Capítulo 11
Uma freada brusca interrompeu o carro, e todas as minhas lembranças foram arrancadas de uma vez.
Enquanto esfregava a testa que havia batido no banco da frente, reclamei:
— Xiaolu, você dirige cada vez mais como uma maluca! Parece que, nesses dois anos, o Shen Chao não conseguiu te educar direito...
— Qin Lang, você continua exatamente o mesmo! — Shen Chao me agarrou pelo colarinho e começou a me arrastar para fora do carro. — Chegamos! Anda logo e vem comer alguma coisa! Quando sua boca estiver ocupada, você para de falar besteira!
Fazia quase dois anos que eu não voltava. Tudo parecia novo para mim.
Pedi tantos pratos que até o garçom não aguentou mais e nos lembrou gentilmente:
— Senhor, esses pratos já são mais do que suficientes para três pessoas.
— Não, não é suficiente! — balancei a cabeça enquanto observava a reação de Shen Chao. — Afinal, alguém aqui vai pagar a conta... Para me fazer calar a boca, é preciso pagar um preço.
A mesa ficou coberta de comida, o suficiente para alimentar umas dez pessoas.
Shen Chao não parava de colocar comida no meu prato. Parecia determinado a não me deixar sair dali enquanto eu não acabasse com tudo.
Lancei um olhar suplicante para Su Xiaolu.
Ela simplesmente pegou um espelhinho, começou a arrumar as sobrancelhas e retocar a maquiagem, fingindo que eu não existia.
— Seu pestinha, como foram esses dois anos? — perguntou Shen Chao.
Talvez ele tenha concluído que me fazer morrer de tanto comer e ainda ter de pagar um caixão não seria um bom negócio. Então recostou-se na cadeira e finalmente decidiu me poupar.
— Muito bem! Comi bem, vivi bem e aprendi bastante coisa! — respondi rapidamente, largando os hashis e soltando um suspiro de alívio.
— E... no amor?
Ele se inclinou para a frente.
— Muito bem também. Tinha um monte de garotas correndo atrás de mim.
Continuei sorrindo despreocupadamente.
Mas ele continuava me encarando.
Sem pensar muito, tirei um álbum de fotografias.
— Olha só! Essas são as garotas que conheci no Japão. Essa aqui não parece um pouco com a sua Eriko? O corpo dela é fantástico. E essa outra...
Comecei a apresentar minhas "conquistas" dos últimos dois anos, página após página.
Mas, surpreendentemente, Shen Chao, que sempre teve um olhar apurado para garotas bonitas, apenas folheava as páginas às pressas.
Claramente estava fingindo interesse.
Ah...
Homens apaixonados são um caso perdido.
Bastava olhar para ele para perceber que Su Xiaolu o tinha completamente na palma da mão.
— Cara, você regrediu muito.
Suspirei e puxei o álbum de volta.
Shen Chao hesitou por um momento antes de dizer:
— Qin Lang... há algum tempo eu encontrei Xiao Chen.
— Ah, é? — respondi enquanto guardava o álbum. — Como ele está? Da próxima vez que o vir, mande lembranças por mim.
— Ele está bem. Parecia estar bem mesmo. Ah, e havia um homem ao lado dele... sobrenome Lu, eu acho. Os dois pareciam bem próximos.
Sobrenome Lu?
Não me diga que Lu Feng tinha voltado.
Desapareceu por seis anos e agora retornou para reatar o romance?
E ainda conseguiu fazer Xiao Chen parecer tão feliz?
Esse sujeito realmente era um herói entre os homens.
Minha admiração.
Quando tivesse oportunidade, precisaria pedir umas aulas para ele.
— Qin Lang — disse Su Xiaolu, que até então apenas observava nossa conversa sorrindo. — Então quando você vai visitar Yi Chen?
— Quando tiver tempo.
Sorri.
— Estou bem ocupado desta vez.
Espreguicei-me longamente.
— Certo, obrigado pelo jantar. Já está tarde e eu também estou cansado. Vou descansar primeiro. Outro dia marcamos algo e conversamos melhor. Não precisam me acompanhar, eu pego um táxi sozinho.
— Mas, Qin Lang...
Shen Chao ainda queria dizer alguma coisa.
Su Xiaolu o puxou imediatamente.
— Tudo bem. Vá descansar primeiro. Depois eu te ligo.
— Xiaolu, você está cada vez mais compreensiva. Não é só o Shen Chao... até eu estou quase me apaixonando por você.
Pisquei para ela.
Depois saí, parei um táxi e entrei.
"Ocupado?"
Assim que escapei dos olhares deles, soltei uma risada amarga.
Sim.
Eu estava ocupado.
Mas não aqui.
No Japão.
Quando a empresa estava atolada de trabalho, forcei meu pai a me dar quinze dias de férias.
Disse que queria voltar para Xiamen para visitar minha mãe.
Mas Deus sabe por que eu realmente tinha voltado.
Eu estava enlouquecendo de saudade.
Quando aquelas lindas garotas japonesas, coradas e tímidas, me diziam:
"Qin Lang, eu te amo."
Eu sempre as abraçava impulsivamente.
E logo depois as soltava, decepcionado.
Porque não era aquela frase.
Nem era aquela pessoa.
Quem disse que o tempo cura tudo estava falando a maior besteira do mundo.
Eu só queria correr até ele e trocar aqueles dois anos da minha vida por dinheiro vivo.
As garotas da empresa já haviam desistido completamente de mim.
Porque quase todo mundo sabia que o filho sorridente do presidente da empresa, Qin Lang, era na verdade um jovem sofrendo de uma paixão incurável.
Quando não estava trabalhando, a coisa que mais fazia era procurar CDs raros e esgotados.
Depois os enviava, um por um, para uma cidade da China chamada Xiamen.
Quando encontrei Su Xiaolu mais cedo, não tive coragem de perguntar se Yi Chen havia recebido aqueles CDs.
Porque eu já havia dito a ela:
"Se ele quiser rejeitá-los, mesmo que jogue tudo no lixo, por favor não me conte."
Eu já não tinha mais coragem de encarar a verdade.
— Quem realmente regrediu fui eu, Shen Chao...
Murmurei baixinho para a janela do táxi.
Quando eu estudava em Xiamen¹, achava aquela cidade tranquila demais.
Para alguém tão agitado quanto eu, tudo o que eu queria era voar para algum lugar mais movimentado.
Mas agora, depois de voltar da agitação luxuosa de Tóquio, aquele lugar me parecia estranhamente acolhedor.
Su Xiaolu e Shen Chao tiraram bastante tempo para passear comigo pela Estrada da Ilha, dirigindo sem rumo, tirando fotos e se divertindo.
Mas, por trás de toda aquela animação, havia uma tristeza cada vez mais difícil de esconder.
Su Xiaolu já tinha me perguntado inúmeras vezes:
— Qin Lang, quando você vai visitar Yi Chen?
Eu sempre respondia com risadas:
— Calma, ainda não é hora.
Até que ela finalmente desistiu de perguntar.
Limitava-se a observar meu olhar perdido e suspirar baixinho.
Eu não tinha coragem de ir.
Nem sequer tinha coragem de perguntar qual seria a reação dele ao descobrir que eu havia voltado.
Será que ele ainda estava bravo comigo por causa de Xiao Chen?
Será que ainda não tinha me perdoado pela forma grosseira como o tratei naquela ocasião?
Quando percebi, metade das minhas férias já havia passado.
E eu continuava apenas rondando as proximidades da Universidade de Xiamen.
Naquele dia, Shen Chao acompanhou Su Xiaolu a uma entrevista.
Nosso encontro, marcado para as quatro da tarde, foi adiado para as seis.
Enquanto dizia ao telefone:
— Relaxa, cara. Não é a primeira vez que fico sozinho por aqui. Vá cuidar da sua esposa.
Olhei ao redor e empurrei a porta de uma cafeteria chamada Maya, decidido a matar aquelas duas horas.
Meu café ainda nem havia chegado quando alguém tocou levemente meu ombro.
Então ouvi uma voz incrédula:
— Qin Lang?
Virei a cabeça imediatamente.
— Xiao Chen?! É você?
— Quando você voltou? Eu nem sabia!
Ele sorria.
Aquele sorriso mostrava claramente que havia deixado para trás toda a escuridão de antigamente.
— Meu irmão sabe que você voltou? Ele não comentou nada.
Sorri sem graça.
Ainda não sabia como responder.
Mas uma voz nada amigável surgiu ao lado dele:
— Xiao Chen, quem é esse cara?
Quem eu sou?
Precisa mesmo de uma apresentação especial?
Virei a cabeça.
Ao lado de Xiao Chen estava um homem bonito, de testa franzida, me encarando como se eu fosse um criminoso.
Droga.
Por que está me olhando assim?
Yi Chen me encarava daquele jeito e eu até relevava.
Mas quem era esse sujeito para entrar na brincadeira?
Bati na mesa e me preparei para levantar.
Então, de repente, tudo fez sentido.
Ah...
Então esse era ele.
Meu rosto mudou instantaneamente.
— Hehe...
Abri um sorriso cheio de afeto.
A mão que antes estava prestes a bater na mesa agora deslizou suavemente até a mão de Xiao Chen.
— Xiao Chen, como você tem passado nesses dois anos? Eu senti muito a sua falta.
Como esperado.
O homem ao lado dele imediatamente ficou furioso.
Os olhos quase soltavam fogo.
Sua expressão ficou tão sombria que parecia querer arrancar minha mão ali mesmo.
Ah...
Que falta de autocontrole.
E ainda por cima tão agressivo.
Será que ele não sabia que precisava ser gentil diante da pessoa amada?
Eu tinha admirado esse lendário Lu Feng por tanto tempo...
Agora parecia que apenas Xiao Chen, com seu coração puro, era capaz de gostar de alguém assim.
— Sério? — Xiao Chen sorriu.
Claramente já tinha percebido minhas intenções.
— Daqui a alguns dias vou visitar Yi Chen. Pode deixar que vou repetir cada uma dessas palavras para ele.
Antes mesmo de terminar a frase, retirei minha mão.
Ao mesmo tempo, a expressão de Lu Feng finalmente relaxou.
E ele passou a me observar com um sorriso de pura satisfação.
Que droga.
Desde quando Xiao Chen tinha ficado tão malicioso?
Ainda bem que, dois anos atrás, ele era gentil e educado.
Caso contrário, eu teria sido torturado vivo pelos dois irmãos.
Xiao Chen suspirou.
— Qin Lang... quando tiver tempo, vá ver Yi Chen.
Seu semblante ficou sério.
— Depois que você foi embora, ele passou por momentos muito difíceis. Emagreceu bastante.
Olhei para as mãos dos dois.
Estavam entrelaçadas firmemente.
Uma dor enorme subiu pelo meu peito.
— Obrigado, Xiao Chen.
Levantei-me.
— Eu vou.
Ele assentiu.
Lu Feng me lançou um último olhar antes de arrastar Xiao Chen para longe.
Ainda consegui ouvi-lo resmungando:
— Então era esse garoto...? Sério mesmo?
Droga.
Eu sou tão ruim assim?
Se eu realmente quisesse disputar Xiao Chen com você, duvido que estivesse tão tranquilo agora.
Continue me provocando e eu conto todos os detalhes das vezes em que abracei Xiao Chen naquela época.
Cuspi no chão, irritado.
Mas, ao mesmo tempo...
Ver Xiao Chen feliz me deixou genuinamente feliz.
O jeito protetor de Lu Feng mostrava que desta vez ele realmente o valorizava.
Se até Lu Feng pôde ser perdoado...
Então eu...
De repente, uma onda de impulso tomou conta de mim.
Eu precisava ver Yi Chen.
Precisava vê-lo imediatamente.
Joguei dinheiro sobre a mesa e saí correndo da cafeteria.
Era justamente o horário em que a última aula da tarde havia terminado.
Os estudantes circulavam pelo campus com expressões de alívio estampadas no rosto.
Ao vê-los, não pude deixar de sorrir.
Afinal, poucos anos atrás eu também fazia parte daquele grupo.
Em frente ao prédio do curso de Arquitetura havia bem menos movimento.
Talvez porque estudantes de arquitetura, acostumados a desenhar até quase desmaiar, não tivessem muita noção de horário para sair da aula.
Olhei para o relógio.
Não sabia se Yi Chen ainda estava na sala.
Liguei o som do carro.
A voz de Wheesung cantando "It Is Real" ecoou pelos alto-falantes.
Imediatamente me lembrei da primeira vez que fui procurá-lo ali.
Entre os dois CDs que eu havia levado para ele naquela ocasião estava justamente aquela música.
Apaguei o cigarro na mão.
Abri a porta do carro e me preparei para descer.
As luzes da sala ainda estavam acesas.
Talvez ele ainda fosse como dois anos atrás.
Talvez ainda estivesse usando aquele boné de aba longa, ouvindo rock pesado nos fones enquanto balançava a cabeça e desenhava projetos.
Meu coração estava cheio de expectativa.
Mas, no instante em que estava prestes a sair do carro, vi uma cena que nunca mais queria ver na vida.
Yi Chen saiu do prédio.
No rosto havia um sorriso tão brilhante que até a luz do sol parecia perder o brilho diante dele.
Depois de mais de um ano sem vê-lo, parecia um pouco mais alto.
O cabelo estava mais comprido.
A franja caía sobre um rosto bonito e magro.
E aquele sorriso...
Era incrivelmente atraente.
Mas não era direcionado a mim.
Ele sorria para uma garota ao seu lado.
Uma garota igualmente animada, bonita e de corpo escultural.
O sangue pareceu congelar.
Metade do meu corpo já estava para fora do carro.
Rapidamente me encolhi de volta para dentro.
Observei, abatido, enquanto os dois conversavam cada vez mais próximos.
Não pode ser...
Esse idiota não era completamente desligado para mulheres?
Quanto tempo eu fiquei fora?
E ele já arranjou alguém?
— Yi Chen, olha só você. Até tinta ficou na sua testa de tanto desenhar!
Maldição.
Por que eu tinha uma audição tão boa?
Mesmo através do vidro conseguia ouvir a voz melosa da garota.
— Não se mexa. Vou limpar para você.
Meu Deus.
Você me deu coragem graças ao encontro com Xiao Chen só para eu presenciar isso?
Eu devia ter ficado sentado naquela cafeteria tomando café.
Mesmo que me matassem, eu não teria vindo aqui sofrer desse jeito.
Não olhe.
Não olhe.
Aguente firme.
Continuei repetindo isso para mim mesmo.
Mas, ao mesmo tempo, abria os olhos discretamente para espiar.
Sua atrevida...
É só uma mancha de tinta.
Precisa esfregar durante uma hora inteira?
Já não tocou o suficiente?
E você, Yi Chen!
Que expressão é essa?
Afaste a mão dela logo!
— Obrigado, Jingjing...
Os pequenos dentes caninos apareceram quando ele sorriu.
E parecia até satisfeito.
— E obrigado por tudo que você fez nestes últimos dias. Deve ter sido cansativo.
— Não foi nada.
A garota parecia radiante.
— Fico feliz em poder ajudar você.
Chega.
Chega!
Que cena romântica insuportável!
Pelo visto eu não tinha apenas regredido.
Meu QI inteiro devia ter desaparecido.
Passei quase dois anos sendo um completo idiota.
Os CDs que escolhi cuidadosamente.
As noites de saudade.
As lembranças que nunca consegui esquecer.
Tudo explodiu diante dos meus olhos, transformando-se em cinzas.
Durante aqueles longos dias em Tóquio, houve dor.
Houve insegurança.
Houve noites inteiras sem conseguir dormir.
Mas nunca houve verdadeiro desespero.
Porque eu sempre soube que Yi Chen me amava.
Achei que nossos problemas não tinham relação com amor.
Achei que, depois de algum tempo separados, tudo se resolveria.
Mas agora...
Se eu ainda conseguisse continuar olhando sem que meu coração parasse de bater...
Talvez eu tivesse apenas me enganado o tempo todo.
Ainda conseguia lembrar.
Naquela época, bastava tocar nele de leve para que corasse e ficasse completamente perdido.
Agora?
Uma garota podia passar as mãos nele à vontade.
E ele permanecia perfeitamente tranquilo.
Cheng Yi Chen.
Você evoluiu rápido demais.
Continuei observando.
Os dedos cerrados machucavam minhas próprias palmas.
Mas a dor não era suficiente.
Na época em que o conheci, inúmeras garotas já o cercavam.
Onde quer que fôssemos, não faltavam pessoas olhando para ele.
Talvez até mais do que olhavam para mim.
Mas eu insistia em acreditar que era diferente.
Que eu era especial para ele.
Pelo visto, superestimei a minha importância.
Por que ele deveria permanecer parado, esperando por mim como um fóssil, depois que desapareci sem dar notícias por dois anos?
Histórias de reencontros milagrosos aconteciam com Lu Feng e Xiao Chen.
Nós éramos diferentes.
Eu era Qin Lang.
Ele era Yi Chen.
Nesse momento, os olhos de Yi Chen passaram pelo meu carro.
Seu sorriso congelou.
Como se tivesse percebido alguma coisa.
Lentamente, começou a olhar na direção do veículo.
Bufei friamente.
Lancei um olhar gelado para a garota ainda sorrindo ao lado dele.
Então pisei no acelerador.
O carro passou por eles sem parar nem por um segundo.
Foi apenas durante o jantar que Su Xiaolu e Shen Chao finalmente perceberam que havia algo errado comigo.
Os dois trocaram olhares.
Depois de alguns instantes, Su Xiaolu resolveu falar:
— Qin Lang, você está bem? Por que não come nada?
Não comi?
Fiquei surpreso.
Olhei para o prato.
O peixe à minha frente havia sido tão massacrado pelos meus talheres que mal dava para reconhecer o que era.
Parecia pior do que uma couve-flor esmagada.
— Não estou com fome.
Sorri.
Comer?
Que nada.
Eu já estava cheio de raiva.
— Você viu Yi Chen hoje?
Shen Chao ignorou completamente os olhares desesperados de Su Xiaolu tentando fazê-lo ficar quieto.
Levantou-se e começou a me sacudir.
— Vi.
Abri um sorriso exagerado.
— Não só vi ele, como também conheci a namorada dele. Um corpão daqueles. Em duas palavras: perfeita.
— Namorada?
Su Xiaolu franziu a testa.
— De onde você tirou essa história? Qin Lang, para de falar bobagem.
— Acho que ela se chama Jingjing. Os dois pareciam tão apaixonados que estavam quase se abraçando enquanto caminhavam. Você não sabia?
Dei de ombros.
— Xiaolu, você é a veterana dele e mesmo assim não presta atenção nenhuma à vida amorosa do seu colega.
— Jingjing?
Ela pareceu pensar.
— Aquela garota da turma deles que toca teclado muito bem?
— Ah, então ainda compartilham os mesmos interesses!
Bati palmas teatralmente.
— Que combinação perfeita!
— Qin Lang. Venha comigo.
Ela me encarou por um longo momento.
Então me puxou pelo braço.
— Ei, o que foi?
Continuei sorrindo.
— Estamos em público. Se você ficar me puxando assim, o Shen Chao pode ficar com ciúmes.
— Cala a boca!
Ela gritou.
Foi a primeira vez que a ouvi gritar comigo.
A voz foi tão alta que até Shen Chao levou um susto.
— Você foi embora por quase dois anos!
Os olhos dela estavam vermelhos de indignação.
— Deixou Yi Chen sozinho aqui sem se importar com nada. E agora volta falando esse tipo de coisa?
— Qin Lang... você não era assim.
Meu sorriso desapareceu lentamente.
Fiquei olhando para o chão sem dizer nada.
— Venha comigo.
Ela me puxou novamente.
— Vou te levar para ver Yi Chen.
— Não precisa, Xiaolu.
Finalmente soltei sua mão com delicadeza.
Levantei a cabeça.
— Eu vou sozinho.
Respirei fundo.
— Existem algumas coisas...
Minha voz ficou baixa.
— ...que já deveriam ter sido esclarecidas há muito tempo.
Su Xiaolu me encarou em silêncio.
Parecia querer dizer alguma coisa.
Mas acabou apenas assentindo.
Naquele momento, eu finalmente havia tomado uma decisão.
Por mais doloroso que fosse.
Por mais que eu tivesse medo da resposta.
Eu precisava encontrá-lo.
Precisava olhar nos olhos dele.
Precisava descobrir se aqueles dois anos de saudade tinham significado alguma coisa.
Ou se eu realmente havia sido apenas um idiota preso ao passado.
Com isso, terminei a refeição rapidamente.
O gosto da comida era completamente inexistente.
Tudo o que eu conseguia sentir era a ansiedade apertando meu peito.
Naquela noite...
Eu finalmente iria encontrar Cheng Yi Chen.
Nota do Tradutor:
1. 厦大 (Xiàdà) é a forma abreviada de Universidade de Xiamen, uma das universidades mais prestigiadas da China.
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