Regra número dezoito para os calouros: "Não façam os veteranos se preocuparem."
— Kongpob e Em, a cor de vocês é laranja. Peguem suas fichas e entrem no ônibus número três.
Kongpob e seu melhor amigo, Em, aguardavam Fang no pátio da Faculdade de Engenharia, onde os calouros haviam sido orientados a se reunir às seis da manhã para receber suas fichas de identificação.
No entanto, embora o horário oficial fosse quando o dia começava a clarear, eles chegaram enquanto o céu ainda estava completamente escuro. Desde as cinco da manhã, os estudantes do primeiro ano já ocupavam o gramado da faculdade, pois os veteranos haviam ameaçado deixar para trás quem chegasse atrasado.
No fim das contas, porém, os próprios veteranos não cumpriram o horário.
Assim, os calouros permaneceram sozinhos até as seis, animados com a perspectiva de passar dois dias e uma noite na praia, na província de Rayong.
Alguns estavam ainda mais felizes por não precisarem gastar nada, já que os veteranos haviam prometido arcar com todas as despesas da viagem. Por isso, tudo o que precisavam levar era uma mala com duas ou três trocas de roupa... e muita empolgação.
Mesmo assim, muitos não conseguiam deixar de desconfiar da generosidade dos veteranos.
Afinal, nada vinha de graça.
Aquela viagem à praia parecia qualquer coisa, menos um simples passeio. Havia algo nela que deixava claro que existia um objetivo oculto.
— P'Fang... você sabe se a próxima prova dos veteranos vai ser muito difícil? — perguntou Em, apreensivo.
Na verdade, o verdadeiro propósito daquela viagem era avaliar a organização e o trabalho em equipe dos calouros em um ambiente mais descontraído, sem que eles soubessem exatamente o que estava por vir.
Era natural que todos estivessem tensos. Desde o início das atividades de integração, a única preocupação dos novatos era imaginar qual seria a próxima provação imposta pelos veteranos — e se, desta vez, ao menos teriam a chance de aproveitar a praia.
Kongpob compartilhava da mesma suspeita.
Foi então que a voz alegre de Fang ecoou ao lado da porta do ônibus.
— Calouros, aproveitem bastante a viagem! E não, não haverá nenhuma prova difícil desta vez! Isso é só uma desculpa que os veteranos arrumaram para poder ir à praia também. Relaxem! Vamos todos nos divertir!
Depois de ouvir aquelas palavras, Kongpob e Em trocaram um olhar.
Ao redor deles, os murmúrios dos colegas aumentaram, indicando que muitos haviam decidido acreditar no que Fang dizia.
A atmosfera daquela manhã tornou-se leve, parecendo mais uma excursão entre amigos do que uma atividade da faculdade.
Na tela de LED na frente do ônibus surgiu o destino da viagem, iluminado em letras vermelhas:
Rayong.
Ainda assim, a sensação de que havia algum truque escondido continuava rondando os pensamentos de Kongpob.
A direção da faculdade autorizara a participação de todos os calouros, já que o passeio era considerado um dos maiores eventos da Engenharia.
Representantes de todos os cursos, diversos veteranos e professores responsáveis pela supervisão dos alunos seguiram juntos rumo ao litoral.
Ao todo, eram cerca de trezentas pessoas distribuídas em cinco ônibus.
Alguns integrantes da equipe de integração embarcaram junto dos calouros para participar das atividades. Além disso, dois carros extras, conduzidos por professores, acompanhavam a comitiva para atender qualquer emergência que exigisse o deslocamento até um hospital.
Os calouros foram divididos em grupos identificados por cores. Cada um recebeu uma ficha presa ao peito contendo seu nome e a cor correspondente ao grupo.
A primeira parada, porém, não foi a praia.
Os ônibus estacionaram em uma reserva natural, onde um especialista apresentou uma palestra sobre as plantas medicinais cultivadas na região.
Depois, todos receberam um tempo livre para observar as aves e apreciar a natureza ao redor.
A maioria dos calouros aproveitou para tirar inúmeras fotografias — tanto da paisagem quanto dos amigos — que certamente acabariam publicadas nas redes sociais.
Foi então que a voz de uma garota chamou a atenção de Kongpob.
— P'Arthit! Podemos tirar uma foto com você?
— Claro. Vou adorar.
Arthit abriu um sorriso caloroso enquanto um grupo de garotas o cercava para registrar a lembrança.
Kongpob não entendia exatamente por que tantos calouros faziam questão de fotografar os veteranos.
Talvez fosse para guardar uma recordação dos dias de integração.
Ou talvez porque, pela primeira vez, eles haviam abandonado as tradicionais camisetas pretas e vestiam roupas coloridas, típicas de um passeio à praia.
Quase todos usavam bermudas, chinelos, chapéus de palha e óculos escuros, transmitindo uma imagem completamente diferente daquela postura séria que mantinham durante as atividades de recepção.
Os integrantes da equipe de integração, sempre conhecidos por seus rostos impassíveis e expressões frias, agora pareciam pessoas totalmente diferentes.
Essa mudança despertava ainda mais curiosidade nos calouros, que os seguiam por toda parte como se fossem verdadeiras celebridades.
Naturalmente, os veteranos que não faziam parte da equipe de integração logo começaram a reclamar da situação.
E os próprios calouros também não perderam a oportunidade de comentar.
— Olha só as meninas! Até agora há pouco estavam morrendo de medo dos veteranos, e agora não desgrudam deles.
— Tanto faz. Quando chegarmos à praia vou tirar a camiseta. Aí elas vão ficar impressionadas com meus músculos.
— Músculos? Você quis dizer a sua barriga? A única coisa que salta dessa camiseta é essa pança enorme. Se tirar a roupa, vai espantar todas elas!
— E você, Kongpob? Aposto que elas iam querer ver você sem camisa.
Sentado em silêncio entre os colegas do grupo laranja, Kongpob observava os veteranos posando para fotos quando ouviu seu nome.
Ele apenas inclinou a cabeça.
— Não sei... Eu não gosto muito de entrar no mar.
Deu de ombros.
Era a pura verdade.
Para muita gente, ir à praia era sinônimo de mergulhar no mar.
Para Kongpob, eram coisas completamente diferentes.
Ele não entrava na água desde o ensino fundamental.
Ainda se lembrava da sensação pegajosa que o sal deixava na pele e do gosto salgado que parecia permanecer em sua boca por horas.
Por isso, quando chegassem à praia, sua intenção era apenas sentar perto da areia, apreciar a brisa do mar e contemplar a paisagem.
— Pensa melhor, Kongpob! Já estamos quase chegando! Viemos justamente para isso! Você precisa entrar no mar!
— E também precisamos roubar a atenção das garotas dos veteranos!
Os colegas do grupo laranja continuaram insistindo, sem que Kongpob compreendesse tanta determinação.
Mal sabiam eles que a razão era bastante simples.
Kongpob era o atual Lua da Universidade, e todos acreditavam que sua presença ajudaria a atrair a atenção das garotas para os calouros.
Afinal, no curso de Engenharia Industrial havia poucas alunas, e os veteranos já monopolizavam toda a atenção feminina.
— Imagina só as meninas na praia... Devem ficar lindas!
— Kongpob, você não pode deixar os veteranos roubarem toda a cena! Imagina: você cercado pelas garotas, nós do seu lado... e os veteranos olhando tudo, morrendo de inveja!
Os rapazes caíram na gargalhada diante da empolgação exagerada do colega e de sua imaginação fértil enquanto tentava convencer Kongpob a entrar na água.
Antes que ele pudesse responder, uma voz familiar surgiu atrás deles.
— Então vocês mal podem esperar para mergulhar no mar... estou certo?
Os rapazes ficaram paralisados quando se viraram e deram de cara com a expressão severa do homem atrás deles.
A camisa azul-viva que ele vestia contrastava intensamente com a escuridão estampada em seu semblante.
Era Arthit.
O líder da integração estava visivelmente furioso.
Kongpob não fazia ideia de havia quanto tempo ele estava ali, mas era evidente que ouvira comentários suficientes para entender do que estavam falando.
Arthit cruzou os braços e abriu um sorriso carregado de hostilidade.
— E não se preocupem... Eu mesmo vou organizar tudo exatamente do jeito que vocês querem.
O tom falsamente cordial fez todos empalidecerem.
Naquele momento, todos esperavam ouvir um castigo imediato, resignados a receber uma sentença dolorosa do líder da integração.
Mas isso não aconteceu.
Ao menos, não ali.
Depois de deixar aquela ameaça velada no ar, Arthit simplesmente virou as costas e voltou para junto de seu grupo, como se tivesse entregado o destino deles às mãos do acaso.
— A culpa é sua! Tudo isso aconteceu porque você não consegue ficar de boca fechada! — reclamou Em, apontando para o colega que insistia tanto em nadar no mar.
Kongpob soltou um suspiro de rendição.
Já imaginava que acabaria sendo obrigado a entrar no mar — justamente a última coisa que queria fazer.
Com certeza Arthit inventaria alguma atividade envolvendo nadar, exatamente como havia prometido. E, conhecendo-o, aquilo dificilmente seria agradável.
O que mais o incomodava era a estranha irritação que sentia.
Uma raiva que nem ele próprio conseguia explicar.
Balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos, Kongpob voltou para o ônibus, que logo partiu rumo ao próximo destino.
Depois de longas horas de viagem, o sol do início da tarde já castigava quem estava sentado ao lado das janelas.
Por fim, o ônibus estacionou diante de um tranquilo complexo à beira-mar.
O ar carregava o agradável aroma de sal e areia.
Ao descer do veículo com sua mala, Kongpob observou o lugar com curiosidade.
O complexo era formado por pequenos bangalôs distribuídos entre muitas árvores. Além dos alojamentos, havia um campo para atividades e um auditório.
As palmeiras projetavam sombras refrescantes, enquanto o som suave das ondas completava a atmosfera tranquila.
Assim que todos desembarcaram, os calouros foram reunidos no auditório para receber instruções sobre as regras que deveriam seguir durante toda a estadia.
Afinal, estar fora da universidade não significava que pudessem fazer o que bem entendessem.
Além das normas, os veteranos e os professores permaneceriam por perto durante todo o tempo, supervisionando as atividades para garantir que tudo transcorresse sem problemas.
Terminadas as orientações — que mais pareciam advertências —, os estudantes foram divididos em grupos de vinte pessoas para compartilhar cada bangalô.
As chaves ficaram sob responsabilidade dos representantes de cada grupo, e, em pequenos grupos de amigos, todos seguiram para os alojamentos correspondentes.
Depois de descansarem um pouco e recuperarem as energias, os calouros foram novamente chamados.
Dessa vez, seriam reorganizados em oito equipes, identificadas por cores, para participar de diversas provas preparadas pelos veteranos.
Para surpresa de todos, as atividades eram bastante simples.
Na verdade, eram brincadeiras conhecidas desde a infância.
Havia desafios de identificar objetos misteriosos com os olhos vendados, arremesso de bexigas cheias de tinta, corrida em um pé só e diversas outras atividades típicas de gincanas escolares.
Ninguém recebia punições cruéis ao perder.
Assim como Fang havia prometido.
O que realmente deixou os calouros intrigados foi o que aconteceu depois.
Encerradas as provas, os veteranos simplesmente se acomodaram à sombra das palmeiras próximas ao mar.
O grupo de Arthit, responsável pela integração, instalou-se confortavelmente ali.
Ao contrário do habitual, Arthit parecia estar de excelente humor.
Knot pegou o violão, enquanto Arthit começou a cantar.
Então, sob o olhar curioso de todos, ele se levantou e fez um gesto chamando alguém.
Seu convite tinha um alvo bastante específico.
As garotas.
— Senhoritas, venham se sentar aqui na sombra! Vamos tocar algumas músicas para vocês!
Arthit aproximou-se gentilmente de um grupo de alunas, deixando ainda mais evidente que o convite não incluía os rapazes.
Mesmo assim, vários calouros aproveitaram a sombra para descansar um pouco, aliviados por finalmente escapar do sol forte.
Depois de observar todos acomodados na areia, Arthit voltou sua atenção justamente para o grupo de calouros com quem havia conversado naquela manhã.
— E vocês? O que estão fazendo aqui? Não estavam loucos para entrar no mar?
Ele sorriu.
— Pois bem. Eu não vou impedir. Levantem-se. Vão nadar. Deixem as camisetas na areia.
Como líder da integração, sua palavra tinha força de ordem.
Seu tom não era ameaçador.
Mas seus olhos denunciavam perfeitamente que aquilo era vingança.
Assim que terminou de falar, Arthit voltou tranquilamente para seu lugar entre os veteranos.
Sentou-se ao lado das garotas e retomou a música como se nada tivesse acontecido.
Só então os calouros perceberam que haviam caído em uma armadilha.
Ninguém prestava atenção neles.
— Claro... Ele só tirou a gente daqui para monopolizar a atenção das garotas junto com o grupo dele. Aquele idiota não consegue passar um minuto sem mostrar que manda na gente só porque é veterano.
Kongpob ouviu o comentário do colega.
Seu olhar voltou para Arthit.
Ele sorria enquanto cantava.
As garotas batiam palmas ao redor dele.
E, sem perceber, a irritação dentro de Kongpob aumentava cada vez mais.
Depois de tentar ignorar aquilo por algum tempo, ele não conseguiu mais suportar.
Sem pensar nas consequências, caminhou decidido em direção ao grupo.
— Sou o 0062! Peço permissão para falar!
A voz firme do calouro ecoou pela praia.
Todos se viraram imediatamente.
Arthit interrompeu a música e desviou a atenção das garotas para Kongpob.
Ele não ficou surpreso ao ver o já conhecido "porta-voz dos calouros" tomando a frente mais uma vez.
O que chamou sua atenção foi outra coisa.
Kongpob estava genuinamente furioso.
Parecia prestes a perder a paciência.
Arthit soltou um suspiro impaciente e lançou-lhe um olhar frio.
— O que você quer?
— Acho injusto ficarmos debaixo desse sol enquanto vocês estão aqui, confortavelmente, na sombra, cantando.
Ao ouvir aquela reclamação, Arthit arqueou as sobrancelhas.
0062 já havia contestado suas ordens outras vezes, mas nunca com tanta raiva.
Naturalmente, Arthit também elevou o tom de voz, assumindo a postura rígida das reuniões de integração enquanto caminhava até ficar diante dele.
— Se você não consegue suportar algo tão simples, como pretende trabalhar no futuro? Nem todo emprego é em um escritório com ar-condicionado, 0062.
Kongpob não recuou.
— Eu consigo fazer qualquer coisa! Sei que algumas das atividades que você propõe são úteis, e concordo com isso. Mas esta não serve para nada. Você só está sendo injusto conosco.
As palavras atingiram Arthit em cheio.
Sua expressão endureceu.
Algo dentro dele pareceu despertar.
Um impulso irracional de responder na mesma intensidade.
— Entendo... Então você consegue fazer qualquer coisa?
Seu sorriso desapareceu.
— Nesse caso, vá sozinho para o mar e esfrie essa cabeça até perder toda essa arrogância. Essa lição serve para você?
A ordem foi dada com tanta firmeza que toda a praia mergulhou em silêncio.
Os olhares alternavam entre Arthit e Kongpob.
O calouro permaneceu imóvel por alguns segundos.
Então, sem dizer mais nada, virou-se e caminhou em direção ao mar.
Entrou na água.
Continuou andando.
Até mergulhar completamente.
Seu corpo parecia pesado.
Seu coração também.
Kongpob não entendia por que resolvera confrontar Arthit.
Na verdade, Arthit nem sequer estava fazendo algo diretamente contra ele.
A irritação havia crescido pouco a pouco, alimentada pelos comentários dos colegas.
Sem perceber, acabou tomando para si a inveja que eles sentiam.
Era injusto.
Sim.
Mas, ao vê-lo sorrindo e cantando alegremente, Kongpob simplesmente perdeu o controle.
E, antes que pudesse pensar melhor, já estava diante dele, despejando toda a frustração que carregava.
E, como era de se esperar, o resultado não foi nada bom.
Kongpob conseguiu apenas irritar Arthit e acabar recebendo um castigo.
Pensando melhor, aquela viagem teria sido a oportunidade perfeita para conversar com o líder da integração de maneira amigável, já que Arthit parecia especialmente receptivo com todos ao seu redor.
Mas a culpa por desperdiçar essa oportunidade era exclusivamente sua.
Arthit ficou muito bravo?
Kongpob passou a mão pelo rosto, lembrando-se do ódio que vira estampado no olhar dele.
Talvez realmente precisasse esfriar a cabeça, exatamente como Arthit havia dito.
Fechou os olhos e mergulhou na água fria do mar, tentando afogar junto dela toda a confusão que sentia.
Ele sabia nadar muito bem, por isso não teve dificuldade em permanecer submerso.
Ficou tanto tempo debaixo d'água que começou a sentir a falta de ar.
Quando finalmente se preparava para voltar à superfície, sentiu uma força inesperada puxá-lo para trás.
No instante seguinte, um grito ecoou bem perto de seus ouvidos.
— Kongpob! Respira! Por favor... abre os olhos!
A primeira coisa que Kongpob viu ao abrir os olhos foi o rosto completamente apavorado de Arthit.
Por alguns instantes, ele não entendeu o que estava acontecendo.
Abriu a boca para perguntar, mas logo se lembrou.
Sentiu o próprio corpo sendo arrastado para fora do mar.
Durante o resgate, acabara engolindo bastante água.
Assim, quando tentou falar, apenas tossiu violentamente e cuspiu a água salgada.
Ao ver aquilo, a expressão de Arthit finalmente perdeu um pouco do desespero.
Só então Kongpob percebeu que estava sendo cuidadosamente amparado nos braços dele.
— Graças a Deus você está bem, Kongpob! Não se preocupe, já chamamos as enfermeiras. Elas devem chegar a qualquer momento. Me diga... você teve uma cãibra? Foi picado por uma água-viva?
Ainda transtornado, Arthit começou a gritar para os colegas, exigindo que corressem para buscar a equipe médica.
Em meio àquela confusão, a voz de Kongpob saiu baixa e tranquila.
— Não precisa, P'Arthit... Eu estou bem.
O calouro tentou se levantar, mas permaneceu próximo, ainda apoiado por Arthit.
— Como assim está bem? Você estava se afogando!
— Eu só estava nadando.
— Então por que ficou tanto tempo debaixo d'água?
Kongpob respondeu com toda a sinceridade:
— Porque você disse que eu precisava esfriar a cabeça. Eu só estava obedecendo à sua ordem.
Suas palavras congelaram todos os presentes.
Alguns ficaram boquiabertos.
Outros, completamente horrorizados.
Arthit olhou ao redor.
Depois voltou os olhos para o rapaz que ainda segurava.
O pânico estampado em seu rosto deu lugar à culpa.
Então era isso que Kongpob queria dizer?
Que a culpa por ele quase ter se afogado era sua?
Só porque havia mandado o calouro entrar no mar para "esfriar a cabeça"?
Aquilo era um absurdo.
Quem imaginaria que alguém levaria aquela ordem ao pé da letra?
Aquele idiota era completamente maluco.
A ansiedade tomou conta de Arthit.
Seu corpo tremia.
As mãos fecharam-se em punhos.
— Você é um completo idiota? Se eu mandar você morrer, também vai obedecer? Usa essa cabeça!
Sua voz carregava inúmeras emoções ao mesmo tempo.
Raiva.
Medo.
Alívio.
Culpa.
Ele começou a falar cada vez mais depressa, quase resmungando consigo mesmo, até ser interrompido pela chegada de uma enfermeira acompanhada de Fang.
— O que aconteceu aqui?
— Não foi nada! Calouros, saiam daqui! As atividades de hoje estão encerradas!
A ordem foi imediata.
Os estudantes começaram a deixar a praia em pequenos grupos.
Logo depois, os veteranos também se dispersaram.
Em aproximou-se rapidamente de Kongpob para ajudá-lo a ficar de pé.
— O que aconteceu? Você está bem?
— Estou. Está tudo bem.
Em soltou um longo suspiro de alívio.
— Você faz ideia do quanto eu fiquei preocupado? Achei que estivesse se afogando. Eu falei para os outros que você estava tempo demais dentro da água... e o Arthit foi o primeiro a correr para te salvar.
Ao ouvir aquilo, Kongpob finalmente compreendeu toda a situação.
As imagens passaram novamente por sua mente.
O rosto desesperado de Arthit.
Sua voz trêmula.
O modo como o segurava com cuidado.
Naquele instante, Kongpob percebeu uma verdade da qual antes não tinha se dado conta.
Arthit realmente havia ficado preocupado com ele.
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