5 de ago. de 2026

Deja Vu - Capítulo 23

Capítulo 23 :: Não Posso ir 


Eu costumava pensar que uma vida feliz era quando tínhamos muito dinheiro... mas agora percebi que isso não é verdade.

Nas minhas mãos agora há 3 envelopes, prêmio do concurso Moon deste ano. O primeiro envelope contém 1.000 baht do http://Sr.Bright, que é um dos patrocinadores do concurso Moon este ano. O segundo envelope contém 5.000 baht que ganhei do voto popular. E o terceiro envelope, é claro, 20.000 baht por ter sido o vencedor do concurso Moon este ano. Então o total de prêmios que recebi foi de 30.000 baht.

Na verdade, acho injusto ter ganho na categoria voto popular. Tudo isso aconteceu porque os amigos do P'Phu me deram muitos votos, além das flores que ganhei do P'Seol naquele dia e da falta de adversários. Sinto vontade de pedir desculpas aos outros amigos que também participaram do concurso.

Eu me joguei no sofá com a mente vazia, olhando para o cheque com um valor muito grande nas minhas mãos. Não sei porquê, mas esta é a primeira vez que recebo tanto dinheiro. O coração bate forte, mesmo que muitas pessoas estejam me olhando quando recebi aquele prêmio. Penso que gostaria de ir ao palco para dançar e cantar a música HOW YOU LIKE THAT para comemorar a vitória. Se for pedido de novo, vai ser muito engraçado, murmurando sozinho, mas agora quero muito cantar aquela música sozinho aqui. Não é porque estou feliz por ter ganho o concurso, mas porque alguém me ajudou.

Ontem à noite, P'Phu e P'Cho saíram do evento do concurso para levar o P'Tee ao hospital. Mas eles voltaram para me dar os parabéns e tiveram que sair correndo de novo porque a condição do P'Tee no hospital era grave. Ouvi que o dia da alta do P'Tee do hospital já foi marcado. P'Phu prometeu fazer uma pequena festa para comemorar a alta do P'Tee. Dan e Ai'Tong também foram convidados para a festa. Mas hoje todos voltaram para suas casas, o que é bom porque eu também não estou com vontade de comemorar nada.

Deitado sem sossego, minha mente vagava não sei para onde. Por que eu não estou feliz, mesmo tendo conseguido o que queria?

Acabei de ganhar o concurso Moon, mas não consigo parar de pensar em muitas coisas sobre o concurso. Principalmente a imagem do P'Kin que passou por mim quando terminamos de nos apresentar. Não sei por que aquela imagem me afetou tanto, a ponto de aparecer várias vezes mesmo quando fecho os olhos.

Por que ele não ajudou? Se ele não quisesse, tudo bem. Mas na hora de anunciar o vencedor do concurso ele nem apareceu para me parabenizar. Que chato... estou triste e com raiva.

Agora eu, que odeio ser sensível, estou cansado de pensar sozinho. Várias vezes me disse para não pensar mais nisso, mas não consigo. Bobagem, finjo que não ligo, mas ligo muito. Bobagem, fico pensando que a pessoa que aparece nos meus sonhos é ele. Bobagem, mas no fundo tenho certeza de que é ele. Bobagem... bobagem...

Levantei do sofá e peguei o celular que estava em cima da mesa. Finalmente tive coragem de abrir o aplicativo Line e mandei uma mensagem com coragem para a pessoa que estava me deixando inquieto, para perguntar como ele estava.

Thai: Obrigado por me ajudar.
Peguei e enviei a mensagem e peguei o celular de novo. Calma!!! Vou contar de 1 a 10 e se ele não ler, vou apertar o botão de deletar.

8...9...10

Ufa!!! Peguei o celular de novo, quando fui olhar a tela, meu coração batia tão forte, então... lido...

Fui até a contagem de 10, a mensagem não foi lida nem respondida.
Ufa... P'Kin parece muito preguiçoso, mas nem se deu ao trabalho de responder nem de mandar um sticker de "bobo". Estou muito bravo agora, será que P'Kin está brincando comigo?
Thai: P'Phi já dormiu?
Thai: Eu ganhei o concurso Moon agora, você não quer me dar os parabéns?
Thai: Uau... P'Phi realmente já dormiu?
Thai: Vou te dar um presente por ter me ajudado hoje.
Thai: P'Kin.....
Thai: Por que você não responde?
Thai: (enviou um sticker de gato rindo)
Thai: (enviou um sticker de gato dançando)
Thai: (enviou um sticker de gato dançando balé)
Thai: Phi... estou te incomodando?
Lido... Lido...lido... a mensagem foi toda lida, mas não houve nenhuma resposta. P'Kin é muito bom.
Droga!!!! Se eu não fosse teimoso, já teria jogado o celular. Que frustração, será que ele tem Line só para ler mensagens? É muito difícil responder?
Thai: Sim, desculpa se te incomodei.
Enviei a mensagem e bloqueei o número dele com raiva e decepção. Agora não ligo mais para ele, porque a pessoa que me deu a mensagem sem se importar comigo. Talvez ele não saiba que eu o bloqueei, só fez isso por frustração.

Deitei o celular e fechei os olhos. Ou talvez meu relacionamento com P'Kin realmente tenha acabado?

.
.
.

Abri os olhos e pisquei imediatamente. A luz brilhante do céu me machucou os olhos. Essa luz é muito familiar para mim. Quando olhei ao redor, confuso. Meu corpo estava fraco e impotente, me sentia muito estranho.
Tentei conter a sensação desconfortável que não conseguia explicar. Meu corpo estava quente, queria tirar a roupa, tentei desabotoar a calça, mas não tinha forças. De repente ouvi a voz pesada de um homem.
"Huh, é mesmo, você é um garotinho teimoso! Vamos... eu vou tirar isso para você."
Abri os olhos com dificuldade, tentando enxergar o dono da voz. A pessoa que vi parecia um ator chinês ou coreano... Tentei olhar ao redor, o lugar não era muito bonito, mas estava limpo e arrumado.
"Phi....."
"Ei... não acorde, eu vou te servir."
"Ah..." Eu nem tinha respondido, mas ele já tinha se jogado em cima de mim e me preparado para dormir. Meu coração batia forte, meu corpo estava estranho, respondendo pela metade depois que recusei quando ele me tocou.
"Engraçado, seu corpo reage a tudo... Good boy. Mesmo se for a primeira vez, não tenha medo, eu vou fazer com cuidado," o rosto bonito se aproximou. Seus lábios estavam prestes a beijar os meus... mas todo o meu corpo se recusava a aceitar o beijo dele.
Não... Não... Não.....

.

Ah!!! Acordei sentada, meu coração batia muito forte de medo. Sim, era o efeito do sonho de agora há pouco, fiquei muito assustada. Já era a segunda vez que sonhava, mas esse sonho me fazia sentir mal, o que me irritou porque não lembrava do rosto dele quando acordei. O rosto daquele que me fazia desconfortável se parecia com o de um ator coreano. Mas o que me deixava desconfortável era: por que eu deveria ter medo dele se eu gostava dele? Ou será que na verdade eu só estava com medo de me machucar...
Fiquei sentada e não quis saber de nada. Seja o que for que aconteceu, não queria saber de nada. Se eu não soubesse, não ia mudar nada? E se eu soubesse, será que ia me fazer sentir melhor?
"Por que você está assim?" de repente uma voz misteriosa veio da escuridão e me assustou.
"Hoi!!...!!!" Gritei, me virei na direção de onde vinha a voz e vi uma silhueta de alguém deitado ao meu lado.
Então a pessoa se levantou, tocou meu rosto e olhou para o meu rosto... agora eu podia ver o rosto dele claramente, era o rosto do P'Kin!!
"P'Kin!!! Por que você está no meu quarto? Saia logo!!" Gritei alto e fiquei feliz e irritada porque ele veio me ver.
"Por que você mandou mensagem no Line e me bloqueou, eu deveria ficar quieto?" P'Kin respondeu sem hesitar.
"Então por que, se eu ficar bravo e pedir desculpas? Já te bloqueei, Phi, eu disse que não preciso mais que você me explique nada." Respondi com raiva, na verdade estava muito decepcionado.
"Quem disse que estou brincando com você?"
"Huh?! Eu já te disse, Phi está apenas lendo e não tem intenção de responder, isso já foi tudo, certo? E hoje Phi também me ignorou, depois sumiu assim. Se Phi quer brincar comigo, saia, não se aproxime, já não ligo mais."
"Você está bravo?"
Sim, mas não queria admitir.
"O que você quer? Por favor, não me incomode," eu disse rápido.
"Ei... por que você é assim? Não estou brincando com você, se eu tivesse que participar do concurso até o fim e comemorar com você, seria assim?"
Me virei para olhar para ele com decepção, realmente era alguém sem sentimentos...
"Eu já não ligo, só mandei mensagem no Line para agradecer porque Phi me ajudou." Fui rápido para esclarecer, mesmo que eu mesma estivesse confusa com o que disse. Mas, bem, era melhor eu dizer isso, porque se não dissesse, ele certamente não pararia de brincar comigo. Por que, por que ele não escolheu apenas P'Liz?
"É verdade?" P'Kin me respondeu com um tom baixo que me deixava desconfortável.
"Sim... Phi, você não perdeu tempo comigo, eu estou bem," disse com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Não sei por que estava chorando, talvez estivesse cansado demais de suportar. Ao ouvir ele dizer que não estava brincando comigo, as lágrimas saíram.
"Ei... garotinho, não chore," quando P'Kin me viu chorar, ficou surpreso. Ele se aproximou e enxugou minhas lágrimas.
"Não estou chorando, vá embora. Não se importe comigo," mas não ia desistir assim, empurrei a mão dele e me virei para ir embora.
"É verdade que você não quer se importar comigo?" olhando para minha expressão, P'Kin não tentou me impedir, mas perguntou com voz baixa.
"Sim, você prefere ficar com P'Liz, não precisa me procurar mais... e na hora que Phi também veio me encontrar, afinal Phi disse que viria porque ia me encontrar," cuspi todas as palavras que guardei por muito tempo. E sobre P'Liz, eu disse que ela veio propositalmente até P'Liz e não até mim.
"Mas Phi veio na hora certa: ele imediatamente negou, isso não é verdade? ele não veio me ver de jeito nenhum, certo?"
"Mentira!" respondi grosseiramente.
"Phi não mentiu, mas te vi brincando de espetar agulha com Ai'Phu."
"Ei... o que? Não brinca comigo?" fiquei surpresa. E o que quer dizer com brincar de espetar agulha? Não fiz nada com P'Phu... Hah!!! Isso que quer dizer espetar agulha é...
"Huh?! O que? Olha, até uma pessoa que só olhou, você não sabe. Garanto que o dono dela com certeza já explicou tudo."
"A... o que Phi viu?"
Droga, quando ele chegou? Ele chegou quando a linha foi enfiada na agulha? Meu coração apertou e fiquei com raiva, por que ele tinha que ver aquilo naquela hora. E quando ele veio, ele nem veio me ver de jeito nenhum.
"Sim, vi com meus próprios olhos. Por isso não vou te impedir, mas também não posso te deixar sozinho," você mandou mensagem no Line e eu não aguentei não te ver. Foi por isso que preparei isso," P'Kin disse rindo como se achasse engraçado, e me fez sentir mais culpado.
"Você acha que pensei nisso de propósito? Você acha que eu estava feliz fazendo isso?" perguntei com raiva. Eu sei que aceitei o tratamento de P'Phu, sei que sou ingênuo e fácil de enganar. Deixei P'Phu entrar na minha vida, e também dei a chance dele se aproximar de mim, mas fui eu quem deixou isso acontecer. E no final, deixei ele fazer o que quis. E se P'Kin ficou bravo por causa disso, então eu podia entender.
"Seus sentimentos são seus, não quero me intrometer nos seus sentimentos, porque só quero te ver feliz com o homem"

Ele é melhor que você, cem ou até mil vezes melhor. Além disso, ele gosta de você, não como Phi," finalmente não consegui me segurar e disse palavras dolorosas. Não consegui segurar as palavras que saíram da minha boca, pensei que me machucaria facilmente porque ele já tinha P'Liz.
"Huh! Que bom que você consegue falar assim. Se for assim, eu não vou ficar mais aqui,"
P'Kin disse que iria embora. Naquele momento meu coração doeu tanto que não conseguia respirar. Ele não se importava com o quanto eu sofria, e por que ele tinha que ir nessa hora? Será que nosso relacionamento realmente tinha que terminar esta noite.

Antes de P'Kin ir embora, me virei rápido e abracei P'Kin com força. Se P'Kin fosse, eu não o deixaria ir de novo, então não o deixaria ir desta vez. Nunca tinha gostado de alguém antes, nem sabia como segurar a pessoa que gosto, não importa quantas vezes eu disse a mim mesma que queria desistir. Mas no final, não consegui deixá-lo ir.
"Se você quer ir, vá," disse enquanto encostava meu rosto nas costas dele. Respirei fundo e lágrimas caíram nas roupas que ele usava.
"Garotinho." P'Kin me chamou surpreso.
"Não ligo, nem ligo que você não se importe comigo," respondi com raiva.
"Garotinho." P'Kin me chamou de novo, mas eu não ligava.
"Sim, eu realmente deixei P'Phu me beijar. Só achei que estava errado. É muito doloroso para mim, não consigo nem sentir um pouco de pena," disse tudo o que pensei porque tinha medo de que se não dissesse agora, não teria outra chance.
"Garotinho." P'Kin ainda tentava me chamar. Ser chamado assim me deixou um pouco irritado.
"Phi não precisa me chamar de garotinho se Phi vai me deixar. Melhor me chamar de cachorro anão, não me chame assim que vai me deixar triste."
"Ouh, Ok N'Thai."
Seria bom se P'Kin me chamasse pelo meu nome de verdade. Se ele ia me deixar, não deveria ser doce comigo, certo?
"Por que você me chamou?" perguntei com voz alta.
"N'Thai, você pode soltar o Phi primeiro?" sem eu perceber, ele me chamou pelo meu nome de verdade, porque queria pedir para soltar.
"Ah... desculpa" Eu soltei ele, e recuei rápido até quase bater a cabeça no lugar.
Depois que soltei P'Kin, ele se aproximou de mim como se fosse fugir. Nossos olhos se encontraram na luz fraca.
Senti vontade de confessar, mas na verdade não queria. Queria ir, mas quando ele se aproximou de mim, senti pena.
Ele se aproximou de mim. Não mexi até ele estar na minha frente e colocar a mão na minha cabeça com raiva, entendendo o que ele fez, não o impedi, mas não ia me render assim.
"Quero saber sobre P'Liz," quando nossos lábios estavam prestes a se tocar, disse isso em voz baixa. E deu certo, P'Kin parou por um momento e depois recuou. A palavra P'Liz era veneno para um homem como P'Kin, até mesmo uma pessoa ocupada como P'Kin se rendeu facilmente.
"Ok... eu vou te contar sobre Liz." P'Kin respondeu com

"Ok... eu vou te contar sobre Liz." P'Kin respondeu com suavidade, sentamos lado a lado no quarto com luz baixa. Depois de dizer isso, por um momento P'Kin ficou em silêncio, como se estivesse perdendo a paciência.
Era tão difícil dizer isso para mim? Fala logo para mim.
"Se Phi não me contar agora, eu vou dormir," disse. Na verdade já não aguentava mais.
"Huh?! Não brinca, só não consigo me concentrar agora," disse P'Kin rindo baixo.
"Não me provoca?!"
Ele com certeza não ia contar, não é?
"Sério," disse P'Kin com firmeza.
"O que Phi quer de mim?" perguntei diretamente. Pensei que se ele fosse assim, significava que não ia me contar.
"Me dá um beijo."
"Hah! O que tem a ver com um beijo?"
"Nosso relacionamento... desde ontem, na minha cabeça sempre tem a imagem de você beijando Ai'Phu. Pensei que era isso que estava me deixando frustrado."
"Bem, eu não beijei," disse de forma leve. Porque sobre isso, eu não me sentia culpado de jeito nenhum.
"É verdade?" P'Kin parecia não acreditar.
"Eu... Eu estava falando a verdade, até me joguei em cima do P'Kin, até deitar e ficar deitado exatamente em cima dele. Então beijei seus lábios e o beijei. Se ele reagisse, eu não teria medo, ficaria feliz se o deixasse bravo."
Quando fiz isso, P'Kin não reagiu de jeito nenhum.
Ele apenas ficou parado me deixando sugar seus lábios com força e rude, e eu também não tentei revidar. O que é isso? Ele o beijou por tanto tempo até eu não saber mais o que fazer.
"Você está satisfeito?"
Não sei se ele estava satisfeito ou não, por ter recebido um beijo de um tailandês.
"Hah... Satisfeito como? É isso que você chama de beijo?" P'Kin respondeu com olhos semicerrados.
Ei... o que foi isso, ele está me dizendo que eu não sei beijar?
"Não me provoque, eu já te beijei, então conta logo sobre isso." Eu não ia desistir fácil, eu só faria o que quisesse.
"Não." P'Kin não quis me impedir.
"Pode ser considerado lamber e morder o lábio. Você realmente merece ser um cachorro, parece que fui lambido por um cachorro pequeno."
O quê!!! Ele disse que eu era como um cachorro lambendo seus lábios? Não acredito.
"P'Kin!! Chega, não vou mais te deixar me beijar, não quero saber," disse com raiva e o empurrei para longe de mim.
"Espera, deixa eu te ensinar a beijar direito:"
"Huh?!... oh..." quando ouvi o que ele disse, senti seus lábios me ensinando a beijar bem até ficar tonto.
Esta não é a primeira vez que P'Kin me beija, quando ele me beija, minha alma parece ser puxada assim, ele é muito habilidoso nisso. Porque quando ele me beija, minha alma parece ser puxada por ele. Ele realmente deixou marcas em cada toque, fui beijado por tanto tempo que quase morri, minha alma se perdeu na sensação de que eu realmente não conseguia respirar.
Um beijo como esse não vai acabar, porque P'Kin sempre me beija de novo e de novo. Ele só parava para me dar chance de respirar e me beijava de novo, como se não me desse chance de recusar. Ele continuou me beijando como se não tivesse mais tempo para beijar assim.
Eu parecia estar gostando do beijo dele, mas não durou muito porque o que eu queria agora era um esclarecimento sobre nosso relacionamento. E o mais importante agora é a clareza sobre nosso relacionamento, então tentei empurrar o peito dele com a mão para que ele parasse. De repente, P'Kin me soltou, parou devagar e lambeu meus lábios antes de finalmente me soltar.
"Uh.... boca doce." Suspirei e gemi baixo.
"É desintoxicação, precisa de mais tempo para voltar ao normal."
Hah? O que é desintoxicação?
"Eu estou envenenado? Não fale besteira."
"Quem é mais venenoso é o beijo de Ai'Phu, você tem que roubar de volta. Você foi muito bom nisso, não é, P'Kin?" P'Kin disse sarcasticamente e fez um gesto de querer me beijar de novo, mas eu o impedi rápido com a mão.
"O que você quer dizer? Se você quer ir agora, é melhor contar a história sobre P'Liz para mim."
Desta vez fiz uma cara séria, não estava brincando mais.
"Hmm... lábios muito doces e macios, mas por que você é tão teimoso." P'Kin fingiu suspirar, me deixando com raiva.
"Fala agora...... P'Kin!!" Gritei bravo, mas ele só riu e se levantou assim.
"Se é melhor a gente falar lá fora, se a gente conversar aqui eu realmente não vou conseguir me concentrar," disse P'Kin sorrindo.
Eu imediatamente concordei e o segui para fora.
Eu e P'Kin sentamos no terraço, finalmente chegou a hora que eu queria. Na verdade, desde que eu já estava vivendo uma vida sombria. Desde que P'Liz chegou, eu fingo que tudo está bem. Até finge que está tudo bem, e ninguém sabe que meu dia estava cheio de tristeza e quase nunca respirava. Talvez porque eu não recebi certeza de nada, e só prometi a mim mesmo e vivi como deveria. Às vezes tinha que pedir permissão e então tudo ficaria melhor.
Quando estava lá fora com a luz acesa, pude ver P'Kin claramente e fiquei surpreso. Ele só usava uma camisa curta e um short para dormir, realmente não parecia que ele ia sair de casa com essa roupa. Mas desta vez é diferente, porque ele usava um short e uma camiseta amarela fina.
"Sobre Liz, sei que é um assunto complicado. Mas promete uma coisa, se você já souber, não pode contar para ninguém," disse P'Kin com cara séria.
"Ok, não vou contar para ninguém."

continua

Master of The Mafia - Capítulo 04

Capítulo 04

A casa de P'Khai não era grande, mas era a casa mais aconchegante que ele já tinha visto. Era um lugar que dava paz e sossego para quem morava ali. Ele recebeu alta do hospital muito rápido. O pior era que o hospital em que ele estava era o melhor hospital particular. P'Khai estava deitado em uma sala individual. Naquele momento, todo mundo podia entrar para visitar, mas ele ainda não podia receber alta. O médico ainda precisava acompanhá-lo. P'Khai deitou no leito do hospital sem dizer nada. A dor no corpo já tinha passado.

"Vamos fazer um check-up" disse o médico, sorrindo.
"Não preciso"
"Então vamos fazer um" o médico insistiu.
"Não preciso"
"Então vamos fazer um, só para ter certeza" disse o médico desta vez.

"Não preciso. Não estou sentindo dor nenhuma. Só estou um pouco tonto" P'Khai disse, virando o rosto para o outro lado porque doía.

"Ai" o médico resmungou quando bateu de leve na cabeça dele, como se estivesse brincando.

"Precisa fazer uma tomografia para ver se está tudo bem" o médico pediu e chamou a enfermeira para levar P'Khai com cuidado.

Depois que levaram ele para fazer o exame e voltaram para o quarto, o resultado saiu e mostrou que não tinha nada grave. O médico ficou aliviado e sorriu. P'Khai escolheu ficar olhando para o teto. Se não fosse o médico, ele provavelmente já teria ido para casa sozinho. A enfermeira entrou junto com o médico.

"Venha cá, vamos lá" o médico disse, fazendo P'Khai se sentar na beira da cama para que a enfermeira pudesse verificar a pressão dele.

"Hoje você já pode ir para casa" o médico disse, voltando a olhar para ele com um sorriso de quem estava de plantão.

"Obrigado, tio. A família disse que não precisa mais ir ao hospital. O tio pode cuidar de mim em casa" P'Khai disse com um sorriso que não alcançava os olhos.

"Não precisa ficar no hospital mesmo. Já que você teve alta do hospital" o amigo respondeu, enquanto o som da porta se abria vinha de trás.

Toc, toc, toc.

O som da porta se abriu e foi Athit quem entrou junto com a enfermeira para ver como ele estava. As duas pessoas caminharam até a beira da cama.

"P'Khai, a gente vai para casa agora, tá?" Athit disse sorrindo. Depois olhou para o tio e para a enfermeira que estava ao lado.

"Como você está se sentindo agora?" quando todos saíram, P'Khai perguntou de imediato.

"Não está doendo muito não. Só está um pouco dolorido" o médico respondeu com um sorriso leve.

"Estranho, estranho mesmo" P'Khai disse, olhando para ele com dúvida.

"Você está bem. Normalmente quem é espancado assim fica com marcas pelo corpo inteiro, desde que nasceu até hoje. Mas com você só ficou roxo. Isso é porque você tem uma constituição forte" o médico disse, abrindo a pasta e mostrando o exame para P'Khai. Era um exame de raio-x. Tinha um roxo bem grande no ombro do outro.

"Não chegou a quebrar" P'Khai disse, porque achava que não tinha nada quebrado.

"Eu e o hospital não vamos contar nada sobre os seus ferimentos para ninguém. Pode ficar tranquilo" o médico disse. Depois continuou.

"Se estiver roxo, pode colocar gelo, tá?" o médico disse, saindo e deixando o assunto por isso mesmo.

"Não precisa, eu mesmo posso colocar gelo" P'Khai respondeu, mudando de assunto.

"Não precisa não. Você pode colocar gelo sozinho, mas tem um roxo que você mesmo não consegue alcançar. Tem que passar pomada e fazer compressa. Quando você for tomar banho, consegue lavar sozinho" o médico explicou e saiu do quarto.

"Então não é grave" P'Khai disse baixinho e balançou a cabeça dizendo que não era nada sério.

"É por dentro. O corpo de cada pessoa é diferente. Por isso que o seu roxo virou algo importante. Tem gente que fica roxa por fora, mas por dentro está toda quebrada" o médico respondeu e fez P'Khai virar de lado de novo. A voz ficou mais séria.

"Tá"

"Você é muito teimoso. Se não tivesse teimoso, o roxo já teria sumido. No começo você tinha que tomar remédio. Um mês, dois meses e você precisava vir aqui todo dia para eu ver se estava melhorando" o médico disse, suspirando e saindo para deixar P'Khai com os pensamentos dele.

Toc, toc, toc.

O som da porta se abriu de novo e Athit entrou junto com o remédio e uma bolsa. Athit foi direto colocar em cima da mesa porque P'Khai estava se trocando para ir para casa.

"P'Khai, o médico disse o que?" Athit perguntou assim que P'Khai terminou de se trocar.

"Ele disse que o roxo vai demorar para sumir. Vai doer, vai arder muito. Se eu não colocar gelo e pomada, vai piorar" P'Khai respondeu tudo, enquanto o médico olhava e mexia no prontuário.

"P'Khai, você não está com muita dor, né? Se estiver com muita dor, tem que tomar remédio. Se não tiver remédio assim, você vai sofrer mais" Athit perguntou e estendeu a mão para pegar o remédio e o soro que estavam ali.

"Não é tanto. Só dói se eu mexer" P'Khai respondeu e sorriu para Athit e para o irmão que estava ao lado.

"Você não pode tomar nada e não é nada sério mesmo" P'Khai disse, confirmando de novo e agradeceu ao médico. Obrigado por cuidar do meu amigo. Ele e você são muito próximos. Ele é meu amigo.

"Ah, que bom que você tem um amigo que cuida de você assim" P'Khai disse, sorrindo para o que Athit tinha dito porque a fala dele tinha sido boa.

"P'Khai, ainda dói ou está melhor? Agora parece melhor" Athit perguntou com um sorriso. P'Khai só balançou a cabeça e não respondeu.

"Tem mais algum roxo? Deixa eu ver onde é" Athit disse, chegando perto de P'Khai e olhando para o corpo dele.

"Pescoço branco, clavícula, ombros, cintura, costas bonitas. Boca fofa... para aí" P'Khai falou rindo e empurrou Athit.

"Sem-vergonha. Corpo todo marcado. Só o rosto que não tem nada" Athit disse, sorrindo porque só ele sabia que era só ali.

"Então você vai ter alta do hospital hoje" Athit disse, se levantando antes de P'Khai e ajudando a pegar as coisas com cuidado.

"Vamos sair primeiro, mas depois eu tenho que passar na farmácia para comprar os remédios que estão faltando" P'Khai disse, saindo do hospital e caminhando devagar. Colocou a bolsa no ombro.

"Ai, você não consegue carregar as coisas sozinho desse jeito" P'Khai disse, estendendo a mão para Athit que estava carregando pouca coisa.

"Então você vai carregar para mim ou não vai voltar comigo?" Athit perguntou, confuso.

"Você não vai ficar sem mim, né?" P'Khai disse. Depois virou e foi até o carro dele para colocar as coisas.

"Eu não vou voltar para aquele lugar. Só volto se tiver alguém lá" Athit disse e sorriu, mostrando a língua para trás.

"Ai, isso é chato. Você me dá dor de cabeça" P'Khai disse, rindo e olhando para o lado do banco do passageiro.

"Grande demais. E ainda está com esse cheiro" Athit disse, chegando perto e fazendo um gesto como se fosse sentir o cheiro de P'Khai.

"Ai, você é muito infantil. Parece uma criança" P'Khai disse com uma voz mais doce do que a dele. P'Khai só ficou quieto e não respondeu para ele.

"Não tem problema. A gente dois pode dormir juntos, né?" P'Khai perguntou e piscou para Athit, que virou as costas depois de se despedir e saiu.


JAV MA FIA - CAPÍTULO 5

"Não tem problema. A gente dois pode dormir juntos, né?" P'Khai perguntou e piscou para Athit, que virou as costas depois de se despedir e saiu.

P'Khai se sentou no banco do passageiro só para colocar o cinto e saiu dirigindo até a casa com Athit. Quando chegou, Athit desceu sozinho. Com a mão, carregou as coisas para dentro do hospital e para o quarto dele.

P'Khai suspirou e sentou na beira da cama do hospital e a enfermeira entrou para fazer o curativo dele. Mas o amigo interrompeu antes de ver a enfermeira e o médico fazendo.

"Senhor, obrigado por cuidar do meu irmão. Mas se o senhor quiser descansar, pode descansar no quarto dos médicos. Não precisa ficar aqui" o médico disse porque tinha visto P'Khai assim.

"Não estou com sono. Só vou ficar aqui até você terminar" P'Khai disse com uma voz que não mostrava cansaço.

"Se ficar assim, vai ficar doente de novo. O médico não deixou você ficar sem dormir" o médico disse. Depois de um tempo, fez o curativo e olhou para P'Khai.

"Já melhorou?" P'Khai perguntou. Mas não esperou o médico e a enfermeira responderem. Já se levantou e esticou a voz de dor.

"Pronto, pronto. Eu já terminei" o médico disse, olhando para ele de perto. Acenou com a cabeça.

"Ai! Dor! O médico não disse que ia doer" mas o médico não respondeu e só olhou para trás.

"Tá. Agora você já pode ir para casa. Já troquei o curativo. Quanto aos remédios do hospital, já deixei tudo separado para o seu acompanhante levar" depois que o médico terminou de falar, se virou e foi embora para ver outros pacientes de novo.

"Espera um pouco. O médico tem que me acompanhar para casa mesmo" o médico disse antes de sair do hospital. P'Khai não respondeu mais nada.

P'Khai olhou para o relógio e já estava na hora de ir para a reunião para ver o progresso do trabalho. Voltou para o escritório. Quando chegou, só tinha o amigo dele. E os amigos já tinham ido para o quarto do presidente.

"Bom dia, senhor. Descanse primeiro. Tome, P'Khai" P'Khai entrou para ir ao banheiro e lavou o rosto com água do lado de fora.

"Ah... ah..." depois do som da água, ele foi para dentro do banheiro e o Athit já tinha preparado para ele.

"Irmão, vai tomar banho e depois vai escolher roupa" Athit disse e levou P'Khai para dentro do banheiro. Ele pegou a roupa e escolheu para P'Khai. Pegou a camisa e a calça e entregou para P'Khai trocar ali mesmo.

"Volto já, tá?" disse antes de sair. Bye bye. O médico disse que ia para o lugar que tinha dito. P'Khai ficou sozinho e foi tomar banho. Ainda estava tonto e sentia como se tivesse acabado de acordar. Depois foi direto para o lugar que tinham marcado para se encontrar.

Empresa List

P'Khai foi para o estacionamento antes para ver as coisas e olhou para o relógio. 3 horas da tarde. P'Khai caminhou para dentro do prédio e foi direto para a sala do presidente.

"Obrigado. Eu vou agradecer ao senhor depois" ele disse, olhando para frente e acenando com a cabeça na hora.

"Por que não disse que ia vir me ver?" a funcionária perguntou, levantando uma sobrancelha. P'Khai viu que a funcionária da empresa tinha sido treinada para não ser tão rigorosa com várias empresas que estavam na lista de empresas.

"Deixa para lá. Diz que P'Khai veio me procurar" P'Khai disse e saiu.

"Senhor, o presidente está te esperando na sala" a funcionária disse e foi levar P'Khai até lá.

"Senhor, o senhor chegou na hora certa" a secretária disse, seguindo a funcionária até o elevador e subiu até o 18º andar. O elevador parou nesse andar.

"Siga-me, por favor" a funcionária disse para P'Khai, e levou P'Khai até a porta do escritório. A funcionária abriu a porta e entrou.

"Entra" uma voz veio de dentro da sala. P'Khai abriu a porta e entrou. A parte de dentro era muito luxuosa. Não tinha nada fora do lugar e era muito organizada e limpa.

Até o cheiro no ar era de dinheiro e o cheiro que saía da pessoa que estava sentada na cadeira giratória com as costas para a porta. A pessoa virou a cadeira devagar.

"Desculpe incomodar" o presidente disse quando viu. A aparência não era de alguém que estava nervoso. P'Khai pensou e estendeu a mão para cumprimentar.

"Tá" P'Khai respondeu e foi junto com ele. Não disse mais nada. Só olhou de lado para ele que estava deixando P'Khai e o amigo sozinhos depois.

"O que foi?" o presidente perguntou, olhando para ele sem demonstrar nada.

"Tá" P'Khai respondeu curto. Falou diretamente porque achava que se falasse muito, o presidente não ia gostar e ia acabar com a reunião o mais rápido possível.

"Eu já investi em tudo. Na ação, na empresa e no hotel. Agora tenho dinheiro e posso comprar várias empresas de falência" o presidente disse devagar. Explicou com uma voz que mostrava cansaço extremo.

"Não tem nada a ver com você não saber da empresa e do hotel" P'Khai disse, virando e falando para o outro que estava de braços cruzados, mas não disse nada.

"Se o trabalho aqui já terminou, o que eu faço agora?" o presidente perguntou para P'Khai, com uma voz que mostrava que não estava feliz porque sabia que ele não gostava de ficar dependendo do outro. Mas ainda assim conseguia fazer o presidente trabalhar só por isso.

"E o que o senhor quer fazer?" a voz normal do outro fez P'Khai olhar para cima e responder.

"Quero saber" depois que o presidente disse, se levantou e saiu. E voltou a se sentar na cadeira com um rosto bonito.

O silêncio dos dois dentro da sala fez o ar ficar um pouco pesado. O outro não mostrava nenhum sentimento. Olhou para o rosto dele e o rosto ficou sério. No momento em que ele olhou, o rosto dele e o rosto coberto não combinavam. Era como se estivesse escondendo algo. No momento em que ele se virou, o rosto de medo e o rosto de raiva ainda estavam ali.

P'Khai suspirou e olhou para fora da janela. Pensou em muitas coisas. Se fosse desse jeito, P'Khai não teria um amigo para confiar. Ele pensou que era isso mesmo. Se fosse com outra pessoa, ele teria contado tudo para o outro e para o último.

"A gente não tem mais nada para conversar. Eu vou embora" P'Khai disse, levantou e foi até a porta sem olhar para trás.

"Se você quiser, pode voltar" depois que o presidente disse, P'Khai virou com muita raiva. Não ia deixar esse cara. Ele não ia deixar esse dinheiro cair na mão de quem não deveria.

"Se você quiser falar sério, eu vou fazer você implorar" a voz que veio de trás fez P'Khai parar e virar para olhar para o presidente de novo.

"Se você voltar aqui de novo, eu vou fazer você se arrepender" o presidente disse, sorrindo muito. Mas a raiva dele já tinha passado para o hospital.



The Boy Next World - Capítulo 19

Capítulo 19 :: Por favor Deixa eu cuidar de você 



O Sr. Ramet é uma pessoa que adora dormir. Se houver alguém com quem não esteja familiarizado no quarto, ele pode acordar imediatamente. Se houver qualquer movimento, ele também consegue perceber na hora. Mas como ultimamente todos os seus pensamentos estavam voltados para a pessoa que estava dentro do quarto, não conseguia dormir direito. E ainda por cima estava dormindo num sofá mais curto que suas pernas, o que piorava ainda mais a situação.

Por isso, quando abraçou aquela pessoinha macia e perfumada para dormir, adormeceu inconscientemente na mesma hora.

E o homem sonolento nem percebeu quando a pessoa ao seu lado se levantou.

"?"

O jovem gemeu quando sentiu um leve toque na testa, e alguém afastou delicadamente sua franja.

Ele gosta dessa sensação.

Era suave e doce, mas os movimentos da outra pessoa pareciam hesitantes, como se tivessem medo de machucá-lo. O jovem despertou lentamente com aquele toque.

É você, Poo?

Cir perguntou em pensamento, mas no instante seguinte já tinha certeza de que era o garoto. Porque lembrava do cheiro suave do menino que ficou impregnado em seu nariz a noite toda, e aquele cheiro era exatamente o mesmo na cama e no quarto. Ele o envolveu o tempo todo, o fez sentir alívio e conseguiu dormir bem.

Hoje, o garoto acordou primeiro, então decidiu esperar para ver o que Pookan faria em seguida.

Se acordasse agora, não tinha certeza se alguém ficaria tão tímido a ponto de corar de novo.

O jovem sorriu por dentro, pensando no olhar fofo de Pookan quando ficava bravo, olhando para ele com cara séria, mas com o rosto e as orelhas tão vermelhas, murmurando que era fraco e coisas assim.

Sabia que Pookan não sabia, mas não tinha pressa de deixar que seu Nong aprendesse, porque assim poderia mandar o Cir para Deus.

E agora ia morrer de paciência.

"É nesse ângulo?"

Cir não sabia o que estava acontecendo. Os dedos de Pookan roçaram suavemente... na cicatriz da testa?

"Tem que ser exato, Poo."

Exato em quê?

As sobrancelhas escuras se franziram, um pouco preocupadas.

"Ah, hã? Você ainda faz essa cara quando dorme? Se soubesse o que estou fazendo agora, ia me repreender."

Ao ouvir aquele murmúrio, Cir fez de tudo para segurar o riso.

Queria dizer em que parte dele era feroz. Quem consegue ser feroz vendo aquela expressão solitária e triste?

Aquele menino teimoso que gosta de dizer que não é. Nunca saberia o que ele estava pensando agora.

"Vamos. Se apressa, Poo."

O sexto sentido de Cir dizia que se continuasse fingindo dormir, algo ruim ia acontecer.

Hã!

No momento em que Cir abriu os olhos, viu algo vindo em sua direção e, naquele instante crítico, rolou para frente e o som do impacto passou por seus ouvidos.

O rosto de Cir ficou branco e seu coração deu um salto.

"P'Cir, por que desviou?"

Algum garoto até perguntou, surpreso.

Cir se virou e descobriu que um pedaço de madeira tinha acabado de destruir o travesseiro. Ao ver aquela cena, mesmo sendo uma pessoa fria, não conseguiu evitar suar frio.

Se tivesse desviado um pouco mais devagar, sua cabeça também teria sido atingida.

"O que você está fazendo, Poo?" Cir perguntou, ainda olhando para o pedaço de pau nas mãos do Nong confuso.

"Bater no P'Cir na cabeça."

Quem ouviu franziu o cenho, os olhos pareciam um pouco tristes.

"Poo me odeia tanto a ponto de querer me matar?"

O que aconteceu ontem à noite fez o Nong querer matá-lo?

Só de pensar nisso, a decepção brilhou em seu coração. Sabia que não deveria pensar assim. Sabia que por ter se aproveitado de Nong merecia levar uma surra. Sabia que Nong não estava pronto. Deveria ter sido mais paciente na noite anterior.

No entanto...

"Quem disse que o Poo odeia o Phi? Não!"

O garoto respondeu em voz alta, levantou num pulo e sentou na cama, sacudindo a cabeça. O cabelo macio se espalhou com o movimento.

Colocou o pedaço de pau ao lado. O garoto estava ansioso para explicar, a língua quase embolando.

"Eu não odeio o P'Cir, não. Nem um pouco. E ontem, é... bom, fui eu quem comecei. Como o Poo ia odiar o P'Cir? O Poo está tentando achar um jeito de te ajudar!"

"Me ajudar?"

Olhou para o pedaço de madeira de canto de olho. Parecia mais uma arma homicida.

Pookan seguiu o olhar do mais velho e imediatamente baixou os olhos para a própria mão, como se soubesse que tinha feito algo errado.

"O P'Cir veio pra esse mundo porque apanhou e se machucou muito, não foi? O Poo... só... só se sente assim..."

O Nong arranhou os lençóis sem motivo, tentando evitar qualquer contato visual.

Sim, Nong é fofo, mas Cir não conseguia ignorar o fato de que Nong quase o matou.

"Bater em mim de novo pra me ajudar... É isso?"

Assentiu com a cabeça.

A resposta de Pookan foi um aceno.

"Hã!?"
"Ah!"

Cir pensou que deveria ser firme com o garoto, mas de alguma forma não conseguia ser. Além disso, o rosto do menino empalideceu. Suspirou e tocou o rosto de Nong com o dedo.

Ele estava tão lindo que não resistiu e estendeu a mão para bagunçar a cabeça de Nong.

A franja estava penteada para trás, revelando a cicatriz óbvia na testa. Ele apontou e disse:

"E se eu desmaiar e nunca mais acordar?"

Pookan olhou para ele, surpreso. Olhou para a cicatriz e negou com a cabeça com força.

"Se for assim, então não."

"E se eu não for quem acordar?"

O garoto abriu um pouco a boca, depois fechou com força e negou de novo com a cabeça.

"Então não também."

Cir sorriu e deslizou a mão da cabeça do mais novo até a nuca, puxando o garoto para encostar no próprio ombro.

"Então não faz mais isso. Eu sei que o Poo quer ajudar, mas não quero que o Poo vire um assassino, tá? Mesmo que eu não me importe, e se eu não conseguisse acordar? Não ia poder ajudar o Poo."

Ele não é uma pessoa falante, mas para esse garoto estava disposto a explicar tudo nos mínimos detalhes.

Poo agarrou com força a barra da roupa do mais velho.

E isso parecia muito lamentável.

"Por que o Poo de repente quer... que eu volte?"

Engoliu em seco, temendo ouvir a resposta, mas queria perguntar.

Ele fez o Nong se sentir desconfortável?

Ao ouvir a pergunta do mais velho, Pookan levantou o olhar. Seus lábios estavam tão brancos que a pessoa que o observava estendeu a mão e roçou suavemente os lábios do garoto. Era só porque Cir não queria ver Nong sofrer. Mesmo que mordesse os lábios, não queria vê-lo se machucar.

"O Poo está com medo."

O garoto disse, prestando atenção. Pookan baixou a cabeça e se aninhou no ombro do mais velho.

"O Poo tem medo de se apaixonar pelo P'Cir".

"!!!"

Nunca pensou que ouviria isso do mais novo. Mas enquanto ouvia com atenção, Pookan deslizou as mãos ao redor da cintura dele e o abraçou.

"Se o Poo se apaixonar pelo P' e o P' voltar. O que o Poo vai fazer? O Poo não sabe se consegue deixar que outro P'Cir o ame. O Poo não tem essa confiança em si mesmo. E se esse P'Cir for diferente de você... Tenho medo de me apaixonar pelo Phi."

O jovem mostrou seu medo e preocupação. Isso fez o mais velho se sentir preocupado, mas feliz.

Eu deixei o Nong ficar tão perturbado?

Esse pensamento fez Cir cerrar os punhos, tomar uma decisão e dizer contra a vontade:

"Você precisa... que eu dê um passo atrás?"

Apesar de, na verdade, Cir não conseguir viver sem Pookan. Não queria deixá-lo nem por um segundo.

"Não!"

Assim que a voz de Cir baixou, Pookan levantou o rosto tomado pelo pânico e balançou a cabeça rapidamente, negando em voz alta. Seu rosto bonito ficou branco num instante.

"Não, não! Não, desculpa. O Poo falou bobagem por egoísmo. Nunca pensei em deixar o Phi ir para lugar nenhum. E agora nós somos um casal, tá! Eu disse que ia me juntar pra ajudar a irritar a mãe do P'Cir. O P'Cir não pode ir pra lugar nenhum, tá! Senão os outros vão saber que a gente não está junto. Eu... eu sinto muito. Nunca mais vou fazer isso!"

O menino agarrou as barras da roupa dele e falou rápido, com a carinha linda assustada e preocupada.

"Então isso..." Cir olhou para o pedaço de madeira na cama.
"Posso jogar fora?"

Pookan assentiu rapidamente dessa vez e suspirou em silêncio.

Quando acordou no hospital, não viu Pookan. Estava quase deixando alguém derrubá-lo. Estava tudo bem mesmo se não acordasse.

Mas quando abraçou Pookan com os braços, jurou que não ia se arriscar a perder essa pessoa.

Sim, Cirrus é uma pessoa egoísta.
Ele pode perder tudo, mas não pode perder esse garoto.

Ao ver Nong franzir as sobrancelhas e se encolher com força, Cir disse baixinho:

"Eu não sou feroz, não tenha medo"
"Não fica bravo comigo, tá."

Nunca vou ficar bravo com você

Cir pensou, porque do jeito que o Nong levantou os olhos para olhá-lo, deu vontade de pular em cima dele.

Quem ensinou o garoto a desabotoar a roupa enquanto dormia?

Apesar de não gostar do urso preto, com o pijama de Nong, Cir achava que esse urso era muito fofo.

Ding!

Naquele momento, o celular de Pookan tocou e o garoto olhou.

"É o Jin." Pookan se virou, disse, e depois baixou a cabeça para ler o LINE.

Quem olhava para Pookan queria jogar o celular para o lado.

Podia ignorar a ligação do amigo, mas um bom garoto como Pookan não faria isso. E, de alguma forma, ele gostava disso.

"O que houve? P'Cir, o Jin quer saber o LINE do P'Wim."

Cir ergueu as sobrancelhas e olhou para a tela do celular que o Nong lhe entregou.

[Quero te pedir o LINE do amigo do P'Cir]

"Devo passar?"

Pookan perguntou.

Sabia o porquê. Desde que se conheceram, Nong sempre se preocupou mais com o outro do que consigo mesmo. Nunca esquecia dos assuntos dos outros, mas se esquecia muito das próprias coisas. Sempre colocava os sentimentos dos outros em primeiro lugar.

Agora também queria perguntar ao Wim primeiro antes de passar para o amigo. Até pensou que ninguém diria nada se não pedisse permissão.

O jovem lembrou de Jin convidando Wim para ver um filme e riu.

"Passa."

"Tá tudo bem?"

Cir assentiu com a cabeça para confirmar. Pookan ficou atordoado por um momento e depois baixou a cabeça para enviar o LINE de Wim para Jin.

Não interpretem mal! Cir não está ajudando ninguém. Ele só queria achar alguém para substituir Pookan e ir ver filmes com Jin.

Mas se alguém achasse que Cir estava traindo o amigo, então o jovem responderia sem hesitar que... sim.

..................................................

Desde aquele dia, P'Cir se mudou para o dormitório de Pookan. Mas não aconteceu nada além de dormirem de mãos dadas. Não sei se é porque P'Cir sabe que o dia da morte do pai de Pookan está chegando.

Pookan sentiu que P'Cir sabia, porque enquanto olhava o calendário, o mais velho se aproximava e tocava sua cabeça. Do contrário, o envolvia pela cintura por trás e o abraçava pelas costas.

Isso fez com que esse ano fosse melhor que o habitual.

Naquela manhã, Pookan acordou chorando.

"Para de chorar, tá, bom garoto."

P'Cir se levantou, foi se lavar primeiro e depois enxugou suas lágrimas.

"Vamos, levanta e vai tomar banho. Temos que comprar algumas coisas hoje."

P'Cir não perguntou por que Pookan estava chorando. O mais novo também não disse nada. Apenas deixou o mais velho levá-lo ao banheiro. Tirou a roupa dele, inclusive a roupa íntima da cor da sorte.

Quando P'Cir saiu, o garoto se virou e se olhou no espelho, e viu que os olhos estavam vermelhos como os de um coelho.

Na noite anterior sonhou com a época em que o pai estava doente.

Naquela época, o pai não ia conseguir esperar ele se formar no ensino médio nem vê-lo receber o diploma. Podia ver que alguém estava ao seu lado agora, mas papai disse a Pookan que sempre o vigiaria e não iria a lugar nenhum.

Ele espera que ele seja feliz por toda a vida.

Pookan também sonhou que o pai dizia à mãe como organizar o funeral dele.

Estava tão deprimido que ainda estava triste quando acordou.

Por isso, mesmo depois que Pookan tomou banho, ainda não conseguia rir. Não conseguia ficar tão alegre como de costume. Apenas seguiu P'Cir até o carro.

"Poo quer ir à Chinatown".

Pookan disse a Cir, que estava dirigindo.

"Hm, eu sei."

P'Cir retribuiu o sorriso e acariciou sua cabeça.

"Vamos às compras, não é?"

O garoto assentiu com a cabeça. Não continuou perguntando a P'Cir como ele sabia. Apenas sentou em silêncio no carro, olhando fixamente para a estrada que passava. Porque hoje só queria ter um dia com Pookan. Ele não é muito forte, não está alegre, e não vai rir das piadas dos amigos.

Ele tem muitas coisas para fazer nesse dia todos os anos.

Ding!

Chegou uma notificação. Pookan olhou para baixo.

[Grupo: Nesse grupo todas as pessoas são boas, exceto Achi]

Esse nome de grupo seria engraçado não importa quantas vezes olhasse, mas Pookan não conseguia rir agora.

Tree: "Poo, você está bem?"
Nalin: "Quer que a gente te encontre?"

Parece que Tree e Nalin estão juntas.

Jin: "Tem que comer, tá? Hoje você vai passar o dia todo fora comprando coisas".

Pensou no rosto preocupado de Jin, então respondeu que não se preocupasse, que ia comer na hora certa.

Pookan não contou aos amigos no ano passado que esse dia do ano é o dia da morte do pai. Mas como ficou perdido a semana inteira e até faltou à aula, Nalin continuou perguntando. Depois ele contou qual era o dia, e esse ano foi a mesma coisa. O amigo perguntou se precisava de companhia, mas ele recusou.

O estranho é que Pookan consegue recusar os amigos, mas não consegue recusar esse cara que agora está entrando no estacionamento da agência central dos Correios.

"P'Cir, pode esperar aqui. O Poo não vai demorar."

Pookan se virou e disse ao motorista, mas P'Cir desligou o motor como resposta.

"Vamos juntos."

O ouvinte ficou atônito e depois assentiu. Sentiu que a tristeza no coração estava sendo lavada aos poucos.

Ding!

Chegou outra notificação do Line. Pookan pegou o celular.

http://P.Achi: "Que dia é hoje? O que estavam dizendo cedo de manhã? O LINE me acordou."

O P no apelido de http://P.Achi não significa "irmão mais velho" em tailandês. Vem da palavra "Príncipe". Não importa quantas vezes veja isso, não consegue evitar revirar os olhos.

Pookan apenas sorriu, não respondeu nada, e depois:

Tree: Vai se ferrar.
Nalin: Já que você dormiu demais, não precisa mais acordar. Só dorme para sempre.

As duas garotas concentraram todo o fogo na pessoa que acordou. Achi, do outro lado, respondeu com uma carinha de cachorro e saiu do grupo.

Parecia que estava perguntando para Jin, mas Jin não estava online. Quando voltou a se conectar, Pookan estava prestes a pegar um tuk tuk.

[Tuk Tuk na Tailândia é um meio de transporte, comumente conhecido como "mototáxi"]

http://P.Achi: Desculpa naaaaa, Poo.
http://P.Achi: Te amo, meu querido amigo.
http://P.Achi: Você sabe, né? Meus ombros sempre estão aqui pra você se apoiar.
Tree: Quem quer se apoiar nos seus ombros podres?
Nalin: Não, Poo. Você vai ficar maluco.

Pookan finalmente riu.

"O que foi?"

A pessoa ao lado se virou e perguntou. Pookan lhe entregou o celular.

"O P'Cir pode pegar tuk?"

Pookan perguntou antes. Cir assentiu.



"Por que só perguntou depois de já ter feito?"

Pookan fingiu estar bravo, mas conhece P'Cir muito bem. 

Esse homem faz primeiro e depois pergunta. 
Beija primeiro e depois pergunta! 
Abraça primeiro e depois pergunta! 
Chupa primeiro e depois pergunta!

"Mas eu pedi todas as vezes".

O garoto olhou nos olhos do mais velho e depois virou a cabeça para evitar o olhar dele. 

É melhor não discutir sobre isso, no fim, a culpa continua sendo dele.

..................................................

Depois disso, a manhã inteira, Pookan levou P'Cir para passear pelas ruas. 
Além de comprar o famoso porco, também comprou meio pato cozido no Crystal Dew de Singapura.

Por fim, olhando as costas suadas do mais velho, começou a sentir pena dele.

O clima estava especialmente quente. P'Cir parecia que ia morrer de calor.

"P'Cir ainda consegue aguentar? Ainda tem mais uma coisa".

Parece que trouxe esse jovem mestre para sofrer. Pookan era o culpado, mesmo que P'Cir não reclamasse, e ainda sorrisse e enxugasse o suor do rosto do mais novo.

"Estou bem, não se preocupe. Ainda não tomamos café da manhã. Você ainda está bem?"

O garoto assentiu porque não conseguia comer muito num dia como esse. P'Cir parecia saber disso também e não o obrigou a comer. 
Apenas o ajudou a carregar as coisas e depois foi para a famosa loja de bolos de cenoura.

Pookan não gostava desse tipo de bolo que primeiro precisa ser cozido no vapor e depois frito, mas o pai dele gostava muito. Além disso, é difícil comprar nessa loja. Se vai estar aberta ou não depende do humor do chefe.

Às vezes consegue comprar e prestar homenagem ao pai, mas às vezes só deve isso ao pai. Se ele mesmo comprar... 
definitivamente vai dar errado.

A sorte o visitou hoje.

"Vem, eu consigo". 

Pensa que hoje tem muita sorte por causa dessa pessoa.

O garoto olhou para o mais velho que segurava um monte de coisas, e mesmo agora queria ajudá-lo a segurar o bolo de cenoura. Também queria pagar. Pookan depois não conseguiu evitar gritar que essa compra era para o pai do Poo, mas foi rejeitado de novo.

"Eu respeito o pai do Poo como respeito o meu pai, não, respeito até mais que o meu pai".

Não falou nada, apenas seguiu os passos do superior, pronto para pegar o táxi de volta ao estacionamento.

"Poo ainda precisa comprar flores".

Pookan disse apressado:

"Eu sei". P'Cir sorriu e disse o mesmo.

O garoto quase disse que tipo de flores queria, mas decidiu não dizer nada, porque Cir dirigiu o carro europeu para longe da estrada movimentada, foi direto para as proximidades da universidade e estacionou em frente a uma floricultura.

"Espere por mim."

Cir disse, e depois saiu correndo do carro imediatamente.

Agora que Pookan finalmente confessou que perdeu, P'Cir realmente entendeu tudo sobre ele.

Nesse momento, está realmente com ciúmes de si mesmo naquele mundo.

Teve que lidar sozinho com tudo todos esses anos, mas o outro Pookan sempre teve esse homem ao lado. Especialmente quando P'Cir voltou com um buquê de flores que comprava todos os anos, se sentiu ainda mais culpado.

Nunca tinha sentido ciúmes de ninguém, nunca se comparou com ninguém, mas agora está com tanto ciúmes de si mesmo.

Por que aquele Pookan tinha um P'Cir, mas esse Pookan não tinha?

"Por que o Poo está desconcertado?"

À medida que o tempo passava dia após dia, se sentia cada vez mais egoísta, e não gostava disso, 
"Por causa do P'Cir!"

Cir caminhou até o banco do motorista com expressão atordoada, porque o garoto o olhou com dureza.

"Comprei a flor errada?"

"A certa."

"Então?"

"Não sei!"

Pookan enrugou o nariz e se sentou depois de dizer isso.

PA!

Naquele momento, Cir lhe entregou uma garrafa de água com um canudo.

"Beba um pouco, senão não vai ter energia".

Pookan franziu os lábios levemente, tomou um gole de água e olhou para a pessoa que dirigia o carro com expressão de preocupação no rosto, pensando no que fez que deixou o mais novo bravo.

Então Pookan perguntou suavemente,

"P'Cir fazia isso todos os anos?"

"Poo fazia isso todos os anos?"

P'Cir não responde, mas em vez disso perguntou, e o ouvinte assentiu.

"Bom, comecei a fazer isso desde que meu pai morreu. Meu pai morreu quando o Poo estava no ensino médio e minha mãe não queria voltar para a Tailândia nesse período. Costumava ter uma tia que ajudava com essas coisas, mas quando o Poo cresceu, o Poo disse que viria sozinho, porque a tia estava envelhecendo. Então eu me levantava cedo nessa época do ano, comprava as coisas que o papai gostava de comer, salgadinhos e flores".

Enquanto falava, os olhos dele foram se enchendo de lágrimas devagar.

"O pai do Poo gosta de comer carne de porco moída. O papai dizia que a pimenta do reino dele era muito perfumada, e também bolo de cenoura. Até quando o papai estava doente, reclamava que queria comer tanto, então minha mãe levou o Poo a Chinatown para comprar para o meu papai".

O garoto mordeu o lábio com força e parou de falar.

P'Cir não continuou perguntando, apenas tocou suavemente a cabeça dele e o levou de volta para casa.

A casa que pertencia aos pais e a ele.

Essa casa nos subúrbios não é grande, mas a aparência parece moderna. Há mangueiras no quintal da casa com frutos verdes pendurados nas árvores.

Depois da morte do pai, a mãe trabalhou no exterior para fugir da tristeza.

A tia mais velha e a tia mais nova queriam cuidar dele, mas como a tia mais nova tem a própria família e Pookan não queria incomodar os três primos, as tias finalmente decidiram deixar que a tia mais velha, que se mudou para Chanthaburi, ficasse responsável por ele. E Pookan viveu nessa casa até se formar no ensino médio.

Quando entrou na universidade, para economizar tempo, Pookan se mudou e passou a morar num apartamento perto da escola.

Mesmo que ninguém more aqui, a mãe ainda contrata alguém para limpar a casa uma vez por semana.

Pookan também volta uma vez a cada poucos meses.

"Quando meu pai faleceu, o desejo dele era ser cremado e ter as cinzas jogadas no rio, porque não queria ser enterrado perto dos avós. Dizia que ia brigar com os dois idosos, e talvez eles o repreenderiam por deixar o Poo e a mamãe".

Pookan disse com um leve sorriso, apesar de estar tão triste que não conseguiu encontrar uma palavra para descrever.

"Naquele momento, o Poo e a mamãe estavam chorando, porque o Poo queria guardar as cinzas do meu papai, para que eu pudesse visitar meu papai a qualquer momento, mas a mamãe recusou. Chorou e disse ao Poo que devia seguir a vontade do papai. Naquela época, estava muito triste. Por que tinha que ser assim? Por que não posso ter algo do papai? Então, ela me deu a flauta, até o Poo crescer..."

Levou Cir pela sala de estar e caminhou até o quarto interno, onde estavam o retrato do pai e o incensário.

"Poo acha que o papai não nos deixa enterrá-lo junto com os pais porque quer que o Poo e a mamãe o deixemos ir o mais rápido possível, sem estar apegado a nada, e não ficar triste nesse dia todo ano. Mas o que o papai não sabe é que, mesmo sem deixar nada, o Poo ainda está triste. O Poo sabe que hoje a mamãe também vai chorar amargamente sozinha".

Pookan disse enquanto pegava um pano e limpava a foto do pai.

"Papai é a pessoa mais gentil do mundo, a pessoa mais legal e a pessoa que mais ama o Poo".

Phugun não conseguiu evitar deixar as lágrimas caírem. Nunca disse essas palavras a ninguém, exceto a P'Cir.

"O Poo não consegue esquecer o papai, e a mamãe também sentia o mesmo. Mesmo que o papai não deixe nada, ainda temos muitas, muitas boas lembranças".

Não conseguiu evitar soluçar, apesar de as coisas para prestar homenagem ao papai ainda não estarem prontas.

E foi isso que fez um abraço caloroso envolvê-lo e puxá-lo.

"Sim, o pai do Poo é a pessoa que mais ama o Poo".

P'Cir sussurrou no ouvido dele. Pookan levantou a cabeça. Através das lágrimas, viu que P'Cir se virou para olhar o pai e disse com firmeza:

"E eu também sou a pessoa que mais ama o Poo no mundo."

Mesmo com a mão tremendo, se apegou a P'Cir pelas próximas palavras.

"De agora em diante, por favor me deixe cuidar do Poo, pai".

O que deve fazer? O coração dele está recuando diante de emoções tão turbulentas.



After I Died, the Scum Gong's Grief was Too Much for Him to Live - Capítulo 47

Capítulo 47

“Foi você quem o mandou pra prisão com as próprias mãos! Você é o assassino dele!”  

Você é o assassino dele!

Essa frase foi como um par de mãos empurrando He Chengyang para o abismo do desespero. O fato que ele não queria encarar finalmente estava diante dele.  

“Xu Zhun podia estar vivo. Foi você quem o matou! Você é o assassino!”  

Cada palavra de He Tianming atingia no ponto mais doloroso, não dando a He Chengyang chance de fugir.  

“He Chengyang, você chegou a amá-lo de verdade? Esse seu ‘gostar’ era só nunca ter acreditado nele?”  

He Tianming ergueu He Chengyang pelo colarinho, abriu a porta do quarto e o empurrou até a beira da cama.  

Pressionou a cabeça de He Chengyang para baixo, obrigando-o a encarar o rosto pálido de Xu Zhun: “Olha pra ele! Quando você o beijava, sentia o quanto ele te odiava?”  

He Chengyang arregalou os olhos, olhando para o rosto de Xu Zhun...  

Lembrou do olhar esperançoso de Xu Zhun quando o viu na prisão.  

Xu Zhun confiava tanto nele, e ele... ele o matou com as próprias mãos!  

As lágrimas escorreram dos olhos de He Chengyang e molharam o rosto inteiro.  

“Xiao Zhun!”  

“Xiao Zhun!”  

He Chengyang gritava até ficar rouco, mas toda a sua dor parecia ridícula.  

As pessoas!  
Por que só aprendem a dar valor quando perdem?  

He Tianming observava He Chengyang chorar copiosamente, sem um pingo de compaixão nos olhos.  

Ele odiava He Chengyang. Nunca iria perdoá-lo!  
Nessa vida, a fraternidade entre ele e He Chengyang tinha acabado.  

He Tianming se abaixou para pegar Xu Zhun no colo. He Chengyang agarrou sua mão.  

“Irmão, por favor, não o leve.”  

He Tianming deu um chute nele: “Em vida eu não disputei com você. Agora, você não tem escolha.”  

O maior arrependimento de He Tianming era não ter tirado Xu Zhun das mãos de He Chengyang.  

Se na época ele tivesse sido mais cruel, mais firme e tivesse ficado com Xu Zhun, Xu Zhun não teria perdido a vida.  

He Chengyang caiu de joelhos no chão, segurando firme a roupa de He Tianming: “Irmão, eu imploro! Só uma noite. Deixa eu ficar com ele só uma noite.”  

“Some!”  

He Tianming chutou de novo, derrubando He Chengyang no chão.  

Mas logo em seguida He Chengyang se jogou sobre ele, implorando de novo: “Irmão, só uma noite.”  

He Tianming o chutou para longe.  
He Chengyang se jogou de novo.  

Ele parecia não sentir dor. Não importava quantas vezes He Tianming o chutasse ou batesse, ele repetia a mesma frase: “Irmão, deixa eu ficar com ele só uma noite.”  

“Deixa eu ficar com ele no último momento.”  

A tristeza no olhar de He Chengyang comoveu. He Tianming não conseguiu chutar de novo.  

Depois que He Tianming saiu, a mansão voltou ao silêncio mortal.  

Aquela mansão nos arredores, solitária na noite, parecia um túmulo.  

Aqui, estavam enterrados o amor e a vida.  

He Chengyang se levantou do chão, ajeitou a roupa e enxugou as lágrimas do rosto.  

Foi até a beira da cama e ajeitou a coberta sobre Xu Zhun.  

Sentou-se em silêncio ao lado da cama, olhando para o rosto de Xu Zhun com uma atenção absoluta.  

Levantou a mão e tocou aquele rosto que já não tinha mais temperatura. “Xiao Zhun, você me odeia? Se houver uma próxima vida, você ainda vai querer me encontrar?”  

Dry Drowning - Capítulo 22

 Capítulo 22

O homem que confirmou a presença de Ian estava sentado no lugar de honra e de repente fez uma pergunta. Foi porque achou engraçado que Kyle, que vinha seguindo Ian em silêncio, tivesse se plantado firmemente no lugar como se fosse um cavaleiro de escolta.  

Kyle, que estava como uma sombra atrás da cadeira onde Ian estava sentado, não se abalou com a flecha repentina disparada contra ele e abriu a boca.  

— O Claude me disse para me reportar ao meu superior assim que ele voltasse.  

— Haha. Desde quando você é tão obediente? Ainda assim, é um alívio ver que você está bem.  

— Saúde é tudo o que eu tenho, Comandante.  

Ele deu essa informação, que ninguém queria saber particularmente, junto com uma piscadela.  

As outras quatro pessoas, exceto Kyle, continuaram a conversa, ignorando-o como se não tivessem visto nada.  

— Você se surpreendeu por ter sido chamado de repente?  

Ele não se surpreendeu, mas assentiu.  

— É porque você entrou para os cavaleiros sem o meu conhecimento. Um príncipe de Rox, de todas as pessoas, entrar para os Cavaleiros de Shertian é um assunto bem interessante, não é? Se o povo da capital real, que adora fofocar, descobrisse, seria uma história para ficarem acordados por três dias e três noites contando.  

Eles já podiam estar fazendo isso. O domínio do Grão-Duque era cercado por uma floresta, o que dificultava o acesso, mas rumores não se prendiam a essas coisas. Os nobres estavam sempre sedentos por fofoca, e seus olhos brilhavam com qualquer história sobre Logan Higher, que, sem exagero, estava no centro do Império.  

— No entanto...  

Foi Ally quem cortou com cuidado a história que continuava, com um leve sorriso. Ela colocou sua xícara vazia na mesa, já tendo terminado o chá.  

— Não quero interromper, mas não deveriam se apresentar primeiro?  

— Ah, como fui distraído.  

Parecia que ele tinha acabado de perceber que nem havia dito o nome. O homem, com as sobrancelhas arqueadas para baixo em tom de desculpas, abriu apressado a boca para Ian.  

— Eu sou Schwartz Homer, o Comandante dos Cavaleiros do Norte. É um prazer conhecê-lo novamente.  

— Lorde Ian, o Sir Schwartz é comandante há dez anos e é um membro de elite. Em outras palavras, ele foi em expedições e voltou sem morrer dezenas de vezes.  

— Isso é um elogio?  

— Claro que é.  

_Expedição?_ Por algum motivo, parecia uma palavra importante. A ênfase em "não morrer" soava como se ele tivesse ido a um campo de batalha ou algo assim. Talvez tivesse relação com Rox.  

— Então, sobre isso. É sobre a expedição.  

Enquanto Schwartz baixava a voz sorrateiramente, a atmosfera moderadamente relaxada mudou. Ian, que percebeu a menor hesitação até mesmo em Kyle que estava atrás dele, teve certeza de que esse era o motivo pelo qual tinha sido chamado.  

— Você deve saber. Estou falando sobre a condição que Rox propôs.  

Não havia como ele saber.  

Mas era uma situação em que ele também não podia balançar a cabeça, então Ian respondeu com silêncio.  

— Na verdade, eu vi algo estranho na última expedição.  

Schwartz soltou um suspiro, _hmm_, como se estivesse relembrando aquela época, e coçou o queixo. Ele estreitou os olhos como se não tivesse certeza de ter visto corretamente.  

— Foi só por um momento, então não tenho certeza. Um dos cavaleiros desapareceu, e eu vi enquanto avançava um pouco mais para o norte para encontrá-lo. Mas...  

— ...  

— Ele falou.  

...Ele não entendeu nada.  

Em primeiro lugar, era vago o que ele tinha visto. Ao contrário de Ian, que inclinou a cabeça para as palavras de Schwartz, que não especificavam um sujeito claro, os outros não objetaram particularmente. Parecia que todo mundo, menos ele, tinha entendido.  

— Tentei me aproximar, mas fui atacado por trás. Quase tive meu braço decepado. Dizem que não havia nada lá quando o Grão-Duque chegou.  

Além da manga de Schwartz, que disse isso, uma longa cicatriz mal havia cicatrizado. Se ele não tivesse usado água benta, poderia ter apodrecido até o ombro até agora.  

Schwartz, como se a carne rasgada ainda estivesse pulsando, passou a mão pelo antebraço uma vez e murmurou para si mesmo.  

— Algo está mudando.  

Era a mesma sensação de quando ele testemunhou aquilo pela primeira vez.  
Não havia como esquecer os arrepios que subiram pela sua pele.  

Por um momento, houve silêncio como se todos estivessem pensando na mesma coisa, e mais uma vez, só Ian, o único de fora, limpou o canto do olho com a ponta do dedo. Se ele tivesse pelo menos uma suposição, poderia fingir que sabia, mas isso era praticamente um programa de perguntas.  

Ao notar a reação de Ian, Schwartz, que tinha se perdido em outros pensamentos por um momento, relaxou o rosto tenso e falou.  

— Bem, posso ter ouvido errado. Minha audição não é mais o que era agora que estou ficando velho. Mas não é um problema que eu possa simplesmente ignorar. É por isso que te chamei aqui.  

Tudo o que ele tinha ouvido até agora era bobagem, então não conseguia entender por que a conclusão de tudo aquilo era ele. Deve ter transparecido em seu rosto, porque Schwartz soltou uma gargalhada, _haha_, e foi direto ao ponto.  

— Eu soube do que aconteceu durante a procissão. Disseram que você matou três assassinos num instante. Parece que o Grão-Duque não quer deixar seu talento se perder.  

Só então ele se lembrou do incidente de uma semana atrás. Foram três? Ele lembrava de tê-los matado, mas não do número exato. Era porque não tinha sido importante.  

— Então, ele disse que gostaria que você se juntasse à próxima expedição.  

— ...  

— Colocá-lo nos cavaleiros foi porque ele precisava de um pretexto para isso.  

Em princípio, apenas os Cavaleiros do Norte podiam entrar na Floresta Negra. Ally, que estava sentada ao lado dele, só então percebeu as intenções suspeitas do Grão-Duque. Ela tinha se perguntado por que ele o estava colocando nos cavaleiros de repente.  

— Você pode recusar, mas...  

Schwartz, que coçou o queixo uma vez, acrescentou num tom relutante.  

Como se já soubesse qual seria a resposta.  

— Você vai ter que pensar de novo se isso é pelo bem de Rox.  

Soava como uma recomendação, mas estava mais para uma ameaça. Já que ele era um refém, era uma frase que poderia ter funcionado se ele fosse o "Ian" de verdade de Rox. Ou seja, se um país ou uma família para proteger realmente existisse.  

— ...  

Mas a pessoa aqui era um ser humano completamente diferente.  

Alguém que já tinha jogado fora e matado essas coisas há muito tempo.  

Guardando uma verdade que ninguém tinha percebido, Ian abriu a boca lentamente para aqueles que o olhavam.  

_‘Eu vou.’_  

Nenhum som saiu, mas o formato de sua boca era claro o suficiente para entender. Schwartz, que achou que haveria pelo menos alguma hesitação mesmo com as palavras ameaçadoras, arregalou os olhos, surpreso.  

Era verdade que os Cavaleiros do Norte eram a ordem mais difícil de entrar no Império. Mas também era o lugar que todos os cavaleiros evitavam igualmente.  

Eles estavam sob o comando daquele já infame Grão-Duque de Higher.  

A piada de que seria mais rápido morrer pelas mãos de Logan do que ter a garganta cortada pelo inimigo nunca acabava sendo só uma piada.  

Bastava olhar para o número de cavaleiros, que só diminuía apesar de ser reposto todo ano. O número de candidatos estava em declínio constante porque as pessoas sabiam o que os membros ligados ao norte faziam no domínio do Grão-Duque.  

A única razão principal pela qual a cavalaria podia continuar a ser mantida era que eles não olhavam para a origem de ninguém.  
Em Shertian, onde o nascimento era absoluto, era praticamente o único caminho para mobilidade social. O salário excessivamente alto para um simples cavaleiro provavelmente também tinha um papel nisso.  

Assim, os mais oprimidos se reuniam, um por um. Aqueles que tinham habilidade, mas eram barrados pelo status, que vagavam por becos e cometiam roubos.  

Essa também era a razão pela qual a maioria deles não tinha sobrenomes.  

Mas mesmo que sussurrassem pelas costas, nenhum cidadão do Império podia denegrir a origem dos cavaleiros.  

— Você está dizendo que vai se juntar à expedição?  

The Trash Wants to Live - Capítulo 18

Capítulo 18

Não posso usar uma agência privada.  

Eu não confiava em um lugar assim porque poderia haver vazamento de informações. Cheguei em casa e fiquei pensando nisso por um tempo.  

Os seres humanos são contraditórios. No início, eu me sentia deslocado, como se estivesse usando roupas que não eram minhas, mas conforme fui me acostumando com esse estilo de vida, meu nível de conforto também aumentou.  

Agora, a mansão me parecia mais familiar do que a casinha minúscula em Dal-dong onde eu morava antes.  

Depois de me separar do grupo e voltar para o quarto, aproveitei um banho demorado no banheiro privativo. Normalmente eu tomaria um banho rápido e iria dormir, mas queria ficar um pouco na água quente porque me sentia sujo depois de encontrar o Ki Sung Yoon.  

“Essa é a vantagem de ser o Ki Yoon Jae.”  

Ri, joguei uma bomba de banho na água e fiz ondinhas com o dedo, deixando a água turva. Essa banheira foi feita para que duas, três pessoas entrassem e ainda assim ficassem confortáveis.  

Era um estilo de vida que eu jamais imaginaria antes de possuir esse corpo. Na casinha minúscula onde eu morava não havia espaço nem para banheira. Mal cabia uma bacia. Um banho decente só era possível em banheiro público.  

Mesmo ganhando dinheiro com bicos, era difícil justificar gastar 6.000 won¹ por dia só para se lavar. Com 6.000 won você comprava uma refeição. Era mais sensato comer bem do que tomar banho.  

Aprox. R$ 25  

“…Por que o Ki Yoon Jae ficou tão perverso?”  

Uma casa espaçosa.  
Um quarto aconchegante.  
Comida deliciosa.  
Fortuna.  

Uma vida que todos sonhavam ter.  
Uma vida que qualquer um chamaria de luxo.  

“…Mas ele não recebe nenhum afeto.”  

Percebi isso nos meses em que vivi como Ki Yoon Jae: ninguém demonstrava afeto por ele. Não. A Ki Hyun Joo parecia me tratar com um certo carinho, mas...  

O que eu quero dizer é amor de família — o amor dos pais, o amor de um avô...  

Ki Yoon Jae não tinha nenhum responsável legal.  

Eu ainda tenho 16 anos.  
Embora estivesse prestes a completar 17, o Ki Yoon Jae ainda era muito novo. Eu tinha 23, mas ele era bem mais jovem.  

Meses depois de me tornar o Ki Yoon Jae, meu pai não entrou em contato comigo nenhuma vez. Se ligar fosse difícil, ele poderia ter mandado uma mensagem no KakaoTalk, mas nunca fui procurado. Não havia nenhum sinal de comunicação, nem mesmo antes de eu assumir o corpo do Ki Yoon Jae.  

Será que isso pode ser chamado de família...?  

A família que eu conhecia não era nada parecida com essa. Eu também cresci sem um responsável. No entanto, pessoas como meus pais adotivos e o diretor do orfanato me ajudaram a me tornar alguém decente.  

Já para o Ki Yoon Jae... não havia ninguém.  

“Se foi por isso que você ficou perverso...”  

Ele era digno de pena. Claro, isso não justificava de repente tudo o que ele fez no romance.  

Tomei banho para clarear a mente, mas meus pensamentos ficaram ainda mais confusos. Saí da banheira, me sequei e vesti o roupão. Depois saí do banheiro e me deitei na cama ainda de roupão.  

Será que posso dormir assim mesmo?  

Ninguém está olhando de qualquer forma... Decidi dormir de roupão, sem pijama, e me cobri com o edredom pensando que não teria problema se eu estivesse um pouco desleixado...  

Toc, toc.  

Alguém bateu na porta.  

Olhei para o relógio. Já passava das 11.  

A essa hora?  

Quem diabos seria? Levantei e pedi para entrar. A porta se abriu.  

“Hyung...”  

Na porta estava o Ha Hyun Seo, abraçado a um travesseiro quase do meu tamanho. Ele não entrou. Ficou hesitando na soleira.  

“Oh, Hyun Seo? Aconteceu alguma coisa?”  

“Hyung...”  

Hesitante, ele se aproximou. Parou ao lado da cama e sussurrou:  

“Podemos... dormir juntos?”  

Olhando para mim com a cabeça levemente inclinada, o Ha Hyun Seo parecia um cachorrinho... quer dizer, um filhotinho.  

Senti o olhar dele fixo em mim.  

Ele não vai arrancar meu pescoço, vai...?  

Meu silêncio deixou o rosto dele emburrado. Eu estava matutando sobre o pedido.  

“Claro que pode.”  

Ai, minha boca falou sozinha. E com isso o rosto do Ha Hyun Seo se iluminou.  

Já que não podia voltar atrás, levantei o edredom e o Ha Hyun Seo subiu na minha cama. Era uma cama queen size, não era apertada, então não havia problema nenhum em dois dormirem juntos.  

“Hehe...”  

O Ha Hyun Seo se aninhou nos meus braços, e o cabelo dele roçou no meu peito, que estava aparecendo pela abertura do roupão.  

Hum... acho que está tudo bem.  

Ele é só uma criança, e nós dois somos garotos. Não achei que mostrar um pouco da pele seria um problema.  

“Uau... Hyung. Sua pele é muito branca.”  
“É mesmo?”  
“Quando te vi pela primeira vez, pensei que um anjo tinha descido do céu.”  

O Ha Hyun Seo disse, envergonhado, que eu era muito branco e bonito. Agradeci o elogio, mas foi meio constrangedor ele me comparar a um anjo.  

Ah? Agora que lembrei...  

Não havia outra pessoa que saberia mais sobre a fobia de homens da Ha Eun Seo? Não havia ninguém melhor para perguntar do que o Ha Hyun Seo, que conviveu com ela por muito tempo.  

Pensei um pouco em como formular a pergunta para não magoar o Ha Hyun Seo.  

“Hyun Seo.”  
“Sim, Hyung.”  
“Como vocês viviam antes de me conhecer?”  
“No orfanato?”  
“Não, antes disso...”  

Me perguntei se ele conseguiria falar sobre os pais. O Ha Hyun Seo hesitou por um momento, mas não pareceu se importar com a pergunta. Depois de pensar um pouco, começou a contar sobre ele.  

“Na verdade, eu não lembro muito dos meus pais...”  

O Ha Hyun Seo ainda era novo, mas quando era bem pequeno ele morou com os pais. Os pais dele eram pessoas comuns, e a Ha Eun Seo não era tímida enquanto eles estavam vivos.  

“Depois, quando eu tinha 5 anos... meus pais morreram em um acidente.”  

O Ha Hyun Seo e a Ha Eun Seo tinham 4 anos de diferença, então ela tinha 9 anos na época. Mais nova do que o Ha Hyun Seo de agora. Mesmo assim, ela precisou proteger o irmão mais novo com aquela idade.  

Pelo jeito que ela ainda tinha medo de mim, mas tentava proteger o Ha Hyun Seo, parecia que ela tinha um senso de responsabilidade muito forte por ele.  

“Minha irmã disse que nosso tio materno seria nosso responsável. Foi depois disso que ele apareceu.”  
“Seu tio?”  
“Sim, mas só o vimos pela primeira vez no funeral. Nunca tínhamos nos encontrado antes.”  

O tio materno seria o responsável, mas os dois irmãos acabaram no orfanato? Fiquei me perguntando que diabos tinha acontecido.  

“Então acabamos morando com nosso tio materno...”  

O tio materno não parecia ser uma boa pessoa. Não que ele tivesse um gênio ruim ou algo assim, mas estranhamente a irmã dele, a Ha Eun Seo, dizia que sentia medo. Por isso, a Ha Eun Seo sempre tentava ficar junto do Ha Hyun Seo. Assim que ouvi isso, consegui concluir mais ou menos que a causa da fobia da Ha Eun Seo vinha dele.  

Filho da mãe...  

Era só um palpite, mas não havia outra explicação para a fobia dela, já que, como o Ha Hyun Seo disse, ela era uma pessoa alegre no passado.  

Pessoas que abusam de crianças merecem ser exterminadas. Perguntei ao Ha Hyun Seo, rangendo os dentes por dentro:  

“Então, onde está seu tio materno agora?”  
“Na prisão.”  
“Prisão?”  

Perguntei surpreso, e o Ha Hyun Seo assentiu.  

“Minha irmã disse... que o tio feriu gravemente um transeunte.”  

“Nosso tio era alcoólatra.”  

O Ha Hyun Seo sussurrou como se estivesse contando um segredo.  

“Ouvi dizer que ele bebeu, brigou com um transeunte e acabou partindo para a violência.”  

Vou ter que investigar isso.  

Preciso descobrir o tempo da pena dele e se ele já voltou para a sociedade, caso já tenha cumprido.  

Embora a Ha Eun Seo não fosse famosa agora — já que pessoas com dons ainda eram vistas apenas como mutantes com poderes estranhos —, era natural que ela se tornasse famosa quando o mundo mudasse.  

Ela foi escolhida pessoalmente pelo sucessor da Sungwoon. Mesmo que não chegasse ao nível de celebridade, o rosto dela era bem bonito.  

Quando alguém fica famoso, oportunistas sempre aparecem. Até relações que já morreram são reativadas para uma "reconciliação".  

E no caso de laços de sangue, seria pior ainda. Não seria normal.  

O tio materno do Ha Hyun Seo nunca trabalhou. Então de onde vinha o dinheiro para as despesas? Talvez fosse o seguro ou os bens que os pais dos dois deixaram.  

Acho que preciso descobrir isso também. Quando o dinheiro acabar, ele não vai atrás do dinheiro que os irmãos ganham na Sungwoon? Se eu me antecipar e reivindicar a guarda dos irmãos, ainda menores de idade, posso acabar complicando as coisas para a Sungwoon. Talvez a situação piore.  

Pensando nisso, disse a mim mesmo que precisava descobrir logo, enquanto consolava o Ha Hyun Seo.  

“Deve ter sido difícil para você.”  

Não houve resposta. A criança estava encolhida nos meus braços.  

Será que já dormiu?  

Fiquei o mais imóvel possível para não acordar o Ha Hyun Seo.  

E aos poucos, eu também adormeci.  

My Brother's Spring - Capítulo 08

Capítulo 08

EuropeuNãoPresta: Não é que seja ruim... mas depois de ter um contato tão próximo com o Xiao Cheng, você acha que vai conseguir se controlar?  

ZizhenVerdadeVerdade: Hã??  

HaiShen: O que ele quis dizer é: seja honesto com o seu corpo.  

HaiShen: Bater punheta pra pôster a gente até entende. Mas e quando você encontrar o cara de verdade? O que você vai fazer?  

ZizhenVerdadeVerdade: E tem problema bater punheta!? Como se você nunca tivesse batido, né???  

HaiShen: Eu de fato nunca bati punheta pro pôster do Xiao Cheng.  

EuropeuNãoPresta: Pera... você... não bater punheta!? mesmo não??  

NÃO BATEMOS PUNHETA!!! NÓS NÃO BATEMOS!!!

Podem pensar em algo puro? Nobre? Sofisticado??  

Wei Zizhen teve muita vontade de jogar o celular na parede.  

ÉSeuTrident: Ai, não é por nada não. Wei Zizhen, a família da gente trabalha nesse meio e eu acho bem difícil você conseguir o Xiao Cheng.  

ÉSeuTrident: Hoje um monte de empresa tá de olho nele. Todo mundo já pegou a enxada pra cavar. E você com uma empresinha dessas... A menos que seu irmão vá pessoalmente, de nada adianta ter o melhor projeto do mundo.  

ZizhenVerdadeVerdade: Da Zi, eu sei o que você tá dizendo. Mas eu tenho que tentar, né!  

Afinal, existe diferença entre desistir sem lutar e lutar e mesmo assim não conseguir.  

Wei Zizhen olhou para o projeto em cima da mesa. Achou que ainda tinha um tiquinho de chance.  

ÉSeuTrident: Então boa sorte. Eu, o irmão Gou e os outros vamos te comprar umas caixas de "Shen Bao" pra você se prevenir. Vai que você não se controla.  

Wei Zizhen quase engasgou.  

ZizhenVerdadeVerdade: Já deu, né? Some daqui!  

Jogou o celular de lado. Ficar naquele grupo fazia ele se sentir como um lírio branco imaculado saindo da lama.  

Um presidente tão íntegro, puro, incorruptível e ainda bonito como ele sério, era difícil de achar.  

Basta olhar pra barriga de chope do cara do lado!  

E pra careca lá de baixo!  

E pro cara de cima que tem barriga de chope E é careca!  

Um horror. Dava até nos olhos.  

Wei Zizhen tomou um copo d'água gelada pra se acalmar e abriu o projeto de novo, lendo com atenção.  

Não era segredo que Xiao Cheng não estava feliz na Guangying Media.  
Ou melhor, "não feliz" não era a palavra. Ele estava sendo maltratado. Só que tinha contrato e não podia sair.  

Xiao Cheng foi descoberto por um agente da Guangying e logo de cara assinou um contrato de 10 anos com a empresa.  

Quando assinou, ele não tinha base nenhuma pra atuar. Ficou dois anos no centro de treinamento da Guangying antes de estrear oficialmente.  

Depois da estreia explodiu. E só subiu. Nunca flopou.  

O mais importante: o próprio Xiao Cheng era extremamente profissional. Só focava em filmar, nunca se envolvia em escândalo. Um verdadeiro modelo do setor.  

Uma verdadeira galinha dos ovos de ouro.  

Na época, todo mundo do meio pensava assim ao ver Xiao Cheng decolar.  

Mas pouco tempo depois vazou a notícia de que a Guangying estava segurando o contrato dele e não deixava mudar.  

E o que isso significava?  

Significava que mesmo estando no topo, como artista de primeira linha no país, dentro da empresa ele só tinha os recursos de um novato. Recebia cachê, divisão e salário de novato.  

Quando essa notícia saiu, várias empresas ficaram revoltadas e todas jogaram a isca pra Xiao Cheng.  

Só que na época nenhuma conseguiu.  

Mas Xiao Cheng também não era bobo. Se a empresa não dava recurso, ele e o agente corriam atrás por conta própria.  

Hoje em dia eram roteiristas e diretores que batiam na porta dele com roteiro na mão.  

No começo, Wei Zizhen quebrou a cabeça tentando entender por que o dono da Guangying tratava assim uma galinha dos ovos de ouro. Ele também não achou nada de Xiao Cheng ter ofendido alguém.  

Depois, juntando boatos e fofocas de bastidor, Wei Zizhen conseguiu montar parte da verdade.  

O problema estava no dono da Guangying.  

O dono da Guangying tinha segundas intenções com Xiao Cheng. Isso era segredo de polichinelo no círculo dos investidores.  

E o fato do dono nunca ter conseguido "dar um jeito" no Xiao Cheng, Wei Zizhen também sabia.  

Na real, se não fosse porque o dono não conseguia nada com o Xiao Cheng, Wei Zizhen já teria ido lá de tijolo na mão resolver as coisas.  

Quanto a como exatamente o Xiao Cheng se protegeu, Wei Zizhen não sabia de verdade.  

Mas se parasse pra pensar um pouco, entendia qual era a do contrato que a Guangying inventou.  

— Basicamente usavam dinheiro e recursos como ameaça pra forçar a barra.  

Só que a ameaça não colou. E ainda tomaram um tapa na cara do Xiao Cheng e do agente.