Se Phai não tivesse esbarrado com aquele incidente estranho, a alma de Kan estaria em algum lugar qualquer. No templo, ele não conseguia pensar em mais nada além de subir e descer, e só via o celular sobre a mesa enquanto comia sozinho com dois colegas do escritório ao lado. No local de trabalho do irmão mais velho. Soube que o irmão não estava na Tailândia. Aquilo pesava na cabeça dele, mas era só um pequeno problema. Um problema com bens, seja apartamento ou carro. Ele repassou mentalmente, franzindo a testa, o temperamento de Kan... Phai nunca pensou em ficar jogando no trabalho por anos. E também nunca soube que aquele homem já tinha brigado e se separado de pessoas de outras pessoas, de outros departamentos. E se fosse para fazer algo errado, ele provavelmente faria. Mas se fosse para fazer algo que realmente precisasse, que fosse útil, então sim.
Phai suspirou e se afundou no pensamento, mais fundo ainda. Era hora de saber que já passava do meio-dia. Depois de lavar o rosto no banheiro que ficava dentro do escritório, ele saiu para procurar algo para comer... junto com Kan.
"Kan, tem fome ou não? Vamos, tem comida ali no balcão. Ei, Athit, venha com a gente", disse Phut, chamando os dois. Ele conhecia os colegas de Kan e já estava acostumado. "Vocês sabem que o Phut só chama quando quer algo, né? Primeiro tem que ouvir o que ele quer antes de comer", Phai resmungou baixo, mas foi. Primeiro ouviu o que Phut tinha a dizer. Depois foi comer. Enquanto comiam, Phut contou a história que tinha acontecido entre ele e um colega, e que precisava da opinião de Phai, porque era um assunto complicado e ele não sabia o que fazer.
"Tudo já passou. Agora só preciso saber se ainda dá para resolver", Phut disse.
"Se não tem mais jeito, então deixa pra lá. Sobre o que é, eu nem fiquei sabendo", Phai respondeu, tentando encontrar uma solução na cabeça.
"E se eu pagar uma indenização?", Athit perguntou depois de ouvir a história toda.
"Vai pagar quanto?", Phai perguntou, a boca cheia.
"Uns 120, 100 mil. Dá para abrir um processo, não dá?", Phut perguntou de volta para Phai, franzindo a testa como se estivesse tentando lembrar de algo.
"Tem escritório de advocacia, tem advogado, tem até empresa de cobrança. Tem tudo que você imaginar", Phut respondeu calmamente. "Mas processar é chato e demora", ele pensou junto com Phai. Para ele, isso era a única habilidade que ele tinha, igual ao Phai.
"Mas... e se for em uma loja grande? E se devolverem?", Phai perguntou, sem pensar muito.
"Ai, só por isso", Phai resmungou, irritado.
"Tem, sim. Tem funcionário na loja, tem câmera de segurança e outras coisas. No caso de roubo, todo mundo tem direito de cobrar de volta", Phut explicou com calma.
"Nossa, é muita burocracia", Phai torceu o nariz, sem muita vontade de se meter.
"Se não quiser ir pessoalmente, depois a gente te ajuda a escolher", Athit disse, dando um tapinha no ombro do amigo para animá-lo.
"Ai, não tem tanta coisa assim para escolher, né?", Phai respondeu, forçando um sorriso. Mas no fundo estava sem ânimo nenhum.
"Ufa, que alívio não ter esse tipo de problema", Phut suspirou, aliviado.
"Nossa, melhor a gente ir logo e comer", Phai disse, com pressa.
"Terminou de comer, então vamos", Phut disse, rindo até quase chorar.
"Sério, força aí, hein", disse o amigo mais novo.
"Força o quê. Eu só falei o que o Phut pediu", Phai respondeu, mas por dentro achava que o Phut era chato. Se não fosse pelo Phai, ele nem teria vindo falar sobre isso. Mas mesmo assim sentia que tinha um pouco de responsabilidade.
"Kan é gente boa, não briga com ninguém. É branco, limpo, fofo. Deus, que rosto bonito. Que boca fofa. Pena que não tem namorado ainda", Phut elogiou Phai na frente de todo mundo, e o rosto de Phai ficou vermelho, sem jeito.
"Ai, para, para. Não enche", Kan puxou Phut junto com ele, rindo.
"Athit, você é muito chato. Para com isso", Phai olhou para Athit como se ele fosse o mais chato do mundo, mas no fundo estava rindo.
"Se tiver que ir ao cartório e fazer os papéis, eu vou junto com você", Athit disse com uma expressão séria. Resumindo: sem briga, sem brigar, sem nada.
"Ei, a gente vai mesmo junto, né?", Phai perguntou baixinho, só para os amigos ouvirem. Parecia que todo mundo já sabia o que ele estava pensando.
"Deixa que eu resolvo isso depois. Por enquanto só come. Né, né", Phut respondeu com um sorriso largo, fazendo cara de bobo. Nem parecia o Phut sério de antes.
"Ah, ah, ah, tá bom. Vou comer então. Minha cara está precisando disso... que droga", Phai disse e foi pegar mais comida para Phai.
"O que foi? Por que está fazendo isso?" Phut perguntou, rindo ainda mais. De verdade, ele estava rindo de Phai, porque sabia que ele era assim.
"Não volta mais, hein. Tem gente esperando por você", Phut disse e se levantou do lugar. Depois disso, todos foram conversar no canto.
"Nós dois vamos, né? Você com a coisa que disse que ia cuidar, não pode deixar para depois. Toma cuidado e conversa direito. Hoje só viemos mesmo porque estávamos preocupados com você", Athit disse e olhou para Phai mais uma vez antes de sair.
Phai apagou a luz do escritório. Depois se virou, pegou a mochila e foi para o quarto. Depois de terminar, foi direto para o carro e dirigiu até a casa de Phut.
"Boa noite, pai", Phai disse, abriu a porta e deixou a mochila e a jaqueta na sala como sempre.
No dia seguinte.
A expressão de Phut não parecia muito boa. Ele acordou de manhã e não foi trabalhar. Ficou olhando para a parede. Depois foi tomar banho e fazer o café da manhã sozinho. Não precisava pedir comida de fora.
Enquanto Phai comia devagar, pensava em mil coisas. Mas naquela hora só queria que o dia acabasse logo para não ter que resolver o problema do amigo. Até que ouviu o celular tocar e atendeu sem muita vontade.
"Oi... oi" a voz saiu baixa, como se estivesse sem ânimo. Phai entrou no banheiro para se trocar e tomar banho.
"Ding dong, ding dong, tuc, tuc, tuc" Phai chamou, mas de dentro do quarto só se ouvia o som do celular.
"Oi, oi, oi, oi, oi" Phai gritou e fez cara feia. Parecia que já estava irritado. Depois começou a vestir a roupa devagar, porque sabia que ia se atrasar.
"O que foi? O que houve?" Phai perguntou e olhou para o relógio.
"Não é nada. Só queria saber se você já saiu", Phut respondeu do outro lado da linha.
"Estou saindo agora", Phai respondeu, pegando as chaves.
"Melhor assim", não houve resposta de Phai, só o som do portão se fechando.
"Já estou saindo. Espera um pouco que eu vou comer alguma coisa", Phai disse e saiu do banheiro. Foi até a cozinha, pegou o pão e o leite e saiu correndo.
"Tudo bem, xxx baht e sem troco. Obrigado, viu?" Phai pagou e pegou a comida. Depois voltou para o carro. Phai estava com fome, então comeu no carro enquanto dirigia. Phut comeu um pouco e fez cara de enjoado. E ficou quieto, só para voltar para casa e dormir mais um pouco. O carro dele estava na oficina para manutenção.
"Hum" Phai fez um som enquanto comia e pensou que aquele menino devia ter o mesmo problema que ele. Depois começou a comer e pensou no jovem que tinha falado com ele mais cedo sobre o trabalho que teria que fazer amanhã. "É complicado", Phai pensou e continuou comendo.
Capítulo
Agora Phai já tinha se acostumado com a rotina e as coisas para fazer. Mas a preocupação que surgiu deixou o tempo estranho. Antes ele dormia cedo, mas agora não. Ele não queria que as coisas que aconteceram com ele se repetissem. E também não queria deixar Phai sozinho. Por isso, depois de comer, foi direto para a loja babybaby kids para comprar coisas para o filho na hora.
"Boa tarde, senhor. Quer dar uma olhada antes de decidir?" a atendente perguntou com um sorriso e voz clara.
"Ah, eu queria comprar roupa para criança, mas ainda não sei o quê", Phai respondeu, olhando para cima e para baixo antes de pegar uma roupa para o filho.
"Ah, sobre isso, temos esse modelo aqui. Hoje temos uma promoção com desconto no conjunto todo. Também tem roupa de banho. Pode lavar na máquina. Pode secar na secadora também", a atendente explicou enquanto mostrava para Phai olhar. Ele olhou uma por uma e no final decidiu levar essa.
"Vou levar essa", Phai disse, apontando para o que estava olhando.
"Perfeito", a funcionária pegou e foi embrulhar na frente dele. Phai ficou parado olhando para os brinquedos. Caminhou para ver os carrinhos. Pegou um azul e colocou no carrinho e depois foi até o caixa para pagar tudo junto.
"Deixa eu pagar com cartão. Me dá a máquina", Phai disse para a atendente. Depois que ela passou o cartão, Phai pegou a sacola e saiu com tudo.
Phai colocou tudo no banco de trás do carro e foi embora. Enquanto dirigia, pensou em ligar para casa.
"Ei... ei... ei"
"Oi, não é nada. Só queria saber se você já chegou em casa", Phai disse depois de sair da loja e ligar para casa.
"Oi..." Phai atendeu do outro lado, com voz fraca. Parecia que estava doente.
"Não é nada. Só estou indo para casa. Quer que eu passe em algum lugar?", Phai disse enquanto dirigia e olhava para a água no meio da rua. Pensou se devia parar ali mesmo. Mas depois decidiu ir direto para casa porque não queria deixar Phai sozinho.
"Pai..."
"Estou indo, filho", Phai respondeu. Saiu e foi direto, pegou o filho no colo e entrou com ele.
Phai ficou olhando para a hora. Já estava na hora de ir para casa depois do trabalho. No caminho para casa viu lojas, escola e outras coisas que estavam passando. Phai dirigia devagar e olhava pelos cantos. Depois voltou para casa para organizar as coisas e preparar o jantar para o filho.
"Pai, pai, pai" Phut chamou do quarto. Saiu correndo com o som dos pés descalços e abraçou a perna de Phai antes de ele conseguir dizer qualquer coisa. Depois Phai foi até a cozinha fazer comida para o filho que tinha voltado da escola. Depois foi lavar a roupa e o uniforme que estavam no cesto.
"Boa tarde, senhor. Gostaria de consultar sobre os detalhes do uniforme da escola xxx"
"Claro. Eu mesmo posso ver os detalhes para você. A escola fica com o xxx e a escola está na rua tal. Tem um rio grande perto. Se você sair do conjunto, vire à direita e siga em frente", Phai ouviu e pensou que parecia com a escola que ele conhecia, mas não tinha certeza se era a mesma. Parecia que era a escola do filho. Mas não tinha certeza.
"Posso ir ver o uniforme com você?"
"Claro. Mas hoje o responsável não vai. Pode vir amanhã que está tudo certo."
"Tá bom" o funcionário respondeu e desligou.
"Claro. Que horas você quer que eu vá buscar na empresa? E às 13h00 pode ser?" Phai perguntou. Se fosse na empresa, ficaria perto do lugar que ele precisava ir. Se sobrasse dinheiro, poderia pagar para alguém ir buscar. Mas... ele não tinha dinheiro para isso. No momento, só tinha dinheiro na conta para o mês.
"Claro. Depois me avisa o que você precisa que eu leve", ele perguntou mais.
"Ok, obrigado" Phai disse e desligou. Depois voltou a arrumar as coisas para o dia seguinte. Não estava com vontade de sair porque Athit ainda não tinha chegado. Por isso decidiu preparar os documentos e as coisas que precisava para o dia seguinte. Deixou tudo pronto. Bocejou e foi se deitar. No meio da noite acordou com dor nas costas. Se virou e continuou dormindo. Quando já estava amanhecendo, acordou de novo.
"Ai..." Phai fez um som e se espreguiçou assim que acordou. Phai se sentou na cama por um tempo e foi tomar banho sozinho.
"De quem é essa bagunça? Está bonita?" Phai perguntou enquanto arrumava a cama que tinha deixado bagunçada.
"Oi..." a criança respondeu, mas foi para a cozinha e Phai ainda não tinha conseguido se arrumar.
"Não vai demorar, né? Pode comer primeiro" o rapaz disse de novo. Depois Phai tomou banho, se trocou e sentou para esperar na sala de trabalho. Ele ainda não tinha saído, só estava arrumando as coisas. Depois sentiu que estava ficando tarde e começou a se apressar. Até que decidiu pegar a mão do filho porque precisava sair.
"Ai" Phai disse para Phai. Hoje ele não sentiu dor porque já estava acostumado a ser o pai. Mas carregar o filho no colo e ainda carregar a bolsa fez com que Phai sentisse dor.
"Oi... oi" Phai disse e chamou o filho que estava no colo.
"Pai não vai trabalhar hoje. Pai está doente. Ai" Phai falou com o filho, pegou o celular e ligou para Athit.
[toc toc, Phai atendeu]
"Leva para o hospital xxx"
"Tem alguma coisa? A voz dele está rouca", quando ele disse que era para o hospital.
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