Capítulo 5 — A Mamadeira
Naquele dia, o pequeno Bai Luochuan estava usando uma roupa nova. Na cabeça, usava um gorro de lã com um pompom fofo na ponta, que balançava de um lado para o outro sempre que ele virava a cabeça. Sentado sozinho, segurava uma grande tangerina vermelha e ria alegremente. Quando seus olhos se curvavam em um sorriso, pareciam duas luas crescentes, deixando-o ainda mais adorável.
Mi Yang, deitado ao lado, mexeu as mãozinhas e logo foi pego por Cheng Qing, que o colocou perto de Bai Luochuan.
— Yangyang também acordou! Venha brincar com o irmãozinho. O gege veio te visitar de novo. Está feliz?
Mi Yang piscou algumas vezes e estendeu os bracinhos para que o pegassem no colo.
Em vez disso, colocaram uma tangerina em suas mãos.
A senhora Bai sorriu.
— Demos uma igualzinha à do irmãozinho. Gostou?
Mi Yang abaixou a cabeça e olhou para a fruta.
O aroma cítrico invadiu seu nariz.
Tudo bem... isso também serve.
Ele ainda não conseguia comer tangerina, mas segurá-la e sentir seu perfume já era suficiente. A casca era fria ao toque, e o cheiro fresco fez com que lembrasse do sabor doce e levemente ácido dos gomos.
Sem perceber, estalou os lábios.
A senhora Bai observava os dois bebês, mas seu olhar permanecia mais tempo em Mi Yang.
— Os olhos do Yangyang parecem duas uvas pretas. Os cílios também são compridos. No começo achei que fosse uma menina. Não é à toa que dizem que os filhos puxam a mãe. Ele é tão bonito quanto você.
Cheng Qing corou discretamente.
— Imagina... O Luochuan é que é bonito. Tem a pele tão branca, igual à irmã Luo.
Mi Yang também virou a cabeça para olhar o pequeno mestre Bai.
Era verdade.
Desde pequeno, Bai Luochuan era absurdamente branco.
Não importava quanto sol tomasse; no máximo ficava um pouco avermelhado.
Mi Yang lembrou-se de um acampamento que fizeram anos depois.
Naquele dia, Bai Luochuan reclamava do calor nas montanhas e insistiu em levá-lo para nadar no rio. Quando tirou a camiseta, sua pele parecia praticamente brilhar sob o sol.
Além da pele clara, tinha músculos definidos, firmes e elegantes.
Na época, Mi Yang havia sentido uma inveja enorme.
Talvez percebendo que estava sendo observado, o pequeno Bai Luochuan virou a cabeça para ele.
Mas perdeu o equilíbrio.
Seu corpinho tombou para frente, quase caindo sobre Mi Yang.
Mi Yang reagiu por puro instinto.
Jogou a cabeça para trás com todas as forças.
Pela experiência de ontem... esse pequeno mestre Bai vai morder minha bochecha de novo!
Sua previsão estava correta.
Infelizmente, prever não significava conseguir escapar.
No instante seguinte, Bai Luochuan caiu na gargalhada enquanto mordiscava uma das bochechas de Mi Yang, deixando uma bela marca de saliva.
Mi Yang começou a espernear.
Agitou braços e pernas desesperadamente.
— Aaah... aaah!
Tentava chamar os adultos.
Mas as duas mães apenas observavam a cena sorrindo.
Cheng Qing ria tanto que seus olhos se transformaram em meias-luas.
A senhora Bai chegou até a pedir que o soldado voltasse para buscar uma câmera fotográfica.
Mi Yang desistiu completamente.
Ficou deitado com uma expressão de quem havia perdido toda a esperança da vida, permitindo que Bai Luochuan continuasse babando em sua bochecha.
Depois de brincar bastante, o pequeno Bai finalmente mudou de interesse.
Empurrou a tangerina de um lado para o outro e ainda chamou Mi Yang:
— Ah!
Mi Yang:
"..."
Virou imediatamente para Cheng Qing e estendeu os braços.
Quero lavar o rosto primeiro! Está todo coberto da saliva desse garoto!
Felizmente, Cheng Qing já conhecia alguns de seus hábitos.
Pegou um lenço e limpou cuidadosamente seu rostinho.
Depois que voltou a ser um bebê limpinho e cheirosinho, colocou os dois novamente lado a lado.
Dessa vez, Mi Yang colaborou.
Assim que foi colocado perto de Bai Luochuan, empurrou sua própria tangerina para ele brincar também.
Era melhor garantir a própria segurança.
Vendo os dois brincarem tão felizes, Cheng Qing sorriu.
— Eu estava preocupada porque Yangyang nunca tinha brincado com outras crianças. Achei que levaria muito tempo para eles se entrosarem. Mas olha só... em poucos minutos já estão tão amigos.
A senhora Bai também parecia satisfeita.
Ela acompanharia o marido durante alguns meses naquela base militar.
Para os adultos, enfrentar dificuldades não era problema.
Mas criar um filho praticamente sozinha era outra história.
Encontrar um companheirinho para Luochuan era muito melhor do que ela havia imaginado.
Ao olhar para Mi Yang, seus olhos se encheram de carinho.
Ao meio-dia, a senhora Bai precisou resolver alguns assuntos.
Já estava prestes a levar o filho embora quando Cheng Qing a convenceu:
— Irmã Luo, somos praticamente as únicas esposas de militares aqui. Mesmo se levar o Luochuan para casa, quem vai cuidar dele será o Xiao Zhao. Se você confiar em mim, deixe-o aqui. O Xiao Zhao pode ficar para ajudar. Já cuido do Yangyang mesmo, cuidar de mais um bebê não faz diferença.
Xiao Zhao era o soldado responsável pela segurança de Bai Jingrong.
Embora ajudasse bastante, ainda era um homem.
A senhora Bai realmente não ficava totalmente tranquila deixando um bebê sob seus cuidados.
Ao ouvir a proposta de Cheng Qing, sorriu.
— Não vou atrapalhar você?
— Que nada! Só preciso preparar o almoço do pai do Yangyang. Não dá trabalho nenhum.
A senhora Bai sorriu.
— Então vou deixar o Luochuan sob seus cuidados.
Ela deixou Xiao Zhao para ajudar e prometeu voltar durante a tarde.
Cheng Qing estendeu uma pequena manta no chão, cercou os dois bebês com almofadas para evitar que rolassem para fora e sentou-se ao lado tricotando um suéter.
Seu semblante era tranquilo.
De vez em quando ainda fazia alguma gracinha para divertir os pequenos.
Quem parecia nervoso era Xiao Zhao.
Consultando o relógio, perguntou:
— Cunhada, já não está na hora deles comerem um pouco de purê de frutas?
Mi Yang também começava a sentir fome.
Ergueu a cabeça e olhou para a mãe com olhos suplicantes.
Cheng Qing assentiu.
— Está bem. Vou preparar.
Xiao Zhao abriu a bolsa que carregava.
— Eu trouxe. Sempre saio com alguns lanchinhos para o pequeno mestre. Hoje é maçã.
— Ótimo. Então cuide deles enquanto preparo a mamadeira do Yangyang.
— Pode deixar.
Logo em seguida, Xiao Zhao tirou um babador amarelo-claro e amarrou no pescoço de Bai Luochuan.
O pequeno mestre parecia saber exatamente o que aquilo significava.
Sentou-se direitinho.
Colocou as mãozinhas rechonchudas sobre a barriga.
Seus grandes olhos brilhantes acompanharam cada movimento do soldado.
Quando viu surgir sua lancheira com desenhos animados, seus olhos iluminaram-se ainda mais.
Estendeu as mãozinhas.
Depois bateu na própria barriga.
— Ya!
Dentro da lancheira havia uma maçã e uma colherzinha.
Depois de cortar a fruta ao meio, Xiao Zhao ofereceu um pouco também para Mi Yang.
Mas Cheng Qing recusou sorrindo, erguendo a mamadeira.
— Não precisa. O Yangyang ainda não pode comer muito. Ele vai tomar leite.
Assim, Xiao Zhao começou a alimentar Bai Luochuan com purê de maçã.
A cada colherada, o pequeno mestre abria a boca obedientemente.
Comia tão feliz que seus olhos chegavam a se fechar de satisfação.
Depois de algumas colheradas, ainda pegou um pedaço de maçã e começou a mordiscá-lo com enorme entusiasmo.
Do outro lado, Mi Yang também aguardava ansiosamente seu lanche.
Ele normalmente tomava leite em pó.
Depois que Cheng Qing preparou a mamadeira e conferiu a temperatura nas costas da mão, começou a alimentá-lo.
Após alguns goles, Mi Yang já não estava tão faminto.
Passou a beber distraidamente enquanto olhava pela janela.
A neve da noite anterior havia parado.
Lá fora, tudo estava coberto de branco.
O único verde visível vinha de alguns pinheiros vergados pelo peso da neve.
Só de olhar já dava sensação de frio.
Os bebês costumavam adormecer enquanto comiam.
Mi Yang não era exceção.
Enquanto sugava a mamadeira, fechou os olhos.
Pouco tempo depois, já estava dormindo.
Em certo momento, Cheng Qing o ergueu para oferecer mais leite.
Mesmo adormecido, Mi Yang abraçou automaticamente a mamadeira com um dos bracinhos e continuou bebendo com vontade.
Só parou depois de soltar um sonoro arroto.
Bai Luochuan assistiu à cena.
Então estendeu a mão para a mamadeira.
— Ah?
Mi Yang ficou furioso.
Que mania irritante!
Na vida passada era exatamente assim.
Tudo de que Mi Yang gostava, Bai Luochuan queria tomar.
Na escola, qualquer coisa para a qual ele olhasse duas vezes era roubada por Bai Luochuan.
Até a garota mais bonita da escola, que havia escrito uma carta de amor para Mi Yang, acabou sendo "roubada".
E agora...
Até a mamadeira?!
Mi Yang cuspiu o bico da mamadeira, ergueu as sobrancelhas e fez:
— Pfft!
Um jato de leite acertou Bai Luochuan.
Quem mandou querer roubar?
Mas o pequeno mestre Bai era extremamente persistente.
Com um verdadeiro espírito de bandido, arrancou a mamadeira das mãos de Mi Yang e colocou-a diretamente na própria boca.
Glub.
Glub.
Tomou duas grandes goladas.
Quando finalmente conseguiram recuperar a mamadeira, boa parte do leite já havia desaparecido.
Mi Yang olhou para o bico.
Bom...
Não era de admirar que o leite tivesse saído tão rápido.
O bico da mamadeira estava rasgado.
Cheng Qing arregalou os olhos.
— Nossa! O Luochuan já está com dentinhos!
Mi Yang, que ainda se escondia nos braços da mãe protegendo sua mamadeira, virou imediatamente a cabeça.
Bai Luochuan ria alegremente.
Na boca apareciam dois minúsculos dentinhos brancos, do tamanho de grãos de arroz.
Mi Yang sentiu outra pontada de inveja.
Apesar da diferença de idade entre eles ser de apenas dois meses, parecia que Bai Luochuan se desenvolvia muito mais rápido.
Ele lembrava que, no futuro, Bai Luochuan passaria facilmente de um metro e oitenta.
Já ele...
Ficara apenas com um metro e setenta e seis.
No norte do país, essa altura nem era considerada alta.
Mas ainda havia esperança.
Se comesse bastante, bebesse leite e tomasse muita sopa de ossos...
Talvez ainda conseguisse crescer mais uns dois centímetros.
Não precisava chegar a um metro e oitenta.
Um metro e setenta e oito já seria suficiente.
Enquanto pensava nisso, Bai Luochuan voltou a estender a mão para sua mamadeira.
Desta vez, nem pensar.
Mi Yang levou rapidamente o bico à boca e começou a beber em grandes goles.
Cheng Qing deu uma leve batidinha em sua testa.
— Seu pão-duro! Deixar o irmão beber um pouquinho faria o quê?
Ao lado, Bai Luochuan esperava pacientemente.
Parecia acreditar que, quando Mi Yang terminasse, ainda sobraria um pouco para ele.
Segurava um pedaço de maçã enquanto mordiscava distraidamente, mas seus grandes olhos não desgrudavam da mamadeira.
Mi Yang virou o rosto para o outro lado enquanto bebia.
Nem sonhando.
Vendo os dois, Cheng Qing caiu na risada.
Acabou preparando outra mamadeira para Bai Luochuan.
Os dois bebês ficaram lado a lado, cada um segurando sua própria mamadeira e bebendo avidamente, como se estivessem competindo.
Xiao Zhao comentou, divertido:
— Criar duas crianças juntas parece até mais fácil.
Depois de comer, o sono voltou rapidamente.
Bai Luochuan resistia um pouco mais que Mi Yang, mas continuava sendo apenas um bebê.
Depois de beber quase uma mamadeira inteira, começou a esfregar os olhos.
Cheng Qing trouxe um cobertor novo, macio e leve, feito com algodão recém-colocado.
Acomodou cuidadosamente os dois bebês para a soneca da tarde.
Mi Yang bocejou.
Esfregou o rostinho com a mãozinha.
E logo adormeceu.
Ao lado dele, Bai Luochuan tinha um jeito bem menos comportado de dormir.
Virou-se sozinho de bruços, esfregou a bochecha branquinha no cobertor macio, como se estivesse reconhecendo aquele cheiro familiar, piscou algumas vezes...
E, por fim, também caiu no sono.
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