18 de jun. de 2026

Honoo no mirage Vol. 03 - Capítulo 06

Capítulo 06: O Falcão do Norte

Naoe havia chegado a Yamagata praticamente na mesma época. Havia algum tempo que vinha viajando constantemente entre Tóquio e Yamagata, investigando a morte violenta e inexplicável de um suspeito envolvido em um caso de corrupção. Por fim, encontrara uma pista e a seguira até a cidade de Yamagata.

O escândalo girava em torno do financiamento e da compra de terrenos destinados à construção de um complexo turístico. O caso havia se transformado numa gigantesca rede de subornos que envolvia desde bancos até membros do governo. A origem dos pagamentos ilícitos era uma grande incorporadora imobiliária sediada em Sendai. Dois executivos da empresa, fortemente ligados à investigação, haviam morrido.

Trabalhando sozinho, Naoe infiltrara-se na promotoria usando percepção espiritual e hipnose. Utilizara todos os meios à sua disposição para reunir informações e descobrir a verdade. Finalmente, identificara alguém que parecia ter ligação com os «Yami-Sengoku»: Ueshima, um influente parlamentar do partido governista e representante da região de Yamagata, que mantinha relações estreitas com a incorporadora havia muitos anos e frequentemente intermediava favores para ela. Tudo indicava que também estava profundamente envolvido no caso atual.

Ueshima era o número dois de uma das facções mais poderosas do partido governista. Na verdade, era considerado um dos favoritos para assumir a presidência do partido nas eleições do outono.

Mas agora que o escândalo viera à tona...

(Ueshima provavelmente será quem mais cairá...)

Assassinatos cometidos para eliminar provas de corrupção.

Era assim que Naoe interpretava aquelas mortes estranhas.

Naturalmente, provocar a morte de alguém por mordidas de animais dentro da própria cama era um método extremamente incomum de assassinato quase impossível de imaginar.

Pelo menos, em circunstâncias normais.

Mas não se onryou estivessem envolvidos.

Não era impossível que Ueshima tivesse firmado algum acordo com um onshou dos «Yami-Sengoku» para eliminar os suspeitos de suborno. Afinal, sua candidatura à presidência e toda a sua carreira política estavam em jogo; não seria surpreendente que recorresse a qualquer meio para sobreviver à crise.

Depois de chegar a essa conclusão, Naoe passou cerca de uma semana seguindo Ueshima. O político retornara para sua residência em Yamagata e não fizera mais nenhum movimento significativo. Naoe monitorou minuciosamente todas as pessoas que entravam e saíam da mansão, usando sugestão hipnótica para coletar o máximo possível de informações.

Por fim, descobriu a identidade do onshou com quem Ueshima negociava e os termos do acordo.

O onshou era Mogami Yoshiaki.

E o acordo consistia em permitir que Mogami Yoshiaki utilizasse o corpo de Ueshima como receptáculo espiritual.

— Entendo. Então eles já começaram as invocações dos mortos.

Naoe falava ao celular com Ayako dentro de seu Cefiro, fumando um cigarro. Era o dia seguinte à chegada dela e de Takaya a Sendai. Tratava-se de uma das conversas regulares que mantinham para trocar informações.

Uma barreira havia sido erguida ao redor da mansão de Ueshima, bloqueando completamente qualquer «shinenha». Assim, Naoe dependia de escutas e dispositivos semelhantes para monitorar o que acontecia lá dentro. Havia instalado os aparelhos secretamente em pessoas que frequentavam a residência. Os sinais chegavam até seu hotel, mas ele preferira estacionar próximo à mansão para reagir imediatamente a qualquer eventualidade.

— Então aqueles desabamentos realmente parecem estar relacionados aos «Yami-Sengoku» — comentou Naoe, franzindo o cenho.

— E o Kokuryou-san me informou outra coisa —acrescentou Ayako. — Parece que os onshou estão aparecendo um após o outro pela cidade. Ainda preciso fazer uma análise espiritual mais detalhada, mas a «energia» da terra está muito estranha.

— Estranha? O «jike» mudou?

— Não sei se mudou exatamente. Só não parece natural. Não é como a energia normalmente gerada pelo acúmulo de pessoas e espíritos. É como se tivesse sido criada ou manipulada artificialmente. É uma sensação muito estranha.

— Energia manipulada...? Você ainda não encontrou nenhuma ligação entre isso e as invocações dos mortos?

— Ainda não tenho provas concretas. Mas acho que terei algo até nossa próxima conversa.

— Entendo. Isso me preocupa. Seja como for, nossa prioridade é capturar o onshou responsável pelas invocações e realizar o choubuku o mais rápido possível, antes que mais inocentes sejam feridos. Você consegue lidar com isso sozinha?

— Acho que sim.

— ...Então deixo isso com você.

Após encerrar o assunto, Naoe permaneceu alguns segundos em silêncio antes de perguntar:

— Como... está Kagetora-sama?

— Kagetora? Bem, ele se comportou durante o treinamento especial do Kokuryou-san. Está aprendendo meditação.

— Está indo bem?

— Bem...

Ayako soltou um gemido confuso.

— Ele certamente herdou o talento de Uesugi Kagetora, e o Kokuryou-san não poupou elogios. Mas parece que existe algum problema dentro dele.

O rosto de Naoe endureceu.

— Uma autossugestão?

— Ah, não. Não é isso. Acho que tem mais a ver com Ougi Takaya. Desde que chegou a Sendai, ele parece estranho, distraído. Escuta, Naoe... você nunca ouviu nada sobre Sendai? Algo relacionado a ele?

— Não...

Na verdade, embora conhecesse Uesugi Kagetora profundamente, Naoe não sabia quase nada sobre Ougi Takaya. O rapaz nunca falava de si mesmo e mantinha todos à distância.

(Embora eu tenha ouvido dizer que os pais dele se divorciaram há alguns anos...)

— Sabe, Naoe... ele é muito mais criança do que deixa transparecer. Vive afastando as pessoas, mas não acha que, no fundo, ele quer depender de alguém?

Os olhos de Naoe se arregalaram.

— Eu me pergunto... se ele será capaz de abrir o coração para alguém.

— Haruie...

— Naoe, eu realmente acho que você deveria estar ao lado dele.

Sua voz tornou-se firme.

— Para ele... para Ougi Takaya, nós somos apenas estranhos que apareceram de repente. Mas ainda podemos criar novos laços. Talvez Ougi Takaya não Uesugi Kagetora esteja começando a ver Naoe Nobutsuna como alguém de quem precisa.

— O que foi que deu em você de repente...

— Ele está sofrendo. De uma hora para outra disseram que ele é Uesugi Kagetora e o arrastaram para os «Yami-Sengoku». Ele já nem sabe quem é. É natural que esteja inseguro. Alguém precisa ficar ao lado dele. Ele é muito mais frágil do que parece. Muito mais vulnerável do que aquele garoto, Yuzuru.

— Haruie.

Por um instante, Ayako se calou.

Então confessou em voz baixa:

— Estou começando a achar que ele não é Kagetora.

Naoe piscou.

— Porque ele não sabe de nada! E sua personalidade é completamente diferente. Kagetora era gentil, educado, confiável, inteligente... era perfeito! Pelo menos para mim. Mas esse garoto é totalmente diferente. Como se fosse outra pessoa. E, no entanto... quando está sofrendo, ele tem exatamente o mesmo olhar que Kagetora tinha.

Uma expressão dolorosa atravessou o rosto de Naoe.

— Eu sei que você está tentando compensar seus erros com Kagetora, mas isso provavelmente machucaria essa criança. Quando vi vocês dois em Matsumoto, consegui enxergar a confiança que existia entre vocês há muito tempo, e isso me deixou feliz. Eu não quero que a história se repita.

— Haruie...

— Por favor, fique ao lado dele. Ao lado de Ougi Takaya. Ao lado desta criança que não é Kagetora... e ajude-o.

Naoe permaneceu em silêncio.

Por fim, respondeu em voz baixa, olhando para baixo:

— ...Eu vou.

A ligação foi encerrada.

Encostando-se no banco, Naoe fechou os olhos cansados.

"Eu não quero que a história se repita."

As palavras de Ayako continuaram ecoando em seus ouvidos.

(Não vou permitir que a história se repita...)

Como uma resposta silenciosa, repetiu aquelas palavras dentro de si.

Durante anos as gravara no coração.

Se algum dia tivesse a oportunidade de recomeçar, não permitiria que tudo acontecesse outra vez.

Não faria nada que causasse tristeza ou sofrimento àquela pessoa.

E, mesmo que precisasse enganar a si mesmo...

Não era difícil.

Suportar a dor da mentira era insignificante comparado ao sofrimento que lhe causara.

"Só a você jamais perdoarei, por toda a eternidade."

Aquela sentença de exílio, pronunciada trinta anos antes com o peso do sangue de Kagetora, continuava ressoando em seus ouvidos.

Mas agora era a voz de Ougi Takaya que repetia aquelas palavras.

Palavras que o dilaceravam.

Nos últimos dias, vinha acordando coberto de suor frio.

(Devo estar apenas cansado...)



Os dois se encararam por alguns instantes.

Olhares cautelosos, sempre em guarda.

— Acreditas mesmo que me deixarei enganar por ti? — murmurou Ashina Moriuji, enquanto os traços envelhecidos de seu receptáculo espiritual se contorciam.

Um sorriso astuto surgiu no rosto anguloso de Ueshima.

— Aproveitai a noite sem preocupações.

(Isso foi inesperado...)

Naoe, que ouvira toda a conversa através dos dispositivos de escuta instalados na mansão, ficou momentaneamente atônito.

(Ashina e Mogami trabalhando juntos...)

Ele já recebera notícias do retorno dos Ashina, mas jamais imaginara que uma aliança já tivesse sido formada.

E mais do que isso: estavam armando uma armadilha contra os Date.

(Eles realmente pretendem destruir os Date...)

E havia outra informação que chamara sua atenção.

(«Jike-kekkai»...?)

De repente, a porta de correr se abriu e vários homens saíram. Entre eles estava o homem vestido com trajes tradicionais japoneses que havia chegado mais cedo provavelmente Ashina Moriuji.

Naoe forçou a vista na escuridão.

Era um homem baixo, de meia-idade, rosto comprido e estreito, cabelos completamente brancos.

(Aquele homem é...)

Seu corpo deu um sobressalto.

(Não é o deputado Hirabayashi Mikio?)

Hirabayashi era líder da Facção Hirabayashi, o grupo político ao qual Ueshima pertencia. Ex-primeiro-ministro, continuava sendo uma das vozes mais influentes dentro do partido.

E aquele era o receptáculo de Ashina Moriuji.

Considerando essa relação, não era estranho que Hirabayashi e Ueshima mantivessem contato constante.

Mas possuir justamente indivíduos com tamanha influência política...

A possessão de Ueshima por Mogami certamente não fora uma coincidência.

Mas Ashina escolher alguém tão importante quanto Hirabayashi como receptáculo...

(O que exatamente eles estão planejando?)

Enquanto a BMW preta de Hirabayashi desaparecia na escuridão, uma voz feminina surgiu pelos fones de escuta.

— Teu convidado já retornou para casa?

Uma bela mulher de meia-idade surgiu do aposento interno.

Yoshiaki sorriu de canto ao se virar.

— Foi embora cedo demais. Talvez imagine que o tenhamos envenenado.

— Como se fizéssemos algo tão...

Yoshiaki recostou-se no assento de tatame e tragou longamente o cachimbo.

— Estes receptáculos que habitamos são insuportáveis. Ainda assim, embora sejam apenas velhos senis, seu poder em larga escala é muito mais útil do que qualquer «poder» bruto e inexperiente.

A fumaça subiu lentamente até o teto envelhecido.

— Um poder capaz de mover o mundo, não é?

— Já se passaram três anos desde que retornamos a este mundo. Finalmente, os preparativos estão completos.

— De fato. Levamos muito tempo para compreender a situação atual, mas parece que o mundo dos homens jamais muda.

Com a ponta do cachimbo, Yoshiaki desenhou um círculo no ar.

— Dinheiro e influência. As pessoas venderiam até a própria alma para proteger a si mesmas.

Ou, neste caso...

Seus corpos.

— Tolos.

— Sim. Tolos. Aqueles que esqueceram a guerra apodrecem afogados em seu egoísmo míope. Um governo formado por homens corruptos inevitavelmente se torna corrupto. É a ordem natural das coisas, Oyoshi.

A mulher lançou-lhe um olhar severo.

— Aniue... desejas realmente mergulhar este mundo novamente no caos da guerra?

— Não desejo a guerra. Não pretendo travá-la.

Fez uma pausa.

— Mas agora possuímos o poder para mover este mundo. Foi por isso que tomei este receptáculo.

Pelos Mogami.

Sua irmã mais nova, Yoshihime também conhecida como Ohigashi-no-Kata e mãe de Masamune estreitou os olhos.

— Não fales tão descuidadamente. Isso pode chegar aos ouvidos dele.

— Dele?

Os olhos de Yoshiaki brilharam de diversão.

— Então até a Princesa Demônio de Ouu o teme?

O rosto de Yoshihime endureceu.

— Eu o temo.

Baixou o olhar por um instante.

— Não consigo deixar de sentir que ele está trazendo algo terrível para esta terra do Nordeste.

— Isso não combina contigo, Yoshi.

Yoshiaki deu de ombros.

— E como está Kojirou? Quando Sendai cair em nossas mãos, penso em deixá-lo governar Yamagata em meu lugar. Em porte e presença, ele não é inferior a Masamune. Certamente se tornará um excelente comandante.

— Concordo.

Outra voz surgiu do interior do aposento.

Os dois se voltaram.

Sem que percebessem, um jovem esguio estava parado do outro lado da porta de papel.

Há quanto tempo ele estava ouvindo a conversa?

Yoshiaki e Yoshihime empalideceram imediatamente.

Mas o rapaz falou em tom suave e melodioso, como se nada tivesse ouvido:

— Não vos preocupeis, Mogami-dono. Kojirou-dono dos Date é um excelente guerreiro. Temos perfeito entendimento um com o outro.

Então seu sorriso se ampliou.

— Contudo, Mogami-dono... há ratos nesta sala.

— O quê...?!

O jovem aproximou-se calmamente.

Ergueu o pergaminho decorativo pendurado no tokonoma.

— Ah!

Yoshiaki soltou um grito abafado.

O jovem exibia um pequeno dispositivo entre os dedos.

— As orelhas de um grande rato.

Com um estalo seco, esmagou o microfone.

— Há um rato ali.

CRACK!

A transmissão foi interrompida por uma explosão de estática.

No mesmo instante, Naoe arrancou os fones dos ouvidos.

Um mau pressentimento o atravessou.

(Eles descobriram...?)

Então o carro estremeceu violentamente.

THUD!

A carroceria afundou.

(O quê?!)

Metal rangendo.

Uma força sobrenatural envolveu o veículo.

Um vento abrasador explodiu ao seu redor.

No instante seguinte—

BOOOOOOM!!

O Cefiro explodiu numa gigantesca coluna de fogo.

— Não fuja, seu «nue»!

A voz aguda veio acompanhada de uma esfera flamejante vermelha que saltou por cima da cerca.

O Cefiro queimava em chamas carmesim que alcançavam o céu.

Por um milagre, Naoe conseguira se lançar para fora do veículo antes da explosão.

Agachado no chão, pressionava o ombro direito.

(Esse é o «poder» deles?!)

Algo rugiu atrás dele.

Quando se virou, viu uma enorme boca formada por chamas vermelho-escuras avançando para devorá-lo.

Sua «nenpa» explodiu e despedaçou as chamas.

Mas então surgiram formas grotescas.

Massas ardentes com rostos humanos deformados incrustados no centro.

As bocas enormes se abriram.

Avançaram.

(«Kaki»...!)

Um deles atacou.

Saliva de fogo espalhou-se pelo ar.

Naoe lançou uma «nenpa».

O rosto flamejante explodiu em pedaços soltando um grito horrendo.

Mas imediatamente os fragmentos se reuniram.

O rosto retornou à forma original.

(O quê?!)

Os «kaki» eram aglomerados de ressentimento produzidos por pessoas mortas em incêndios.

Normalmente, eram apenas restos emocionais.

Se dispersados, desapareciam.

Mas aqueles não.

(Eles não são «kaki» comuns!)

Naoe destruiu um após outro.

Todos se recompunham.

Uma batalha sem fim.

Então compreendeu.

(Claro...!)

(Eles não são apenas emoções condensadas!)

Eram onryou.

Espíritos vingativos revestidos pelas emoções dos «kaki».

(Então só resta o «choubuku»!)

Naoe concentrou todo o seu poder.

As criaturas atacaram ao mesmo tempo.

As chamas estavam prestes a engoli-lo quando ele rugiu:

— (Bai)!

O ar congelou.

Os onryou revestidos de «kaki» ficaram completamente paralisados.

— Noumakusamanda bodanan baishiramandaya sowaka!

Sua voz ecoou como um trovão.

— Namu Tobatsu Bishamonten! Concedei-me vosso poder para esta subjugação demoníaca!

Abriu as mãos.

— CHOUBUKU!

Uma luz branca explodiu de suas palmas.

Os onryou foram despedaçados um após outro.

Seus gritos desapareceram junto com a luz.

Então—

Uma energia assassina surgiu atrás dele.

— ...!

Algo invisível o atingiu em cheio.

— Ugh!

Uma vontade esmagadora envolveu todo o seu corpo.

Naoe caiu sobre o asfalto.

(Quem...?)

Tentou concentrar sua «nenpa».

Mas sua visão estava turva.

Ainda assim...

Sentia aquela aura monstruosa.

(Está vindo!)

Um novo ataque atingiu-o pela frente.

Naoe ergueu imediatamente uma «goshinha».

Os poderes colidiram.

O ar rugiu.

Com ambas as mãos estendidas, sustentava a barreira ao limite de suas forças.

— ...!

Mesmo sob a pressão colossal, conseguiu se levantar.

Então reuniu toda a sua energia.

— GRAAAAAAH!!

BOOM! BOOM! BOOM!

Uma gigantesca rachadura abriu-se no solo.

Naoe aproveitou o instante em que o adversário vacilou.

Liberou toda a sua «nenpa».

Mas—

O golpe foi desviado.

Árvores e cercas incendiaram-se instantaneamente.

Uma barreira havia interceptado o ataque.

(Um poder desse nível... quem é esse sujeito?!)

— Guh!

Um terceiro ataque veio pelas costas.

Uma corrente invisível enrolou-se ao redor de seu corpo.

Afundava cada vez mais profundamente.

Dor.

Agonia.

(Então são dois...?)

Era como se relâmpagos percorressem cada nervo.

Naoe caiu.

E permaneceu imóvel.

O silêncio voltou à rua.

As árvores continuavam queimando.

Somente depois de confirmar que Naoe estava inconsciente, Mogami Yoshiaki aproximou-se de sua irmã.

— Um adversário assustador. Sem tua ajuda, eu teria corrido perigo.

— Aniue... quem era aquele homem?

O jovem mestiço aproximou-se deles.

Observou o corpo desacordado de Naoe.

Então soltou uma risada divertida.

— Hmph. Pensei que fosse apenas um rato grande entrando por alguma fresta.

Seu sorriso se ampliou.

— Mas parece ser um dos demônios de Uesugi.

— Uesugi?!

O rapaz respondeu ao olhar de Yoshiaki com uma expressão inocente.

— Este homem é Naoe Nobutsuna, um dos kanshousha dos Uesugi. Parece que o Yasha-shuu de Uesugi já penetrou o Nordeste.

— O Yasha-shuu dos Uesugi...

— Se for assim, provavelmente também já se infiltraram em Sendai.

Seu sorriso tornou-se angelical.

— Melhor ainda.

Olhou para Naoe.

— Tenho certeza de que seu «poder» nos será bastante útil.

Depois acrescentou:

— Preciso partir agora, mas gostaria de oferecer um pequeno presente a Mogami-dono.

— Um presente?

— Uma cela da qual nenhum rato conseguirá escapar.

Seu sorriso tornou-se cruel.

— Permiti que eu ajude a construí-la. Com o vosso poder, mantê-la será simples.

Os lábios se curvaram levemente.

— Dentro dela, o rato não poderá fazer absolutamente nada.

Os olhos do jovem brilharam de perversidade.

— E então, Mogami-dono...

— Tereis todo o tempo do mundo para interrogá-lo... e quebrá-lo.

Até mesmo Yoshiaki e Yoshihime ficaram tensos diante daquela crueldade.

Ignorando suas reações, o jovem soltou uma risada baixa.

As chamas refletiam-se em seus olhos.

Um brilho violeta, inquietante.

Nos olhos de Mori Ranmaru.

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