24 de jun. de 2026

Poem of Light Year - Capítulo 08

Capítulo 08

Você pode encontrar o poem aqui.

A página do bar começou a me promover, postando uma foto minha mexendo no cabelo e fazendo uma expressão que certamente atrairia clientes. Apenas meia hora depois da publicação, eu já estava deitado na cama lendo os comentários.

A maioria era de fãs.

Alguns até diziam que minha voz era encantadora. Outros comentavam que a música tinha ficado fofa.

Também elogiaram minhas brincadeiras e minha habilidade de animar as pessoas. Houve até quem me desse um novo apelido: “o bebedor lendário”.

Só gostaria de esclarecer que aquela não foi a primeira vez que bebi.

Mas então a tela do celular, que exibia a página do Facebook, mudou para uma notificação de chamada recebida.

Bastou ver o nome de Pisaeng piscando na tela para eu me preparar completamente para mais uma batalha verbal entre nós.

"Tem muita gente olhando a página agora. Parece que você já está fazendo sucesso." 

Nem cheguei a colocar o telefone no ouvido e já ouvi aquela frase arrogante.

Será que existe alguma coisa que eu deva admitir?

"Eu não estou fazendo sucesso. Só estou acima do peso porque como demais. Por que ligou? Eu não sei de nada." 

"Estou sozinho, sem ninguém para conversar." 

"E os seus fãs? Para onde foram todos?" 

"Assunto encerrado." 

"Como assim? Mentira." 

"Se eu te contar a verdade, o que você me dá em troca?" 

Ele realmente achava que podia negociar desse jeito.

Mas o que eu poderia oferecer?

Tudo o que me restava eram minhas cuecas e um quarto bagunçado.

"E se eu fizer uma pergunta para você?" 

— Você disse que eu tenho que dar alguma coisa, mas eu nem conheço garotas para apresentar a você. Se eu pergunto algo, é porque realmente não sei.

— Sua boca é sempre tão destrutiva.

— Pelo contrário. Minha boca é doce, atraente e muito agradável.


— Então um homem bondoso poderia me ajudar?

Aquilo quase me fez pular da cama.

Que tipo de favor ele iria me pedir agora?

Eu tinha medo de responder algo errado e irritá-lo.

Talvez eu devesse desligar acidentalmente e acabar logo com aquela provocação.

— Diga logo o que é.

Mesmo assim, decidi continuar brincando com aquele tigre.

— Converse comigo até eu sentir sono. Depois eu desligo.

Ao ouvir isso, respondi imediatamente:

— Que sonho bonito. Acho que isso fica para outra ocasião.

— Espere. Você não queria saber mais sobre ela? Que pena que não quer ouvir.

Respirei fundo.

Pisaeng era realmente astuto.

Desde que descobriu que eu gostava de alguém, sempre usava essa pessoa como refém.

Sabia que eu acabaria caindo em sua armadilha, porque no fundo ainda queria saber mais.

— Então posso perguntar o que ela gosta? Tipo... comida favorita, cor favorita, que tipo de música ela escuta?

Essas eram perguntas importantes.

A conversa do dia anterior tinha deixado muitas dúvidas.

— Você gosta dela e não sabe nada disso?

Ao ouvir a pergunta, fiquei completamente sem palavras.

Que tipo de idiota ele achava que eu era?

— Não sei por que você está perguntando isso.

— Ela gosta de qualquer coisa com frutas vermelhas. As cores de que gosta são tons claros e pastéis. Quanto ao estilo musical... eu não sei.

— Que amigo ruim você é.

— Nós não somos tão próximos assim.

Então mudou de assunto.

Claro que mudou.

Só consegui revirar os olhos.

— Tem muita gente comentando na sua foto. Alguém perguntou: “Se não encontrarmos Kawee aqui, onde podemos encontrá-lo?” Como eu respondo?

— Isso depende do destino. Essa pergunta não precisa de resposta. Eu responderei com todo o meu coração.

— Quando você fica bêbado, suas bochechas ficam vermelhas. É tão fofo.

 ...


— Sério, Kawee. A única palavra que consigo pensar é “fofo”. Que desperdício...


— Você está bravo comigo de novo? Ainda bem que os clientes gostam do meu tipo.


— Mas Pisaeng não gosta.


— Então de que tipo Pisaeng gosta?

Perguntei baixinho enquanto me virava na cama.


— Do tipo que proíbe Kawee de ficar bêbado. Assim Pisaeng pode cuidar dele o tempo todo no trabalho.


— O que há de errado com você?


— Eu não sei. Mas agora estou muito estranho. Nem eu consigo me entender.


No final, tudo ficou confuso.

Como alguém pode dizer uma coisa dessas e depois simplesmente ficar em silêncio?

E, mais uma vez, naquela noite não falamos sobre Prae Mai.

De alguma forma, tudo sempre acabava girando em torno de mim e de Pisaeng.

Eu gosto das segundas-feiras. Amo as segundas-feiras. As segundas-feiras me fazem sentir como se estivesse apaixonado.
Meus amigos costumam reclamar das segundas-feiras porque elas significam o retorno à pesada rotina de estudos.

Mas para mim é exatamente o contrário.

Elas me deixam tão feliz que eu gostaria que chegassem logo, porque significam que poderei ver, na sala de aula, a pessoa de quem gosto secretamente.

Mas antes disso, eu precisava consultar alguém mais experiente em assuntos amorosos.


— Max, quando você flertou com seu namorado pela primeira vez, o que fez?

Estávamos sentados no banco ao redor da mesa de mármore do grupo.

Todos estavam ocupados com o trabalho exigido pelo professor, mas o tédio precisava ser quebrado por alguma conversa interessante.


— Eu? Convidei ele para o meu quarto usando a desculpa de que estava sem internet.


— Você usou o Wi-Fi como desculpa?

Era um conselho interessante.

Mas não serviria para mim.

Eu provavelmente acabaria apanhando.


— Na verdade, mostrar que você gosta de alguém não é tão difícil.


— Talvez para você. Para mim é muito complicado. Essa pessoa não é fácil de alcançar.


— Então você deveria pensar melhor. Essa pessoa é difícil de alcançar porque realmente é assim... ou porque simplesmente não quer que você a alcance?

Max nem sequer levantou os olhos.

Continuava concentrado na tradução do poema.

Mas suas palavras me fizeram refletir.


— Ou talvez o relacionamento não avance porque ninguém tentou levá-lo a sério.



— Quando você realmente tem o coração de alguém, não precisa se esforçar tanto. As coisas simplesmente acontecem.

— ...


— Suponhamos que eu convide uma pessoa que não é minha namorada para o meu quarto. Se ela não gostar de mim... você acha que ela aceitaria dormir lá? Eu deveria perguntar antes?


— Eu aceitaria.


— Idiota! Seu tolo! Por que você leva tudo ao pé da letra?


— Desculpa.

A conversa terminou ali.

Com o título oficial de “grande idiota”.

Na verdade, eu tinha muitas outras perguntas para fazer.

Mas, para evitar me jogar da cadeira de vergonha, resolvi guardá-las para depois.

Às dez horas chegaria o momento pelo qual esperei a semana inteira.


---

Naquela noite, meu plano era sentar ao lado de Mai.

Nunca imaginei que, assim que entrasse na sala, meus sonhos seriam destruídos ao descobrir que Pisaeng havia ocupado aquele lugar.

Maldito.


— Inacreditável. Uma pessoa como Pisaeng chegou cedo.

Primeiro sorri educadamente.

Depois cerrei os dentes.

— Sai daí. Eu vou sentar nesse lugar.


— Se você chegou atrasado, sente em outro lugar. Como pode chegar mandando nos outros?

Ele fez uma pausa.

— Ah... alguém estava sentado aqui?

Eu tinha vontade de acertá-lo com um bastão.


— Não, Pisaeng. Pode ficar sentado. Olá.


— Oi...

Meu semblante mudou imediatamente quando Mai falou comigo.

Acenei algumas vezes antes de me sentar ao lado de Pisaeng.

Mesmo que aquele idiota estivesse atrapalhando, meu amor ainda estava perto.

E, honestamente, isso já me deixava animado.


— Max, senta aqui.

Bati na cadeira vazia ao meu lado.

Max apenas assentiu.

Como ele já havia cursado aquela disciplina antes, não precisava prestar muita atenção.

Tudo aquilo já era conhecido para ele.

Agora era hora de terminar o trabalho da faculdade enquanto observava meu primeiro amor.

Talvez, depois da aula, eu pudesse convidar Mai e seus amigos para tomar um café.

Ou talvez levá-la ao bar para me ouvir cantar ao vivo.

Mas...

E se ela não gostasse desse tipo de lugar?

Melhor deixar essa ideia de lado.


---


— Isso é trabalho ou estudo?

Depois de um tempo, Pisaeng quebrou o silêncio.

Ao mesmo tempo, o professor entrou na sala e todos voltaram para seus lugares.


— Estudo.

Respondi sem levantar os olhos.


— O que é? Parece longo.


— Não seja intrometido.


— Você já está obcecado mesmo. O que custa me contar?


— É o poema The Phoenix and the Turtle, de Shakespeare.


— Nunca ouvi falar.


— Seria estranho se tivesse ouvido. Além disso, é difícil de traduzir. Você precisa entender todo o contexto do poema.


— Mas se você estuda essa área, deve gostar dela.


— Gosto mais do que nunca.

Daqui a dez anos talvez eu nem use muito desse conhecimento.

Talvez apenas para traduzir filmes de época.

Mas, no fim das contas, eu gostava muito mais da minha profissão futura do que de qualquer outra carreira.


— Isso é normal. Em pouco tempo nossos gostos podem mudar.

Mas eu ainda acredito que algumas coisas permanecem iguais.


— Existem mesmo coisas que nunca mudam?


— Não seria bom se existissem?

Virei a cabeça para encará-lo.


— O dinheiro no meu bolso continua igual. Sempre pouco.

Pisaeng sorriu.


— Você continua sendo um perseguidor profissional. Continua adorável como sempre.


Sorri de volta.


— E você continua usando os pés para pisar nos outros.

Isso sim permanecia igual.

Às vezes parecia que tínhamos algum propósito.

Às vezes tudo parecia absurdo.

Mas quando conversávamos...

Era estranho.

Eu esquecia completamente das pessoas ao redor.

Sem perceber, duas horas passaram voando.


---


— A aula foi cancelada. Até mais tarde. Temos compromisso.


— Ah... espera um pouco!

Antes que eu pudesse terminar a frase, ela e seus amigos já haviam saído da sala.

Só me restou suspirar.

Até que ouvi uma risada debochada.


— Coitado. Que coração partido.

Jurei que não falaria com ele pelas próximas duas horas.

Mas então...


— Eu posso marcar um encontro para você.


— Sério?

Mal haviam passado trinta segundos.

Meu juramento tinha sido destruído.

Sou fácil demais.


— Claro. Nos encontramos à tarde.


— Nos encontramos? O quê?

Mas Pisaeng já tinha encerrado o assunto.

Nenhum protesto seria aceito.

Afinal, ele também era uma criança mimada.


---

Depois da aula, Max foi encontrar o namorado.

E eu segui sozinho para casa.

Ou pelo menos era o plano.

Porque o demônio em pessoa estava sentado embaixo do prédio da faculdade, balançando as pernas enquanto me esperava.

Assim que o vi, pensei em fugir.

Mas fui interceptado antes.

A mão grande dele segurou meu braço.

— O que foi agora? Quero voltar para o dormitório. Estou ocupado.

Não era mentira.

Depois de ganhar uma segunda chance na juventude, eu tinha decidido fazer tudo para evitar o fracasso do futuro.


— Vou te acompanhar.

A resposta foi curta.

Mas seu olhar deixava claro que aquilo era mais uma ordem do que uma oferta.


— Não preciso de acompanhante. Sou mais velho e consigo voltar sozinho.


— Tudo bem.

As palavras diziam uma coisa.

As ações diziam outra.

No instante seguinte eu já estava sendo arrastado para o carro.


---


— Você nem sabe para onde estou indo.


— Sei.


— Como assim sabe? Está me seguindo?


— Sei porque você vai me contar depois.

O carro parou num sinal vermelho.

Para ir ao dormitório, ele deveria virar à direita.

Mas quando o sinal abriu...

Continuou em frente.


— Para onde estamos indo?


— Estou com fome.


— Então me deixa aqui.


— Não vou. Com quem você acha que eu vou comer?


— Você é muito egoísta.

Às vezes eu me perguntava por que precisava cruzar o caminho de alguém assim.

E não era apenas uma vez.

Eu o encontrava cada vez mais.

Era quase como se Pisaeng estivesse me seguindo.


— Você faz tanto escândalo. Eu gosto disso. Você é fofo.


— Quem quer comer com você?


— O quê? Não ouvi.

Ele inclinou a orelha em minha direção, provocando.

Então gritei ainda mais alto:


— UAU!


— Hahaha! Faz de novo.


— Para! Para! Para!


— Muito fofo.

Era exaustivo.

Eu me rendi.


---

Acabamos sentados numa lanchonete simples.

Nada luxuoso.

Era o tipo de lugar frequentado por universitários com pouco dinheiro.

Perfeito para alguém como eu.


— O que você vai comer?

Olhei o cardápio.


— Couve com barriga de porco crocante. Dez baht.


— Não. Quero arroz frito com dois ovos.


— Arroz frito com ovo de novo? Seu rosto vai virar um ovo.


— Quem é você para falar do rosto dos outros?


— Tá bom, tá bom.

Ele anotou os pedidos.

Depois perguntou:

— E para beber?


— A água não é grátis?

Olhei ao redor.

E encontrei uma placa enorme:

“Água grátis apenas para funcionários.”

Uma tragédia.


— Então peça a bebida mais barata do cardápio.

Pisaeng pareceu irritado.

— Eu resolvo isso. Só faz o pedido.

— Tá bom. E quem vai pagar?


— Eu não posso sustentar você para sempre.


— Então só água mesmo.


— Vou pedir uma Coca-Cola.


— Certo.

Eu odiava aquele sorriso.


---

A comida chegou rapidamente.

Meu arroz frito.

A couve com porco crocante de Pisaeng.

Eu sabia que aquela carne era deliciosa.

Mas cara demais para o meu bolso.

Em poucos minutos meu prato estava completamente vazio.

Enquanto isso, Pisaeng praticamente não tocou na própria comida.


— Você não vai comer?


— Pode comer.


— Você pediu e nem experimentou.


— Você está me observando?


— Droga.

Voltei a olhar para meu prato vazio.

Mas logo notei que o dele continuava praticamente intacto.


— Então você realmente não vai comer?


— Não.

Ele empurrou o prato na minha direção.

— Eu pedi sem saber que você não conseguiria resistir.

O porco crocante parecia me chamar.

E eu quase chorei de felicidade.


— Está gostoso?

Os olhos dele eram difíceis de ler.

Mas pareciam os de um adulto observando uma criança feliz.


— Então você não queria comer e agora eu tenho que comer tudo?


— Exatamente.

E da próxima vez, se eu não quiser alguma coisa, você come por mim.

Não sabia para onde olhar.

Por que ele falava com aquela voz tão suave?

— Você acha mesmo que vai existir uma próxima vez?

— Vai existir.

Eu quero que exista.

Por um instante...

Eu também pensei a mesma coisa.

"Eu quero que isso continue."

Era um pensamento estranhamente reconfortante.

Preciso admitir que tenho trabalhado bastante ultimamente.

Tudo o que pode ser feito para evitar morrer de fome, eu estou fazendo.

Os trabalhos de tradução continuam aparecendo. Já a série que eu traduzia precisou ser interrompida por um tempo por falta de dinheiro.

Às vezes, sobreviver exige definir prioridades e viver apenas com o básico.

Por isso fui entregar meu portfólio a uma empresa que trabalha com tradução.

No fim, eles não me aceitaram porque ainda não tenho experiência suficiente.

Tudo bem.

Talvez me liguem daqui a alguns anos.

Como sempre, continuei com meu outro trabalho de meio período:

Cantar no bar.

Na verdade, não exigia muito esforço.

Os clientes gostavam, o dono do bar me pagava e ainda me dava comida.

Isso já era suficiente.

— Kawee, estes são meus amigos. Golf... e Ran.

— Olá.

Pisaeng trouxe os amigos para o bar.

Eu os reconhecia de vista porque estudávamos na mesma faculdade, mas nunca havíamos conversado de verdade.

Já passava um pouco da uma da tarde.

Eu precisava me preparar para a apresentação.

Não sei quanto tempo os cantores profissionais gastam ensaiando ou ajustando instrumentos.

Minha preparação consistia basicamente em comer.

— Senta aqui comigo.

Dei de ombros e me sentei.

Ran era quase tão alto quanto Pisaeng.

Talvez até alguns centímetros mais alto.

Sua pele extremamente clara fazia seu rosto parecer delicado como o de um ator chinês.

Golf também era alto e branco, mas tinha uma expressão mais séria.

Ainda assim, os três tinham exatamente o mesmo olhar sedutor.

Definitivamente eram amigos próximos.

— Meus amigos queriam conhecer você.

Pisaeng sentou-se ao meu lado.

Os outros dois ficaram do lado oposto da mesa.

— Olá. Eu sou Kawee. Prazer em conhecer vocês.

Continuei enchendo a boca de arroz.

— Ele nem parece nervoso. Só continua comendo.

Uma pessoa com fome come.

O que havia de estranho nisso?

— O cozinheiro deve gostar muito de você. Preparou uma porção extra.

— Parece pouco. Acho que vou terminar o resto.

Se Pisaeng não tivesse segurado meu braço, a colher provavelmente teria voado na cabeça dele.

— O que foi?

— Não perca tempo. Termine de comer.

Depois disso, voltei para minha preparação pré-show.

O que mais me surpreendeu foi a quantidade de clientes naquela noite.

O bar estava lotado.

— Kawee, lembre-se. Você não pode aceitar bebidas de ninguém.

Se algum cliente oferecer alguma coisa, recuse.

— Como vou recusar? Eles são clientes.

— Eu vou sentar bem na sua frente.

Então todas as bebidas serão minhas.

Mas se alguém vier falar com você, diga não.

Entendeu?

— Entendi.

— Você prometeu.

— Tá bom.

Sem responder mais nada, subi ao palco.

Os aplausos começaram imediatamente.

P'Fluke devia estar radiante.

Ainda eram sete e meia da noite e o bar já estava lotado.

Comparado à semana passada, a diferença era enorme.

— Olá. Eu sou Kawee. Vocês podem me encontrar aqui todas as terças e quintas-feiras.

Eu estava tão nervoso que mal conseguia esconder o tremor.

— Obrigado por todos os comentários.

— WOOOOOO!

— Da última vez, li os comentários deixados na caixa de sugestões. Um cliente pediu que eu cantasse I Love You So.

Então me preparei para isso.

— WOOOOOO!

Nunca imaginei que alguém pudesse gritar tão alto por minha causa.

Antes as pessoas apenas me ignoravam.

Ou reclamavam.

— Então vamos começar. Cantem comigo.

Meus dedos tocaram as cordas do violão.

A introdução foi curta.

Então a música começou.

I just need someone in my life to give it structure
To handle all the selfish ways I spend my time without her
You're everything I want but I can't deal with all your lovers



Gen Y - Capítulo 23

Capítulo 23

O peso sobre seu corpo começou a mudar de posição.

Continuava descendo lentamente enquanto Kit tentava entender o que Mark pretendia fazer. Um sopro quente atingiu a pele da parte inferior de seu abdômen, fazendo Phi Kit contrair o corpo involuntariamente de susto...

Phi Kit não teve tempo para pensar mais nas intenções de Mark, porque aquele ar quente...

...continuava descendo.

— Mark! Mark!... Espera!

Kit se moveu, apoiando a testa com a mão antes que Mark chegasse ao destino que desejava.

— Já que você não me deixou falar, eu pretendia resolver desse jeito.

Mark respondeu com uma expressão perfeitamente natural.

Era verdade...

Mas isso não significava que Kit permitiria que sua boca fosse usada para algo além de falar!

— Não! Mesmo que fosse isso... e... e...

Pense nos acontecimentos de hoje, de ontem e de qualquer outro dia! Porque eu não me lembro de ter concordado em ser o namorado de Mark!

Essas palavras fizeram o cérebro de Phi Kit entrar em curto-circuito por alguns segundos.

Quando recuperou a consciência, todas aquelas faíscas que piscavam dentro dele desapareceram num instante.

Quem imaginaria que Mark chegaria tão perto assim?

Kit engoliu em seco.

Se pensasse nisso como uma forma de compensação pelo trauma que causou a Mark...

Nesse momento, a racionalidade do estudante de medicina finalmente voltou ao normal.

— Se você não gostar, eu posso fazer outra coisa no lugar...

Mark olhou para Kit, que tentava impedi-lo.

Estar tão perto da pessoa amada, envolvida em seus braços...

Quem conseguiria resistir?

— A única coisa que você deveria fazer agora é parar de ficar impressionado comigo.

O rosto de Kit voltou a exibir sua habitual expressão irritada.

Mark ficou sem reação.

Kit se afastou, esperando sair da zona perigosa da cama.

Mas Mark o segurou a tempo.

Com tanta força que Kit percebeu o quanto o outro estava sem ar.

— Phi Kit, nós já chegamos até aqui... ou você simplesmente não gosta de mim?

Dez minutos atrás ele parecia um cachorrinho.

Como havia se transformado num lobo faminto?

Ou essa era a verdadeira personalidade do novo Mark, alguém com quem Phi Kit teria que aprender a lidar?

— Não vou falar muito. Mas você veio aqui hoje para conversar sobre nós.

Kit o lembrou.

Se isso ajudasse a apagar o fogo nos olhos de Mark, então podiam conversar.

— Conversamos depois.

Mark tentou se aproximar outra vez.

Mas, desta vez, Kit o manteve afastado com firmeza.

— Não! Eu não gosto de pular etapas. Nem quando se trata de conversar.

Kit o encarou ferozmente.

Usou toda a sua severidade para controlar aquele garoto teimoso que ainda não conseguia se acalmar.

— É isso que você quer, Phi Kit?... Você realmente é cruel comigo.

Mark murmurou.

Reprimiu o coração acelerado e o sangue fervendo que subia pelo corpo.

Fechou os olhos e permaneceu deitado ao lado de Phi Kit por alguns instantes.

Inspirou.

Expirou.

Até que seus batimentos voltassem ao ritmo normal.

Kit finalmente conseguiu escapar daquela situação perigosa nos braços de Mark.

Sentou-se e esfregou o rosto.

Ao olhar para si mesmo, uma série de palavrões passou por sua mente.

Droga.

Quase tinha arrancado os botões da camisa e afrouxado o cordão da calça.

Era impossível ignorar os olhos tristes de Mark.

Começou então a abotoar a camisa novamente.

Phi Kit...

Você provoca desse jeito e depois foge.

Se Mark quisesse reclamar, para onde poderia apelar por justiça?

— Mark...

Kit pronunciou seu nome em tom de advertência.

Porque Mark já estava levando a mão até sua camisa outra vez.

O dono do nome sorriu.

Assumiu a responsabilidade por aquilo que havia feito e começou a ajudar Kit a abotoar a camisa.

— Olha para mim. Eu sou um bom garoto. Obedeço ao Phi Kit.

Se você mandar eu parar, eu paro.

Não vou insistir, mesmo que você não queira fazer nada.

Mark arrumou cuidadosamente a roupa de Kit.

Depois se levantou e foi para os pés da cama, onde deveria ter ficado desde o início.

— Sobre nós...

Eu sei que nunca vou conseguir desistir de você.

O que seremos daqui para frente...

Cabe ao Phi Kit decidir se quer ou não me dar outra chance.

Kit ficou em silêncio.

Preparou-se mentalmente.

Achava que reconquistar Mark e recomeçar levaria muito tempo e esforço...

Mas aquele garoto já havia se preparado para deixá-lo decidir tudo.

Phi Kit deixaria de lado seu orgulho pela pessoa que amava?

— Se alguém precisa pedir outra chance... provavelmente sou eu.

Mark sempre foi muito mais sincero consigo mesmo do que Kit.

E, a partir de agora, Kit não pretendia deixá-lo escapar novamente.

— Se formos namorados, serei eu quem vai te pedir em namoro, Mark.

Mark congelou.

Não conseguia esconder a felicidade.

Agarrou imediatamente o braço de Kit.

— Sério!?... Phi Kit vai me pedir em namoro?

Quando?

Pode ser em qualquer lugar! Onde você quiser!

Claro que não agora.

Ainda mais considerando que Phi Kit estava de pijama no dormitório.

E que tinha acabado de sobreviver ao risco de perder o controle por causa do invasivo Mark.

— Você vai descobrir sozinho.

Prepare-se bem para esse dia.

— Não pode ser agora, Phi Kit?

Eu ouvi claramente que você disse que vai me pedir em namoro.

Mark parecia completamente ansioso.

Queria deixar de ser solteiro o quanto antes.

— Espere até a hora certa. Consegue fazer isso?

Kit colocou a mão sobre a de Mark.

— Quanto tempo vou ter que esperar?

Só peço que Phi Kit não me faça esperar por muito tempo.

Mark aproximou o rosto.

Esperando que Phi Kit tivesse pena daquele cachorrinho de olhos escuros.

Tão obediente quanto Mark.

Kit revirou os olhos quando os mesmos braços carentes o abraçaram novamente.

Eles haviam voltado a ficar juntos.

Provavelmente Mark imaginava que Kit estava preparando um pedido especial.

Por isso queria aproveitar cada segundo para tocá-lo.

A solidão em seu peito desapareceu quando Mark voltou para sua vida.

Foi substituída pelo calor daquele abraço.

Era inútil continuar enganando a si mesmo.

Além de aceitar honestamente seus sentimentos, Kit também gostava daquele abraço.

— Eu queria te ver hoje porque, na próxima semana, talvez eu não tenha tempo.

Vou ensaiar música todas as noites.

Mas vou tentar vir te ver sempre que puder, Phi Kit.

Você sabe, né?

O Festival de Inverno das Estrelas Quentes.

Kit assentiu.

Pensou no próximo festival musical.

Era um evento organizado por estudantes de diversas faculdades da universidade, realizado na área do píer à beira-mar.

Uma atmosfera ao ar livre.

Música suave.

Alunos veteranos e novatos se revezando para cantar e tocar instrumentos.

Da tarde até o cair da noite.

Era um dos eventos mais aguardados do ano.

Kit acabara de descobrir que Mark e Wayu participariam dele.

— Você tem que ir.

Vamos reservar os melhores lugares para você.

Esse também era um dos motivos pelos quais Mark tinha ido procurá-lo.

— ...Se eu estiver livre, talvez apareça.

No último ano da faculdade de medicina, Kit ainda fingia não entender.

Aquilo era praticamente um palco para declarações de amor através de músicas.

— Não está curioso?

Sobre a música que eu vou cantar?

Mark tentou convencê-lo.

Aceitou uma agenda de ensaios exaustiva justamente porque queria impressionar a pessoa que amava.

— Se eu quiser saber, posso perguntar ao Wayu.

— Ninguém pode te contar melhor do que eu.

Mais uma vez.

Esse novo Mark aparecia para seduzi-lo a cada três minutos.

— ...Então se apresse e vá ensaiar.

Eu vou voltar a dormir.

Kit inventou uma desculpa para expulsar o visitante não convidado de sua cama.

Quando viu os olhos brilhantes de Mark, sentiu a respiração falhar.

Parecia que algo estava florescendo novamente dentro dele.

Nem o Doutor Kit sabia se conseguiria resistir outra vez.

Mark lambeu os lábios distraidamente.

Conseguir entrar no dormitório de Phi Kit não era algo fácil.

Mas também temia perder o controle se continuasse sozinho com ele.

Levantou-se devagar.

— ...Eu estava pensando, Phi Kit.

Da próxima vez que eu vier ao dormitório como seu namorado...

Isso não vai ser pular etapas, certo?

— Não sei!

O rosto de Kit ficou vermelho imediatamente.

Diante daquela pergunta ambígua, ele simplesmente se recusou a responder.

Reunindo todas as forças que ainda tinha, empurrou Mark pelas costas para fora do quarto.


Área de ensaios — Universidade

Mark e Wayu estavam ocupados ensaiando violão e as músicas que apresentariam no próximo Festival de Música de Inverno.

Wayu franziu a testa.

Ainda não estava satisfeito.

Depois de terminarem o ensino médio, ambos haviam passado um bom tempo sem cantar ou tocar.

— Ensaiamos de novo, Mark.

Não ficou bom.

— Você parece mais sério do que eu, Yu.

A música que você escolheu tem algum significado especial?

Conta para o seu amigo Mark.

— Só escolhi uma música que combina com a sua. Só isso.

Wayu voltou a ensaiar.

— É mesmo?

Você também está apaixonado.

Eu vi você ensaiando ontem.

Me diz... em quem você estava pensando, Yu?

— Mark!

Você quer ensaiar ou não?

Hoje eu também tenho um compromisso. A pessoa chega em quinze minutos.

— Então continuamos amanhã.

Cante com o coração.

Mark tomou um gole de água.

Wayu apenas balançou a cabeça diante das brincadeiras dele.

Enquanto observava o amigo, a expressão de Mark mudou ligeiramente.

Havia preocupação em seu olhar.

Olhe para o coração, não para a aparência.

— Com quem você vai se encontrar?

Você anda ocupado demais ultimamente.

Antes ficava sentado aqui o dia inteiro.

— Hã? Eu não posso encontrar outro amigo?

— Claro.

Mas se fosse só um amigo comum, seu rosto não ficaria vermelho assim.

A provocação foi extremamente eficaz.

Wayu levou a mão à bochecha imediatamente.

Suspeito demais.

O barulho de outros estudantes entrando na sala chamou a atenção dos dois.

Ao olharem na direção do som, viram uma figura alta caminhando lentamente.

Ele cumprimentava os alunos que se lembravam dele das atividades beneficentes realizadas semanas antes.

Seus olhos afiados encontraram Wayu e Mark.

E então ele sorriu levemente.

Fazendo aquele rosto sério parecer muito mais suave.

— Não me diga que é ele...

Mark provocou.

Wayu não negou.

— Olá, Phi Thanu.

Wayu cumprimentou o outro.

Mas não teve coragem de encará-lo diretamente.

Era o primeiro encontro dos dois depois dos acontecimentos daquele dia.

Mesmo após tanto tempo, o toque e o calor daquele momento ainda permaneciam vivos em sua memória.

Mark se levantou completamente.

Um astro da universidade como Doutor Thanu parecia ter vindo especificamente atrás de alguém.

Quando se tratava de Phi Kit, Mark tinha confiança suficiente.

Mas quando o assunto era seu amigo importante...

Ele ainda não conseguia interpretar as intenções de Thanu.

— Você veio me procurar?

Tem algum assunto para conversar?

Mark perguntou sinceramente.

Apesar de já ter percebido que aqueles olhos escuros estavam voltados para Wayu.

Thanu respondeu calmamente:

— Eu vim procurar Wayu.

Objetivo direto e claro.

Mark estava prestes a continuar investigando.

Mas Wayu interrompeu antes que ele pudesse agir como um amigo ciumento.

— Até amanhã, Mark.

Hoje vou levar o irmão Thanu para comer como agradecimento por ter me ajudado quando fiquei doente.

Vamos!

Antes que Mark começasse a interrogá-lo ou fazer piadas.

— Até a próxima, Nong Mark.

Thanu assentiu educadamente.

Hmm.

Pelo menos era educado.

— Não esqueça de vir ouvir Nong Wayu cantar no Festival de Inverno.

Ele também tem uma música especial.

As palavras fizeram Wayu lançar um olhar mortal para Mark.

Thanu encontrou os olhos de Wayu.

Desta vez, suas bochechas realmente começaram a corar.

A expressão silenciosa de Wayu era ao mesmo tempo adorável e irritante.

— Phi, não escute as bobagens que o Mark fala.

Wayu murmurou.

Como se estivesse lançando um feitiço para fazê-lo parar de falar.

Mas Mark observou atentamente seus lábios.

Sabia que Wayu tinha palavras capazes de silenciá-lo completamente.

E provavelmente o ameaçaria contando tudo para Phi Kit.

— ...Mas se vocês vão apenas comer, por que está segurando o braço dele desse jeito?

— Ah... ah...

Desculpe, Phi Thanu.

Só então Wayu percebeu que ainda estava agarrado ao braço de Thanu.

Soltou-o imediatamente.

— Tudo bem.

Vamos, Wayu.

Thanu não comentou mais nada.

Discretamente, pegou os pertences que Wayu carregava.

Wayu ficou sem jeito.

Mas não teve coragem de recusar.

Apenas agradeceu em voz baixa e seguiu ao lado dele.

Há quanto tempo seu coração não sentia esse tipo de calor?

Mark permaneceu de braços cruzados observando os dois se afastarem.

Mesmo vendo apenas suas costas, alguém que conhecia Wayu há mais de dez anos conseguia perceber claramente o que estava acontecendo.

E então se perguntou:

Será que as músicas que os dois apresentariam naquele evento...

...não seriam apenas para declarar amor a Phi Kit?


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After I Died, the Scum Gong's Grief was Too Much for Him to Live - Capítulo 46

Capítulo 46: Encontrando uma medula óssea adequada

Percebendo a ansiedade no tom de voz de He Tianming, Xu Zhun sentiu que algo particularmente importante devia ter acontecido.

Ele trocou de roupa às pressas, saiu do hotel e ficou à beira da estrada esperando.

Doze minutos depois, o carro de He Tianming parou na beira da estrada.

Xu Zhun abriu a porta do carro e entrou. "Presidente He, o que aconteceu?"

He Tianming olhou para ele atentamente, seus olhos revelando um significado profundo.

Xu Zhun não conseguia entender seus pensamentos e olhou para ele sem expressão, "O que... há de errado?"

He Tianming apertou e afrouxou o volante várias vezes antes de finalmente acalmar suas emoções turbulentas.

Ele não disse nada, mas silenciosamente ligou o carro e deu meia-volta.

Embora não tivesse passado muito tempo com He Tianming, Xu Zhun percebeu pela expressão dele que algo devia ter acontecido.

Como He Tianming não disse nada, ele não se atreveu a continuar perguntando e só pôde supor em sua mente.

No meio do caminho, Xu Zhun exclamou: "Presidente He, aconteceu alguma coisa com a tia Lin?"

Ele ficou particularmente com o coração partido quando o ouviu mencionar Lin Meijuan.

Durante oito anos, Xu Zhun viveu sozinho e na miséria. Enquanto isso, o impostor desfrutava de amor materno e felicidade que não lhe pertenciam.

He Tianming dirigiu em silêncio, acelerando pela estrada.

Essa foi a primeira vez que ele perdeu o controle dessa forma, a primeira vez que ele quis esmagar alguém até o inferno.

Lin Shuo, não, quero dizer Xu Yi, eu nunca vou te deixar ir!

He Tianming apertou o volante com mais força, seus olhos ficaram vermelhos e sua expressão era extremamente assustadora.

Essa foi a primeira vez que Xu Zhun o viu mudar de expressão e ficar com raiva depois de tantos encontros.

Ele se sentiu ainda mais inquieto: "Sr. He, o que exatamente aconteceu? Foi a tia Lin...?"

Enquanto conversavam, He Tianming já havia entrado com o carro na área da vila.

Xu Zhun já havia estado neste lugar antes; era a casa de Lin Meijuan.

Seu coração deu um salto. Será que realmente algo tinha acontecido com Lin Meijuan?

O coração de Xu Zhun estava na garganta. Ele apertou o cinto de segurança com força e rezou em silêncio para que Lin Meijuan não sofresse um acidente.

O carro parou em frente à mansão. He Tianming pegou o relatório do teste de DNA do console central, saiu do carro, agarrou o pulso de Xu Zhun, puxou-o para fora do carro e entrou na mansão.

Ele caminhava de forma rápida, e Xu Zhun quase não conseguia acompanhá-lo.

"Sr. He, o que aconteceu?"

Xu Zhun correu atrás de He Tianming, mas parou abruptamente ao ver o que He Tianming estava segurando.

He Tianming percebeu que ele havia parado de se mover repentinamente e se virou para olhá-lo.

Ao ver que Xu Zhun estava olhando fixamente para a própria mão, ele percebeu que Xu Zhun tinha visto o relatório do exame.

He Tianming decidiu parar de esconder e entregou-lhe o relatório diretamente: "Quando você fez seu último exame físico, eu peguei secretamente uma amostra do seu sangue e a enviei para o laboratório para comparar com a amostra de sangue da tia."

Xu Zhun olhou para ele sem expressão, com a mente a mil.

Ele desviou lentamente o olhar para o relatório, seus dedos trêmulos estendendo-se para fora—

Embora fossem apenas algumas folhas finas de papel, Xu Zhun achou-as incrivelmente pesadas.

Minhas mãos tremiam tanto que, por várias vezes, não consegui virar a página até o final. Foi preciso muito esforço para finalmente ver os resultados da inspeção final.

Ao ver as palavras "parentesco estabelecido", Xu Zhun sentiu o coração estremecer e a mente ficou em branco.

"Xiao Zhun, é verdade!"

He Tianming segurou o ombro de Xu Zhun e olhou para seu rosto surpreso: "Você é mesmo filho da tia Lin."

Quando He Tianming mencionou a marca de nascença e o pingente de cabaça naquele dia, Xu Zhun já havia começado a duvidar de sua própria identidade.

Mas a dúvida não é uma conclusão; ele ainda pode se esquivar da responsabilidade.

A verdade agora está exposta diante dele, direta e impactante, não lhe deixando outra escolha senão confrontá-la.

"EU......"

Xu Zhun estava com um humor complexo e, de repente, ficou sem palavras.

Ele olhou fixamente para He Tianming, como uma criança confusa.

He Tianming sabia que as coisas tinham acontecido muito de repente, e era compreensível que Xu Zhun não estivesse preparado e não pudesse aceitar isso por um tempo.

Ele suavizou o tom e disse gentilmente: "Xu Zhun, sua tia está procurando por você há muito tempo. Seu maior desejo sempre foi encontrá-la. Ela vive com culpa, sentindo que foi sua falha como mãe que levou à sua separação. Depois que seu tio faleceu, ela sempre viveu em dor e se culpando. Você é sua única motivação para viver."

“Ainda não é tarde! Vamos encontrar a tia e contar a verdade. Ela tem o direito de saber que foi enganada e tem o direito de se reunir com seu filho biológico.”

"Ninguém deve usar os laços familiares como ferramenta para obter vantagens pessoais."

“Xu Zhun, todo o amor que você perdeu ao longo dos anos será compensado nos anos que virão.”

"Venha comigo! Vamos visitar a tia juntos."

Assim que He Tianming terminou de falar, Xu Zhun se desvencilhou rapidamente dele.

"Eu não vou!"

He Tianming ficou surpreso.

A reação de Xu Zhun foi completamente inesperada.

"Você não quer cumprimentar sua tia?"

Xu Zhun desviou o olhar, rangendo os dentes, e disse: "Não quero."

He Tianming ficou chocado: "Sua tia é sua mãe biológica! Xu Zhun, você ainda está culpando sua tia? Na verdade, sua tia nunca desistiu de te procurar. A situação de Lin Shuo foi realmente um acidente."

Xu Zhun permaneceu em silêncio e caminhou rapidamente em direção à porta.

He Tianming o perseguiu e agarrou seu braço: "Xu Zhun—"

Xu Zhun virou-se subitamente, arrancou o relatório de DNA da mão dele e o rasgou em pedaços.

Os fragmentos espalhados pela grama são como o coração de Xu Zhun, despedaçado em pedaços.

Não é que ele não queira reconhecer Lin Meijuan!

Ele não pode!

He Tianming olhou fixamente para Xu Zhun, vendo apenas tristeza em seu rosto.

Naquele instante, ele compreendeu.

"Xu Zhun, você—"

Ele tinha tanto a dizer, mas não conseguia pronunciar uma única palavra.

A angústia que o sufocava quase dilacerava o peito de He Tianming.

Dói! Dói muito!

Ele não conseguiu mais se conter e abraçou Xu Zhun com força.

"Xu Zhun, sua doença definitivamente tem cura. Podemos encontrar um doador de medula óssea compatível e você certamente se recuperará."

Lágrimas escorriam pelo rosto de Xu Zhun: "E se não pudermos? Vamos deixar que ela, uma senhora idosa, enterre seu filho pequeno?"

He Tianming estremeceu, com o coração apertando dolorosamente.

Dói muito!

É muito doloroso!

Por que a vida parece sempre atormentar esse pobre menino?

He Tianming não conseguia entender por que as pessoas boas não viviam muito tempo.

Xu Zhun era tão bom. Ele era tão alegre, tão otimista, tão ambicioso... Ele era melhor do que qualquer outra pessoa. Por que o destino tinha que torturá-lo repetidamente?

Sequestrado quando criança, órfão e atormentado por doenças... Por que todas essas coisas tiveram que acontecer somente com ele?

Ele tinha muitos "porquês", mas não conseguia encontrar a resposta para nenhum deles.

Enquanto He Tianming perdia o controle, as emoções de Xu Zhun gradualmente se acalmavam. Torturado e marcado pelo destino, ele havia se tornado insensível à dor.

"Sr. He, vamos fingir que o incidente de hoje nunca aconteceu. Por favor, não mencione meu nome para a tia novamente."

Encontrar um doador de medula óssea compatível é difícil, e mesmo que se encontre um, o risco de complicações durante a cirurgia é alto. E se ele morrer na mesa de operação, ou não sobreviver para ver a cirurgia? Lin Meijuan teria então que enterrar o filho.

O filho biológico que ela finalmente encontrou foi diagnosticado com uma doença terminal. Como Lin Meijuan poderia aceitar isso?

Ela já tinha mais de cinquenta anos, e seu maior desejo era estar rodeada pelos filhos e netos, desfrutando seus últimos anos em paz. Não poder cuidar dela ou estar com ela já era o maior ato de impiedade filial. Como Xu Zhun poderia suportar deixar essa mulher tão sofrida sofrer a dor de perder o filho?

He Tianming compreendeu seus pensamentos e seu coração doeu terrivelmente: "Xiao Zhun, confie em mim desta vez. Eu posso encontrar um doador de medula óssea compatível para você, eu definitivamente posso."

Xu Zhun queria viver, mais do que nunca.

Quando as pessoas criam laços afetivos, perdem sua atitude despreocupada.

"Sr. He, eu quero fazer tratamento."

A atitude positiva de Xu Zhun em relação ao tratamento tranquilizou He Tianming: "Xiao Zhun, vou encontrar um médico hoje. Você precisa tomar seus remédios e cooperar com o tratamento. Confie nos remédios, você certamente se recuperará."

"Não mencione isso para a tia Lin até que eu me recupere."

Os olhos de Xu Zhun suplicavam: "Presidente He, eu imploro! Não quero que ela fique triste e chateada. Se algo realmente me acontecer, por favor, deixe que Lin Shuo cuide bem dela em meu lugar. Ao longo dos anos, Lin Shuo e Tia Lin se deram muito bem. Acho que ele tratará Tia Lin como se fosse sua própria mãe."

A ideia de Lin Shuo ocultar e enganar deliberadamente o ocorrido encheu He Tianming de raiva.

Se ele tivesse encontrado Xu Zhun mais cedo, não teria sofrido tanto.

Esses oito anos de dificuldades podem ser a razão pela qual ele adoeceu.

“Não vou deixar que ele fique com a tia. Uma pessoa com um coração tão perverso jamais se importaria de verdade com a tia.”

"O presidente He me prometeu..."

"Xiao Zhun, Tian Ming, sobre o que vocês estão discutindo?"

Lin Meijuan viu pessoas no pátio através das portas francesas e descobriu que eram Xu Zhun e He Tianming.

Ao ver os dois parados no gramado sem entrar, aparentemente discutindo, Lin Meijuan ficou preocupada e saiu apressadamente para ver o que estava acontecendo.

Conseguia ouvir a voz animada de He Tianming ao longe, mas estava muito longe para ouvir com clareza.

Ao se aproximar, Lin Meijuan viu Xu Zhun olhando para He Tianming com os olhos vermelhos, implorando, enquanto He Tianming estava extremamente zangado.

Ela imaginou que as duas crianças deviam estar discutindo.

Lin Meijuan puxou o braço de Xu Zhun e o protegeu atrás de si, como uma galinha protegendo seus pintinhos.

"Tianming, o que há de errado com você? Xiaozhun não está se sentindo bem, e você está gritando com ele."

Lin Meijuan olhou para He Tianming com uma expressão séria e repreendeu-o: "Você não sabe falar direito? Veja só o medo que você deixou em Xiao Zhun!"

He Tianming hesitou, como se quisesse dizer algo, mas parou.

Lin Meijuan se virou para Xu Zhun e disse: "Xiao Zhun, como ele te intimidou? Conte para a tia, e ela te defenderá."

A gentileza e o cuidado protetor de Lin Meijuan fizeram os olhos de Xu Zhun se encherem de lágrimas. Ele virou o rosto, tentando desesperadamente conter os soluços.

Mas foi inútil; as lágrimas escorriam pelo meu rosto.

"Xiao Zhun, o que há de errado com você...?" Ao ver Xu Zhun em lágrimas, Lin Meijuan sentiu-se particularmente desconfortável. Ela olhou para He Tianming: "Tianming, você geralmente é tão sereno. O que há de errado com você hoje?"

Ao notar os pedaços de papel rasgados no gramado, Lin Meijuan franziu a testa e perguntou: "O que é isso? Vocês dois estavam discutindo por causa... do relatório da prova?"

Lin Meijuan se abaixou e pegou um pedaço de papel com quatro palavras escritas: "Relatório de Inspeção".

"O que diz este relatório de exame? Tem a ver com a doença de Xiao Zhun?"

Lin Meijuan olhou para He Tianming, pedindo-lhe uma resposta.

He Tianming estava em conflito interno. Ele tinha medo de magoar Lin Meijuan, mas também queria que ela soubesse o que havia acontecido.

Os olhos de Lin Meijuan se encheram de preocupação por Xu Zhun, o que fez com que He Tianming não quisesse mais esconder dela: "Tia, o laudo do exame é do Xu Zhun."

Dry Drowning - Capítulo 21

Capítulo 21

"Esse é o seu problema, Claude. Você devia ser mais atencioso com os sentimentos dos outros. Quão desolados eles devem ficar ao serem comparados comigo? Como você pôde dizer uma coisa dessas quando Alexander, que eles estão criando na frente da taverna, é tão esperto!"


"..."


"O que foi essa expressão? Não me diga..."

Kyle, que havia mudado arbitrariamente o nome de Kiki, da frente da taverna, para Alexander, cobriu a boca com a mão.

"Será que toquei num ponto sensível? Bom, para começar, você precisaria ter amigos para ir a uma taverna... Desculpa. Foi um ato falho. Você vai me perdoar, não vai, Claude?"

"Foi erro meu ter dado atenção a você."

Parecia que o método de conversa dele era consistentemente assim com todo mundo. Como se estivesse cansado de Kyle despejar mais uma torrente de calúnias, Claude se afastou sem qualquer apego remanescente.

Se Kyle nasceu com um talento natural para irritar as pessoas, Claude era um homem que tinha o dom de ignorar completamente as bobagens dos outros. Ele caminhou até Ian, que vinha observando a situação com uma expressão que dizia que não poderia se importar menos com o que estava sendo tagarelado às suas costas.

"Recebi um relatório ontem dizendo que houve um pequeno mal-entendido com nossos cavaleiros."

Não parecia ser algo pequeno, mas também era ambíguo demais para chamar de grave. Ian, que não se importava muito de qualquer jeito, deu um aceno superficial após uma pausa. Ele não tinha intenção de questionar. Isolar quem não se encaixava no grupo provavelmente era a mesma coisa em qualquer época.

"Foi algo ao qual eu deveria ter prestado atenção."

Uma mentira. Ele não poderia estar alheio às palhaçadas de Fred, que vinham causando confusão há mais de uma semana. Ian, considerando aquilo mera formalidade, estava prestes a acenar de novo quando Claude falou.

"Para ser honesto, eu não prestei."


"..."


Ele está se gabando?

Foi uma declaração confusa, não dava para saber se ele estava tentando arrumar briga ou apenas sendo honesto. Sob o olhar silencioso de Ian, Claude, com a expressão inalterada, continuou sem demora.

"Se você quer que os cavaleiros em questão sejam punidos, é só dizer. Vou incluir todos, do instigador até aqueles que ficaram parados assistindo."

Ele parecia pronto para realizar um julgamento ali mesmo se Ian ao menos assentisse. Ian não conseguia entender a razão exata para ele aparecer depois de uma semana e dizer isso. No entanto, a resposta para aquela pergunta já estava decidida. Enquanto ele erguia o braço lentamente, os olhos de Claude o seguiram.


"..."


Claude ficou em silêncio por um momento diante do gesto de Ian de apontar para si mesmo com a ponta do dedo.

Havia apenas uma razão para ele apontar para Claude quando perguntado se queria punição.

As pontas de suas sobrancelhas bem-feitas se ergueram, mas só por um instante. Ele achara estranho a notícia de que Ian, depois de todo o trabalho para se juntar aos cavaleiros, estava sendo empurrado de um lado para o outro por gente como Fred. Ele tem culhões. Claude, relembrando a imagem de Ian durante a procissão, abriu a boca lentamente.

"...Sim, vou me incluir também."

Ele também tinha sido um espectador.

Se a punição fosse aplicada, teria que ser justa.

Diante da atitude de Claude de aceitar sem desculpas, Ian abaixou a mão erguida e manteve a boca fechada. Achando que já tinha uma ideia do tipo de pessoa que Claude era, engoliu um suspiro e balançou a cabeça.

Ele não era uma criança, e não tinha o hábito de fazer fofoca pelas costas dos outros.

Acenando com a mão como se dissesse que não era necessário, ele se virou.

Parecia improvável que fosse encontrar aquele homem ficando ali. Já que esse era seu único propósito desde o início, ficar mais tempo parecia perda de tempo. Ignorando Shu, que encarava sem expressão nessa direção, Ian caminhou até a entrada. Ele tinha acabado de pensar que seria melhor voltar para seu quarto.

"Ian."

Olhando para trás, Ian deveria ter fugido naquela hora.

Sem mais perguntas, sem querer saber de nada. Se ele tivesse simplesmente fugido sem olhar para o homem que havia matado, talvez pudesse ter tido uma morte pacífica desta vez, exatamente como desejava.

Quanto às suas memórias perdidas, ele poderia apenas tê-las folheado nos lampejos de seus últimos momentos.

Sem saber disso, Ian se virou abruptamente ao som daquela voz rígida e articulada. Algumas emoções indecifráveis passaram pelo rosto inexpressivo de Claude.

"O Comandante deseja vê-lo."

Era uma condolência.

"Bem-vindo!"

Entrando em uma sala bem organizada, Ian piscou, olhando para a figura que se levantou de um pulo.

O homem, que estendeu a mão para um aperto assim que seus olhos se encontraram, era excepcionalmente alto, mesmo comparado às pessoas daqui que geralmente pareciam ter bons físicos, independentemente da idade ou gênero.

Ele deve ter bem mais de dois metros de altura.

Ele mesmo não era baixo de forma alguma, mas por algum motivo, frequentemente se pegava olhando para cima para as pessoas aqui.

Pensando que o volume de voz dele combinava com sua constituição, Ian pegou a mão oferecida, e uma risada calorosa se seguiu.

"Ouvi algumas coisas sobre você."

Sua mão apertada foi chacoalhada com tanta força que ele achou que seu braço fosse sair do lugar. Em vez de resistir, deixou a mão ser sacudida, e o homem logo soltou devagar.

"Ah, minhas desculpas."

Era um olhar raro e amigável entre pessoas que eram incondicionalmente hostis. Não havia traço de malícia no rosto do homem que olhava para ele com um sorriso completo.

Ombros largos, cabelo bem curto. Músculos retesados se destacando na pele escura. Só isso já era uma visão intimidadora o bastante, mas outra coisa chamava mais atenção.

Parecia que uma fera enorme havia arranhado seu rosto inteiro.

Traçando lentamente o rosto do homem, que tinha um tapa-olho preto cobrindo o olho direito, Ian inclinou a cabeça levemente. Um urso? Pelas marcas com aquele espaçamento, teria que ser algo daquele tamanho.

Os ferimentos pareciam antigos, com carne nova já tendo crescido por cima, deixando apenas cicatrizes, mas era certamente uma primeira impressão aterrorizante, o suficiente para fazer uma criança cair no choro.

"Me machuquei um pouco durante a última expedição. O ferimento não cicatrizava nem com tratamento. Por causa disso, fiquei longe dos cavaleiros por um bom tempo. Claude trabalhou duro, mas... deve ter havido coisas às quais ele não conseguiu atender."

"Peço desculpas."

"Não. Você assumiu meus deveres também. A culpa foi minha por ter sido descuidado."

Quando Claude, que estava atrás de Ian, respondeu como se estivesse esperando a deixa, o homem acenou com a mão e balançou a cabeça. Havia risco de infecção adicional, então por várias semanas ele não pôde encontrar ninguém exceto o médico ou o Grão-Duque. Sabendo que o Vice-Capitão, Claude, havia assumido suas funções também, ele balançou a cabeça, então de repente olhou para Ian com um ar de realização.

"Deixei meu convidado de pé. Por favor, sente-se."

Com suas palavras, Ian se aproximou de uma cadeira que parecia ser para convidados e viu que alguém já estava sentado do lado oposto. Sua atenção estava tão focada no homem com uma presença tão forte que ele não tinha notado quem era. Enquanto se sentava, ele olhou para cima. Viu dedos elegantes levantando uma xícara de chá.

Era Aily, tomando chá em um traje impecável, diferente da última vez que ele a viu.


"..."


Ela não era a chefe das criadas?

Talvez sentindo o olhar de Ian enquanto ele confirmava que o cabelo castanho dela, balançando na altura do queixo, não estava empastado de sangue como daquela vez, ela olhou em sua direção.

A expressão dela era muito sutil e complexa.

"Nos encontramos de novo."

Ian não sabia, mas essa era a Aily que havia apostado três meses de seu salário que ele não duraria nem uma semana. Foi bom ela só ter pensado consigo mesma; do contrário, teria perdido todo o seu precioso dinheiro, ganho com tanto esforço.

Para Aily, para quem o dinheiro era a primeira, segunda e trigésima quinta coisa mais importante na vida, não foi nada menos que uma experiência de parar o coração.

Ela precisava corrigir seu hábito de ser incapaz de resistir a uma aposta, mas se fosse tão fácil corrigir, não teria sido um problema para começar.

Quem imaginaria que alguém da realeza lavaria roupa em uma fonte, e por uma semana inteira ainda por cima?

Refletindo sobre sua tolice em julgá-lo pela aparência suave, Aily suou frio sem perceber e ergueu os cantos da boca. Ian não demonstrou nenhuma reação particular ao sorriso limpo e profissional dela.

"A propósito, Kyle, não me lembro de ter chamado você também."


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Neta Chara Tensei Toka Anmari Da! - Capítulo 12

Capítulo 12 : Duran VS Noite


Antes de entrar na caverna, Aisha trocou de roupa e, assim, estavam completamente preparadas.
Aisha, vestindo um uniforme de empregada preto e branco, acima do joelho, estava extremamente fofa. Nacht escolheu os itens mais bonitos e eficientes que colecionou desde a época do jogo e os deu para Aisha. Claro, poderia haver itens melhores em seu inventário, mas Nacht não descartaria a aparência apenas em nome da praticidade. Afinal, nenhum deles valia mais do que uma jovem e bela empregada loira.
Embora não parecesse uma roupa de batalha, todos os itens eram equipamentos únicos. Contra bandidos comuns, ela teria defesa física e mágica mais do que suficiente para repelir qualquer ataque.
Bem, em primeiro lugar, enquanto Nacht estivesse lá, eles não seriam capazes de tocá-la.

“Muito bem, vamos lá, Aisha! Pode ser um pouco grotesco, você tem certeza de que ficaria bem?”

“Por favor, não fale como se fôssemos fazer um piquenique. E já é meio tarde para perguntar isso agora—”
Desde o primeiro encontro, ela já havia demonstrado algumas, senão muitas, cenas brutais. Então, sua pergunta realmente chegava tarde demais.
Para Aisha, a morte estava sempre à espreita.
Porque ela viveu uma vida onde as pessoas podiam morrer pelos motivos mais banais.
Ela não era exceção, nem seu pai.
Por isso, a preocupação de Nacht era infundada.

“Entendo. Mesmo assim, este lugar era bem profundo.”
Ao olhar para dentro da caverna natural, ela percebeu que a escuridão aumentava à medida que se aprofundava.
Perto da entrada, havia barricadas feitas de troncos, e se alguém entrasse à força, uma chuva de flechas cairia sobre sua direção. Mesmo agora, Nacht conseguia perceber as pessoas que mal podiam esperar que a presa entrasse para atacar.

Normalmente, um lugar estreito e confinado como esse, sem nenhuma rota de fuga, era uma verdadeira ruína para Nacht.
Isso porque seus principais ataques envolviam magias vistosas de longo alcance, e ela era fraca em combate corpo a corpo. Um espaço tão estreito anulava completamente sua vantagem e aumentava sua desvantagem. Além disso, ela precisava moderar o uso de sua magia para evitar o desabamento da caverna.

“Que problemático… não seria melhor explodir tudo com magia…?”

“Você não pode! Pode haver um refém lá dentro. Você não quer salvá-lo, Nacht-sama?”
Ao ouvir a voz inquieta de Aisha, a mana que se acumulava na mão de Nacht começou a se dispersar.
Se não houvesse nenhum refém lá dentro, ela poderia ter explodido os bandidos junto com a caverna.

“Aisha, fique perto de mim.”
O mais problemático é que os bandidos daqui trabalham muito bem em equipe.
Não só a vanguarda, mas também aqueles escondidos na bifurcação do caminho usam isca no meio e se preparam para atacar pelas laterais, aproveitando o terreno a seu favor.

“Sim!”
Então por que Nacht decidiu insistir?
Havia dois motivos.
Primeiro, Nacht não achava que nenhum deles tivesse poder de ataque suficiente para penetrar a defesa dela.
E o outro era para ter uma razão legítima para ficar com Aisha em um lugar tão sombrio, só isso.

Um passo, dois passos, eles caminharam. No terceiro passo, uma chuva de flechas os atingiu.
Eram dez flechas, o que também indicava o número de bandidos, e provavelmente já estavam preparando a segunda saraivada.
O que Nacht observou primeiro foi o tipo de flecha que disparavam. Se fossem arqueiros treinados, deveriam ser capazes de criar flechas com magia e dispará-las continuamente.
No entanto, o que apareceu diante dela foi uma flecha de madeira comum.
Cortou o ar, criando uma parede inescapável de flechas.
Naquela situação aparentemente desesperadora, a única a ouvir o suspiro de Nacht foi Aisha, que permaneceu perto dela.

"Que chato—"
Nesse instante, Nacht usou sua mana.

“Kyaa!”
De repente, uma tempestade de vento surgiu.
Ela levantou a saia de Aisha, deixando-a tímida e fazendo-a lançar um olhar fulminante para Nacht. Parecia que ela tinha bastante margem de manobra, considerando a situação.
O poder que surgiu junto com a tempestade rapidamente se uniu e criou um campo gravitacional que esmagou todas as flechas que se dirigiam para eles.

Mas não é só isso.
O vento sob o controle de Nacht também cria lâminas de vácuo que se movem conforme sua vontade. Em um instante, três cabeças voaram pelo ar, no segundo seguinte, outras seis as seguiram.

“Por que…”
Sem saber o que aconteceu, a consciência do bandido desaparece na escuridão eterna.

Segundo os bandidos que caíram na ilusão de Nacht, dos oitenta e três bandidos, setenta eram camponeses comuns. Isso significa que havia treze mercenários experientes, e mesmo eles não deveriam ser capazes de deter a magia de Nacht.
Ou talvez não, talvez um deles conseguisse.
Os lábios de Nacht se curvaram em um sorriso enquanto uma pequena expectativa crescia dentro dela.

E havia mais uma coisa que despertou seu interesse.
Tratava-se do ataque usado neste mundo, uma estranha habilidade chamada artes. Aparentemente, era o ápice do treinamento de técnicos, algo que qualquer um podia alcançar, contanto que conseguisse. De alguma forma, era diferente das habilidades de trabalho no Mundo Real Online.
Embora não pudessem ser descartadas facilmente como inferiores, seu poder era de fato um pouco baixo.

“Morra, monstro! Arte: O Caminho das Mil Flechas.”

Por exemplo, esta arte. De uma única flecha disparada pelo bandido, ela se divide repentinamente em dezenas e acelera. Isso deveria ser semelhante à combinação da primeira habilidade do arqueiro, Flecha Sombria, com Flecha Fluida.
No entanto, mesmo sendo uma habilidade composta, o poder de fogo era fraco.

“Dance magnificamente, Lâmina do Vento—!”
A flecha que se aproximava foi atingida por um vento brilhante e a flecha em espiral desapareceu. As pontas das flechas quebraram e caíram no chão em vão.

“O quê?! Droga! O caminho de—”
O bandido estava prestes a desferir outra saraivada de flechas.
Claro, embora Nacht tivesse permitido que o bandido disparasse pela primeira vez porque queria ver, ele o interrompeu na segunda vez.
Como um trovão, quando perceberam a luz, ela já havia atingido. Nacht desapareceu de sua vista, e quando perceberam—

“Kh! Foohh…”

— A vida deles já havia terminado.
Com a velocidade extraordinária de Nacht, mesmo que ela se contenha um pouco para evitar danos colaterais, ainda assim é muito rápido para os olhos humanos perceberem.

“Certo, acho que faltam só mais duas.”
Três minutos depois, Nacht começa a invadir a caverna.
Restam apenas duas pessoas para enfrentá-la.

Após derrotarem os inimigos, Nacht e Aisha avançaram calmamente para dentro da caverna. Contudo, de repente, Aisha, que se agarrava a Nacht, estremeceu.
Um forte espírito guerreiro pairava no ar.
Nacht não deu importância e olhou para Aisha.
Sua expressão era quase divina, e de certa forma, feliz.
Bem, ela estava feliz.
Porque o sentido aguçado de Aisha era simplesmente incrível.
Para começar, o que se dirigia a eles não demonstrava más intenções ou desejo de matar, mas apenas um espírito guerreiro.
Mesmo assim, ela percebeu rapidamente e parou, o que comprovava sua grande capacidade de detectar perigo.

“Incrível, Aisha! No futuro, você ficará muito forte!”
Nacht deu um tapinha na cabeça de Aisha. Enquanto isso, do outro lado, o som de passos se aproximava deles.

"Ser ignorada assim me deixa triste."
Duran não se escondeu. Ele simplesmente caminhou em direção a eles com um espírito guerreiro transbordando, desafiando Nacht para a luta.
No entanto, a resposta de Nacht foi fria. Ela não mostrou suas presas, nada disso.
Ignorou Duran e concentrou sua atenção em Aisha.

É claro que Duran se sentiu humilhado.
Até mesmo seu espírito de luta, impulsionado por toda a sua força, foi ignorado.
Isso significava que a garota à sua frente nem sequer o considerava um oponente digno.
Essa foi a primeira vez.

"Pensar que você é uma garota..."
Crysta também era uma guerreira com um poder mágico incrível. Mas e daí? Mesmo comparada a Crysta, que tinha uma quantidade incrível de poder mágico em comparação com seus pares, a garota à sua frente estava em um nível completamente diferente. Era isso que ele podia perceber pela presença dela.

Dentro dele, o alarme de perigo soava incessantemente como nunca antes.
Você não deve lutar contra ela.
Era o que seu instinto lhe dizia.
A diferença de força poderia ser facilmente anulada com magia.
Mesmo o guerreiro mais excepcional encontraria a morte se desse tempo à maga.

“Gênero é apenas um detalhe trivial mas você é –”

"Chame-me de Duran."
Ao interrompê-la, ele desembainhou sua espada e começou a entoar o encantamento.

— Entendo, Duran, não é? Por que você está aqui? Embora sua alma seja rude, ela não estava nublada. Se me permite dizer, ela é apenas meio vazia. —
Suas palavras soaram como uma provocação para Duran.

“GH! Por que… não, isso não importa. A bênção me disse: ‘A próxima presa é você!’”
Embora estivessem apenas conversando, Duran sentiu como se o fundo do seu coração estivesse exposto sob o olhar dela. Ao contrário de sua aparência fascinante, a garota à sua frente era ainda mais misteriosa. Como se seus olhos dourados pudessem ver todos os seus segredos.

"Entendo, então você está jogando como um bandido?"
Ela pareceu repreendê-lo, mas ele aproveitou a oportunidade para se acalmar e respondeu.

“Claro que não depois de lutar contra você, eu planejava destruí-los pessoalmente. Mas você facilitou as coisas para mim. A cabeça estava lá dentro, amarrada. Se eu perder, você pode ficar com ele, pode mandar o prisioneiro para a morte ou ficar com eles para si, faça o que quiser.”
Duran planejava destruir esta base desde o início.
Ele não deixaria a fonte da ilusão que o assombra bandidos à solta.

"Você faria uma coisa dessas só para brincar comigo?"
Nacht não disse "lutar".
E assim parecia que ela negava a razão da existência dele.
Ele se colocara no campo de batalha, viveria apenas na batalha. Essas palavras negavam a sua existência.

"Quero lutar."
Era apenas um pressentimento.
No entanto, seus sentidos certamente lhe diziam isso. A garota à sua frente estava em um nível completamente diferente do dele.
Por isso, ele queria experimentar isso logo.

“Se você lutar comigo, morrerá. Instantaneamente.”
De repente, o ar ao seu redor explodiu.
Uma pressão esmagadora tomou conta do ar.
Nacht liberou o poder do dragão. Só isso.

Mas para Duran, era uma pressão inimaginável.
Embora soubesse que ela estava acima dele, a diferença de presença era como a de um humano e a de um dragão.
Era como se os quatro grandes dragões estivessem bem à sua frente. Era isso que ele sentia. Duran não desviou o olhar dos olhos de Nahct, mesmo com o suor frio escorrendo pelo corpo dela.
O olhar dela, como o de uma examinadora que o encarava de cima para baixo, fazia suas pernas fraquejarem.
Contudo, Duran conseguiu conter o resto de suas forças e abriu a boca.

“Mesmo que esse seja o resultado.”
Ao contrário do que Nacht esperava, o espírito de luta de Duran não desapareceu.
Assim como uma formiga diante de um humano, um dragão poderia esmagar humanos com facilidade.
Mesmo assim, Duran não fugiu diante de tamanha pressão.
Porque se o fizesse, seria como jogar fora o sentido da sua vida.
Lutar e permanecer no campo de batalha era o mesmo que recuperar o valor que lhe fora tirado pelos pais naquele dia.

“–Hou.”
Em um instante, um sorriso surgiu no rosto de Nacht.

"Quer lutar agora?"
Duran era um gênio em combate. Com sua visão ampla, ele observava o campo de batalha e utilizava a tática mais vantajosa para alcançar a vitória. Além de sua habilidade pessoal para liderar o exército, ele também era talentoso em instruir seus camaradas adequadamente.

Neste momento, a melhor possibilidade de vencer Nacht é
bloquear seus movimentos, mirando na jovem ao lado dela. Se ele fizesse isso, Nacht certamente protegeria a jovem, era o que sua previsão lhe dizia.

Mas será que isso é realmente aceitável?
Não importa o quão inferior fosse seu oponente, apontar a espada para alguém que não estava no campo de batalha, isso é realmente permitido?
Esse conflito nasceu em seu coração.
Mas a dúvida dura apenas um instante.

“Prepare-se—”

Dissipando suas dúvidas, o corpo de Duran moveu-se mais rápido do que seus próprios pensamentos.
Quando Duran avançou, naquele instante,
embora Nacht apenas tivesse aberto a boca, seu corpo totalmente fortalecido conseguiu alcançá-lo.
Diante de Duran, que se aproximava rapidamente, Nacht disse:

—Você pode mirar nela, se quiser.

Ela percebeu tudo.
Ele nem sequer olhou para a jovem. E na verdade, ele não tinha a intenção de atacá-la. Ele apenas fingiu, para que Nacht baixasse a guarda e aumentasse suas chances.
Mas Nacht percebeu tudo e até provocou-o.

Duran usou a arte do ladrão o teleporte para se aproximar instantaneamente de Nacht mas falhou.
Era como se estivesse paralisado; não importava o que fizesse, seu corpo não obedecia.
O que é isso?
Nesse momento, ele percebeu uma sombra tênue se contorcendo ao redor de seu corpo, como se o estivesse prendendo.

“Magia das Sombras Ligação Sombria (O traidor dentro da sombra). Não há como um mago permitir combate corpo a corpo. Que estupidez.”
Para um mago, manter distância era fundamental.
Manter a distância mais vantajosa e bombardear o inimigo com ataques era uma regra de ouro da classe, embora outras classes também tivessem uma noção semelhante.

"Como, droga…!"
Duran só conseguiu gemer ao ver quatro esferas mágicas flutuando perto de Nacht.
Elas tinham cores diferentes:
Terra, Água, Fogo e Vento.
E atingiram Duran sem piedade.

“Kh! Arte Mágica : Parede Mágica”
A espada longa em sua mão absorveu sua mana e brilhou com uma luz tênue.
Era uma habilidade original criada por Duran, combinando magia e artes marciais: a capacidade de criar uma parede alta e resistente, especialmente projetada contra magos. Essa barreira mágica foi capaz de resistir à Imperatriz de Gelo. Mana densa e violenta fluiu pela espada longa, manifestando uma parede.
Mas,

“Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!”
Duran sentiu uma dor lancinante consumindo seu corpo.
A dor da carne queimando, uma dor surda como se o corpo tivesse sido atingido por algo pesado, uma dor dilacerante de mil cortes, além disso, seus dedos sentiam uma dor paralisante como se estivessem congelados.

“Bem, acho que é isso aí—”
O chão cedeu e o vapor resultante da reação entre o fogo e o gelo preencheu todo o campo de visão deles. Não havia dúvida de que Duran estava ferido por todo o corpo.
Nacht, porém, estava prestes a quebrar sua postura de batalha—

“Não, ainda não! …Eu ainda não lutei…!”
Embora as sombras o envolvessem e o sangue escorresse de seus ferimentos, ele ainda não havia caído de joelhos. “
Eu não fiz nada”, pensou. “
Eu não fiz nada”, pensou. “
Eu não tenho nada”, pensou.
Sua sede era insuportável, mas o mantinha de pé.
Apesar de estar todo ferido e com uma expressão severa, Nacht o observou com seus olhos cristalinos, interessada.
Seu sorriso se alargou ainda mais.

—Hahaha, entendi—Muito bem. Então me dê tudo o que você tem! —
Nacht bateu palmas.
Num instante, a contenção no corpo de Duran se desfez.

“Meu nome é Nacht. Nacht Schatten, e eu receberei todos os seus sentimentos.”
Nacht não preparou nenhuma magia, colocou Aisha atrás de si e olhou para Duran.
Ela mudou de postura.
Era diferente de quando era viciada em PvP, séria, desesperada, apaixonada e até disposta a apostar a própria vida nisso.
No entanto, alguns dos sentimentos dentro dela eram os mesmos.
Uma estranha sensação de alívio.
Devia ser devido à seriedade de Duran. Nacht o observou com interesse.

“Obrigado.”
Duran assumiu sua posição, abaixou os quadris e segurou a espada com firmeza.
Diante dele estava a existência mais forte que já enfrentara.
E, portanto, ele precisava desferir o ataque mais poderoso que pudesse reunir.
Ele ergueu a espada, que já estava em posição de guarda, ainda mais alto. Seu corpo, impulsionado por um aumento de velocidade e força, moveu-se enquanto criava uma imagem residual. Ele sentiu a ilusão de que todas as células do seu corpo se moviam juntas, formando um único movimento. Ele sempre sentiu a espada como parte do seu corpo, e agora era hora de colocá-la à prova.
Um momento de quietude 
O som alarmante de seu coração parou por um instante, e então, quando o próximo som pulsante ressoou, o corpo de Duran moveu-se de acordo com seu instinto.
Um ataque que poderia dividir a montanha ou cortar a terra —

No instante seguinte, a espada pousou.
Duran não conseguia ver Nacht.
No momento em que brandiu a espada, Nacht desapareceu de sua vista.

—-Kiiiiiinnn.

Como se o tempo tivesse parado.
A lâmina que suportava toda a sua força gritou, e ao cair, perfurou o chão.
O que restou em sua mão foi a sensação de dormência, como se estivesse cortando uma montanha de aço.
O fato de Duran ainda conseguir manter a consciência, claro, se devia à clemência de Nacht.
Se ela quisesse, poderia tê-lo decepado ali mesmo, naquele instante.

“Habilidade Original (Habilidade Racial) – Técnica do Dragão, Flash do Deus Dragão –”

“Haha! …”
O espanto e a admiração o fizeram rir.

— Você lutou bem, está satisfeito? —
Embora fosse uma habilidade física e não mágica, Nacht usou a habilidade de nível mais alto que normalmente não usaria contra Duran.
Foi o resultado de Nacht valorizar sua força de vontade e um pouco de capricho.
A recompensa por derrotar o dragão, por assim dizer.

“Sim… Obrigado… A perda é minha…”
O que ele conseguiu perceber foi uma imagem tênue e fugaz.
Como uma ilusão. Mas isso foi o suficiente.
Um ataque leve como uma dança, rápido como um relâmpago e feroz como um trovão.
Era o poder que ele buscava.
Não importava quem o visse, ninguém duvidaria de que se tratava da verdadeira forma de poder.
Mesmo que essa habilidade drenasse sangue incontável, ceifasse mil corpos, sua beleza permaneceria inalterada.
Depois de presenciar aquilo, Duran não tinha mais nada a fazer.

“Faça como quiser.”
Ele oferece tudo aos derrotados.
Ele não queria dizer que mesmo se fosse morto ali, era isso que ele queria dizer.
Mas Nacht apenas esboçou um olhar irônico e indisfarçável.
E então ela disse secamente.

“Não preciso de um velho.”

“O quê?! Eu ainda tenho vinte e poucos anos!”

“Hum… Não parece…”
A constituição naturalmente robusta de Duran e a barba por fazer em seu rosto não o faziam aparentar ter vinte e poucos anos.

“Não parece…”
Aisha concordou depois de Nacht.

"Só... me matem..."
Embora tivessem acabado de lhe dizer o que realmente pensavam, de alguma forma Duran parecia mais chocado do que perdido. E a figura ajoelhada parecia ainda mais miserável do que antes.

22 de jun. de 2026

My Brother's Spring - Capítulo 07

Capítulo 07

Mães sempre gostam de ouvir elogios sobre os próprios filhos.

Especialmente quando um ator tão bonito quanto Xiao Cheng, com um olhar sincero, elogiava seus dois filhos. Isso a deixava ainda mais satisfeita.

Por isso, a mãe de Wei não se importou nem um pouco em entregar todas as informações sobre Wei Zizhen de bandeja¹, saindo dali extremamente feliz.

Afinal, não era apenas idolatria de fã?

Tendo passado décadas ao lado do marido no mundo dos negócios, ela acreditava possuir um olhar bastante apurado para julgar pessoas.

Xiao Cheng era um jovem bonito, educado e sensato. Apesar de falar pouco, cada frase que dizia era agradável de ouvir. Sua postura e aparência também eram impecáveis; bastava olhar para perceber que não parecia ser alguém de má índole.

Observando o quarto de Wei Zizhen, coberto de pôsteres e fotos promocionais de Xiao Cheng, ela concluiu que não havia problema algum naquilo.

Isso mesmo, problema nenhum!

Era muito melhor do que deixar Wei Zizhen andando por aí com aquele grupo de moleques encrenqueiros.

Ao pensar nisso, a mãe de Wei passou a gostar ainda mais de Xiao Cheng.

...

Wei Zizhen sentia-se um pouco solitário.

Porque seus amigos não estavam dando atenção a ele.

Olhando para a pasta contendo o projeto sobre sua mesa e conferindo as horas, decidiu primeiro ir ao refeitório encher a barriga antes de voltar ao trabalho.

A Weicheng oferecia benefícios excelentes: café da manhã, almoço e alojamento incluídos. Em datas comemorativas, a empresa também organizava eventos e distribuía prêmios.

Embora horas extras fossem frequentes, a empresa também fornecia jantar e ceia nesses dias.

O refeitório terceirizado da Weicheng era famoso. Funcionários de outras empresas do mesmo prédio frequentemente subiam até lá para comer era barato, farto e saboroso.

Benefícios tão bons eram raros até mesmo em toda a cidade B, por isso os funcionários trabalhavam com bastante dedicação.

Claro, essas políticas de bem-estar não tinham sido criadas pela cabeça de Wei Zizhen.

Quem pensou em tudo isso foi seu irmão mais velho.

Seu irmão biológico, Wei Ziming, praticamente ensinou o irmãozinho incompetente passo a passo a administrar uma empresa. Além disso, transferiu vários funcionários talentosos para ajudá-lo.

Na época, Wei Zizhen sequer havia se formado na universidade. Era um completo novato e não entendia nada de gestão. Sem benefícios atrativos e salários competitivos, certamente não conseguiria manter bons funcionários.

Seu irmão mais velho realmente se preocupou demais com ele.

Mas essa preocupação já havia diminuído bastante.

Afinal, Wei Zizhen era irmão de Wei Ziming. Seu talento era excelente e, atualmente, mesmo que fosse deixado à própria sorte, dificilmente causaria algum desastre.

Mantendo uma expressão indiferente, Wei Zizhen entrou no refeitório.

Após cumprimentar com um aceno os funcionários que olharam em sua direção, pegou alguns pequenos bolos de creme e sentou-se em um canto.

Isso mesmo.

O presidente "peixe-salgado"² Wei Zizhen não era apenas um fã otaku³ ingênuo e apaixonado por seu ídolo.

Ele também era completamente viciado em doces.

Essa característica era incrivelmente feminina.

Sem admitir que possuía qualquer traço de "garota", Wei Zizhen continuou devorando seu prato de sobremesas com uma expressão fria e elegante. Em seguida, foi até a área de bebidas buscar um milk-shake de baunilha.

Você já viu uma garota tão fria, bonita e incrivelmente charmosa assim?

Wei Zizhen soltou uma risadinha.

Talvez por já ser hora do almoço, seus amigos finalmente terminaram o trabalho e começaram a aparecer no grupo de mensagens um após o outro.

Cueca Gigante da Sala ao Lado:
Ai meu Deus, Wei Zizhen! Então você finalmente vai partir para o ataque??

Não Existe Gente Boa na Europa:
Lembro de alguém dizendo que sua admiração por Xiao Cheng era totalmente pura e inocente.

Cachorro Inútil:
Garoto, quer que eu compre uns suplementos para os rins pra você??⁴

Pepino-do-Mar:
+1 para o Cachorro. Papai está preocupado com você, filho.

Wei Zizhen olhou para as mensagens e pousou calmamente o copo cheio de milk-shake sobre a mesa.

ZizhenZhenZhen:
VOCÊS SÃO MUITO VULGARES!!!

ZizhenZhenZhen:
Existe alguma coisa nessa cabeça de vocês além de pensamentos pervertidos?!

ZizhenZhenZhen:
Quantas vezes preciso repetir? Meu deus masculino só pode ser admirado à distância, não profanado!⁵

Não Existe Gente Boa na Europa:
🙄🙄

Cachorro Inútil:
Ah, para! Você não queria "pegar" o Xiao Cheng? Então por que disse que ele seria seu?

Vulgares!

Wei Zizhen ergueu os olhos para observar o ambiente ao redor.

Terminou o milk-shake de uma vez só e deixou o refeitório mantendo sua imagem impecável de executivo inalcançável.

Ao mesmo tempo, baixou os olhos com uma expressão séria, como se estivesse refletindo sobre assuntos importantes, enquanto digitava furiosamente no celular.

ZizhenZhenZhen:
Quem diabos disse que eu quero transar com o Xiao Cheng?!

Pepino-do-Mar:
Se não quer transar com ele, então quer fazer o quê?

ZizhenZhenZhen:
Criança inocente... eu posso sustentar ele!⁶

Cueca Gigante da Sala ao Lado:
??? ??? ???

De volta ao escritório, Wei Zizhen se encolheu no sofá e contou aos amigos sobre o projeto que seu irmão havia lhe entregado.

Também declarou, extremamente animado, que acreditava que um plano elaborado pessoalmente por Wei Ziming tinha pelo menos sessenta por cento de chance de sucesso.

Todos conheciam as capacidades de Wei Ziming.

Portanto, ninguém duvidou dessa afirmação.



Notas

¹ "entrega alguém de bandeja" (卖了个干净) — expressão chinesa usada de forma humorística para indicar que a mãe contou tudo sobre o filho, sem esconder nada.

² Peixe-salgado (咸鱼) — gíria chinesa para alguém acomodado, sem grandes ambições, mas não necessariamente incompetente.

³ Otaku (死宅) — pessoa extremamente caseira e obcecada por hobbies específicos, semelhante ao uso japonês do termo.

⁴ Suplemento para os rins (肾宝) — referência humorística a produtos chineses associados ao aumento da vitalidade masculina e desempenho sexual.

⁵ "Só pode ser admirado à distância, não profanado" (只可远观不可亵玩) — adaptação de uma famosa frase da literatura chinesa sobre algo belo e puro que deve ser contemplado, não possuído.

⁶ "Posso sustentar ele" (养他) — expressão comum em romances chineses. Significa assumir financeiramente os cuidados de alguém, como um "patrocinador" ou "provedor", e não necessariamente envolve relacionamento amoroso. Aqui é usada de forma cômica para demonstrar a idolatria extrema de Wei Zizhen.