Capítulo 18: Retribuir
Mesmo com o coração acelerado, mesmo com o rosto quente, mesmo com os cantos dos lábios curvados em sorriso… as lágrimas continuam a cair.
Phugun precisa erguer a mão repetidas vezes para enxugá-las primeiro o lado esquerdo, depois o direito até acabar esfregando os olhos com as duas mãos. P’Cir, por sua vez, o puxa para um abraço e o acomoda em seu colo.
Os braços fortes o envolvem, e o calor do outro o cobre num instante. O pequeno coração dispara. Phugun esconde o rosto no peito largo. P’Cir não diz nada apenas desliza a mão pelas costas dele, acariciando seus cabelos macios. E justamente por isso, o consolado acaba se tornando ainda mais frágil, enterrando o rosto mais fundo no peito do mais velho, soluçando.
Pare de chorar, Phu… pare…
Ele tenta se acalmar, mas quando ergue o rosto, os olhos ainda molhados carregam um brilho miserável.
— D-desculpa, P’Cir.
— Desculpa pelo quê?
Não use esse tom tão gentil…
Phugun lamenta em silêncio. Ao encarar o rosto preocupado do outro através das lágrimas, balança levemente a cabeça.
— Eu não sei.
Ele realmente não sabe o que sente. No início, ficou feliz por ouvir novamente o som da flauta do pai. Depois, ao ver os olhos doces do mais velho, o coração acelerou. E o abraço quente virou um turbilhão.
Talvez tenha pedido desculpas por chorar. Ou por molhar a camisa dele. Ou por sentir algo especial.
— Não chora, tá?
P’Cir segura a mão de Phugun e enxuga sua bochecha com os nós dos dedos.
— Eu… não sei…
As bochechas e o nariz estão vermelhos. Ele tenta esfregar os olhos outra vez, mas P’Cir o impede. Quando tenta com a outra mão, é bloqueado novamente.
— Quero secar as lágrimas.
— Não vou deixar.
Sem soltá-lo, P’Cir entrelaça os dedos aos dele, sorrindo.
— P’Cir, me solta.
— Não.
— Quero limpar meu rosto…
Phugun insiste, irritado com a mão que o segura. De repente, sente lábios quentes tocarem seus olhos. Seus olhos grandes se voltam para o dono daquele toque, mas logo se fecham quando o nariz dele roça sua pele e os lábios repousam sobre suas pálpebras.
Depois do beijo em um lado, P’Cir passa para o outro. O corpo de Phugun estremece levemente.
A fragilidade que sentia desaparece no primeiro toque. Seu humor sobe como uma montanha-russa até atingir o ápice quando abre os olhos.
Há fogo… nos olhos à sua frente.
Quando os lábios quentes descem novamente desta vez pousando sobre os seus o coração dispara. O beijo não é breve. É profundo, intenso, cheio de desejo.
Os lábios se movem, exploram, provocam. Às vezes suaves, às vezes mais firmes. Há mordidas leves, que trazem dor e excitação ao mesmo tempo.
Phugun gosta do beijo de P’Cir.
Ele só consegue abrir a boca e aceitar aquele beijo doce e ardente, deixando que o outro conduza, provoque, invada. O ritmo faz seu corpo tremer incontrolavelmente.
— …Ah…
O gemido escapa de seus lábios, ecoando em sua mente. Ele se agarra ainda mais forte.
Não sabe quanto tempo o beijo dura. Só sente felicidade.
Até que, aos poucos, a razão retorna.
— A flauta…
O calor do corpo de P’Cir o envolve por completo. A única coisa que mantém um fio de lucidez é a flauta do pai.
— Coloquei na mesa — responde P’Cir, em voz baixa e grave.
Phugun confirma com o olhar e volta a encarar o mais velho.
— Phu… não me olhe assim.
— Por quê?
— Eu não vou aguentar.
No início, ele não entende. Até sentir algo rígido pressionando-o através do tecido do pijama.
O corpo de Phugun também esquenta.
P’Cir aperta os dentes, a respiração pesada. A mão em seus quadris o segura com firmeza.
Phugun engole em seco.
Devo me afastar?
Ele morde os lábios e encara o outro, sentindo claramente o calor e a pressão.
— Se eu soltar você… consegue se afastar? — pergunta P’Cir, rouco.
Phugun percebe que ele chegou ao limite.
Assim que é solto, levanta-se do colo do mais velho. P’Cir se recosta na cabeceira, olhos fechados.
Ele deveria ir embora.
Mas…
— Eu… acho que posso ajudar o Phi.
Antes que o outro possa impedir, suas mãos trêmulas puxam o tecido para baixo.
O que vê o faz prender a respiração.
É grande. Imponente. Assustador.
Phugun pensa que “monstro” seria uma palavra adequada mas foi ele quem o despertou.
— Eu avisei você, Phu…
— Tá tudo bem… você já fez isso por mim antes. Eu só… quero retribuir.
Quando toca, não sente nojo. Apenas curiosidade e excitação.
Move a mão devagar.
O suspiro de P’Cir mistura impaciência e prazer.
Ele acelera um pouco. Observa cada reação. Cada detalhe.
Mas P’Cir cobre o rosto com o braço.
— Chega, Phu.
Phugun se frustra. Quer fazer direito. Quer retribuir.
Hesita.
E então toma uma decisão ousada.
Sem encarar o mais velho, aproxima o rosto.
Seus movimentos são inseguros, mas determinados.
— Envolva com a boca.
A voz soa quase como um comando.
Ele obedece.
— Sem os dentes.
Move-se devagar, no ritmo que lhe é indicado.
Mesmo com dificuldade, continua.
O calor, o esforço, a respiração curta… tudo se mistura.
As mãos de P’Cir repousam em sua cabeça, guiando com cuidado.
O ritmo aumenta.
O prazer cresce.
Phugun sente o próprio corpo reagir.
Quando o clímax chega, tudo acontece rápido demais.
Há gemidos, respirações pesadas, tensão.
Depois silêncio.
P’Cir o segura pelo queixo.
— Phu… por que fez isso?
Ele tosse levemente.
— Você fez por mim… eu posso fazer por você também.
— É diferente. Eu escolhi…
— Eu também escolhi.
A resposta o surpreende.
Mas é verdade.
Mais tarde, já limpos e deitados lado a lado, o quarto mergulha na escuridão.
— Dorme comigo hoje, tá?
— Criança teimosa…
— Você não pode fazer nada comigo agora… só dormir, tá?
P’Cir suspira e se deita ao seu lado.
— Mesmo assim, ainda sou perigoso.
Phugun ri nervoso.
— Apagando a luz.
— Vai ficar tudo bem no futuro.
— Não fala como se já soubesse…
Silêncio.
— P’Cir… o que você acha que o outro Phugun está fazendo agora?
Ele se arrepende da pergunta assim que a faz.
Mas P’Cir sorri.
— Se eu estou aqui, talvez exista outro eu lá. Então… aquele Phu deve estar tentando fazer o outro Cir se apaixonar.
— E se ele não estiver interessado?
— Não acho que exista um “eu” que não se interesse por Phu.
Phugun fecha os olhos.
Não é egoísta… mas, naquele momento, faz um pedido silencioso.
Que o P’Cir daquele mundo se apaixone pelo Phugun de lá.
Porque este Phugun…
Tem certeza de que não consegue deixar ir o P’Cir que veio até ele.
E não quer soltar sua mão.
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