Epílogo
Numa noite em que a lua minguante brilhava bela no céu, eu e Yulia fomos nos despedir de Vincent e Cecil, que estavam deixando a mansão.
O cavalo que levaria os dois em sua jornada foi acariciado com familiaridade por Cecil. Assim que Vincent terminou de amarrar a bagagem, o animal bufou suavemente.
Observando a cena, abri a boca:
— Seus ferimentos já sararam. Podiam ficar mais um pouco, não?
— …Você às vezes é incrivelmente sem noção, sabia?
Cecil olhou para mim, claramente exasperado.
— Hã?
Inclinei a cabeça, confuso. Ele corou e começou a murmurar algo indistinto.
— Quer dizer, é que…— Uwa!?
Antes que terminasse, Vincent o ergueu nos ombros. Pelo visto, já havia prendido toda a bagagem no cavalo.
— Ei, Vincent…!?
— Vocês dois também deviam aproveitar para ficar a sós.
Piscaram meus olhos diante daquilo. Pelo “também”, parecia que eles estavam partindo tão cedo justamente por esse motivo.
— Ah… bom, faz sentido.
Vincent declarou aquilo com toda naturalidade, enquanto Cecil, completamente vermelho, se atrapalhava ao lado dele um contraste evidente.
— Vocês vão voltar à vida de viajantes? — perguntou Yulia ao meu lado.
— Provavelmente.
— Entendo…
— Por que a pergunta?
— Ah, não… só pensei que seria bom se vocês viessem morar por perto…
Yulia coçou a ponta do nariz, meio sem graça.
— Nessas cidades daqui, a influência da Igreja é bem menor…
Vincent e Cecil trocaram um olhar.
— Nunca tínhamos pensado nisso.
— É… talvez não seja uma má ideia. Eu também gostaria de continuar vendo vocês.
— Sério!?
— Quando encontrarmos uma boa casa, avisamos.
— Por favor! Vou ficar esperando!!
Vincent ajudou Cecil a montar no cavalo e, em seguida, subiu com leveza.
— Ficamos em dívida com vocês. Vamos retribuir, com certeza.
— Então, até mais.
Cecil continuou acenando para nós até o último instante.
Quando o cavalo deles finalmente desapareceu na floresta, espreguicei-me.
— …Bom, vou voltar ao trabalho.
— Hã!?
— Por que essa surpresa? Eu só vim me despedir.
— Mas… fazia tanto tempo que ficávamos só nós dois…
Quando me virei para ir embora, senti braços me envolverem por trás.
— Você estava preocupado com o senhor Vincent, então não tivemos clima nenhum… E eles até se preocuparam com isso por nós…
— Eu também quero te tocar. Mas estamos com falta de gente, então não tem jeito.
As criadas que ajudaram no tratamento de Vincent agora estavam ocupadas limpando o castelo antigo usado na batalha contra January. A manutenção da mansão estava praticamente nas minhas mãos.
— Eu sei, mas…
Yulia abaixou os ombros, visivelmente desapontado quase como se suas orelhas estivessem caídas.
Coloquei minha mão sobre a dele.
— …De manhã, eu passo no seu quarto.
Então me virei dentro de seus braços e segurei seu rosto com ambas as mãos.
— Se prepara. Vou te espremer até a última gota.
Afinal, eu também queria tocá-lo.
* * *
Quando terminei o trabalho, tomei banho, me preparei com cuidado e fui até o quarto de Yulia.
Antes mesmo de girar a maçaneta, a porta se abriu, revelando o dono do quarto com as bochechas coradas de alegria.
— Ban…!
— Desculpa a demora.
Fui erguido do chão. Yulia enterrou o rosto no meu pescoço e inspirou profundamente.
— …Você está cheirando bem.
Senti meu peito formigar de leve e desviei o olhar.
Além de me preparar com cuidado, acabei escolhendo roupas um pouco mais arrumadas do que o normal. Talvez tivesse me esforçado demais.
Enquanto pensava nisso, Yulia pressionou os lábios contra minha bochecha.
Diante daquele beijo carente, virei-me para ele e, naturalmente, nossos lábios se encontraram.
— Mm… nnh… n…
Nossos lábios se abriram, línguas se entrelaçando. Enterrei meus dedos em seus cabelos dourados, segurando sua cabeça enquanto aprofundava o beijo, como se quisesse misturar nossas respirações.
— Hah… nn…!
Ele envolveu minha cintura com as pernas, e repetimos beijos intensos, quase devorando um ao outro.
Quando o fôlego já faltava, encostei minha testa na dele e murmurei:
— …Falando nisso, seu cabelo voltou ao normal, né?
Depois da batalha contra January, parte dos cabelos cor de mel de Yulia havia ficado branca, mas agora já haviam retornado à cor original.
Peguei uma mecha ondulada entre os dedos e a beijei. Yulia estreitou os olhos, sensível ao toque.
— Sim… percebi de repente. Gostava um pouco, então é uma pena.
— Entendo…
O silêncio caiu entre nós. Evitei encarar seus olhos, distraindo-me com seus cabelos enquanto meu coração acelerava.
Então Yulia começou a andar rapidamente em direção à grande cama.
Assim que fui colocado sobre ela, seu corpo imponente se inclinou sobre o meu.
Instintivamente, segurei sua mão quando ele tentou abrir meus botões.
— Ei, espera. Hoje sou eu que vou fazer. Eu disse que ia te espremer, lembra?
…De algum modo, senti que deixar ele assumir o controle seria perigoso.
Yulia piscou, surpreso então sorriu.
— Não. Hoje sou eu que vou… derramar tudo dentro de você, até a última gota.
— Que foi isso agora… você tá me deixando confuso…
Para minha surpresa, senti um aperto no fundo do peito. Desviei o olhar.
Mas então a mão que eu segurava foi invertida, sendo presa por ele.
Em seguida, ouvi um clique.
Quando percebi, algemas com acabamento macio de pelos envolviam meus pulsos, presas à cabeceira da cama.
— O quê!? Você… o que está fazendo…!?
— É a prova da minha determinação. Se não fizer isso, você sempre acaba invertendo as coisas.
Fim.
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