7 de mar. de 2026

Wandee Wittaya - Capítulo 02.1

Capítulo 02 : Povo Dee

Morto...

Eu devo estar morto.

Quando o alarme toca, meu corpo não tem energia alguma para se mover.

Ele não está mais aqui, mas esteve comigo a noite inteira. Eu estava meio consciente quando ele saiu. Sei que ele me lavou e me vestiu com roupas limpas. Cobriu-me com um edredom macio e até ajustou o ar-condicionado, que antes estava congelante, para uma temperatura agradável.

Pergunto-me por que ele é tão gentil.

Isso não combina com seu rosto nada simpático e com aquele olhar frio.

Consegui dar uma olhada rápida em seu rosto quando ele me cobriu com o edredom. Ele é perversamente bonito. Perigosamente atraente. Um verdadeiro destruidor de corações.

É assim que eu o descreveria.

Acho que alguém que está entre a consciência e a inconsciência deve ficar com a mente meio estúpida, porque eu não consegui tirar os olhos daquele homem desconhecido.

Talvez seja porque, no fundo, eu estava satisfeito.

Deve ser isso.

Tem que ser isso.

Balanço a cabeça para afastar a típica tontura pós-bebedeira, abro lentamente os olhos ainda pesados e, com as mãos trêmulas, levanto o edredom para olhar meu próprio corpo.

Assim que tento me levantar, sinto todo o corpo dolorido.

Minha bunda ainda está dormente, como se ele ainda estivesse dentro de mim. Minhas pernas tremem quando fico de pé.

Não sei exatamente como descrever o que estou sentindo agora. Ainda há um pouco de dor e dormência, mas existe outro pensamento que surge com mais força na minha mente do que qualquer desconforto.

Eu realmente gostei da noite que tive.

Gostei das coisas obscenas e intensas que fizemos. Gostei da forma como ele me pressionou contra si.

Tenho vinte e nove anos e acabei de descobrir que gosto de sexo intenso e cheio de paixão.

Ei… isso é uma descoberta maior do que quando Einstein descobriu E = mc², não é?

Eu começo a rir, mas logo levo a mão à garganta ao perceber que ela está seca e dolorida.

Então este é o famoso efeito de gemer até perder a voz que aparece nos livros.

Sorrio sem nenhum arrependimento por como perdi minha virgindade.

Pelo contrário, sinto-me incrivelmente feliz por minha vida plana e monótona finalmente ter ganhado algum significado.

Então… sexo é bom.

Assim que percebo isso, adio o alarme e me sinto muito mais animado do que nos últimos dias.

Ainda assim, preciso voltar para a cama por causa da dor na bunda. Não é insuportável, mas toda vez que arde um pouco, lembro do momento em que fui possuído.

Acho que estou começando a ficar meio obcecado.

Mas enfim… como vou vê-lo novamente?

Pisco várias vezes enquanto penso nisso.

Depois de um tempo, sento-me devagar, estalando a língua quando o alarme toca outra vez. Como normalmente tento levantar o mais tarde possível, costumo adiá-lo de cinco em cinco minutos.

Dessa vez eu simplesmente o desligo.

Já estou acordado.

O som do alarme me faz parar de pensar naquele homem por um momento.

Levanto novamente e caminho mancando até a cozinha para começar um novo dia.

Talvez a grande mudança na vida de Wandee comece substituindo a saudável dose matinal de leite de amêndoas… por uma bebida energética capaz de lhe dar um pouco mais de disposição.


Pov Yak


996… 997… 998… 999… 1000.

— Terminei.

Jogo a corda de pular no chão à minha frente e respiro fundo algumas vezes, tentando recuperar o fôlego. Hoje estou mais cansado do que o normal, porque quase não dormi. Na verdade, fazer sexo me deixou exausto, mas como eu já tinha planejado pular corda, mesmo tendo dormido apenas três horas, levantei e fiz meu exercício como de costume.

Caminho até a corda, pego uma garrafa de água que estava sobre a cadeira, desenrosco a tampa e bebo para matar a sede.

Estou suando muito. Meu torso nu está completamente coberto de suor. No entanto, não há ninguém por perto agora. Só se ouvem alguns barulhos de coisas batendo vindos da casa de dois andares. Parece vir da cozinha.

— Ye, o que você está fazendo na cozinha? — pergunto em voz alta, meio desconfiado, enquanto tiro as bandagens das mãos.

Parece que meu irmão está preparando o café da manhã.

O-Ye é sempre assim. Assusta os outros fazendo barulho ou gritando, e vive com uma expressão intimidadora no rosto.

— Não estou encontrando a faca.

— Não está no suporte de facas? Eu usei ontem de manhã.

— Ah, é mesmo. Achei!

— O que você está fazendo?

— Estou tentando pegar a caixa de leite de soja.

— A Cherry pendurou de novo?

— Sim.

Paro de andar e observo a figura um pouco mais alta que vem em minha direção.

O-Ye é meu irmão e, de certa forma, também foi como um pai para mim. Nossos pais têm uma academia de boxe no interior e nos mandaram estudar em Bangkok muitos anos atrás. Como ele é bem mais velho que eu, acabou cuidando de mim no lugar deles.

Ele se formou em engenharia, mas não sei por que, logo depois de se formar, decidiu seguir os passos dos nossos pais e abrir sua própria escola de boxe.

Uma enorme placa com o nome Phadetsuek Boxing Camp Victory Boxing School fica na frente da casa, e há vários outdoors espalhados no início da rua onde moramos.

É ao mesmo tempo uma escola para quem quer se tornar boxeador profissional e um centro de artes marciais.

Claro, O-Ye era o melhor lutador da escola, mas acabou se cansando de lutar apenas para acumular pontos e defender títulos. Então decidiu parar. Ele dizia que havia perdido a paixão por lutar no ringue e que sua única motivação agora era o dinheiro.

Os cursos no Phadetsuek Boxing Camp são caros, mas muitas pessoas ricas enviam seus seguranças para treinar boxe ali. Além disso, muitos jovens preocupados com a saúde que querem melhorar o físico também se inscrevem.

Os cursos são exigentes tanto no preço quanto no treinamento, e acabaram se tornando populares entre os jovens por recomendação boca a boca. Assim, três anos após a inauguração, o Phadetsuek Boxing Camp se tornou bastante conhecido: as técnicas de defesa pessoal são práticas, há muitos equipamentos, e o treinador presta atenção em cada aluno individualmente.

— Quer um pouco? — O-Ye me oferece a caixa de leite de soja.

Mesmo sabendo que eu sempre recuso, ele continua oferecendo.

— Não quer? Me diga, você já comeu alguma coisa? Não pode ficar só bebendo bebida. Senão eu vou te dar uma boa surra.

Na realidade, ele nunca me bateu de verdade. Só faz ameaças. Quando eu faço algo errado e ele fica bravo, ele simplesmente para de falar comigo — e isso me machuca muito mais do que apanhar.

— Já comi congee às seis.

— Ah, ótimo. E que horas você chegou ontem à noite? Eu terminei de tomar banho às duas e você ainda não tinha chegado.

— Às seis — respondo, levantando a mão para massagear a nuca.

Provavelmente foi nesse momento que O-Ye viu os arranhões nas minhas costas.

Ele ergue uma sobrancelha e exclama em voz alta:

— Com quem você dormiu dessa vez? Achei que você tinha dito que ia parar, e que a pessoa de quem você gosta não gosta desse tipo de coisa.

— Não foi minha intenção.

Paro e solto um leve suspiro. Há algo sobre meu parceiro da noite passada que não sai da minha cabeça, e não sei a quem perguntar além do meu irmão.

— Ye, posso te perguntar uma coisa?

— Pode.

— Se você interpretasse as ações de alguém bêbado como um convite para fazer sexo… e… essa pessoa nunca tivesse feito sexo antes… você deveria pedir desculpas?

— Desculpa, pode repetir desde o começo?

Ele joga a caixa vazia de leite de soja no lixo. Seu dedo longo e fino coça a pele logo abaixo do olho afiado e orgulhoso. Antes que eu consiga explicar, ele mesmo conclui a história.

— Deixe-me ver se entendi. Ontem à noite, quando você saiu para comprar Coca-Cola, encontrou um cara bêbado e achou que ele estava pedindo para fazer sexo com você. Mas quando começou, descobriu que ele ainda era virgem, certo? Então agora você está pensando que ele só estava bêbado e não quis realmente aquilo?

— Certo.

— Você foi até o fim?

— Claro que fui.

— E quando descobriu que ele era virgem, você parou imediatamente?

— Não… não parei. Já fazia muito tempo que eu não fazia sexo. Quando finalmente tive a oportunidade, não consegui me controlar.

— Foi só uma vez, certo?

Levanto os dedos para contar. Quando levanto o terceiro dedo, O-Ye imediatamente segura minha mão.

— O quanto ele estava bêbado?

— Muito.

— Ele poderia achar que você abusou dele?

— …

Ele poderia pensar isso, não é?

— Depois que vocês terminaram, vocês chegaram a conversar?

— Não. Ele estava dormindo. Deve ter ficado exausto.

— Bem… acho que você deveria levar um buquê de flores para pedir desculpas e explicar calmamente que entendeu errado o comportamento dele, e que foi por isso que acabaram na cama. (nota: Ele e bem sensato)

— Eu deveria?

Pergunto para confirmar, e O-Ye assente.

— Sim. Deveria.

Meus ganhos com o boxe aumentaram conforme ganhei experiência, e O-Ye não fica com nada. Ele transfere todo o dinheiro para mim, uma quantia que quase sempre chega a sete dígitos. Mesmo assim, ainda me dói gastar várias notas cinzentas de mil baht em um buquê de flores.

O canto da minha boca se contrai quando recebo o troco.

O rosto refletido no espelho parece sério.

O florista permaneceu em silêncio desde que entrei; provavelmente ficou chocado ao ver os ferimentos no meu rosto. E eu não vejo motivo algum para explicar como os consegui.

— Pronto. Ele veio de carro? — pergunta o florista.

— Não.

Fico ali parado, observando o buquê. De fato, é bonito e vale o dinheiro que paguei por ele.

Então, de repente, tenho uma ideia.

Por que não comprar flores também para a pessoa de quem gosto?

Talvez isso cause pelo menos alguma impressão.

— Então, vai levar agora ou prefere que a gente entregue?

— Vou levar agora. E… posso encomendar um buquê com antecedência?

— Claro, senhor. Que tipo de buquê o senhor gostaria?

— Quero um maior do que este.

Olho para o buquê que tenho nas mãos e depois para o dono da loja. Ele assente enquanto anota o pedido e começa a pedir mais detalhes.

— Tem algum tipo específico de flor em mente?

— Não. Só quero algo bonito.

— Para sua pessoa especial, imagino?

Estou prestes a negar, mas acabo assentindo. Na verdade, quero mesmo ter um relacionamento com essa pessoa.

Estou esperando há anos.

Mesmo sem saber quando ela aceitará meus sentimentos.

Fico ali por um bom tempo. Por fim, o dono da floricultura me informa o preço do buquê encomendado, marca o horário para retirada e, depois de pagar, saio imediatamente da loja.

Meu carro está na oficina no momento, então preciso chamar um táxi para levar o buquê até o Dr. Wandee.

Está tudo meio apressado, mas não importa.

Quero entregar as flores e pedir desculpas, apenas para acertar as coisas.

Espero que você não esteja bravo comigo, Dr. Wandee.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar!! _ (: 3 」∠) _

Por favor Leia as regras

+ Sem spam
+ Sem insultos
Seja feliz!

Volte em breve (˘ ³˘)