2 de mar. de 2026

A Round Trip To Love Vol. 04 - Capítulo 10

Capítulo 10

Xiao Chen?

O que ele estava fazendo ali?
Então… tudo o que eu disse agora há pouco… ele ouviu?

Já não havia como voltar atrás. Era hora de pôr um fim naquela história. Respirei fundo e me virei.

Yichen estava parado à porta, em silêncio, segurando o casaco que eu havia deixado no bar. Tremia como uma folha no vento de outono. O olhar que me lançou era pior que desespero pior que dor.

— Eu… pedi ao Yichen para trazer seu casaco até a faculdade… esfriou… — explicou, gaguejando como uma criança que fez algo errado.

— Não tem problema… pode ficar com ele… — respondi, sem saber o que dizer. Diante de Xiao Chen, eu sempre carregara culpa.

— Ge! — Yichen finalmente reagiu, avançando. — O Qin Lang estava falando besteira! Ele ainda não estava sóbrio! Não acredita nele! Ele vai continuar te tratando bem, você pode confiar! Não é, Qin Lang?

Ele virou o rosto para mim, os olhos suplicando.

Fechei os olhos por um instante e evitei aquele pedido silencioso. Então encarei Xiao Chen.

— Xiao Chen, me desculpa. O que eu disse é verdade. Eu amo seu irmão. Sempre amei.

— Eu… eu entendo… — respondeu ele, pálido, evitando meu olhar.

Livrou-se apressadamente dos braços de Yichen e tentou sair correndo.

— Ge!

Ouvi o grito de Yichen e, quando levantei a cabeça, já era tarde demais. No desespero, Xiao Chen havia perdido o equilíbrio na escada e caído pesadamente.

— Antisséptico! E gaze!

Yichen estava completamente perdido. Eu, acostumado a apanhar dele mais vezes do que gostaria de admitir, ao menos tinha alguma experiência com primeiros socorros. Entreguei-lhe o necessário.

Felizmente, fora apenas um corte na testa. Entre lágrimas e respiração trêmula, ele recobrou a consciência.

— Xiao Chen, se você permitir, quero contar a verdade.

Ignorei o olhar incendiário de Yichen e segurei levemente a mão de Xiao Chen. Contei tudo como conheci Yichen, como os sentimentos nasceram, o mal-entendido no bar por causa dos nomes, a troca equivocada… cada detalhe.

Ele permaneceu em silêncio do começo ao fim.

— Eu sei que não é o melhor momento, mas precisava que você entendesse: não houve maldade. Apenas erros.

— Eu sei… — disse por fim, com o rosto pálido.

Levantou-se devagar, tocou a testa de Yichen com ternura.

— Yichen… eu sei que você sempre foi bom comigo. Agora eu te peço… deixe-me sozinho por um tempo. Não venha atrás de mim.

Colocou cuidadosamente meu casaco sobre a mesa e saiu, cambaleando.

— Ge!

Yichen tentou ir atrás dele, mas eu o segurei.

— Não vá. Deixe que ele fique sozinho.

— A culpa é sua! É tudo culpa sua!

O soco veio antes que eu pudesse reagir.

— Nunca vi alguém tão desprezível quanto você! Se meu irmão ficar mal por sua causa, eu juro que você vai se arrepender pelo resto da vida!

— Você está maluco? — rebati, indignado. — Era melhor esclarecer tudo agora. Ele vai sofrer, mas vai superar. Você queria que eu mentisse para ele para sempre?

— Não arrume desculpas!

Ele me encarava com ódio.

— O que você está olhando?

Sorri friamente. Dei um passo à frente e o beijei.

— Animal! Me solta!

Ele tentou me empurrar, xingando.

— Não vem com esse papo nojento de que me ama! Só porque você me ama eu sou obrigado a amar você? Some da minha frente! Eu não preciso de você!

Senti o peito apertar. Puxei seus cabelos com força.

— O que você disse?

— Você não entendeu ainda? Eu só mantive você por causa do meu irmão! Se não fosse isso, eu já teria te mandado embora há muito tempo!

As palavras vieram calculadas, afiadas, destinadas a ferir.

Depois de três segundos de silêncio cortante, minha mão se ergueu.

O estalo ecoou no quarto.

Sangue surgiu no canto da boca dele.

— Você… me bateu?

Ele tentou revidar, mas segurei seu punho.

— Yichen… desde quando alguém ousou me tocar? Só você me chutou, me bateu. Acha mesmo que eu não poderia reagir?

Ele tentou se soltar, mas eu o imobilizei. Minha raiva e frustração transbordaram. Por um momento, perdi o controle tentando forçá-lo a aceitar algo que já estava morto entre nós.

— Qin Lang… não me faça te odiar.

Foi um sussurro.

Mas soou como um trovão.

Parei.

Ele fechou os olhos, exausto.

— Não quero te odiar…

A resistência dele cessara. Não havia mais luta — apenas desespero.

Eu me levantei devagar.

Fui até o banheiro. Deixei a água fria correr sobre mim, tentando apagar o incêndio interno.

Mas já era tarde.

Algumas coisas, quando quebram, não podem ser consertadas.

Quando voltei, Yichen estava encolhido no canto, o rosto coberto de lágrimas.

Peguei o casaco e o coloquei sobre seus ombros.

Ele não me olhou.

Observei-o por alguns segundos.

Depois saí.

Fechei a porta com cuidado.




A cidade tornou-se silenciosa para mim.

Passei a viver entre sala de aula, biblioteca e casa. Meu professor ficou satisfeito com minha súbita dedicação. Um mês depois, recebi meu diploma.

Meu pai perguntou se eu queria fazer pós-graduação ali mesmo.

— Qualquer lugar serve — respondi. — Só não quero continuar nesta cidade.

Minha mãe sugeriu que eu fosse para o Japão, trabalhar na empresa do meu pai.

Aceitei.

Na noite anterior à partida, bebi até tarde no bar do Shen Chao. Su Xiaolu também apareceu. Falamos de tudo do passado, de promoções em lojas, de banalidades.

Ninguém mencionou os irmãos Cheng.

E isso foi melhor assim.

Shen Chao colocou uma música para me despedir.

“BIRDCAGE”, do Mr. Children.

A mesma canção que Yichen havia cantado à beira-mar.

A voz agora era mais grave, melancólica.

Suspirei.

Na manhã seguinte, embarquei no Aeroporto Internacional de Xiamen Gaoqi rumo a Tóquio.

Não deixei ninguém me acompanhar.

A última pessoa que vi foi Su Xiaolu.
Entreguei a ela o CD que guardara junto ao peito.

— Xiaolu… amanhã eu finalmente vou fugir.

A última lembrança que tenho é da lágrima dela caindo sobre a capa rosada do CD.

Transformando-se em uma pequena gota brilhante.


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