Capítulo 30 :: Poema de Despedida
Na noite seguinte, nós nos mudamos para o antigo castelo que Haru havia mencionado.
Era realmente um espaço completamente escuro, sem sequer uma única janela.
Um lugar onde, em circunstâncias normais, eu jamais teria colocado os pés.
À primeira vista, parecia o tipo de lugar que deveria ser úmido e cheirar a mofo.
Mas, estranhamente, o ar era limpo.
Provavelmente porque alguém o mantinha bem cuidado.
Mesmo observando os móveis e objetos do lugar, não havia sinal de poeira nem mesmo ratos.
Com vários meses de provisões, nos estabelecemos na área residencial do castelo.
E então, até que os ferimentos de Vincent se curassem,
Yulia e eu nos dedicamos a um trabalho físico exaustivo, arriscando a própria vida.
Em outras palavras verificar as armadilhas do castelo.
Levamos semanas para isso.
Sala por sala, verificando se cada armadilha ainda estava ativa.
Provavelmente eu deveria ter ficado quieto e descansado, mas não havia gente suficiente para o trabalho.
Quando finalmente terminamos a verificação… eu já estava um tanto abatido.
* * *
— Está bem, Ban?
Na manhã seguinte, depois de terminar o trabalho e lavar o suor do corpo,
eu vagava pelo interior do castelo quando ouvi uma voz.
Vincent surgiu da escuridão.
— Haha… até que enfim estou cansado.
— Desculpa. Acabei deixando tudo nas suas mãos.
— Por que está pedindo desculpa?
Você precisa poupar suas forças para a batalha de verdade, não é?
— …É verdade.
Vincent deixou escapar um sorriso amargo.
Então ele bateu de leve no meu ombro.
— Você também deveria descansar hoje. Pelo menos um dia.
A partir de amanhã tudo vai ficar ainda mais corrido.
Os ferimentos de Vincent já haviam cicatrizado.
Agora restava apenas atrair Ichigatsu até aqui.
De acordo com Haru, a partir do dia seguinte ele começaria a preparar alguma armadilha para pegá-lo.
Não sabíamos exatamente quando aquele sujeito viria até o castelo…
mas era certo que dias tensos nos aguardavam.
— …Eu sei.
Provavelmente hoje seria o último dia relativamente tranquilo que teríamos.
— Ah, é mesmo…
Você viu a Yulia por aí?
Antes que a conversa terminasse, perguntei a Vincent.
— Yulia? Não… não a vi.
— Entendi. Valeu.
Depois de me despedir dele, comecei a andar pelo castelo novamente à procura de Yulia.
O corredor completamente escuro era pontuado apenas por pequenas luzes de velas.
O ar estava silencioso e frio.
Quando Ichigatsu aparecesse, eu não poderia ver Yulia novamente até derrotá-lo.
Se o plano falhasse…
aquela conversa mecânica que tivemos durante o trabalho mais cedo poderia acabar sendo nossas últimas palavras.
Por isso eu queria vê-lo antes disso.
…Queria tocá-lo.
Porque eu já havia colocado meus sentimentos em ordem.
— Ele não está no quarto… afinal, onde foi parar…?
Depois de quase uma hora vagando sem rumo, suspirei e segui de volta para meu quarto.
Talvez ele estivesse conversando com Haru.
Mais tarde eu poderia tentar passar no quarto dele.
Pensando nisso, abri a porta do meu quarto.
E então...
— Demorou. Onde você estava?
Ao erguer o rosto na direção da voz, vi Shiro deitado na cama.
— Shiro? Por que você está…?
Quando me aproximei, Shiro balançou o rabo uma vez e desceu da cama.
Sem dizer nada, ele simplesmente me abraçou.
— …Ei?
"…"
Ele me apertou com tanta força que meus calcanhares quase saíram do chão.
O pelo macio fez meu nariz coçar.
— O que foi? Não tinha algo que queria?
— …Já resolvi.
Shiro respondeu brevemente.
Então me soltou dos braços e virou o rosto, caminhando em direção à porta.
Agarrei seu braço com as duas mãos.
— Espera.
…Você está tentando fazer alguma coisa por conta própria, não está?
— Por conta própria? Preciso pedir sua permissão para tudo?
— Não desconversa.
Achou mesmo que eu não perceberia?
Você é muito pior mentindo do que imagina.
Ele puxou o braço, livrando-se do meu aperto.
Em seguida me encarou de cima, franzindo o nariz.
— …Se algo inesperado acontecer durante a luta contra Ichigatsu, isso pode ser fatal.
Ter dois mestres dentro do mesmo corpo é apenas um risco.
— E daí?
"…"
— …Então você veio se despedir de mim antes de desaparecer?
Isso não é agir por conta própria também?
…Além disso, Yulia não iria querer algo assim.
— Aquela idiota é mole demais.
Não consegue pensar de forma racional.
— Não é isso.
Ele não fez nada porque não há motivo para você desaparecer.
Eu me coloquei diante dele.
— E além do mais… se você desaparecer… isso também seria um problema para mim.
O olhar afiado de Shiro vacilou, tomado pela confusão.
Eu ergui os olhos para ele e continuei:
— Eu te disse antes, lembra?
Que eu valorizava você como parte da Yulia.
…Mas eu quero retirar aquilo.
— Retirar?
— É.
Porque… não é só como parte da Yulia.
Eu também valorizo você, Shiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por comentar!! _ (: 3 」∠) _
Por favor Leia as regras
+ Sem spam
+ Sem insultos
Seja feliz!
Volte em breve (˘ ³˘)