18 de jun. de 2026
MSN - Capítulo 07.1
Nyi - Capítulo 04
Ang Ang - Capítulo 17 🔞
Capítulo 17
— Eu queria ser médica.
A mão de Hwayoung deslizou com cuidado pelas nádegas de Gyuwon. Como o cabelo dele ainda estava molhado, Gyuwon ouvia a história com os olhos semicerrados.
De certa forma, Hwayoung combinava com a profissão. Ela era carinhosa e atenciosa, e sempre cuidava dele depois que tudo terminava. Também tinha um lado firme, que parecia adequado à vocação. Então por que acabara se tornando contadora?
Hwayoung soltou uma risadinha, como se tivesse entendido a dúvida dele.
— Combina tanto comigo, não acha? Nem sei o que fazer. Combina demais.
Depois de dizer isso, depositou um beijo leve nas costas de Gyuwon e continuou:
— Se eu fosse dentista, até alguém como você subiria naquela cadeira sem reclamar. Ficaria tão extasiado que acabaria rangendo todos os dentes, não é? E quando penso em cirurgia... sinceramente, só consigo imaginar proctologia. Considerei várias especialidades, mas nenhuma parecia certa. Achei que lidar com pessoas seria cansativo demais, então resolvi brincar com números.
Ela examinou cuidadosamente as nádegas dele, a região que havia sido estimulada antes e também o ombro onde o mordera. Só então se afastou.
— Se aparecesse um paciente como você, eu não conseguiria me controlar. Não tenho muita confiança na separação entre vida profissional e pessoal. E, acima de tudo, meu irmão...
Enquanto falava, Hwayoung observou o rosto de Gyuwon. Ele virou a cabeça, confuso. Ao vê-lo corar, ela pensou por um instante e sorriu.
— Oppa Gyuwon?
O rosto dele ficou ainda mais vermelho.
— Você não gosta quando eu te chamo de oppa?
Ela perguntou de propósito, mesmo sabendo que aquele não era o problema.
— Não...
A resposta saiu quase como um murmúrio.
Hwayoung caiu na gargalhada.
Nesse momento, alguém bateu à porta.
— Entre.
Enquanto Hwayoung caminhava tranquilamente até a entrada, Gyuwon vestiu as calças às pressas.
“Oppa Gyuwon”.
A forma como ela o chamara parecia estranhamente agradável. Carinhosa, delicada e ligeiramente provocadora.
Doce.
Tão doce que fazia suas orelhas e sua cabeça formigarem.
Tentou convencer a si mesmo de que estava tudo bem, embora não conseguisse esconder o rosto vermelho. Talvez não estivesse tão evidente. Além disso, sua pele bronzeada ajudaria a disfarçar.
Assim que abriu a porta, Hwayoung franziu a testa ao ver o gerente. Pelo momento exato em que aparecera, era óbvio que ele estava acompanhando as câmeras.
Coisas que antes ignorava — como segurança e privacidade — passaram a incomodá-la desde que começara um relacionamento com Gyuwon.
Decidiu internamente que nunca mais voltaria àquele lugar.
O gerente entregou rapidamente um vídeo a ela e perguntou, percebendo seu desagrado:
— Se não se importar... eu gostaria de conversar.
Ao lado dele estava Yunho, parecendo alguém que acabara de levar uma surra.
Hwayoung não sentiu a menor pena.
Ser espancado pelo gerente era muito melhor do que ser espancado por ela.
Ela saiu para o corredor, fechou a porta atrás de si e assentiu.
Era um gesto que significava “fale”, mas também deixava claro que ninguém entraria naquele quarto.
O gerente respirou fundo.
— Yunho tem algo para dizer.
Parecia que ele próprio não queria falar diante da expressão gelada de Hwayoung.
Incentivado pelo gerente, Yunho finalmente abriu a boca, o rosto completamente vermelho.
— É verdade que... eu gravei o vídeo da Hwayoung e enviei para o trabalho. Mas o Benz não fui eu.
A desconfiança apareceu imediatamente no rosto dela.
— É verdade! Eu tenho provas!
Ele parecia desesperado.
— Provas?
— É verdade — confirmou o gerente. — Naquele dia, Yunho estava fazendo um serviço para mim. Ele estava em viagem de negócios, e posso confirmar que saiu do local às nove da manhã. Então a pessoa do Benz deve ser outra.
Hwayoung alternou o olhar entre os dois.
Cem milhões de wones em reparos não eram pouca coisa.
Ela avaliou por um instante se aquilo não seria uma armação para encobrir o prejuízo.
Na verdade, já tinha chegado à conclusão antes mesmo de refletir muito.
Agora que sabia quem Yunho realmente era, a possibilidade de ele ter feito algo tão estúpido diminuía bastante.
— Você garante isso? — perguntou ao gerente.
Se ele demonstrasse qualquer hesitação, ela iria embora sem olhar para trás.
Mas ele assentiu imediatamente.
Havia um perseguidor.
E a situação estava tomando um rumo desagradável.
— Você já me seguiu alguma vez?
Yunho apontou para si mesmo.
— Eu?
Quando ela confirmou com um aceno, ele balançou a cabeça freneticamente.
Parecia genuinamente ofendido pela acusação.
Hwayoung sorriu.
— Certo. Vou cuidar disso. Quando eu pegar a pessoa, aviso você. Assim poderá recuperar o dinheiro do conserto do Benz.
Ela se curvou levemente e estava prestes a entrar quando o gerente a chamou.
— Hwayoung.
Ela parou e se virou.
— Sim?
— Não sei o que você pensa sobre isso... mas o clima anda estranho ultimamente. Recomendo que tome cuidado.
Ela inclinou a cabeça.
— O que quer dizer?
O gerente abaixou a voz.
— Estão espalhando rumores de que você encontrou um escravo. Não se esqueça do tipo de pessoa que você é neste mundo.
Hwayoung soltou uma risada curta.
— E que tipo de pessoa eu sou?
O gerente e Yunho trocaram olhares.
Os dois pareciam procurar as palavras certas.
Depois de hesitar bastante, Yunho respondeu:
— Um... ídolo?
A voz de Hwayoung quase falhou.
— Quantos anos você acha que eu tenho para me chamar de ídolo?!
Ela abriu a porta sem demonstrar o menor arrependimento.
Do outro lado, Gyuwon estava parado.
Ele lançou um olhar para Yunho e para o gerente antes de se afastar lentamente.
Assim que Hwayoung entrou, ele fechou a porta.
O silêncio se instalou por alguns segundos.
Foi ela quem o quebrou.
— Oppa Gyuwon, escutar atrás da porta é feio. Estou ficando envergonhada.
Ela falou em tom brincalhão.
Mas Gyuwon não sorriu.
Seu rosto frio e seco deixava claro que estava falando sério.
— Então existe outro perseguidor.
— Talvez.
Ela deu de ombros.
— Se deixarmos quieto, uma hora ele aparece sozinho.
Gyuwon arregalou os olhos.
— Não, não é isso.
— Hm?
— Você não está preocupada?
Hwayoung percebeu a expressão inquieta dele e abriu um sorriso suave.
— Estou.
A resposta simples o pegou desprevenido.
Ela continuou:
— Eu sou meio simplória por natureza. Não tenho imaginação suficiente para temer algo que não está diante dos meus olhos. Talvez porque eu gaste toda a minha imaginação em outras coisas.
Ela riu de forma despreocupada.
Mesmo assim, uma pequena inquietação permaneceu no coração de Gyuwon.
Pela primeira vez desde que a conhecera, ele sentiu um desconforto difícil de explicar.
Hwayoung ergueu os olhos para Gyuwon com um sorriso radiante.Stand by Your Side - Capítulo 07
1930 - Capítulo 09
O tão esperado agente finalmente apareceu.
Shian revisou várias vezes os relatórios compilados por Zheng Meirong e, em seguida, convocou alguns gerentes de departamento para uma reunião.
Não era a primeira vez que o Grupo Hailong investia na indústria do entretenimento. Os executivos conheciam bem o setor e rapidamente recomendaram algumas grandes agências que estavam interessadas em receber novos investimentos.
— Também podemos abrir uma empresa nova — explicou Zheng Meirong. — Das que mencionamos agora há pouco, Xinlian, Fenghuang e Dingxin, todas permitem contratar profissionais experientes do mercado. Só que o custo será maior.
Shian folheava os documentos em silêncio.
— Pelos relatórios financeiros dos últimos anos, vejo que o grupo já possui uma agência artística. Por que ninguém a mencionou?
O ambiente mergulhou em silêncio.
Depois de alguns segundos, Zheng Meirong respondeu:
— ...Ela foi criada para Qin Nong.
Naturalmente, ela não mencionou que boa parte da equipe era composta por paparazzi enviados por Jin Shian para vigiar a atriz.
Shian não fazia ideia de quem era Qin Nong, mas decidiu seguir a conversa.
— Ela ainda está lá?
Zheng Meirong interpretou a pergunta de outra forma.
— Claro que não, presidente Jin.
Shian bateu levemente os dedos na mesa.
— Vejo que a empresa teve excelentes resultados no passado. Mas nos últimos dois anos o desempenho caiu bastante.
Zheng Meirong sentiu o couro cabeludo formigar.
— Bem... depois que Qin Nong saiu, o senhor perdeu o interesse pelo negócio. Considerando tudo, o fato de não ter retirado os investimentos já foi um milagre.
Na verdade, quem havia esquecido da existência daquela empresa não era Jin Shian.
Era ela.
Em silêncio, rezou para que o presidente não resolvesse responsabilizá-la.
Mas Shian parecia satisfeito.
— Entre começar algo novo e reencontrar velhos conhecidos, prefiro a segunda opção. Já que temos uma antiga parceria, devemos cuidar dos velhos amigos. Quem está administrando a empresa atualmente?
— Li Nian.
No dia seguinte, Li Nian foi convidado a comparecer à sede do Grupo Hailong.
Quando Shian entrou no escritório, encontrou-o sentado à espera.
Pela quantidade de pontas de cigarro alinhadas no cinzeiro, devia estar ali havia bastante tempo.
Shian observou a fileira perfeitamente organizada com interesse.
Então virou-se para Zheng Meirong.
— Peça para trocarem esse cinzeiro. Como podemos tratar o presidente Li com tamanha falta de consideração?
Li Nian levantou-se imediatamente e sorriu.
— Não precisa, não precisa. Fui eu quem teve preguiça de trocar.
Era um homem de estatura baixa.
A pele tinha um tom amarelado e cansado. Havia sombras escuras sob os olhos, como se passasse noites demais sem dormir ou se entregasse a excessos pouco saudáveis.
Mas seus olhos...
Seus olhos eram vivos.
Ágeis.
Afiados.
Cheios de inteligência.
Ao vê-los, Shian soube imediatamente que aquele homem era útil.
Depois que Zheng Meirong saiu, ele dispensou também os funcionários responsáveis pelo serviço de chá.
Li Nian voltou a se sentar.
— Faz um mês que você desapareceu. Pensei que finalmente tivesse desistido de Qin Nong. Mas agora vejo que encontrou um novo passatempo. Até uma mesa para praticar caligrafia apareceu no seu escritório.
Shian acomodou-se à sua frente.
— Vou ser sincero. Perdi a memória.
Li Nian não pareceu particularmente surpreso.
Apenas deu de ombros.
Aquilo agradou ainda mais Shian.
Ele tinha seus próprios motivos.
Havia muitas coisas naquele mundo que ainda desconhecia. Se procurasse novos parceiros, suas atitudes estranhas certamente despertariam suspeitas.
Com velhos conhecidos, porém, podia simplesmente dizer a verdade.
As pessoas tendiam a acreditar que alguém mudara depois de um acidente.
Jamais imaginariam que aquela pessoa era, na prática, outra.
Além disso, os relatórios mostravam que a Anlong Entertainment tivera resultados excelentes durante anos.
Li Nian claramente não era incompetente.
Acendendo outro cigarro, ele perguntou:
— Então era por isso que você sumiu. E por que me chamou?
— Quero que você transforme um novato em estrela.
Li Nian caiu na gargalhada.
— Eu sabia! Então você desistiu de Qin Nong porque encontrou um novo amor?
Shian sorriu sem graça.
— Estou falando sério. Nem sequer lembro quem é Qin Nong.
Li Nian o observou por alguns instantes e balançou a cabeça.
— Então ela teve sorte. Deveria acender incenso em agradecimento por você finalmente deixá-la em paz.
Sem saber o que seu antecessor havia feito à mulher, Shian sentiu certo constrangimento.
— Certo. Quem é o novato?
Shian abriu uma foto de Bai Yang no celular.
Era uma selfie dos dois.
Li Nian inclinou-se para olhar.
E imediatamente sorriu.
— Presidente Jin... mudou de gosto? Agora prefere homens?
As orelhas de Shian ficaram vermelhas.
— Não é isso.
— Claro, claro. Entendi perfeitamente.
O sorriso de Li Nian ficou ainda mais divertido.
— Esse garoto me parece familiar. O que ele quer fazer?
— Gosta de cantar.
Pensou por um instante.
— Na verdade, ele quer ser celebridade. Faça o que achar melhor.
Li Nian ficou observando a foto durante vários segundos.
Depois levantou os olhos.
— Nesse caso, você vai precisar gastar bastante dinheiro.
— Dinheiro não é problema. Você acha que ele não tem potencial?
Li Nian sorriu de maneira tranquila.
— Com um rosto desses? Se tivesse um mínimo de talento para cantar ou atuar, já estaria famoso há muito tempo. Não precisaria de você para me procurar.
Deu uma tragada.
— Não o conheço pessoalmente, mas pela minha experiência... esse garoto provavelmente é apenas um vaso bonito.
As palavras incomodaram Shian.
Mas ele não tinha argumentos para rebater.
Li Nian apagou a cinza do cigarro.
— Porém, na indústria do entretenimento, embora digam que fama depende do destino e sucesso depende da sorte...
Seu sorriso tornou-se significativo.
— No fim das contas, quase não existe nada que o dinheiro não consiga comprar.
Era exatamente essa frase que Shian queria ouvir.
— Quanto?
Li Nian apagou o cigarro.
— Cinquenta milhões como investimento inicial. O restante eu apresentarei conforme as necessidades surgirem.
Cinquenta milhões.
Shian fez uma rápida conta mental.
Para o Grupo Hailong, não era uma quantia absurda.
Mas a coragem de Li Nian impressionava.
Era um pedido gigantesco.
— E por que eu aprovaria cinquenta milhões?
Li Nian acendeu outro cigarro.
Através da fumaça, sorriu.
— Presidente Jin... acha mesmo que eu vou responder essa pergunta?
Shian também sorriu.
— Você é inteligente. Sabe exatamente quando deve dizer algo e quando deve permanecer em silêncio.
Li Nian soltou uma risada.
— Nos anos que nos conhecemos, você nunca me chamou de inteligente.
— O passado ficou para trás.
Shian olhou para o cinzeiro.
— Você não tem o hábito de alinhar as pontas de cigarro. Antes da minha chegada, organizou todas elas em fila para me mostrar que estava esperando há muito tempo.
Levantou os olhos.
— Eu gosto de pessoas que falam claramente.
Li Nian arregalou os olhos.
Então caiu na gargalhada.
— Impressionante. Você perdeu a memória e ganhou inteligência.
Continuou rindo.
— Certo. Já que chegamos até aqui, vou falar sem rodeios.
Quatro ou cinco anos antes, Jin Shian conhecera Qin Nong, então uma estudante universitária.
O relacionamento entre os dois seguira o roteiro clássico de um caso de patrocínio.
Para apoiá-la, Shian criara uma agência inteira dedicada exclusivamente à sua carreira.
Havia apenas uma artista na empresa.
Qin Nong.
E o agente responsável era Li Nian.
A jovem correspondia às expectativas.
Primeiro, ganhou popularidade ao interpretar a segunda protagonista de uma série de televisão.
Depois conquistou um prêmio importante de cinema.
E então sua carreira explodiu.
Quando se tornou famosa, sua relação com Li Nian começou a se deteriorar.
Ela passou a influenciar constantemente Jin Shian.
E ele, naturalmente, acreditava em tudo o que a namorada dizia.
O resultado foi previsível.
Qin Nong afastou Li Nian da empresa e abriu seu próprio estúdio.
Li Nian foi descartado.
E permaneceu três anos no esquecimento.
— Vou ser honesto — concluiu. — Se você me contratar, consigo transformar esse garoto numa estrela tão grande quanto Qin Nong. Disso não tenho dúvidas.
Seu olhar ficou mais frio.
— Mas Qin Nong me odeia. Depois de quatro ou cinco anos no topo, ela construiu conexões poderosas. Está no auge da carreira.
Ele soltou um anel de fumaça.
— Qualquer artista que eu lançar será alvo dela. E, considerando seu histórico com ela, a retaliação será ainda pior.
Fez uma pausa.
— Presidente Jin... ainda dá tempo de escolher outra pessoa.
Shian permaneceu em silêncio.
Por alguns instantes.
Então respondeu:
— Você tem certeza de que eu não vou trocar de agente.
Li Nian apenas sorriu.
Shian girou distraidamente um objeto decorativo sobre a mesa.
— Contei a você sobre minha perda de memória justamente porque não quero procurar mais ninguém.
Ergueu os olhos.
— E, pelo que você acabou de dizer, mesmo sem você, Qin Nong continuaria tentando atrapalhar qualquer artista ligado a mim.
Seu sorriso tornou-se leve.
— Nesse caso, sendo você o maior rival dela, não existe pessoa mais adequada para esse trabalho.
Li Nian bateu palmas devagar.
— Essa perda de memória realmente não foi um mau negócio. Conversar com você é muito mais fácil do que antigamente.
Então acrescentou:
— Só não entendo por que você fala de forma tão rebuscada agora.
Shian soltou uma risada resignada.
— O restante ficará a cargo da Meirong. Em outro dia você conhece Bai Yang.
Levantou-se.
— E, sinceramente, acho que ele não é tão inútil quanto você imagina.
— Espero que esteja certo.
Quando Li Nian deixou o edifício Hailong, o sol já começava a se pôr.
Durante três anos ele jamais abandonara a esperança.
Qin Nong havia destruído sua reputação.
Acusara-o de desviar dinheiro dos artistas.
Insinuara que ele se aproveitava das pessoas ao seu redor.
Na época, não tentou se defender.
Sabia que seria inútil.
Havia jovens demais sonhando em entrar no mundo do entretenimento.
Tudo o que precisava fazer era esperar.
E agora...
Ele estava de volta.
Até mesmo o patrocinador continuava sendo o mesmo.
Li Nian sentia que Jin Shian mudara completamente.
Parecia outra pessoa.
Mas isso não importava.
Também não importava se Jin Shian ainda desejava enfrentar Qin Nong.
Para Li Nian, Qin Nong não era nada.
Desde que ele próprio vivesse bem.
Desde que fosse bem-sucedido.
Desde que fosse feliz.
Então ela inevitavelmente seria infeliz.
E não havia prazer maior do que ver uma pessoa detestável se sentir miserável.
Com um sorriso satisfeito, Li Nian afundou o pé no acelerador.
E mergulhou de volta no mar de luzes e trânsito da cidade.
17 de jun. de 2026
The Trash Wants to Live — Capítulo 17
Eu era o neto mais velho, mas não exatamente o mais velho entre todos os netos.
Originalmente, essa posição deveria pertencer a Ki Sung Yoon, porém seu avô, Ki Jae Mu, o ignorava deliberadamente.
Por mais inútil que Ki Yoon Jae fosse, ele nunca manchou o nome da Sungwoon. Já Ki Sung Yoon era praticamente íntimo das páginas dos jornais.
As notícias o mencionavam apenas como “Sr. A”, mas qualquer pessoa minimamente informada logo dizia:
— Ah, foi o Ki Sung Yoon de novo.
O pai dele, Ki Young Woo, havia conquistado a antipatia de Ki Jae Mu por ultrapassar constantemente os limites da autoridade do filho mais velho.
O próprio Ki Jae Mu era o primogênito entre seus irmãos e precisou derrotá-los para assumir a presidência do grupo. Talvez as atitudes de Ki Young Woo lhe lembrassem as de seus irmãos mais novos.
De qualquer forma, eu não estava me sentindo bem.
Fiquei irritado ao ver aquele inconveniente do Ki Sung Yoon, mas fiquei ainda mais irritado ao perceber que ele havia colocado os olhos no que era meu.
— Hyung...
Hyun Seo se aproximou chorando e me abraçou com força.
Ele havia tentado proteger a irmã de um valentão. Devia ter sido difícil.
Fiquei orgulhoso por ele não ter usado seus poderes, mesmo estando agitado. Se tivesse usado, aquilo não teria terminado apenas em uma pequena confusão.
Jung Yi Joon e Kwon Jae Hyuk haviam se levantado e encaravam Ki Sung Yoon como se estivessem esperando apenas o primeiro movimento dele.
No caso de Kwon Jae Hyuk, aquilo era esperado. Mas o fato de Jung Yi Joon não ter avançado imediatamente contra alguém que claramente tinha problemas comigo parecia ser consideração para não me colocar numa situação complicada.
Pensar nisso me comoveu um pouco.
— Yoon Jae-gun. Isto é seu?
— Heut...
Ki Sung Yoon sorriu enquanto apertava o braço de Ha Eun Seo.
Não dava para saber se doía de verdade ou se ela estava apenas assustada, mas Ha Eun Seo chorava e tremia sem parar.
Essa era a maior fraqueza de sua habilidade de furtividade.
Ela não conseguia permanecer invisível enquanto estivesse tocando alguém.
Deveria ter conseguido fugir de Ki Sung Yoon, mas pareceu hesitar e acabou não escapando.
Enquanto acariciava os cabelos de Ha Hyun Seo, senti a raiva crescer diante das palavras seguintes de Ki Sung Yoon.
— Posso brincar com ela? Eu gosto dela, mas parece que ela não é barata. Já que seus subordinados não sabem reconhecer seus superiores, vou precisar educá-los.
Os olhos de Ki Sung Yoon estavam arregalados enquanto ele ria.
Ha Eun Seo era preciosa demais para ser deixada nas mãos de um lixo que exibia seus gostos nojentos tão abertamente.
Afastei Ha Hyun Seo, que continuava agarrado à minha cintura, e caminhei até Ki Sung Yoon.
— Hyung.
Segurei o pulso que prendia o braço de Ha Eun Seo.
Mantendo-o firmemente no lugar, aproximei meu rosto do dele e sussurrei:
— Vai educá-los? Por quê? Eles estão indo muito bem.
— O quê?
— Ah, é verdade. Tudo isto é meu. Eu sou o sucessor. Existe alguém acima de mim além dos adultos?
— Seu...
— Ela é preciosa demais para desperdiçar tempo com algo inferior a mim. Algo que nem sequer está no meu nível.
— Seu filho da puta!
Mantive o sorriso enquanto o encarava com desprezo.
Bêbado e claramente alterado, Ki Sung Yoon ficou furioso.
Ele soltou Ha Eun Seo e agarrou minha gola.
Mas, com a mente embriagada, tudo o que conseguiu fazer foi cuspir palavrões.
Nem sequer era capaz de rebater minhas palavras.
Enquanto o ouvia, decidi encerrar aquela confusão antes que chegasse aos ouvidos de Ki Jae Mu.
— Tal pai, tal filho. Está tentando cobiçar o que pertence aos outros sem saber qual é o seu lugar? Um imprestável que nunca está satisfeito com o que já tem.
— Seu desgraçado!
— Ki Sung Yoon. A matéria publicada em 9 de dezembro era sobre você, não era?
Juntei mentalmente as informações que havia visto no jornal com os rumores que circulavam sobre ele.
Então sorri.
— Meu tio deve ter sofrido bastante. Aquela empresa jornalística não tem nenhuma proximidade com a Sungwoon. Deve ter custado uma fortuna esconder seu nome.
Observei a expressão dele endurecer.
— Mas o que mais ele poderia fazer? Se o vovô descobrisse, você estaria acabado. Seu pai precisou gastar rios de dinheiro para salvar o filho mais velho, aquele que sonha em roubar a posição do sucessor. Estou errado?
— V-você... como sabe disso...
— O que será que meu tio está pensando? Se ele quer tirar de mim a posição de sucessor, não basta usar alguém tão medíocre quanto você. Como pretende transformar em sucessor um sujeito que não entende a própria situação e continua repetindo os mesmos erros mesmo depois de virar notícia?
A força desapareceu da mão que segurava minha gola.
Ki Sung Yoon parecia completamente atordoado.
Afastei sua mão e ajeitei minhas roupas.
Estavam amarrotadas, mas ainda apresentáveis.
— Caia na real. Como consegue agir assim diante do vovô? Você realmente perdeu o juízo.
Seu rosto ficou vermelho de vergonha e raiva.
Mantendo o sorriso, puxei Ha Eun Seo para longe dele e acenei para Ki Hyun Joo, que observava tudo à distância.
Ela suspirou e se aproximou.
— Vou embora.
— Já? Tudo bem.
Ela concordou imediatamente.
Parecia ter concluído que eu acabaria criando um problema ainda maior com Ki Sung Yoon se permanecêssemos ali.
Ha Eun Seo já havia parado de tremer.
Enquanto saíamos do salão, fiz um gesto para Jung Yi Joon.
— O quê?
— Ei. Derruba aquilo.
Jung Yi Joon entendeu na hora.
Alguns segundos depois, sorriu e acenou discretamente com a mão.
Um estrondo enorme ecoou pelo salão.
— Ai! Porra! O que foi isso?!
A voz furiosa de Ki Sung Yoon veio logo em seguida.
Quando olhei para trás, vi-o caído em cima da torre de taças de champanhe que Ki Jae Mu havia mandado montar para ostentar.
Naturalmente, o rosto de Ki Jae Mu endureceu.
Já a expressão de Ki Young Woo empalideceu ao ver o desastre causado pelo filho.
Graças a isso, Jung Yi Joon e eu deixamos o salão segurando o riso.
Depois de entrar, perguntei a Jung Yi Joon:
— O que aconteceu antes?
— Ah, aquilo? Não foi nada demais.
— O que foi?
Ele pensou um pouco antes de responder.
— Nada importante. Aquele maluco do Ki Sung Yoon passou por lá e começou a dar em cima da Ha Eun Seo. Como ela é tímida, não respondeu. Aí ele ficou irritado porque achou que ela estava ignorando ele.
— E depois?
— Quando o garoto tentou proteger a irmã, aquele louco mandou ele sumir e empurrou sua testa com um dedo. Ha Eun Seo entrou na frente do irmão. Depois disso, Kwon Jae Hyuk e eu dissemos para ele deixar as crianças em paz.
A partir daí, Ki Sung Yoon continuou importunando Ha Eun Seo.
Perguntava por que ela o ignorava se sabia falar.
Quando tentou segurá-la novamente, ela afastou sua mão.
Depois, aconteceu exatamente o que eu havia visto.
— Entendi...
Jung Yi Joon acrescentou:
— Ah, antes disso, quando Kwon Jae Hyuk tentou interferir, Ki Sung Yoon disse que um plebeu imundo não devia se meter.
— O quê?
Aquilo era absurdo.
Como ele ousava insultar as pessoas que estavam do meu lado?
Antes eu estava irritado por ele tratar uma garota daquela forma.
Agora sentia que tinha sido até gentil demais.
Como alguém incapaz de ficar sóbrio podia se achar superior por causa da própria origem?
A raiva voltou com força.
— E você?
— Hã?
— Ele não falou nada para você?
— Ah... comigo não aconteceu nada. Kwon Jae Hyuk ficou me puxando para longe o tempo todo.
Parecia que Jung Yi Joon também havia ouvido alguma coisa, mas não queria comentar.
Não insisti.
Mesmo assim, quanto mais eu pensava, mais odiava aquele idiota do Ki Sung Yoon.
Talvez eu tivesse sido gentil demais.
Por causa da presença de Ki Jae Mu, resolvi tudo discretamente.
Agora me arrependia.
Mas havia outra coisa me incomodando.
Por que Ha Eun Seo tinha tanto medo das pessoas?
Não era medo de uma pessoa específica.
Era medo de homens.
Com Ki Hyun Joo, uma mulher, ela conversava normalmente.
Tudo indicava que sofria de androfobia.
Ha Hyun Seo era o único homem com quem conseguia falar sem tremer.
Na verdade, era difícil até enxergá-lo como um homem da mesma forma que os adultos.
Talvez por isso ela não tivesse medo dele.
Eu precisava descobrir o que havia acontecido no passado.
Quando o Ki Yoon Jae original morreu...
Talvez o esfaqueamento de Ha Eun Seo estivesse relacionado à sua androfobia.
Quando o medo se acumula durante muito tempo e continua sendo reprimido, inevitavelmente chega um momento em que explode.
Sem se importar com as consequências.
No romance original não havia nada indicando que Ki Yoon Jae via Ha Eun Seo como uma mulher ou tivesse feito algo com ela.
Mas isso não significava muita coisa.
Talvez simplesmente nunca tivesse sido mencionado.
Além disso, mesmo que não tivesse feito nada diretamente, o ressentimento dela podia ter crescido por ele obrigá-la a roubar segredos de empresas concorrentes.
A androfobia de Ha Eun Seo...
E tudo o que Ki Yoon Jae fez...
Talvez tivessem contribuído para sua morte.
Deveria perguntar a Ki Hyun Joo?
Ela estava cooperando bastante ultimamente.
Mas eu ainda não sabia se podia confiar nela completamente.
Por outro lado...
Se não perguntasse a ela, a quem perguntaria?
8 de abr. de 2026
I’m an Old Man but also a Saint — Capítulo 10
Capítulo 10
O dia da estreia pública do santo foi, para nossa irritação, agraciado com um clima perfeito.
Se existe algo como um céu azul sem nuvens, é este.
Eu havia descansado da purificação por vários dias para acumular energia sagrada, dormi bastante na noite anterior, e mesmo assim, o sol da manhã estava tão forte que precisei semicerrar os olhos.
Depois de dar um grande bocejo, fiz a barba e peguei minhas roupas.
Hoje, eu não estaria usando o uniforme habitual de cavaleiro da marinha. Em vez disso, tive que vestir um traje formal de cerimônia.
Era da mesma cor azul-marinho, mas com bordados dourados e uma capa forrada de vermelho com mais bordados combinando. Havia cordões e borlas douradas, além de uma espada lindamente embainhada. Quando eu terminasse de vestir tudo, provavelmente estaria brilhando como uma boneca decorada.
Até um senhor de idade pode ficar elegante de roupa formal, eu acho.
Espero que isso me ajude a me misturar melhor com a multidão.
Vesti a camisa, depois as calças e, por fim, o casaco, antes de me concentrar nos acessórios. Como não tinha ideia de como o look final deveria ficar, não fazia ideia de onde metade daquelas coisas deveria ir.
E para piorar tudo, eu nunca tinha usado uma espada na cintura antes.
Na aldeia, eu ia caçar com frequência, mas usava arco e lança. A única faca que eu carregava era uma pequena presa às minhas costas, e isso não é exatamente a mesma coisa que uma espada.
Enquanto eu arrumava os acessórios na cama, tentando decidir o que fazer, Veerant apareceu.
Ele já estava vestido com traje formal, o que o deixava 20% mais deslumbrante do que o normal.
Mesmo sem poder sagrado, ele irradiava uma luz própria.
Ao lado de Emilia, com suas vestes brancas e puras, ele provavelmente pareceria ainda mais divino.
"Posso te ajudar com isso?", ofereceu ele.
"Ah, é, sim... por favor", respondi, percebendo de repente que estava encarando-o. Desviei o olhar, sentindo-me um pouco envergonhada.
Quando uma pessoa bonita se veste bem, ela exerce um tipo estranho de magnetismo.
Durante a cerimônia de hoje, provavelmente a maior parte da atenção estará voltada para Veerant e Emilia. Posso praticamente imaginar todos os olhares atraídos para eles, como mariposas atraídas pela chama.
Como um cara comum ali do lado deles, seria um alívio não ser o centro das atenções. Eu só podia esperar que eles continuassem monopolizando os holofotes.
Enquanto eu estava perdido nesses pensamentos irrelevantes, Veerant rapidamente começou a trabalhar na minha roupa. Ele prendeu os cordões trançados no meu ombro, colocou os pingentes decorativos e fechou o fecho dourado da capa. Afinal, o fecho dourado servia para prender a capa.
Mesmo observando-o atentamente, duvidei que conseguiria me vestir assim sozinho.
Tomara que não haja uma próxima vez.
Assim que todos os acessórios estavam no lugar e a espada pendurada na minha cintura, Veerant estendeu a mão para o meu cabelo.
Eu já tinha verificado se o cabelo estava despenteado, mas aparentemente isso não foi suficiente.
"Tecnicamente, isso é algo que um cabeleireiro profissional deveria fazer", disse ele, enquanto escovava meu cabelo e aplicava um produto modelador.
Imagino que usar o uniforme dos cavaleiros pessoais do Santo significava que eu também tinha que me vestir como tal.
Deve ser um transtorno.
A maneira delicada e cuidadosa com que Veerant arrumou meu cabelo foi surpreendentemente reconfortante, e logo suas mãos se afastaram.
No espelho, vi uma versão de mim mesmo que parecia cerca de 50% mais apresentável.
Graças às roupas e ao cabelo, passei de um velho acabado para pelo menos um homem apresentável.
De longe, eu poderia até ser confundido com um cavaleiro.
O poder da roupa formal é verdadeiramente notável.
Enquanto agradecia a Veerant, ouvi o som de aplausos estrondosos vindos de fora.
Chegou a hora do desfile começar.
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O desfile começou com uma banda marcial, seguida por fileiras de cavaleiros em uniformes brancos. Eles se pareciam muito com o uniforme que Veerant costumava usar, provavelmente com a única diferença de que estas eram versões formais.
Embora suas vestimentas não fossem tão ornamentadas quanto as nossas, o tecido branco brilhante era quase ofuscante sob a luz do sol.
Em seguida, vinham os cavaleiros pessoais do santo, vestidos com as mesmas roupas formais azul-marinho que eu usava.
Na frente ia Zildo, o antigo chefe dos cavaleiros do antigo Santo. Todos os cavaleiros, exceto eu e Veerant, estavam montados a cavalo, formando uma formação protetora ao redor da carruagem.
Não pude deixar de me perguntar quanta prática eles precisaram para sincronizar seus movimentos com tanta perfeição.
Esses caras são realmente impressionantes.
Enquanto eu admirava a habilidade deles, a carruagem em que estávamos começou a se mover lentamente.
Diante de mim, Emilia enrijeceu, seus ombros tremendo levemente enquanto ela apertava as mãos no colo.
Ela estava visivelmente nervosa.
"Você está bem?", perguntei.
"Sim—Zeph-sama, estou bem... Só um pouco nervosa."
"Não se esforce demais. Apenas sorria e acene, isso deve ser o suficiente. ...Embora, eu imagine que os cavaleiros assustadores possam te repreender por isso."
"...Não estou zangado. Estou apenas surpreso que tais palavras tenham vindo de você, Zeph."
"Viu? Assustador, né?" Dei de ombros ao ver a carranca de Veerant, o que fez Emilia rir baixinho.
Sua tiara dourada tilintava, captando a luz do sol e fazendo seu traje branco imaculado brilhar como se ela própria irradiasse luz.
A cor havia retornado às suas bochechas pálidas, e seu sorriso era tão encantador que a multidão abaixo ficou em silêncio extasiado.
...É realmente um mistério por que Deus me escolheu para ser a santa em vez dela.
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Após dar uma volta completa ao redor da capital, a carruagem finalmente chegou de volta à praça em frente ao templo.
A praça ficava a meio caminho da grande avenida que partia diretamente do templo. Grandes colunas de pedra, cada uma larga o suficiente para duas pessoas abraçarem, alinhavam-se no perímetro, e entalhes intrincados decoravam suas superfícies.
Mas o elemento mais marcante da praça era, sem dúvida, a torre de alabastro no seu centro.
Era uma torre de três andares com um design tão elegante que parecia saído de um conto de fadas, com seu topo cônico aparentemente recortado. Até mesmo o telhado comportava pelo menos vinte pessoas, dando uma ideia da imensidão da estrutura.
No topo da torre erguia-se uma estátua branca radiante da divindade, com o olhar voltado para o céu.
Diante daquela estátua, Emilia ajoelhou-se enquanto doze cavaleiros, incluindo eu, formavam um círculo protetor ao seu redor, e o solene ritual teve início.
Na praça silenciosa, a voz de Emilia ecoou, clara e melodiosa como o toque de um sino.
Até o vento parecia escutar, hipnotizado pelas palavras sagradas que ela proferia.
Apesar da grande multidão, a praça permaneceu estranhamente silenciosa enquanto eu também recitava suavemente os versos sagrados, entrelaçando meu poder sagrado.
Imaginei-a como uma teia de aranha, com fios estendendo-se em todas as direções, e então tecendo mais fios através deles. Repetindo esse processo, teci uma rede delicada, derramando nela generosamente meu poder sagrado, cobrindo toda a capital sem deixar uma única brecha.
Com tudo pronto, o ritual chegou ao fim.
Uma prece aos deuses.
A purificação da capital.
E a bênção do povo.
Realizei tudo de uma vez, o que me deixou completamente sem energia sagrada. Mas parece que tudo correu bem.
Olhando para a praça, pude ver que tudo brilhava como se estivesse banhado por uma luz suave, a bênção fazendo sua mágica.
Graças a isso, as pessoas estariam protegidas de monstros e provavelmente permaneceriam livres de doenças ou ferimentos por algum tempo.
Quando Emilia se levantou lentamente, uma estrondosa salva de palmas e vivas irrompeu da multidão.
Ela se virou para mim com um sorriso de alívio, e eu não pude deixar de sorrir de volta.
Ela estivera tensa o tempo todo, mas parecia que tudo tinha corrido sem problemas.
Seguindo o exemplo dela, avancei até a beira da torre e olhei para o mar de gente.
"Viva o Santo!"
Os aplausos e vivas da multidão irromperam como ondas, espalhando-se em ondulações pela praça.
Rostos cheios de entusiasmo, corados de alegria e sorrisos de orelha a orelha.
Pessoas, pessoas, pessoas, todas elas envoltas na luz cintilante da bênção, acenando e balançando de felicidade.
Os aplausos eram tão altos que pareciam fazer o chão tremer, ecoando nos meus ouvidos como um tambor.
—Espere, o quê?
Em meio ao turbilhão de entusiasmo, notei algo estranho por puro acaso.
Uma pequena lacuna na bênção que deveria ter coberto tudo como uma rede.
Como uma mancha de tinta derramada em uma página branca, ou um buraco em uma peça de roupa.
A sensação era sinistra, perturbadora e, instintivamente, me encheu de pavor.
No instante em que voltei minha atenção para aquele lugar estranho, algo saltou dali.
E estava indo direto para Emilia, que sorria e acenava inocentemente.
Sem pensar, meu corpo se moveu.
Agarrei o braço de Emilia e puxei-a para perto, protegendo-a com meu corpo.
Nesse mesmo instante, uma dor aguda irradiou pelas minhas costas, seguida por uma sensação de queimação em vez de dor.
Seja lá o que tenha sido lançado, perfurou minha capa e uniforme, penetrando profundamente em minha carne.
Se tivesse atingido Emilia, ela certamente não teria saído ilesa.
"...!"
"Santo-sama!"
Emilia deu um suspiro de espanto, e Veerant gritou alarmado.
Mesmo eu tendo pedido para ele me chamar pelo nome, e ele finalmente tendo começado a fazer isso recentemente, acho que o pânico o fez esquecer.
Lancei-lhe um olhar, dizendo-lhe silenciosamente para ficar onde estava, e soltei Emilia delicadamente.
Ela estava tremendo, com o rosto pálido como um lençol, mas parecia que não havia se machucado.
Aquela presença sinistra havia desaparecido, e parecia que o perigo tinha passado.
Essa foi por pouco.
"Estou bem. Continue sorrindo", sussurrei com um sorriso forçado, antes de me virar silenciosamente.
Ninguém poderia saber que o santo havia sido alvo de um ataque durante a cerimônia pública.
Ninguém podia ver o sangue derramado neste lugar sagrado.
Endireitei as costas e caminhei calmamente até desaparecer da vista da multidão.
Só então minhas pernas cederam e eu desabei, com o corpo todo dormente devido à lesão que se espalhou pelas minhas costas.
Eu não conseguia mais ficar de pé.