4 de mar. de 2026

The Boy Next World - Capítulo 18

Capítulo 18: Retribuir

Mesmo com o coração acelerado, mesmo com o rosto quente, mesmo com os cantos dos lábios curvados em sorriso… as lágrimas continuam a cair.

Phugun precisa erguer a mão repetidas vezes para enxugá-las primeiro o lado esquerdo, depois o direito até acabar esfregando os olhos com as duas mãos. P’Cir, por sua vez, o puxa para um abraço e o acomoda em seu colo.

Os braços fortes o envolvem, e o calor do outro o cobre num instante. O pequeno coração dispara. Phugun esconde o rosto no peito largo. P’Cir não diz nada apenas desliza a mão pelas costas dele, acariciando seus cabelos macios. E justamente por isso, o consolado acaba se tornando ainda mais frágil, enterrando o rosto mais fundo no peito do mais velho, soluçando.

Pare de chorar, Phu… pare…

Ele tenta se acalmar, mas quando ergue o rosto, os olhos ainda molhados carregam um brilho miserável.

— D-desculpa, P’Cir.

— Desculpa pelo quê?

Não use esse tom tão gentil…

Phugun lamenta em silêncio. Ao encarar o rosto preocupado do outro através das lágrimas, balança levemente a cabeça.

— Eu não sei.

Ele realmente não sabe o que sente. No início, ficou feliz por ouvir novamente o som da flauta do pai. Depois, ao ver os olhos doces do mais velho, o coração acelerou. E o abraço quente virou um turbilhão.

Talvez tenha pedido desculpas por chorar. Ou por molhar a camisa dele. Ou por sentir algo especial.

— Não chora, tá?

P’Cir segura a mão de Phugun e enxuga sua bochecha com os nós dos dedos.

— Eu… não sei…

As bochechas e o nariz estão vermelhos. Ele tenta esfregar os olhos outra vez, mas P’Cir o impede. Quando tenta com a outra mão, é bloqueado novamente.

— Quero secar as lágrimas.

— Não vou deixar.

Sem soltá-lo, P’Cir entrelaça os dedos aos dele, sorrindo.

— P’Cir, me solta.

— Não.

— Quero limpar meu rosto…

Phugun insiste, irritado com a mão que o segura. De repente, sente lábios quentes tocarem seus olhos. Seus olhos grandes se voltam para o dono daquele toque, mas logo se fecham quando o nariz dele roça sua pele e os lábios repousam sobre suas pálpebras.

Depois do beijo em um lado, P’Cir passa para o outro. O corpo de Phugun estremece levemente.

A fragilidade que sentia desaparece no primeiro toque. Seu humor sobe como uma montanha-russa até atingir o ápice quando abre os olhos.

Há fogo… nos olhos à sua frente.

Quando os lábios quentes descem novamente desta vez pousando sobre os seus o coração dispara. O beijo não é breve. É profundo, intenso, cheio de desejo.

Os lábios se movem, exploram, provocam. Às vezes suaves, às vezes mais firmes. Há mordidas leves, que trazem dor e excitação ao mesmo tempo.

Phugun gosta do beijo de P’Cir.

Ele só consegue abrir a boca e aceitar aquele beijo doce e ardente, deixando que o outro conduza, provoque, invada. O ritmo faz seu corpo tremer incontrolavelmente.

— …Ah…

O gemido escapa de seus lábios, ecoando em sua mente. Ele se agarra ainda mais forte.

Não sabe quanto tempo o beijo dura. Só sente felicidade.

Até que, aos poucos, a razão retorna.

— A flauta…

O calor do corpo de P’Cir o envolve por completo. A única coisa que mantém um fio de lucidez é a flauta do pai.

— Coloquei na mesa — responde P’Cir, em voz baixa e grave.

Phugun confirma com o olhar e volta a encarar o mais velho.

— Phu… não me olhe assim.

— Por quê?

— Eu não vou aguentar.

No início, ele não entende. Até sentir algo rígido pressionando-o através do tecido do pijama.

O corpo de Phugun também esquenta.

P’Cir aperta os dentes, a respiração pesada. A mão em seus quadris o segura com firmeza.

Phugun engole em seco.

Devo me afastar?

Ele morde os lábios e encara o outro, sentindo claramente o calor e a pressão.

— Se eu soltar você… consegue se afastar? — pergunta P’Cir, rouco.

Phugun percebe que ele chegou ao limite.

Assim que é solto, levanta-se do colo do mais velho. P’Cir se recosta na cabeceira, olhos fechados.

Ele deveria ir embora.

Mas…

— Eu… acho que posso ajudar o Phi.

Antes que o outro possa impedir, suas mãos trêmulas puxam o tecido para baixo.

O que vê o faz prender a respiração.

É grande. Imponente. Assustador.

Phugun pensa que “monstro” seria uma palavra adequada mas foi ele quem o despertou.

— Eu avisei você, Phu…

— Tá tudo bem… você já fez isso por mim antes. Eu só… quero retribuir.

Quando toca, não sente nojo. Apenas curiosidade e excitação.

Move a mão devagar.

O suspiro de P’Cir mistura impaciência e prazer.

Ele acelera um pouco. Observa cada reação. Cada detalhe.

Mas P’Cir cobre o rosto com o braço.

— Chega, Phu.

Phugun se frustra. Quer fazer direito. Quer retribuir.

Hesita.

E então toma uma decisão ousada.

Sem encarar o mais velho, aproxima o rosto.

Seus movimentos são inseguros, mas determinados.

— Envolva com a boca.

A voz soa quase como um comando.

Ele obedece.

— Sem os dentes.

Move-se devagar, no ritmo que lhe é indicado.

Mesmo com dificuldade, continua.

O calor, o esforço, a respiração curta… tudo se mistura.

As mãos de P’Cir repousam em sua cabeça, guiando com cuidado.

O ritmo aumenta.

O prazer cresce.

Phugun sente o próprio corpo reagir.

Quando o clímax chega, tudo acontece rápido demais.

Há gemidos, respirações pesadas, tensão.

Depois silêncio.

P’Cir o segura pelo queixo.

— Phu… por que fez isso?

Ele tosse levemente.

— Você fez por mim… eu posso fazer por você também.

— É diferente. Eu escolhi…

— Eu também escolhi.

A resposta o surpreende.

Mas é verdade.

Mais tarde, já limpos e deitados lado a lado, o quarto mergulha na escuridão.

— Dorme comigo hoje, tá?

— Criança teimosa…

— Você não pode fazer nada comigo agora… só dormir, tá?

P’Cir suspira e se deita ao seu lado.

— Mesmo assim, ainda sou perigoso.

Phugun ri nervoso.

— Apagando a luz.

— Vai ficar tudo bem no futuro.

— Não fala como se já soubesse…

Silêncio.

— P’Cir… o que você acha que o outro Phugun está fazendo agora?

Ele se arrepende da pergunta assim que a faz.

Mas P’Cir sorri.

— Se eu estou aqui, talvez exista outro eu lá. Então… aquele Phu deve estar tentando fazer o outro Cir se apaixonar.

— E se ele não estiver interessado?

— Não acho que exista um “eu” que não se interesse por Phu.

Phugun fecha os olhos.

Não é egoísta… mas, naquele momento, faz um pedido silencioso.

Que o P’Cir daquele mundo se apaixone pelo Phugun de lá.

Porque este Phugun…

Tem certeza de que não consegue deixar ir o P’Cir que veio até ele.

E não quer soltar sua mão.


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