Desde que confessei meus sentimentos para aquele maldito Ter, não conseguimos mais nos encarar direito. Mesmo assim, por causa do amor persistente que eu sentia por ele, fiz de tudo para conseguir um emprego no mesmo hospital. O problema é que isso tornou impossível evitar a pessoa que eu mais queria evitar.
Quando descobri que trabalharia no mesmo lugar que ele, para ser sincero, fiquei absurdamente feliz. Paguei um jantar luxuoso para Pakao e ainda doei dinheiro para inúmeras instituições de caridade.
E veja onde estamos agora…
O quê? Tenho que trabalhar no mesmo lugar mesmo querendo evitá-lo.
O quê? Tenho que assistir Ter sendo gentil com os médicos mais jovens do hospital.
Sim, o cavalheiro.
O bonito descendente de chineses.
O cara legal.
O anjo.
As palavras sarcásticas morrem na minha garganta enquanto meu coração arde entre amor e ódio.
— Dee.
Não me chame de “Dee”. Eu não quero mais um namorado médico bonzinho! Eu te odeio!
Claro… isso tudo eu só digo na minha cabeça.
O que realmente respondo quando Ter se vira para mim é bem diferente.
— Sim, Ter?
— Tem alguma coisa errada? Você está trabalhando demais? Parece que nem dormiu.
Fiquei acordado a noite inteira, então é óbvio que não dormi o suficiente.
— É… foi um dia difícil no trabalho.
— Tem certeza de que é por causa do trabalho e não por minha causa?
— O que isso tem a ver com você? — pergunto imediatamente.
Por que deveria ter algo a ver com ele? E será que ele realmente se importa comigo?
— Eu te rejeitei. Fiquei com medo de você ficar tão chateado que nem conseguisse dormir.
Talvez ele tenha mudado de ideia e não queira mais ser apenas meu “irmão”?
— Bem… eu não perdi o sono por causa disso. Sou adulto. Sei lidar com meus sentimentos.
— Ainda bem. Assim podemos continuar sendo bons irmãos.
Irmãos…
Irmãos uma ova! Por que ele tinha que enfatizar isso?!
Estou furioso.
Seguro a bomba atômica que está explodindo na minha cabeça. A palavra irmãos me irrita profundamente. Eu adoraria espancar esse “irmão”, mas sou uma pessoa boa demais para isso. Então apenas lhe ofereço um sorriso forçado.
A pessoa por quem eu estava profundamente apaixonado sorri de volta. Seus olhos estreitos atrás dos óculos se curvam ainda mais, parecendo duas luas crescentes.
— Vamos almoçar juntos hoje. Eu pago.
Se isso tivesse acontecido algum tempo atrás, eu teria ficado radiante. Mas agora…
Eu não quero ir. Estou desconfortável.
— Há tantas pessoas com quem você pode ir. Vá com os mais novos.
— Você disse que não tem problema comigo. Então por que recusar?
— Bem…
— Se realmente não há problema, venha comigo. Quero compensar por ter sido duro com você.
Eu sorrio novamente desta vez com um leve deboche. Até uma criança de três anos perceberia que meu sorriso é falso. Só Ter não percebe. Ou talvez simplesmente não se importe.
Depois de insistir, ele segura meu braço e me puxa.
Alguns dias atrás eu teria ficado feliz se ele estivesse tão ansioso para me arrastar para almoçar com ele.
— O Dr. Dee vai almoçar conosco hoje, certo? — anuncia Ter para os colegas e para os médicos mais jovens.
O grupo dele é grande. Provavelmente porque ele é amigável e gentil.
Mas antes que eu possa continuar admirando isso, alguém no grupo solta uma risada e comenta:
— Já superou o coração partido, Dr. Dee?
— Com licença?
Levanto as sobrancelhas e olho para a pessoa que falou, esperando uma explicação.
— Todo mundo no hospital sabe que você gosta do Dr. Ter.
— Nin, pare com isso. Você está deixando o Dr. Dee constrangido — diz Ter. — Eu já conversei com ele. Somos apenas bons irmãos.
Acabo rindo novamente, mesmo sem achar graça nenhuma. Todos ao redor estão rindo.
Estou com vergonha.
Sinto-me um idiota.
Mas que diabos? Confessar seus sentimentos para alguém que você gosta é algo tão engraçado assim?
Afasto a mão de Ter do meu braço com tanta força que ele se vira para mim. Ainda consigo sentir o calor da palma dele e isso me deixa irritado.
— Qual é o problema, Dee?
Estou prestes a dizer tudo o que penso, mas antes que consiga abrir a boca, alguém puxa meu braço com força.
O calor anterior desaparece, substituído por um aperto firme.
— Eu estava procurando por você.
A pessoa que segura meu braço tem uma voz profunda e agradável.
Eu esbarro em seu peito largo e sou envolvido pelo cheiro suave do amaciante de roupas misturado com colônia e suor.
Levanto o olhar rapidamente.
Assim que nossos olhos se encontram, meu corpo inteiro fica rígido.
É o homem absurdamente sexy da noite passada.
É como se Deus estivesse gritando na minha cabeça:
Vocês ainda não tiveram a chance de se olhar direito, não é? Então aqui está em alta definição, bem de perto.
Sob as luzes fortes do hospital, ele parece ainda mais impressionante.
Diabolicamente bonito.
E seriamente irritado.
— Você…
Eu não sei o nome dele, então acabo chamando apenas de “você”.
Ele suspira, solta meu braço e coloca um grande buquê de flores nas minhas mãos.
— Sinto muito pelo que aconteceu ontem à noite.
Ele faz uma pequena reverência.
Meu rosto fica vermelho imediatamente.
Falando na noite passada…
Ele deve estar se referindo ao sexo que tivemos.
Mas por que ele está pedindo desculpas?
— Desculpe por ter sido impulsivo demais. Desculpe por não ter conseguido me controlar.
Isso só pode ser uma piada.
Ele veio até aqui… trazendo flores… só para pedir desculpas?
Pela primeira vez hoje, sinto um sorriso verdadeiro nascer.
Droga. Estou corando.
Um homem me trazendo flores no hospital… será que ele se interessou pela minha inocência?
Mas como diabos ele chegou aqui?
— Quem é esse cara, Dee? — pergunta aquele maldito Ter, tocando novamente meu braço.
Nesse momento, o homem à minha frente levanta a cabeça. Seus olhos escuros são incrivelmente hipnotizantes.
Eles me encaram sem emoção.
Mas só esse olhar já é suficiente para me deixar vermelho.
Lembrar da noite passada quando ele me possuiu com tanta intensidade quase me faz desmaiar.
— Você pode me perdoar?
Posso perdoá-lo?
Esses olhos… e essas palavras… são perigosamente sedutores.
Ele está me matando.
Dizem que Wanthong, de Khun Chang Khun Phaen, não era promíscua… mas Wandee provavelmente é.
Meu coração está tremendo.
E parece interessado nele.
Meu rosto está queimando e, pior ainda, quando comparo os dois ele e Ter percebo que o jovem à minha frente é muito mais bonito e atraente.
Eu vou morrer.
Parece que já entreguei meu coração para ele.
— Dee…
— Bem, eu não posso almoçar com você, Ter. Tenho algo para conversar com este jovem.
Ignoro Ter e observo o homem alto diante de mim.
Ele está vestido de forma simples: camiseta, bermuda e tênis. Seu corpo tem tatuagens e cicatrizes. Sob a luz do hospital, sua pele parece mais clara do que na noite passada.
Mas o olhar penetrante continua o mesmo.
Pelo meu palpite, ele deve ter pelo menos 1,80 de altura.
— Dee…
— Conversamos depois, Ter. Você vem comigo.
Seguro o buquê com um braço e puxo o homem comigo com a outra mão.
Não me importa quem está olhando ou o que vão dizer.
Eu, Wandee, não vou ser o motivo da risada de ninguém.
— Como você soube que eu trabalho aqui?
— Pelo crachá.
— Entendi. Você chegou na hora certa — digo, andando mais rápido em busca de um lugar privado.
Ele me segue obedientemente.
Ou será que… ele realmente gostou do que aconteceu ontem?
Ao trazer flores aqui… será que ele quer repetir no hospital?
Bang!
Não é o som de alguém sendo empurrado contra a parede para um beijo apaixonado.
É apenas a porta da escada de emergência se fechando atrás de mim.
Aqui é privado o suficiente para conversar sem curiosos por perto.
A situação parece saída de um drama coreano.
Os protagonistas conversando nas escadas…
Na minha imaginação:
Kim So-yeon…
Ele sussurra meu nome enquanto segura meu rosto e se inclina para me beijar.
Um perfeito drama coreano.
Mas é só imaginação.
— Droga! Seu ferimento!
Antes que qualquer cena romântica aconteça, vejo sangue escorrendo de um corte na sobrancelha dele.
Ele está prestes a tocar o ferimento, então agarro seu braço rapidamente.
— Espere! Não toque ou pode infeccionar. Acho melhor não conversarmos aqui. Preciso dar pontos nisso.
— …
— Aliás, qual é o seu nome?
— Yak.
Yak.
Nome que significa “gigante”.
Combina perfeitamente com ele.
Sorrio levemente por instinto, mas quando vejo sua expressão franzida, meu sorriso desaparece.
— Onde você mora? Ainda estuda? Está saindo com alguém?
Ele não responde.
Parece se perguntar por que estou bisbilhotando sua vida.
— Esqueça. Venha comigo. Vamos cuidar desse ferimento.
Olho novamente para o buquê.
— E as flores… você trouxe para mim?
Ele parece jovem. Provavelmente sou mais velho que ele.
Dizem que namorar alguém mais novo rejuvenesce…
Estou começando a achar que gostaria disso.
— Sim. São para você, doutor.
— Pode me chamar de Dee. Não precisa ser tão formal.
— Você sente dor em algum lugar?
— O quê?
— Bem… doutor… Dee… parece que você está com dificuldade para andar. Deve ter doído. Afinal… foi sua primeira vez.
Quando abro a porta da escada, paro e me viro para encará-lo.
Meu rosto está pegando fogo.
— Sim, dói.
Não vejo motivo para negar.
Saímos da escada para o corredor do hospital.
O ar fresco é muito melhor que o cheiro abafado de lá dentro.
— Desculpa — Yak pede novamente.
— Não se preocupe. De certa forma… foi bom.
— Foi bom?
— Sim. Eu não estou bravo com você.
— Hã?
— O que foi?
Diminuto o passo para que ele caminhe ao meu lado, esperando alguma explicação. Mas ele não diz mais nada.
Apenas me segue com uma expressão irritada.
Ele não solta um único gemido enquanto eu costuro seu ferimento.
Enquanto ele preenche o formulário com seus dados, eu dou uma espiada.
Seu nome completo é Yo-Yak Phadetsuek.
Um nome estranho.
E o sobrenome Phadetsuek… soa familiar.
Tenho certeza de que já vi esse nome antes.
— Terminou de costurar?
— Sim. Tudo pronto. Espere os remédios e depois pode ir para casa.
— Quanto aos custos, eu pago. Posso perguntar com quem você brigou?
— Eu não briguei com ninguém.
— Se é verdade… então como conseguiu esses ferimentos?
Faço uma pausa e balanço a cabeça.
— Esqueça. Você provavelmente não quer contar.
Talvez eu seja apenas um estranho para ele.
Então por que isso me incomoda tanto?
Por que fico irritado quando Yo-Yak não responde?
— Não se meta mais em brigas. Seria uma pena se um rosto tão bonito ficasse marcado por cicatrizes. Tome, este é o meu número, Yak. Se algum dia tiver problemas, pode me ligar. Não se preocupe… pode me ligar para qualquer coisa, até mesmo se precisar de dinheiro. Estou disposto a ajudá-lo. Em troca, você pode jantar comigo de vez em quando. Ou, se o problema for grande demais, pode até me pedir uma mesada mensal.
— …
Ele pega meu cartão de visita com meu número. Seus olhos afiados o examinam por um instante e então se erguem para encontrar os meus. Ele parece confuso. Não apenas ele, eu também não tenho certeza do porquê disse algo assim. É quase como se eu estivesse me oferecendo para que ele fosse meu sugar baby. Talvez seja algo do tipo…
“Precisa de alguma coisa? Então tire a roupa e venha até mim em troca, eu lhe dou dinheiro.”
Cheguei a essa idade… a idade em que estou solteiro e tão sozinho que estou pagando por um gigolô?
— Tudo bem.
Sem sequer piscar, ele aceita minha proposta. Em seguida, coloca meu cartão de visita em um dos bolsos da calça, levanta-se e sai da sala com uma expressão séria.
Eu permaneço imóvel, encarando a porta firmemente fechada, recostando-me completamente na cadeira. A palavra “Phadetsuek”, o sobrenome dele, continua girando na minha cabeça. Então me ocorre algo! É o nome que vejo naquele outdoor pelo qual passo todos os dias.
Assim, procuro “Phadetsuek” na internet e descubro que se trata de uma grande escola de boxe que também oferece aulas de autodefesa. O dono se chama O-Ye Phadetsuek. O nome dele é tão incomum quanto o de Yo-Yak. Pensando bem, o dono se parece bastante com ele.
Então decido pesquisar “Yo-Yak Phadetsuek” no Google.
E, depois disso, uma dúvida surge na minha mente…
“Eu realmente acabei de me oferecer para ser sugar daddy de um homem rico?”
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