um rosto desses? Se tivesse um mínimo de talento para cantar ou atuar, já estaria famoso há muito tempo. Não precisaria de você para me procurar.
Deu uma tragada.
— Não o conheço pessoalmente, mas pela minha experiência... esse garoto provavelmente é apenas um vaso bonito.
As palavras incomodaram Shian.
Mas ele não tinha argumentos para rebater.
Li Nian apagou a cinza do cigarro.
— Porém, na indústria do entretenimento, embora digam que fama depende do destino e sucesso depende da sorte...
Seu sorriso tornou-se significativo.
— No fim das contas, quase não existe nada que o dinheiro não consiga comprar.
Era exatamente essa frase que Shian queria ouvir.
— Quanto?
Li Nian apagou o cigarro.
— Cinquenta milhões como investimento inicial. O restante eu apresentarei conforme as necessidades surgirem.
Cinquenta milhões.
Shian fez uma rápida conta mental.
Para o Grupo Hailong, não era uma quantia absurda.
Mas a coragem de Li Nian impressionava.
Era um pedido gigantesco.
— E por que eu aprovaria cinquenta milhões?
Li Nian acendeu outro cigarro.
Através da fumaça, sorriu.
— Presidente Jin... acha mesmo que eu vou responder essa pergunta?
Shian também sorriu.
— Você é inteligente. Sabe exatamente quando deve dizer algo e quando deve permanecer em silêncio.
Li Nian soltou uma risada.
— Nos anos que nos conhecemos, você nunca me chamou de inteligente.
— O passado ficou para trás.
Shian olhou para o cinzeiro.
— Você não tem o hábito de alinhar as pontas de cigarro. Antes da minha chegada, organizou todas elas em fila para me mostrar que estava esperando há muito tempo.
Levantou os olhos.
— Eu gosto de pessoas que falam claramente.
Li Nian arregalou os olhos.
Então caiu na gargalhada.
— Impressionante. Você perdeu a memória e ganhou inteligência.
Continuou rindo.
— Certo. Já que chegamos até aqui, vou falar sem rodeios.
Quatro ou cinco anos antes, Jin Shian conhecera Qin Nong, então uma estudante universitária.
O relacionamento entre os dois seguira o roteiro clássico de um caso de patrocínio.
Para apoiá-la, Shian criara uma agência inteira dedicada exclusivamente à sua carreira.
Havia apenas uma artista na empresa.
Qin Nong.
E o agente responsável era Li Nian.
A jovem correspondia às expectativas.
Primeiro, ganhou popularidade ao interpretar a segunda protagonista de uma série de televisão.
Depois conquistou um prêmio importante de cinema.
E então sua carreira explodiu.
Quando se tornou famosa, sua relação com Li Nian começou a se deteriorar.
Ela passou a influenciar constantemente Jin Shian.
E ele, naturalmente, acreditava em tudo o que a namorada dizia.
O resultado foi previsível.
Qin Nong afastou Li Nian da empresa e abriu seu próprio estúdio.
Li Nian foi descartado.
E permaneceu três anos no esquecimento.
— Vou ser honesto — concluiu. — Se você me contratar, consigo transformar esse garoto numa estrela tão grande quanto Qin Nong. Disso não tenho dúvidas.
Seu olhar ficou mais frio.
— Mas Qin Nong me odeia. Depois de quatro ou cinco anos no topo, ela construiu conexões poderosas. Está no auge da carreira.
Ele soltou um anel de fumaça.
— Qualquer artista que eu lançar será alvo dela. E, considerando seu histórico com ela, a retaliação será ainda pior.
Fez uma pausa.
— Presidente Jin... ainda dá tempo de escolher outra pessoa.
Shian permaneceu em silêncio.
Por alguns instantes.
Então respondeu:
— Você tem certeza de que eu não vou trocar de agente.
Li Nian apenas sorriu.
Shian girou distraidamente um objeto decorativo sobre a mesa.
— Contei a você sobre minha perda de memória justamente porque não quero procurar mais ninguém.
Ergueu os olhos.
— E, pelo que você acabou de dizer, mesmo sem você, Qin Nong continuaria tentando atrapalhar qualquer artista ligado a mim.
Seu sorriso tornou-se leve.
— Nesse caso, sendo você o maior rival dela, não existe pessoa mais adequada para esse trabalho.
Li Nian bateu palmas devagar.
— Essa perda de memória realmente não foi um mau negócio. Conversar com você é muito mais fácil do que antigamente.
Então acrescentou:
— Só não entendo por que você fala de forma tão rebuscada agora.
Shian soltou uma risada resignada.
— O restante ficará a cargo da Meirong. Em outro dia você conhece Bai Yang.
Levantou-se.
— E, sinceramente, acho que ele não é tão inútil quanto você imagina.
— Espero que esteja certo.
Quando Li Nian deixou o edifício Hailong, o sol já começava a se pôr.
Durante três anos ele jamais abandonara a esperança.
Qin Nong havia destruído sua reputação.
Acusara-o de desviar dinheiro dos artistas.
Insinuara que ele se aproveitava das pessoas ao seu redor.
Na época, não tentou se defender.
Sabia que seria inútil.
Havia jovens demais sonhando em entrar no mundo do entretenimento.
Tudo o que precisava fazer era esperar.
E agora...
Ele estava de volta.
Até mesmo o patrocinador continuava sendo o mesmo.
Li Nian sentia que Jin Shian mudara completamente.
Parecia outra pessoa.
Mas isso não importava.
Também não importava se Jin Shian ainda desejava enfrentar Qin Nong.
Para Li Nian, Qin Nong não era nada.
Desde que ele próprio vivesse bem.
Desde que fosse bem-sucedido.
Desde que fosse feliz.
Então ela inevitavelmente seria infeliz.
E não havia prazer maior do que ver uma pessoa detestável se sentir miserável.
Com um sorriso satisfeito, Li Nian afundou o pé no acelerador.
E mergulhou de volta no mar de luzes e trânsito da cidade.
Honoo no mirage Vol. 03 - Capítulo 06
Naoe havia chegado a Yamagata praticamente na mesma época. Havia algum tempo que vinha viajando constantemente entre Tóquio e Yamagata, investigando a morte violenta e inexplicável de um suspeito envolvido em um caso de corrupção. Por fim, encontrara uma pista e a seguira até a cidade de Yamagata.
O escândalo girava em torno do financiamento e da compra de terrenos destinados à construção de um complexo turístico. O caso havia se transformado numa gigantesca rede de subornos que envolvia desde bancos até membros do governo. A origem dos pagamentos ilícitos era uma grande incorporadora imobiliária sediada em Sendai. Dois executivos da empresa, fortemente ligados à investigação, haviam morrido.
Trabalhando sozinho, Naoe infiltrara-se na promotoria usando percepção espiritual e hipnose. Utilizara todos os meios à sua disposição para reunir informações e descobrir a verdade. Finalmente, identificara alguém que parecia ter ligação com os «Yami-Sengoku»: Ueshima, um influente parlamentar do partido governista e representante da região de Yamagata, que mantinha relações estreitas com a incorporadora havia muitos anos e frequentemente intermediava favores para ela. Tudo indicava que também estava profundamente envolvido no caso atual.
Ueshima era o número dois de uma das facções mais poderosas do partido governista. Na verdade, era considerado um dos favoritos para assumir a presidência do partido nas eleições do outono.
Mas agora que o escândalo viera à tona...
(Ueshima provavelmente será quem mais cairá...)
Assassinatos cometidos para eliminar provas de corrupção.
Era assim que Naoe interpretava aquelas mortes estranhas.
Naturalmente, provocar a morte de alguém por mordidas de animais dentro da própria cama era um método extremamente incomum de assassinato quase impossível de imaginar.
Pelo menos, em circunstâncias normais.
Mas não se onryou estivessem envolvidos.
Não era impossível que Ueshima tivesse firmado algum acordo com um onshou dos «Yami-Sengoku» para eliminar os suspeitos de suborno. Afinal, sua candidatura à presidência e toda a sua carreira política estavam em jogo; não seria surpreendente que recorresse a qualquer meio para sobreviver à crise.
Depois de chegar a essa conclusão, Naoe passou cerca de uma semana seguindo Ueshima. O político retornara para sua residência em Yamagata e não fizera mais nenhum movimento significativo. Naoe monitorou minuciosamente todas as pessoas que entravam e saíam da mansão, usando sugestão hipnótica para coletar o máximo possível de informações.
Por fim, descobriu a identidade do onshou com quem Ueshima negociava e os termos do acordo.
O onshou era Mogami Yoshiaki.
E o acordo consistia em permitir que Mogami Yoshiaki utilizasse o corpo de Ueshima como receptáculo espiritual.
— Entendo. Então eles já começaram as invocações dos mortos.
Naoe falava ao celular com Ayako dentro de seu Cefiro, fumando um cigarro. Era o dia seguinte à chegada dela e de Takaya a Sendai. Tratava-se de uma das conversas regulares que mantinham para trocar informações.
Uma barreira havia sido erguida ao redor da mansão de Ueshima, bloqueando completamente qualquer «shinenha». Assim, Naoe dependia de escutas e dispositivos semelhantes para monitorar o que acontecia lá dentro. Havia instalado os aparelhos secretamente em pessoas que frequentavam a residência. Os sinais chegavam até seu hotel, mas ele preferira estacionar próximo à mansão para reagir imediatamente a qualquer eventualidade.
— Então aqueles desabamentos realmente parecem estar relacionados aos «Yami-Sengoku» — comentou Naoe, franzindo o cenho.
— E o Kokuryou-san me informou outra coisa —acrescentou Ayako. — Parece que os onshou estão aparecendo um após o outro pela cidade. Ainda preciso fazer uma análise espiritual mais detalhada, mas a «energia» da terra está muito estranha.
— Estranha? O «jike» mudou?
— Não sei se mudou exatamente. Só não parece natural. Não é como a energia normalmente gerada pelo acúmulo de pessoas e espíritos. É como se tivesse sido criada ou manipulada artificialmente. É uma sensação muito estranha.
— Energia manipulada...? Você ainda não encontrou nenhuma ligação entre isso e as invocações dos mortos?
— Ainda não tenho provas concretas. Mas acho que terei algo até nossa próxima conversa.
— Entendo. Isso me preocupa. Seja como for, nossa prioridade é capturar o onshou responsável pelas invocações e realizar o choubuku o mais rápido possível, antes que mais inocentes sejam feridos. Você consegue lidar com isso sozinha?
— Acho que sim.
— ...Então deixo isso com você.
Após encerrar o assunto, Naoe permaneceu alguns segundos em silêncio antes de perguntar:
— Como... está Kagetora-sama?
— Kagetora? Bem, ele se comportou durante o treinamento especial do Kokuryou-san. Está aprendendo meditação.
— Está indo bem?
— Bem...
Ayako soltou um gemido confuso.
— Ele certamente herdou o talento de Uesugi Kagetora, e o Kokuryou-san não poupou elogios. Mas parece que existe algum problema dentro dele.
O rosto de Naoe endureceu.
— Uma autossugestão?
— Ah, não. Não é isso. Acho que tem mais a ver com Ougi Takaya. Desde que chegou a Sendai, ele parece estranho, distraído. Escuta, Naoe... você nunca ouviu nada sobre Sendai? Algo relacionado a ele?
— Não...
Na verdade, embora conhecesse Uesugi Kagetora profundamente, Naoe não sabia quase nada sobre Ougi Takaya. O rapaz nunca falava de si mesmo e mantinha todos à distância.
(Embora eu tenha ouvido dizer que os pais dele se divorciaram há alguns anos...)
— Sabe, Naoe... ele é muito mais criança do que deixa transparecer. Vive afastando as pessoas, mas não acha que, no fundo, ele quer depender de alguém?
Os olhos de Naoe se arregalaram.
— Eu me pergunto... se ele será capaz de abrir o coração para alguém.
— Haruie...
— Naoe, eu realmente acho que você deveria estar ao lado dele.
Sua voz tornou-se firme.
— Para ele... para Ougi Takaya, nós somos apenas estranhos que apareceram de repente. Mas ainda podemos criar novos laços. Talvez Ougi Takaya não Uesugi Kagetora esteja começando a ver Naoe Nobutsuna como alguém de quem precisa.
— O que foi que deu em você de repente...
— Ele está sofrendo. De uma hora para outra disseram que ele é Uesugi Kagetora e o arrastaram para os «Yami-Sengoku». Ele já nem sabe quem é. É natural que esteja inseguro. Alguém precisa ficar ao lado dele. Ele é muito mais frágil do que parece. Muito mais vulnerável do que aquele garoto, Yuzuru.
— Haruie.
Por um instante, Ayako se calou.
Então confessou em voz baixa:
— Estou começando a achar que ele não é Kagetora.
Naoe piscou.
— Porque ele não sabe de nada! E sua personalidade é completamente diferente. Kagetora era gentil, educado, confiável, inteligente... era perfeito! Pelo menos para mim. Mas esse garoto é totalmente diferente. Como se fosse outra pessoa. E, no entanto... quando está sofrendo, ele tem exatamente o mesmo olhar que Kagetora tinha.
Uma expressão dolorosa atravessou o rosto de Naoe.
— Eu sei que você está tentando compensar seus erros com Kagetora, mas isso provavelmente machucaria essa criança. Quando vi vocês dois em Matsumoto, consegui enxergar a confiança que existia entre vocês há muito tempo, e isso me deixou feliz. Eu não quero que a história se repita.
— Haruie...
— Por favor, fique ao lado dele. Ao lado de Ougi Takaya. Ao lado desta criança que não é Kagetora... e ajude-o.
Naoe permaneceu em silêncio.
Por fim, respondeu em voz baixa, olhando para baixo:
— ...Eu vou.
A ligação foi encerrada.
Encostando-se no banco, Naoe fechou os olhos cansados.
"Eu não quero que a história se repita."
As palavras de Ayako continuaram ecoando em seus ouvidos.
(Não vou permitir que a história se repita...)
Como uma resposta silenciosa, repetiu aquelas palavras dentro de si.
Durante anos as gravara no coração.
Se algum dia tivesse a oportunidade de recomeçar, não permitiria que tudo acontecesse outra vez.
Não faria nada que causasse tristeza ou sofrimento àquela pessoa.
E, mesmo que precisasse enganar a si mesmo...
Não era difícil.
Suportar a dor da mentira era insignificante comparado ao sofrimento que lhe causara.
"Só a você jamais perdoarei, por toda a eternidade."
Aquela sentença de exílio, pronunciada trinta anos antes com o peso do sangue de Kagetora, continuava ressoando em seus ouvidos.
Mas agora era a voz de Ougi Takaya que repetia aquelas palavras.
Palavras que o dilaceravam.
Nos últimos dias, vinha acordando coberto de suor frio.
(Devo estar apenas cansado...)
