— Larga isso!
Hwa-young agarrou Gyuwon pelo braço e o puxou para longe. Em seguida, gritou para o irmão, que vinha correndo em pânico:
— Hyung, pegue esse desgraçado. Entendeu?!
Empurrou o homem que Gyuwon segurava na direção do irmão e voltou a arrastar Gyuwon consigo.
Não sabia dizer se era ácido sulfúrico ou ácido clorídrico, mas tinha certeza de que era um líquido corrosivo. Ela estava ilesa, porém havia buracos nos sapatos de Gyuwon.
Ajoelhando-se diante dele, Hwa-young retirou primeiro o sapato que ainda estava inteiro. As meias também haviam sido corroídas. Só quando as tirou completamente foi que Gyuwon soltou um gemido de dor.
— Hyung!
Ao ouvir o grito de Hwa-young, Ki-young entregou o agressor a um subordinado e correu até eles. Ao ver a pele do pé de Gyuwon escurecendo, gritou:
— Tragam o carro! Rápido!
Um dos homens saiu correndo, e, em poucos segundos, o Grandeur já estava parado à frente deles.
Hwa-young ajudou Gyuwon a entrar no banco de trás, sentou-se ao lado dele e bateu a porta.
— Hospital! O hospital mais próximo!
Enquanto o carro avançava em alta velocidade, ela perguntou:
— Não precisava lavar com água? Diluir o ácido?
— Eu... não sei...
Hwa-young mordeu o lábio.
— Achei que tinha que lavar imediatamente. Tem água aí? Qualquer coisa... água mineral!
O motorista entregou uma garrafa que estava no banco do passageiro. Hwa-young despejou a água cuidadosamente sobre a queimadura.
— Ugh...
Gyuwon reprimiu um gemido de dor.
Assim que chegaram ao pronto-socorro, uma enfermeira começou a dizer:
— O que aconteceu? Primeiro precisamos fazer a fich...
Hwa-young a interrompeu, segurando-a pelos ombros.
— Ácido clorídrico! Jogaram ácido clorídrico nele!
Ao ver o rosto completamente pálido da jovem, a enfermeira não perdeu tempo. Chamou imediatamente uma maca, e Gyuwon foi levado para atendimento.
Depois do exame, um médico ainda jovem explicou:
— A concentração do ácido não era muito alta. Vocês tiveram sorte. E lavar imediatamente com água foi a decisão correta. Mesmo assim, ele precisará ficar internado. As queimaduras são consideráveis, principalmente nas áreas onde o tecido encharcado permaneceu em contato com a pele.
Enquanto o médico falava, Gyuwon mal o escutava.
Sua atenção estava voltada para Hwa-young.
Ela permanecia imóvel, com o rosto completamente vazio. O ar ao redor dela parecia pesado demais.
Gyuwon apertou delicadamente a mão dela.
Precisava impedir que Hwa-young cometesse uma loucura.
— Hwa-young... Yoon Hwa-young.
Ela não reagiu.
Ele chamou mais algumas vezes.
Nada.
Por fim, abandonou a formalidade.
— Hwa-young.
Só então ela respondeu, num fio de voz:
— Sim...
Era evidente que tinha ouvido desde a primeira vez, apenas não queria responder.
Gyuwon suspirou.
— Estou bem. Sério. Então... não se preocupe.
Hwa-young cerrou os dentes.
— Se fosse eu no seu lugar... você ficaria tranquilo? Se eu tivesse sido queimada assim... você simplesmente não ligaria?
Gyuwon sorriu com suavidade.
— Claro que eu ficaria desesperado... Mas agora... só consigo agradecer por você não ter se machucado. De verdade.
Aquelas palavras eram tão gentis que lágrimas começaram a subir aos olhos de Hwa-young.
Ela engoliu em seco várias vezes antes de conseguir forçar um sorriso.
Ao vê-la sorrir, Gyuwon sorriu também, aliviado.
Naquele instante, alguém no pronto-socorro soltou um:
— Ai...
Gyuwon ergueu a cabeça.
Assim que seus olhos encontraram os das outras pessoas na sala, todos fingiram imediatamente estar ocupados olhando para outro lugar.
Uma criança que também o encarava acabou respirando errado enquanto chorava e começou a soluçar.
Os soluços ecoaram de forma estranhamente alta.
Gyuwon ficou constrangido.
Naquele dia, o pronto-socorro do hospital universitário permaneceu silencioso como nunca.
Quando Hwa-young saiu da emergência, ouviu uma enfermeira cochichar para outra:
— Entrou um gangster...
Gangster?
Ela franziu os lábios.
Que absurdo.
---
Yoon Ki-young estava numa situação extremamente delicada.
Segundo o relatório de seus subordinados, "o ácido não era muito concentrado".
Mas o fato de "o caçula estar completamente pálido" significava apenas uma coisa:
Hwa-young estava furiosa.
Será que ela realmente estava namorando aquele grandalhão de aparência assustadora?
Se estivesse...
Conhecendo seu temperamento, era bem capaz de arrancar a cabeça do agressor com um único golpe.
Afinal, Hwa-young sempre fora gentil com quem considerava seu.
Na verdade, Ki-young tinha sido o primeiro da família a se render completamente ao temperamento da irmã.
Se ela pedisse uma faca de sashimi, ele entregaria.
E ainda seguraria o pescoço do sujeito para facilitar.
O pai e o irmão mais velho sempre diziam:
— Nunca faça isso. Não é por você. É por ela. Você estaria condenando Hwa-young ao inferno.
Mas Ki-young pensava diferente.
Se ninguém descobrisse...
Tudo bem.
E, mesmo que ela realmente matasse alguém, bastava ele assumir toda a culpa.
Seria muito mais convincente um dos chefes da organização confessar o crime do que uma garota comum.
Além disso...
Ele próprio estava fervendo de raiva.
Aquele miserável tentara jogar ácido no rosto de Hwa-young.
No rosto dela.
Que tipo de lixo fazia uma coisa dessas?
Morrer seria pouco.
Se Hwa-young não estivesse se contendo, ele mesmo já teria acabado com aquilo.
Sem saber o que fazer, limitou-se a dar um tapa violento no homem e afundou no sofá.
Assim que apagava um cigarro, um subordinado já acendia outro.
Mesmo soltando longas baforadas de fumaça, sua mente continuava confusa.
Seu pai, Yoon Su-hyeop, que estava praticamente aposentado, e o irmão mais velho, Yoon Jin-young, também estavam furiosos ao saber que Hwa-young quase fora atacada.
O ambiente inteiro estava tomado por uma tensão sufocante.
Ki-young encarou o agressor.
— Você tem passaporte?
O homem empalideceu.
Nesse momento, a porta se abriu violentamente.
Hwa-young entrou.
Antes que qualquer um pudesse reagir, ela agarrou o sujeito pelo colarinho.
Apesar disso, não levantou o punho.
Percebendo isso, Ki-young fez um gesto para impedir que seus subordinados interferissem.
— Quero ouvir da sua própria boca. O que você tem contra mim?
O homem ficou olhando fixamente para Hwa-young.
Depois sorriu de leve.
— Faz tempo...
Ela franziu a testa.
Seu rosto estava tão deformado pelas pancadas que ela não conseguia reconhecê-lo.
Quem era ele?
Como Hwa-young permaneceu em silêncio, o homem continuou:
— Você conhece o senhor Koo Seong-jun, não conhece?
Ela assentiu.
— Sou um dos submissos dele... Já vi você algumas vezes.
Hwa-young ficou sem palavras.
Seong-jun era um Dominador completamente diferente dela.
Enquanto Hwa-young encontrava prazer na humilhação psicológica dos parceiros, Seong-jun apreciava infligir dor física.
Seus submissos costumavam ser profundamente masoquistas.
Raramente havia sexo em suas sessões.
E, quando havia, quase nunca era consensual ou convencional.
Às vezes ele violentava os parceiros.
Outras vezes, obrigava-os a fazer sexo com terceiros apenas para aumentar seu sofrimento.
Hwa-young ocasionalmente participava dessas sessões, normalmente apenas para quitar favores que devia a Seong-jun.
Ele parecia gostar de observá-la conduzir toda a cena.
Talvez aquele homem estivesse presente em alguma dessas ocasiões.
— Ah...
Ela fingiu reconhecê-lo.
Na verdade, não fazia ideia de quem fosse.
O que a deixava ainda mais confusa era outra coisa.
Por que um submisso de Seong-jun faria aquilo?
— Então... por que fez isso comigo?
O homem começou a rir.
Ria sinceramente da pergunta.
Hwa-young tornou a agarrá-lo pelo colarinho.
Seu rosto esfriou completamente.
— Estou perguntando por quê. Responda direito.
O homem rangeu os dentes.
— Porque você me estuprou.
Hwa-young o arremessou contra a parede.
— Eu? Eu estuprei... você?
— Sim.
— Não fale besteira!
Ela tentou desesperadamente vasculhar as próprias lembranças.
Jamais havia estuprado alguém.
Era absurdo.
Completamente absurdo.
— Eu estuprei você?! Quando?!
O homem respondeu imediatamente:
— Quantas vezes você acha que fez isso?
Ela ficou sem palavras.
— Do que você está falando? Explique direito. Quando? Como?
Ele gritou:
— Você sempre me estuprava!
Hwa-young o empurrou até ele cair novamente.
Depois sentou-se diante de Ki-young e tirou o celular do bolso.
A ligação foi atendida quase imediatamente.
— Ora, ora... quem é? Você anda me ligando demais ultimamente, querida...
A voz debochada de Seong-jun veio do outro lado.
— Cala a boca!
Ela respirou fundo.
Não sabia nem como explicar.
Levantou-se, deu um leve chute no homem caído e perguntou:
— Nome.
O sujeito voltou a rir.
— Buraco. Se você chamar assim... eu entendo.
Hwa-young sentiu que estava enlouquecendo.
Ignorando aquilo, voltou a falar com Seong-jun.
— Você tem um submisso que atende por "Buraco"?
— Ah... nosso lindo Buraco. O que houve? Resolveu brincar um pouco com ele?
Ainda sorrindo, Seong-jun zombou.
Mas, quando Hwa-young rosnou:
— O que significa essa história de que eu estuprei esse garoto?
A risada desapareceu.
— ...Do que você está falando? Estuprar? Que absurdo é esse?
Ela respirou fundo.
— Esse desgraçado jogou ácido em mim dizendo que eu o estuprei. Gyuwon acabou sendo hospitalizado no meu lugar. Estou à beira de enlouquecer.
Fez uma pausa.
— Ele insiste nessa história. Não faço ideia do que está dizendo. Quero enterrá-lo vivo. Posso?
A voz de Seong-jun ficou fria.
— Ele ainda é meu submisso... Se fizer alguma coisa com ele, eu também não vou pegar leve com você, Yoon Hwa-young.
Ela respondeu sem hesitar:
— Então devia ter cuidado melhor dos seus submissos.
No mundo deles, tocar num submisso significava desafiar diretamente seu Dominador.
Sempre que surgia um conflito desse tipo, o procedimento normal era conversar primeiro com o Dominador responsável.
Seong-jun soltou um longo suspiro.
— Primeiro ouça a versão dele. Vou mandar alguém buscá-lo. Deixe-o comigo. Eu mesmo vou investigar.
Hwa-young balançou a cabeça.
— Não.
Seu olhar estava gelado.
— Meu irmão está no hospital. Não vou entregar esse cara nem morta. Se você quiser protegê-lo, faça o que achar melhor.
Após alguns segundos de silêncio, Seong-jun respondeu:
— Então eu mesmo vou aí. Vamos resolver isso pessoalmente.
---
Quando Seong-jun chegou, já passava das nove da noite.
Vestindo um terno caríssimo que valorizava seu físico impecável, franziu a testa ao ver seu submisso jogado no chão, mas não fez nenhum comentário.
Sorriu educadamente.
— Boa noite, senhor. Quanto tempo. Irmãos.
Yoon Su-hyeop e seus filhos apenas assentiram.
Ninguém respondeu ao cumprimento.
Seong-jun apenas estalou a língua.
Conhecia aquela família havia muitos anos.
Sabia muito bem que todos colocavam Hwa-young acima de qualquer outra pessoa.
Não havia motivo para se ofender.
Quando voltou o olhar para Hwa-young, encontrou um rosto frio o bastante para congelar qualquer um.
Soltou outro longo suspiro.
Yoon Su-hyeop levantou-se.
— Já que terminou de cumprimentar todo mundo... venha falar comigo primeiro, Seong-jun.
Apesar da idade, seus olhos continuavam tão ferozes quanto no passado.
Seong-jun inclinou respeitosamente a cabeça.
Sem esconder o desagrado, Su-hyeop estalou a língua e saiu da sala, seguido pelos subordinados.
Logo depois, Yoon Jin-young também se levantou.
— Depois de falar com meu pai, venha beber comigo. Faz tempo que não conversamos.
Seu rosto era tão frio que parecia impossível saber se aquilo era um convite... ou uma convocação.
Ele saiu acompanhado de seus homens.
Por último, Ki-young passou por Seong-jun.
— Antes de ir embora, passe na minha sala também. Tenho algumas perguntas para fazer.
Quando ele também deixou o escritório, restaram apenas os envolvidos na história.
Só então Hwa-young abriu um sorriso sem humor.
— Você demorou.
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