26 de jun. de 2026
Ang Ang - Capítulo 18
My body was hijacked by a fujoshi - Capítulo 12
Sotus - Capítulo 18
Bubble Tear - Capítulo 09
Manner of Death - Capítulo 33 (Fim)
CAPÍTULO 33
Depois de meses sob cuidados paliativos, meu pai faleceu pacificamente aos setenta anos.
Encarei a linha reta no monitor de ECG enquanto uma infinidade de sentimentos se misturava dentro de mim. O corpo do meu pai, que costumava ser alto e robusto, tornara-se esquelético devido ao câncer em estágio avançado. Ao vê-lo ali, daquele jeito, parecia que estava apenas dormindo.
Nem uma única lágrima foi derramada.
Ele se foi...
Era o último inimigo da minha vida anterior.
— Sinto muito pela sua perda, Tann.
O capitão Aem ofereceu suas condolências. Eu estava sentado em um banco em frente à delegacia. Virei-me e o cumprimentei respeitosamente. Ele assentiu antes de se sentar ao meu lado.
Quando soube que eu havia voltado para ficar ao lado da cama do meu pai moribundo, chamou-me para conversar. Por isso, passei na delegacia antes de seguir para o templo, onde ajudaria nos preparativos do funeral.
— Obrigado. Mas, para ser sincero, não me sinto tão triste assim. — Sorri de leve. — Tenho certeza de que o senhor entende o motivo.
— Bem, nunca pensei que veria a queda da família Sawangkul com meus próprios olhos.
O homem corpulento voltou o olhar para mim.
— Ah, e por falar nisso, não sou mais capitão. A partir de agora, você deverá me chamar de Inspetor Aem.
Meus olhos se arregalaram diante da notícia. Levantei a mão em uma saudação brincalhona.
— Sim, senhor. Parabéns.
O recém-promovido inspetor soltou uma risada.
— Na verdade, chamei você aqui para falar sobre o andamento do caso da Srta. Rungthiwa. Minha equipe conseguiu uma nova evidência obtida das gravações da câmera de vigilância recuperadas com um ex-segurança que trabalhava no condomínio de Janejira.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar.
— Acontece que não havia nenhum defeito na câmera. O segurança recebeu dinheiro de Pert para destruir as imagens que poderiam provar que ele esteve com Janejira na noite do assassinato. Depois disso, o homem pediu demissão, então levou algum tempo até conseguirmos localizá-lo.
Endireitei-me no banco, ouvindo atentamente. Meu coração acelerou.
— Rungthiwa mentiu quando disse que foi visitar a irmã sozinha. As imagens mostram que ela chegou ao apartamento com Pert às sete da noite do dia dez de dezembro. Os dois entraram juntos no quarto de Jane, o que contradiz sua versão anterior de que encontrou Pert tentando encenar o enforcamento da vítima.
Ele cruzou os braços.
— Com essa evidência em mãos, Rungthiwa finalmente confessou. Ela e Pert mataram Jane porque ela pretendia expor o esquema de fraude envolvendo os fundos do empreendimento imobiliário.
— Isso é verdade? — exclamei, chocado. — Ela matou a própria irmã por causa disso?
— As irmãs sempre tiveram conflitos relacionados a propriedades e dinheiro. Pert e Janejira, apesar de parecerem estar em um relacionamento, vinham brigando constantemente por causa desses problemas. Além disso, Pert mantinha uma proximidade suspeita com Rungthiwa, o que levou Jane a querer se vingar dele expondo os crimes da irmã e destruindo sua reputação.
O inspetor suspirou.
— Na noite do assassinato, Pert e Rungthiwa foram até Jane para tentar negociar. Pelo visto, a conversa não terminou bem. Jane foi estrangulada até a morte, e eles tentaram encenar um suicídio. A causa da morte foi falsificada. Sem perceber, você, ao fingir ser o namorado de Jane, ajudou Pert a ser descartado como suspeito e a fugir da cena.
— Eu nunca quis que isso acontecesse. — Suspirei.
— Rungthiwa não manteve contato com Pert durante o período em que ele ficou escondido. Porém, quando ele reapareceu, provavelmente movido pela culpa ou por algum outro motivo, ela entrou em pânico. Temia que ele contasse tudo à polícia, então decidiu envenená-lo.
O inspetor Aem balançou a cabeça.
— Isso é tudo o que conseguimos reunir até agora. Quando tivermos mais informações, eu aviso. Ainda preciso entrevistar várias testemunhas, incluindo você, Tann.
— Ficarei feliz em ajudar sempre que precisarem. Meu negócio de aulas particulares em Bangkok é flexível, então posso vir quando for necessário. Não é como a escola em que eu trabalhava antes.
Levantei-me.
— Obrigado pela atualização, inspetor.
— E como está o Dr. Bunn? — perguntou Aem. — Soube que ele foi para os Estados Unidos. Você acha que poderá voltar para depor como testemunha?
— Vou transmitir sua mensagem a ele. Estamos morando juntos agora, então avisarei assim que receber alguma intimação.
O inspetor me observou por alguns instantes.
— Inacreditável. Vocês dois estão mesmo namorando. Sempre achei que o Dr. Bunn fosse hétero. Quer dizer, ele teve uma namorada por anos. Nunca imaginei que fosse gay.
Dei uma risada.
— Isso não deveria ser tão surpreendente. Afinal, é preciso ser um para reconhecer outro.
Aem soltou um riso breve.
— Acho que você tem razão.
— Agora, se me dá licença, preciso ir ao funeral.
— Claro. Conversamos outra hora. Mas, se eu estivesse no seu lugar, não apareceria por lá. Você é um dos motivos pelos quais a família Sawangkul chegou a esse estado. Seus parentes provavelmente não ficarão felizes em vê-lo.
— Vou ser rápido. Apesar de tudo, meu pai me criou. Preciso prestar minhas últimas homenagens.
Despedi-me do inspetor e caminhei em direção ao carro.
Ao entrar, senti como se um enorme peso tivesse sido retirado dos meus ombros.
Pert nunca havia mencionado Rungthiwa para mim. Nem sequer havia citado seu nome. Quando me contou o que aconteceu, fez parecer que tinha agido sozinho. Talvez quisesse reduzir os problemas ao mínimo possível. Ou talvez estivesse tentando protegê-la de qualquer suspeita.
Mesmo que a natureza do relacionamento deles continuasse envolta em mistério, eu tinha certeza de que mantinham um caso naquela época. Isso não seria nada incomum para alguém como Pert. Eu sequer conhecia a maioria das mulheres com quem ele saía.
Ainda assim, jamais imaginei que suas escolhas resultariam em tantas mortes trágicas.
Graças a Deus, eu não sou como ele.
Quando amo alguém, cuido apenas dessa pessoa.
Só tenho olhos para ela.
Em breve, quando estiver pronto...
Você será meu para sempre, Bunn.
Eu não costumava me incomodar com pequenas coisas. Mas, quando me importava de verdade com alguém, acabava pensando nessa pessoa sempre que tinha um momento livre.
E naquele instante eu estava irritado.
O homem de quem eu gostava simplesmente havia desaparecido.
Um dia inteiro se passou sem que ele respondesse às minhas mensagens ou retornasse minhas ligações.
Aquilo já tinha acontecido antes, quando esqueci meu celular na van do departamento. Assim que recuperei o aparelho, liguei imediatamente para Tann.
Mas agora era diferente.
No segundo dia sem notícias, minha irritação começou a dar lugar à preocupação.
Será que alguma coisa tinha acontecido com ele?
Assim que voltei do hospital, liguei para meu irmão.
— Ah, o Tann? — respondeu Boon, com a maior tranquilidade do mundo. — Vi ele há dois dias embaixo do prédio, com alguns alunos.
— E depois? — aproximei o telefone do rosto. — Não consigo falar com ele de jeito nenhum. Preciso da sua ajuda. Onde ele está? Será que voltou para casa? Aconteceu alguma coisa? Por favor, tente entrar em contato com ele.
— Calma. Talvez o celular tenha quebrado ou ele esteja sem internet.
Sua despreocupação me irritou.
— Já faz dois dias, pelo amor de Deus!
— Tudo bem, vou tentar falar com ele. Mas provavelmente não é nada. Você acabou de sair do trabalho?
Suspirei pesadamente.
— Sim. Acabei de chegar em casa.
— Tem planos para esta noite? Que tal visitar um observatório?
Franzi a testa.
— Observatório? Em Nova Iorque?
— Isso mesmo. Você já foi ao Empire State Building, mas esse é ainda mais alto. Comprei um ingresso para você. Está no seu e-mail. Vá lá tirar algumas fotos para mim. Talvez eu leve minha família algum dia.
— O quê?!
Fiquei completamente confuso.
Olhei para o relógio.
Cinco e meia da tarde.
— Mas eu já estou em casa.
— Apenas vá. O ingresso foi caro.
— Não vou a lugar nenhum enquanto não souber onde está o meu namorado.
— Ele não desapareceu. Confie em mim. Vá apreciar a vista. Considere isso uma ordem. Vou ficar bravo se você não for.
Aquilo estava ficando cada vez mais estranho.
Boon deveria estar tão preocupado quanto eu. Em vez disso, insistia para que eu visitasse um observatório, como se esperasse que eu encontrasse alguma coisa lá.
Ou alguém.
— Boon, fala sério. O que vocês estão aprontando?
— Apenas vá, está bem? Não se preocupe tanto. Tenho que desligar. Um paciente está me esperando na sala de cirurgia. Tchau!
E desligou.
Na minha cara.
Fiquei encarando a tela do telefone.
Apesar da confusão, uma sensação começou a crescer dentro de mim.
Boon sabia onde Tann estava.
Talvez fosse justamente por isso que ele permanecia tão tranquilo.
E se o motivo de eu não conseguir falar com Tann fosse porque ele estava viajando?
Meu coração acelerou.
Centenas de possibilidades passaram pela minha cabeça.
Será?
Bem...
Só havia uma maneira de descobrir.
Abri meu e-mail pessoal e encontrei a mensagem enviada por Boon.
O assunto dizia:
"VOCÊ PRECISA IR."
Meu palpite era simples.
Tann e Boon estavam tramando alguma coisa.
E havia uma grande chance de que Tann estivesse me esperando naquele observatório.
É melhor ele rezar para que eu não o encontre.
Porque, quando eu encontrar, vou puxar suas orelhas até que toda Nova Iorque ouça seus gritos.
Momentos felizes sempre pareciam passar rápido demais.
Quando comecei a me adaptar à pós-graduação, percebi que estava gostando cada vez mais da rotina acadêmica. Fiz amizade com alguns colegas de turma, que frequentemente me convidavam para sair. Alguns residentes também passaram a pedir meus conselhos, e até uma professora de medicina, uma americana mais velha, me convidou para sair certa vez. Recusei educadamente, é claro.
Sem que eu percebesse, cinco meses se passaram.
Eu já estava acostumado ao ritmo frenético da cidade e ao mar de pessoas que me cercava toda vez que saía do metrô. Conferi o mapa no celular mais uma vez e segui para o meu destino.
Meu horário de entrada era às sete da noite.
A primeira coisa que senti ao chegar foi o vento gelado cortando meu rosto. Apertei o casaco contra o corpo enquanto observava os arredores.
Manhattan brilhava sob as luzes dos arranha-céus.
Aproximei-me da área envidraçada e contemplei a paisagem. Meus olhos se fixaram no espetáculo luminoso do Empire State Building.
Peguei o celular e abri a câmera para tirar algumas fotos.
Boon tinha razão.
A vista era realmente impressionante.
Enviei cinco fotos para ele e fiquei aguardando enquanto eram carregadas.
Foi então que alguém tocou meu ombro.
Achei que a pessoa quisesse ocupar o lugar onde eu estava observando a paisagem. Por isso, pedi desculpas e me preparei para sair.
Mas, ao me virar, congelei.
O homem atrás de mim era provavelmente americano. Tinha cabelos castanhos escuros, usava um terno preto elegante e segurava um pequeno buquê de rosas brancas.
Apontei para mim mesmo.
— Para mim?
— Um cavalheiro pediu que eu entregasse isto a você.
Ele estendeu o buquê.
— Um asiático muito bonito. Vocês se conhecem? Ele está logo ali.
O homem apontou para algum lugar atrás dele.
Tentei seguir a direção indicada, mas a multidão bloqueava minha visão.
Confuso, aceitei as flores.
Meu coração começou a bater tão forte que parecia querer escapar do peito.
O desconhecido sorriu levemente e se afastou.
Olhei novamente para o buquê.
Entre as rosas havia um pequeno cartão azul.
Retirei-o cuidadosamente e li a mensagem escrita em uma caligrafia que eu conhecia muito bem:
“Um desconhecido morreu de desgosto. Por favor, venha examinar este pobre rapaz, doutor.”
Uma risada escapou antes que eu pudesse contê-la.
Mesmo já suspeitando do que estava acontecendo, não consegui impedir a onda de emoção que tomou conta de mim.
Afastei-me da varanda e comecei a caminhar entre os turistas, ficando na ponta dos pés sempre que possível para procurar o responsável por aquilo.
Não me deixe colocar as mãos em você, Tann.
Vou puxar suas orelhas.
Por que ele não me contou que estava vindo?
Eu realmente não gostei dessa brincadeira.
Que surpresa absurda.
Será que ele achou mesmo que eu ficaria facilmente impressionado?
Então avistei um homem usando uma jaqueta marrom e calças cinza enquanto admirava a vista do Central Park.
Não tinha certeza absoluta de que era ele.
Mas a altura.
O corte de cabelo.
A postura.
Tudo parecia inconfundível.
Fui direto em sua direção e estendi a mão para tocar suas costas.
— Bunn.
Congelei.
A voz de Tann não vinha do homem à minha frente.
O desconhecido se virou para mim com uma expressão confusa.
Meus olhos se arregalaram.
Virei rapidamente a cabeça para a direita.
E lá estava ele.
Tann caminhava em minha direção com um sorriso divertido.
— Desculpe! — falei imediatamente ao homem errado antes de me afastar.
Tann aproximou-se.
— Como pôde fazer isso comigo? Cumprimentando outro homem desse jeito?
— Foi um engano!
Pela primeira vez em muito tempo, não soube como agir.
Eu deveria correr para abraçá-lo?
Ficar bravo?
Ou simplesmente sorrir?
As emoções se embaralharam dentro de mim.
Fiquei parado, encarando-o.
Com uma blusa preta de gola alta e um casaco de veludo cinza, ele parecia diferente.
E absurdamente bonito.
— Tudo bem. Eu perdoo você. — Tann parou diante de mim. — Gostou das flores?
Olhei para o pequeno buquê em minhas mãos.
— Como você chegou aqui? E por que não me contou?
— Porque era uma surpresa.
Ele segurou minhas mãos.
— Surpresa? — reclamei. — Então você estava viajando esse tempo todo? Poderia pelo menos ter me avisado! Achei que algo horrível tivesse acontecido. Liguei para Boon desesperado e descobri que ele era seu cúmplice! Por que me fez passar por isso?
Tann fingiu estar ofendido.
— Já terminou de reclamar?
— Está dizendo que eu não tenho razão?
Levantei o buquê.
— E por que mandou um estranho entregar isso?
— Porque queria que você me procurasse. Não foi emocionante?
A confiança dele começou a vacilar.
— Ei... agora não tenho certeza se você está feliz ou furioso.
Mantive o rosto sério por mais alguns segundos apenas para vê-lo nervoso.
Então sorri.
Um sorriso enorme.
— Sabe de uma coisa? Você mereceu passar por esse susto.
— Aaah!
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Tann me puxou para um abraço apertado.
Caí na gargalhada.
— Quantas vezes você já fez isso comigo? — reclamou ele. — Você sempre consegue me assustar. Achei que meu plano tinha fracassado.
— Seu plano foi ótimo. Você realmente me surpreendeu.
Enterrei o rosto em seu peito e fechei os olhos.
Eu não percebera o quanto sentia falta dele até aquele momento.
— Sério?
Sua voz saiu aliviada.
— Isso é um alívio.
Ele passou os dedos pelos meus cabelos.
Como sempre.
Era impossível não gostar quando ele fazia isso.
Afastei-me um pouco para observar seu rosto.
Meu namorado estava ali.
Bonito.
Saudável.
Sorrindo para mim.
— Então... onde está esse “desconhecido” que morreu de desgosto?
Tann apontou para si mesmo.
— Aqui.
Depois inclinou a cabeça.
— Consegue descobrir como ele morreu, doutor?
Levantei o dedo indicador e o deslizei lentamente pela região entre suas clavículas, simulando o trajeto de um bisturi.
Antes que eu pudesse continuar, Tann segurou meu pulso.
Então abriu cuidadosamente minha mão.
Foi nesse instante que vi.
Um anel.
Brilhando sob as luzes da cidade.