7 de mar. de 2026

Cuti Pie - Capitulo 29

Capítulo 19: Keerati

HieLian Wang sorriu diante da determinação de Keua Keerati. Naquela nova manhã, com o pequeno Keua ainda deitado em seus braços, ele nem teve tempo de ouvir um “bom dia”. A primeira coisa que Keua disse foi que queria administrar as terras da família Keerati.

— Ainda são apenas nove horas, querido.

— Estou muitos anos atrasado… Hia… você não está cansado?

O sorriso permaneceu nos olhos claros de Keua, misturado a uma expressão preocupada. HieLian sentiu como se um gatinho o tivesse arranhado de leve. Depois da noite anterior, de onde vinha tanta energia? Se não tivesse medo de que Keua não aguentasse, para falar a verdade, eles teriam continuado até o amanhecer.

— Não tenha tanta pressa. Em alguns dias eu levo você comigo para a empresa.
Não precisamos pensar demais. Temos uma equipe de contabilidade que pode nos ajudar a analisar tudo, e nós dois podemos avaliar juntos qual solução é a melhor.

HieLian já havia decidido abrir um processo de reestruturação empresarial. Se Keua queria participar, ele desejava ouvir suas ideias primeiro. Mesmo que algumas fossem inviáveis, bastaria explicar o motivo. Ainda que Keua não tivesse conhecimento algum, cem tentativas já seriam o primeiro passo de seu crescimento.

No fundo, Hia não queria que ele amadurecesse tão rápido. A vida despreocupada de Keua era preciosa demais.

— Mas eu ainda estou preocupado…

— Não se preocupe. Deixe-me ficar mais uma hora abraçando você antes de levantarmos para pensar nisso.

— Já são nove horas… Hia, você não vai trabalhar?

— Se o pequeno Keua ainda duvida da minha saúde, então eu não vou me segurar. Podemos repetir a noite passada… e desta vez eu não vou me conter.

Só de ouvir isso, Keua abandonou qualquer dúvida e se escondeu novamente no abraço de HieLian.

Uma hora?

Hia ficou abraçado com Keua até quase onze da manhã. Mesmo quando finalmente se levantou, ainda encontrou tempo para roubar mais alguns beijos. Se a secretária de Hia não tivesse ligado pela terceira vez durante aquela sequência de beijos, Keua tinha certeza de que aquilo teria ido muito além.

Diante do espelho, Keua Keerati segurou o rosto corado, desejando que o rubor desaparecesse logo. Vestia apenas uma camisa larga o pijama de mangas compridas de Hia era enorme nele. E, além disso… ele nem queria ir para a universidade naquele dia.

Seu pescoço estava marcado por beijos e leves mordidas, e seus lábios estavam inchados de tantos beijos.

— Por que não dorme mais um pouco? — Hia saiu do banheiro com apenas uma toalha na cintura.

O corpo de Hia estava coberto pelos arranhões que Keua havia deixado na noite anterior. Só de olhar para aquilo, Keua sentiu o corpo inteiro esquentar: orelhas, rosto e pescoço ardendo. E ainda por cima Hia olhava para ele com aquele sorriso brilhante.

Ah… aquele sorriso era simplesmente mortal.

Keua conseguia enfrentar qualquer provocação dos amigos sem se cansar. Mas lidar com Hia era muito mais difícil. Hia sempre vencia e nunca recuava.

Quando Keua ficou ainda mais envergonhado, Hia não foi se vestir. Em vez disso, aproximou-se novamente e o abraçou.

— Hmm… será que precisamos mesmo sair da cama?

— Hia, vá se vestir! Você vai se atrasar para o trabalho. Precisa ir para a empresa, não é?

— Acho que estou viciado na minha esposa. Um vício não desaparece em um dia. Trabalhar? Fazer amor é muito melhor. E minha esposa ainda fica se perguntando se estou bem.

Que tipo de lógica era aquela?!

Keua quis dar um soco nele, mas estava preso naquele abraço apertado e acabou apenas encostando a testa no ombro de Hia.

— Eu não sou sua esposa! Ainda nem aceitei.

— Meu dote não é caro. Minha mãe não ousaria pedir muito.
Pequeno Keua receberia um Pentágono e todos os meus bens. Vale a pena.

Entre risos e constrangimento, Keua deixou Hia balançá-lo diante do espelho.

— Me dê um beijo. Assim eu me animo a ir trabalhar.

Outro beijo.

— Eu já te beijei tanto… isso ainda não foi incentivo suficiente?

— Se apenas comer você já me desse incentivo, nós não estaríamos só aqui parados.

Que idiota!

Quando Hia finalmente saiu para trabalhar, a casa ficou silenciosa. E, sem as provocações constantes dele, a mente de Keua voltou a se preocupar com a família Keerati.

Ele pegou o arquivo com os documentos de propriedade que estava sobre a mesa. Ao abri-lo, sentiu-se ainda mais perdido. Era como se seus sentimentos estivessem espalhados por todos os lados, sem saber por onde começar a juntá-los.

Respirando fundo, pegou o celular e ligou para a pessoa que provavelmente sabia mais sobre aquilo.

Khunying Kaolin Keerati.

A Áustria estava cinco horas atrás da Tailândia. Ainda assim, sua mãe e seu pai costumavam acordar cedo. Devia ser por volta das sete da manhã lá.

— O que foi, pequeno Keua? Seu pai e eu estamos falando com você agora.

— O pai ainda não foi trabalhar?

— Hoje é feriado na Áustria. Espere, vou ligar a câmera para que ele também fale com você.

A imagem dos dois na cozinha fez Keua sorrir. Mesmo que os rostos de seus pais estivessem tão próximos da câmera que a imagem ficasse um pouco borrada.

— Onde você está, filho?

— Na casa do Hia. Ele foi trabalhar.

A voz de seu pai continuava com o tom firme de um embaixador em Viena. Mas, ao ouvir que Keua estava na casa de Hia, ele franziu levemente a testa. Seu pai nunca gostou muito dele.

— Então você não foi para a universidade?

— Não estou me sentindo bem.

— Foi ao médico? HieLian não levou você?

— Não, pai… não é nada sério.

Quem teria coragem de contar aos próprios pais que faltou à aula porque estava cheio de marcas de beijo no pescoço?

Durante a conversa, falaram sobre várias coisas do cotidiano. Amigos da universidade, histórias aleatórias… até mesmo o mal-entendido sobre Hia gostar de comer cobras.

— Estou com tanta saudade de vocês… quando vão voltar para a Tailândia?

— Pequeno Keua, por que você não vem para a Áustria? HieLian disse para mim que pretende trazer você nas férias do semestre.

Seu pai fez uma pequena expressão de desagrado ao ouvir aquilo.

Antes de tocar no assunto mais difícil, Keua respirou fundo.

— Mãe… sobre as terras da família Keerati…

Khunying Kaolin ficou em silêncio por um momento. O pai de Keua também franziu a testa e olhou para a esposa.

— Pequeno Keua, você está certo. A família Keerati realmente vendeu aquelas terras para a família Wang.

Ela explicou tudo com calma, em uma voz suave, mas firme.

— O negócio da família Keerati já estava em dificuldades desde que você nasceu. Seu pai trabalha na Europa e eu nunca fui boa em administrar empresas.
Seu avô não queria que o nome Keerati fosse manchado… mas acabou pegando empréstimos em segredo para investir mais. No final, tivemos que vender tudo.

Keua não sabia exatamente o que sentir.

Era um alívio… mas também não era.

Ele estava feliz por Hia ter protegido o legado da família, mas também triste ao perceber que os Keerati haviam acabado se apoiando demais na família Wang.

— HieLian queria manter a mansão Keerati como seu dote — continuou sua mãe. — Mas eu disse a ele que poderia vender tudo se quisesse.

Lágrimas escorreram pelo rosto de Keua.

A mansão Keerati era cheia de memórias: seu avô, seus pais, os tios Wang, Hia quando era mais jovem… todos aqueles momentos estavam ligados àquele lugar.

Depois que a ligação terminou, Keua ainda chorou por um tempo.

Mas não era como no dia anterior, quando chorou por medo.

Agora era um choro de alívio.

Pelo menos havia uma solução. Hia não precisaria carregar aquele peso sozinho.

Ainda assim, Keua sabia que precisava pensar no próprio futuro.

Ele não era mais tão rico quanto antes. Seu pai tinha um bom salário, mas Keua queria que ele guardasse dinheiro para a aposentadoria.

Depois de se formar, precisava trabalhar.

Não queria ser um peso para seus pais.

Nem para Hia.

Limpando as lágrimas com as mãos trêmulas, ele pegou o celular novamente e discou para alguém que o conhecia desde os tempos de Inglaterra.

Dearw.

— Dearw… onde você está? Posso te ver?

— Estou na casa do HiaYi, mas posso sair. Sua voz não parece muito boa…

— Eu… preciso pensar sobre o futuro. Podemos nos encontrar? Tenho certeza de que vou acabar chorando de novo.

— Então nos vemos na sua casa secreta. Vou levar meu irmãozinho também.

— Irmãozinho?

— Hehe… você vai ver.

Algum tempo depois…

— Este é meu irmão mais novo.

Keua Keerati ficou completamente atônito ao olhar para o “irmão” que Dearw carregava.

Era um pequeno Chihuahua de pelos castanho-claros misturados com branco. No pescoço, usava uma coleira azul em forma de laço com um pequeno pingente prateado gravado com o nome CHEN.

O famoso Chihuahua da família Chen.

Keua o pegou nos braços com as duas mãos. O cachorro latiu imediatamente e se debateu para escapar. Assim que foi solto, saiu correndo pela casa… explorando tudo.

E então levantou a perna.

— Dearw! Seu irmão está fazendo xixi na minha moto!

— Ah, desculpa! Ele ainda não sabe… estou treinando ele.
Hoje de manhã ele fez xixi na perna do HiaYi. Hia quase me estrangulou.

Dearw correu para pegar um pano e limpar a roda.

Keua queria brigar com o cachorro, mas aqueles olhinhos saltados eram simplesmente fofos demais.

— HiaYi voltou a dormir na mesma casa? — perguntou Keua sem pensar.

Dearw parou por um segundo, revirando os olhos.

De repente, as orelhas de Keua ficaram quentes. Aquela reação só podia significar uma coisa.

— Bem… eu também não sei… Ah… você está com marcas no pescoço…

— Ah… é…

Os dois amigos se encararam por um instante, com os rostos vermelhos como tomates — e então começaram a rir.

— Melhor não falarmos sobre isso.

— Certo. Eu já estou morrendo de vergonha.

Keua tentou se recompor para falar sobre assuntos sérios, mas Dearw se aproximou com um sorriso malicioso.

— Então… foi bom?

— MVP!!

Keua explodiu de vergonha e se escondeu atrás da almofada do sofá, transformando-se em um cadáver cor-de-rosa tentando desesperadamente recuperar a calma.

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