7 de ago. de 2026

21 Days Teory - Capítulo 03

Capítulo 03 :: Challenge

Há quantos dias ele não dormia direito por sua causa?
Ele pensou em se obrigar a ir para casa e comer algo, enquanto considerava o que estava acontecendo agora. Ele não podia voltar para casa com a família e depois deitar sozinho com aquele peso no peito. Mas não podia...
Algo que ele nunca tinha sentido antes.
Algo que ele nunca pensou que fosse possível.

Ele não sabia o que fazer para que aquela imagem saísse da cabeça dele. Seria melhor começar a se afastar, ou talvez arrumar outra pessoa para distrair o coração. Ou arrastar outra pessoa para a cama e depois fingir que não aconteceu nada, rir junto e dizer que estava tudo bem.
Sim. Ele até pensou em fazer isso de verdade.

"Alex, vamos comer algo. Não fica aí parado" a voz de Alex o chamou. Alex se virou e disse: "Ufa. Parece que tem um monte de comida na mesa, mas não vejo nada que me dê vontade de comer. Você não vai comer nada? Ou está sem apetite porque se preocupou demais com ele?"

"Estou bem, querido. Come aí" ele respondeu, mas o coração doía. "Você está bem?" Alex perguntou de novo, com preocupação no rosto.
"Não estou com fome mesmo" ele respondeu com um sorriso fraco.
"Se não comer, depois vai ficar fraco e não vai conseguir trabalhar" Alex disse, preocupado.
Rrrr--
O celular tocou na mesa. Todos se viraram para olhar. Era o chefe chamando para uma reunião e pedindo para ele ir até lá.
"A reunião foi adiada, volte para o escritório"
"Sim. Vou voltar assim que terminar de comer algo" ele respondeu e desligou.
"Tem alguma coisa errada?" Alex perguntou assim que ele desligou. Ele balançou a cabeça como se estivesse dizendo que estava tudo bem.
"Alex... Alex" a voz de alguém o chamou. "O que foi... o que... quem é?" todos olharam com preocupação para a pessoa que estava tentando falar com o cliente no telefone.
"É sobre a Kim. Ela... não atende o telefone. O chefe disse que ela não foi trabalhar hoje e o telefone dela está desligado"
"Alex... Alex. Venha aqui agora. Tem um problema com o gerente. Venha... venha logo... eu não estou... eu não estou bem..." a voz falhou antes que a ligação caísse.
"O que aconteceu para ela estar assim?" Alex perguntou.
"Não sei direito" ele respondeu e pegou o telefone de novo.
"Alô... Desculpe pelo incômodo, posso ajudar? Sim, temos várias sobremesas à sua escolha..." a pessoa do outro lado da linha falava profissionalmente, mas o coração dele não conseguia se acalmar. Ele não sabia por que estava tão preocupado.
Todos na mesa ficaram em silêncio e pararam de comer.
Todos sabiam ajudar. Sabiam trabalhar para os mais velhos. Sabiam se virar sozinhos. Mas agora todos estavam preocupados. Ele olhou para o pai e para o tio e viu que eles também estavam confusos. Ele não entendia o que estava acontecendo. Ele não era um homem que se abalava fácil, mas desta vez o coração apertou.
A comida ficou intocada na mesa.
Ele sentiu como se fosse o único que estava preocupado, mas não podia mostrar. Precisava fingir que estava tudo bem, mesmo que por dentro estivesse em pedaços. Precisava ser forte para todo mundo. E precisava que aquela pessoa estivesse bem.

"Aiya" ele suspirou e se levantou da mesa. Depois de comer um pouco, disse que precisava ir ao escritório. Ele se levantou e saiu sem nem terminar de comer. Correu até o carro com o motorista esperando.
"Não, não. Espera um pouco. Não vai a pé. Deixa eu te levar" a mãe disse.
"Não precisa, mãe. Obrigado. Eu resolvo sozinho" ele respondeu e saiu sem olhar para trás.
"Mãe! Preciso de você. Vou para o escritório. Depois te ajudo com o trabalho da fundação. Se precisar de alguma coisa me liga, tá?" a mãe disse.
"Pode deixar, eu ajudo. Tem trabalho pendente aí que precisa terminar em 2 ou 3 dias. Eu vou até lá e te ajudo um pouco" Alex explicou.
Ele acenou com a cabeça e entrou no carro. O caminho até o escritório foi em silêncio. Ele se sentia cansado e irritado. Talvez fosse por causa da falta de sono e da preocupação maior do que no dia anterior. Foi por isso que o mundo parecia mais pesado. Ele suspirou fundo.
"Essa garota está me deixando louco. Mas a empresa tem que funcionar do jeito certo. Não posso deixar que algo aconteça" ele disse para si mesmo, fechando os olhos.
"Certo... Alex, se prepara que ainda tem muita coisa"
"Hum. Vamos para o escritório. O motorista vai me levar" ele disse para Alex de dentro do carro, porque já estava tarde e a reunião ia começar.
"Ok. Depois me conta como foi a reunião" Alex disse antes de sair do carro.
"Volto depois?" ele perguntou, olhando para Alex com um sorriso fraco.
"Obrigado pela comida agora há pouco. Estava muito boa" ele disse com sinceridade. Ele realmente estava com fome, mas não conseguia comer nada.
"Não fala assim comigo. Come direito" a mãe disse.
"Não precisa, mãe. Já comi. Vou te ligar depois, tá?" ele disse e olhou para Alex. "Você vai também?"
"Se você for para o escritório eu vou. Vem comigo" a mãe disse e se levantou para ir junto com ele e deixar ele no escritório.
"Você vai passar a noite no escritório de novo?" a mãe perguntou enquanto arrumava.
"Não. Dessa vez não vou dormir no escritório. Tem trabalho para fazer" ele respondeu.
"Você também não é mais criança. É responsabilidade sua agora" a mãe disse.
"Eu sei que não é fácil para você. É a responsabilidade de cuidar da empresa. Mas também tem a escola e os outros. E os amigos que você deixou para trás" a mãe disse, olhando para ele com preocupação. Alex sorriu um pouco. Ele entendia. Era muita coisa para ele.
"Ah. Vou entrar. Cuida de você" Alex disse e entrou na casa sem nem dizer para onde ia porque era um segredo entre eles dois.
"Ei. Para onde você vai?" a mãe perguntou, seguindo-o.
"Não é nada, mãe. Assuntos de trabalho" ele respondeu e se virou. "Vou ver se está tudo bem e volto."
"Não precisa, mãe. Assuntos de trabalho" ele disse e se virou. "Onde você vai?"
"Vou... vou cuidar de umas coisas" ele respondeu com um sorriso. "Mãe? Você está em casa?"

Quem estava ligando? ele perguntou.
"Ah! É você?" a mãe respondeu, mas não disse com quem estava falando e foi até o escritório.
"Vou ficar em casa, querido. Descansa" a mãe disse e ele foi até o quarto.
Quando Alex chegou em casa viu que a mãe estava sentada na sala esperando por ele. Não disse nada. Apenas olhou e foi direto para o quarto. Ele sabia que não devia ir. Mas Alex não era de ficar parado sem fazer nada. Ele entrou e viu a mãe com o rosto preocupado, com o olhar perdido e as mãos trêmulas. Não sabia o que fazer. Só ficou olhando de longe, porque não tinha coragem de chegar perto.

E então... Alex correu até ela.
"Vai ficar aí parado? Vem aqui" ele disse sem olhar para Alex.
"Doeu?" ele perguntou sem coragem. Ele não sabia por que sentia aquela dor no peito. Tinha a sensação de que já tinha sentido isso antes. A mãe olhou para ele.
"Não. Não dói. Só estou cansada" ela disse sem olhar para Alex.
"Tem certeza? Você tem cara de quem está doente" Alex insistiu.
"Estou bem. Só preciso dormir"
"Hum. Então durma"
"... " Alex não disse mais nada e ficou olhando para ela.
"Vou sair agora"
O corpo de Alex tremia. Isso o fez se sentir mais fraco. Alex sabia que não podia fazer nada e só conseguiu olhar. Ele viu a mãe se virar e sair. A porta fechou com um clique. Ele ficou ali parado, sem saber o que fazer. O coração apertou e a cabeça doía. Isso não devia acontecer...
"Eu não devia ter falado aquilo com ela" ele pensou, arrependido.
"Se não fosse por mim, você não estaria passando por isso. A gente prometeu cuidar um do outro. Eu não vou deixar que nada aconteça com você" Alex disse.
"Você é teimosa demais. Igual a mim quando era jovem. Tem que aprender a pedir ajuda às vezes" ele disse, tentando acalmar a mãe. Mas ela não ouvia.
"Você sempre foi assim. Teimosa e orgulhosa. Não gosta de depender de ninguém, mas agora precisa" ele disse.
"Não sei o que fazer mais. Eu... eu não sei o que fazer com você" Alex disse com os olhos cheios d'água.
"Vai" a mãe disse.
"Não... eu não vou te deixar sozinha" Alex respondeu.
"Eu disse vai"
"Mas..."
"Saia" a mãe gritou de volta.
Alex ficou parado. Não sabia o que fazer. Ele sabia que a mãe não queria demonstrar fraqueza na frente dele. Mas ele também não conseguia ir embora e deixar ela assim. No fim, ele se virou e saiu, batendo a porta.
Rrrr--
O celular tocou de novo. Alex atendeu sem olhar. Era um número desconhecido. Ele atendeu pensando que era trabalho, mas era a voz de uma mulher.
"Olha só! E então, onde você foi? Agora está me evitando?" a voz disse com um tom de deboche. Alex ficou em silêncio. Ele não sabia se devia atender ou desligar o telefone.
E então Alex suspirou. Ao ouvir a voz da outra pessoa ele lembrou de algo que tinha esquecido. Ele não sabia por que estava sentindo aquilo, mas sabia que tinha que resolver.
"Hoje eu tenho uma reunião importante" Alex disse. Ele parecia mais cansado que de costume. Ele nunca tinha se sentido assim antes. Parecia que o peso do mundo estava sobre os ombros dele. Solene e vazio. Ele não queria fazer mais nada. Só queria olhar para frente.
E então Alex saiu de casa e foi rápido para o escritório.

Nos últimos dias ele não tinha dormido direito, mas parecia que hoje ia ser a noite mais longa para ele. Ele pensou em o que fazer e decidiu ir para a empresa resolver alguns assuntos pendentes. O trabalho que estava atrasado não podia esperar mais. Ele pegou o carro e foi para o escritório. No caminho ele pensou em ligar para a casa, mas desistiu. Talvez fosse melhor resolver tudo primeiro. As coisas da escola, ou a bagunça que a mãe tinha feito por causa dele. Porque era culpa dele ter causado tudo aquilo. O jeito bagunçado dele.

Alex chegou na escola. Era o último dia que ele ficaria ali no ensino médio. Ele entrou para procurar os amigos... todos já tinham ido embora. Ele voltou para a sala onde eles costumavam ficar. Ele ficou olhando para os amigos como sempre. Até que, depois da aula, ele foi para casa de novo.
E então as coisas começaram...
"Vai mesmo?" Hoy perguntou. Ele não entendia por que aquele sentimento no peito. Triste, estranho e um pouco com medo de que não pudesse ser.
"Em 21 dias?" Phat perguntou, sem acreditar. Ele ainda não conseguia acreditar.
Alex olhou para ele e já sabia o que o amigo ia dizer. O amigo tinha aquele jeito de quando estava com um plano na cabeça. Ele pensou e não tinha o que fazer. Não tinha como. Mas Alex já tinha decidido. Ele foi até o escritório do pai e contou o que tinha pensado. Ele não esperou a reação do pai. Só disse e saiu.
Mas ele não conseguiu.
"Vai para o escritório comigo hoje e me ajuda" o pai disse.
"E por quanto tempo vou ter que fazer isso? - Hoy perguntou.
"Não sei. Depende de você..." Alex respondeu com um sorriso sem graça. "Tenho que trabalhar..."
"Eu vou com você. Só deixa" ele disse, mas Alex sabia que ele não ia conseguir.
"Sim" Hoy e Phat gritaram animados porque tinham ouvido o pai dizer que Alex ia trabalhar de verdade.
"Ei... você vai mesmo?" Hoy perguntou.
"Se não for eu, quem vai? Tem que ter alguém" Alex respondeu.
"E você quer ir porque os amigos vão?" Phat perguntou a Alex.
Todos olharam para ele e ele não respondeu. O coração dele estava confuso. Por um lado estava feliz e por outro estava com medo. E Phat viu. Ele viu a indecisão de Alex e que ele estava pensando em desistir de ir para a faculdade. Foi aí que algo aconteceu.
"Eu já decidi. Faz tempo que quero isso. Mas agora... não vou. Não vou desistir" Alex disse, firme, antes de sair.
"Se não for hoje, quando vai ser?" Alex disse, olhando para os amigos. De repente o olhar dele mudou e ele ficou muito sério.
"Hum. Tem um jeito sim. Eu tenho uma pessoa" o pai disse e sorriu.
"Quem é?" Phat perguntou.
"Calma aí..." Phat disse e saiu correndo.
"Vamos começar o treinamento dia 21. Vem..." Alex disse, olhando para o amigo.
"Vem..." Hoy disse, puxando Phat pelo braço.
"Ah... tá" Phat respondeu.
"Ei. Eu tenho uma ideia" Hoy disse, pegando o braço do amigo. Eles saíram e Alex ficou olhando para eles com uma cara que dizia que não estava entendendo.
"O que foi?"
"Ah! Não! Tem um evento no dia do seu aniversário. E vai ter uma festa com os amigos no dia 21. Você vai, né?" Hoy disse. Ele sabia que se não dissesse agora, depois Alex não ia querer sair por causa do trabalho. Alex olhou para ele e sabia que se dissesse não, ia magoar os amigos. Porque ele era assim mesmo.
"Eu não vou porque vocês vão fazer festa, né? Vocês tem que ir para o trabalho também" Alex disse.

"Eu não vou porque vocês vão fazer festa. Vocês têm que ir trabalhar também" Alex disse.
Ele olhou para o Phat, para o Sol e para a mãe. Mas ele não conseguia ficar calado. "Vai, ou você acha que não vou?" Outro dia Alex disse para o amigo ir e eles marcaram de se encontrar. Mas e se não fosse? E se ele não fosse? Alex pensou e não sabia o que responder.
"E então? Você vai deixar a gente... querido. Você não vai para o trabalho com a gente... certo?" Hoy perguntou com esperança.
"... mas hoje eu tenho que ir ao hospital ver o tio. Estou preocupado. Não vou poder ir com vocês" ele disse. Ele não queria desapontar ninguém.
"Você está com dor?" Hoy perguntou, preocupado.
"Não estou" Alex respondeu.
"Se for assim... então a gente vai com você. Não vou deixar que você vá sozinho. Tem gente lá para te ajudar" Phat disse.
"Sim. Phat tem razão. Vamos ver como você está" ele disse.
"Ei. Vamos" Hoy disse e puxou Alex.
"Se não for para isso, não vai. Se for para isso, eu vou com você" Alex disse.
"Ok" Phat respondeu.
"... " e então Alex olhou para eles. Ele via os amigos na frente dele como se fosse um sonho.
"Você não precisa. Eu vou sozinho e depois te conto como foi. Pega o celular e me liga depois" Phat disse e já saiu pegando o celular.
Ele sabia que Alex. Ele sabia que a decisão dele de ir ia causar problemas. Ele sabia que não seria fácil, mas ele precisava ir. Mesmo que fosse difícil para Alex, mas ele não podia deixar que Alex fosse sozinho de novo. Ele olhou para os amigos e viu que eles estavam dispostos a ajudar em tudo. Ele pediu para eles esperarem um pouco e correu para pegar a bolsa.
"Ei. Tem uma coisa que você tem que me prometer" Hoy disse.
"Mas só se você prometer também" Alex respondeu.
"Se você não for me contar tudo depois, eu vou ficar bravo" Hoy disse.
"Sim, senhor" Alex respondeu.
"Ok. Agora vamos" Phat disse.

"Ei. Agora que você falou que não quer sair, eu não vou insistir mais" Hoy disse, olhando para ele com firmeza. E dentro de si ele sentiu vontade de chorar. Ele estava com medo de que algo acontecesse com ele. No momento em que ele disse que ia cuidar dele, ele sabia que tinha que cumprir. Ele olhou para os amigos e viu que eles estavam prontos para qualquer coisa.

"Ok" Alex disse e sorriu. Ele sentiu a confiança deles, mas sabia que precisava corresponder.

Mesmo que fosse difícil.

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