29 de jun. de 2026

Ma Please - Capítulo 03

Capítulo 03

— Se desobedecer o p’, sabe o que vai acontecer — foi a frase que o P’Prood disse com voz firme antes de sair dirigindo.

Fui deixado na frente do 7-Eleven onde trabalho, mas como já tinha passado duas horas do meu horário, e meu corpo não estava em condições de aguentar o trampo, liguei a contragosto para a gerente pedindo folga. Ela reclamou um pouco, mas quando disse que estava doente não insistiu mais. Só mandou tomar remédio e descansar.

Cada passo que eu dava doía pra caralho. Ainda bem que faltei. Senão teria que responder por que estava andando todo estranho. Andei mancando até o alojamento, aguentando uma dor insuportável. Essa primeira vez em que eu fiquei por cima enquanto o desgraçado do P’Prood só ficou sentado de boa curtindo o momento... e o dele não é pequeno. Cada estocada me deixava sem ar!

Hã? O quê? Fui forçado e não reclamei? Ah... isso é verdade. No começo eu não queria, mas o desgraçado do P’Prood é bom demais, me fez ceder. A dor virou prazer sem eu nem perceber quando. Além disso, sou homem. Chorar não ia fazer aquele desgraçado se responsabilizar. Vou considerar como caridade. E se não fosse pelo vídeo sacana que ele gravou, eu até perdoaria.

Porque... fazer sexo pela primeira vez com um cara do nível ‘Ma Prood’, alguém como eu até que teve sorte, né. Hehe.

Tomei dois comprimidos de paracetamol, tomei banho e fui direto pra cama. Estava com o corpo todo dolorido. Fechei os olhos e o rosto bonito de alguém ficou girando na minha cabeça...

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Faltei quatro dias de aula porque estava com febre. Hoje ainda não estou 100%, mas tenho apresentação de mini projeto com o professor à tarde, então precisei arrastar esse corpo até a faculdade.

— Seu desgraçado, Plueeeeem!!! — Gritaram meu nome por trás. Quando virei, vi o Khun Tik vindo com o pessoal do Prem. Eles vieram e cada um me deu um tapa na cabeça, antes de me encarar sem piscar.

— Por que tão me olhando?

— Você ainda pergunta! Onde você se meteu, hein?! Fui no seu alojamento e você não estava, no trabalho também não. Achei que tinha morrido, seu merda! — Khun Tik berrou, fazendo os colegas do meu departamento que estavam na mesa de pedra perto olharem curiosos, sem entender por que um aluno de outra faculdade estava gritando na frente do prédio da Engenharia da Computação.

— Eu estava dormindo no alojamento. Estava meio doente.

— No alojamento?! A gente bateu na porta até a mão quase quebrar, nenhum cachorro abriu! — Khun Prem retrucou.

Abrir pra vocês atrapalharem meu sono, é? -_-_ Quando estou doente não gosto que ninguém me encha.

— Seu desgraçado, perdi tempo indo te procurar até no prédio da Medicina. — Khun Fren reclamou, antes de abrir o MacBook Air para checar o trabalho que íamos apresentar à tarde.

Falando em prédio da Medicina - _ também fico triste de não poder mais ir lá. Se eu aparecer, viro protagonista de GV na certa. Mas se fosse só por mim, não ligaria. Não sou de viver pela opinião ou julgamento dos outros. O que eu temo... é só manchar a reputação da minha família. Como o Khun Tik vive me chamando de mendigo de sobrenome grande. Ele deve estar se perguntando de que lado da família real, dos ricos, dos donos de empresas gigantes eu sou. Mas eu só digo que meu pai deve ser um parente distante daquele povo.

Sendo que na verdade minha mãe tem o título de M.R.V., é pediatra no hospital da filial principal onde meu pai manda e desmanda como administrador. Meu pai é cirurgião, enquanto minha irmã está no último ano de Medicina na mesma universidade que eu. Mas os externos quase nunca ficam no campus, por isso eu nunca me preocupei em aparecer no prédio da Medicina. Mas agora preciso pensar duas vezes antes de chegar perto daquele prédio.

— Pluem, sua cara tá pálida. Ainda não melhorou não, cara? — Khun Kim perguntou, preocupado. Assenti e continuei olhando os slides da minha apresentação.

— Quer comer alguma coisa? Vou comprar pra você.

— Então compra um chá de crisântemo pra mim, Khun Kim.

“E vocês, querem alguma coisa?”

Todo mundo foi pedindo até o Khun Kim reclamar que não ia lembrar de tudo. Khun Fren pegou um papel para anotar os pedidos. Li os slides mais um pouco, ajustei as partes que não precisavam ser apresentadas, antes de ficar ouvindo o Khun Prem reclamar do P’Prood, que ultimamente anda estranho.

— Meu irmão tá de saco cheio, não sei o que deu nele. Fica de mau humor o dia todo, vive descontando em mim. Eu já falei pro meu pai pra não deixar ele fazer Medicina. Olha aí, tá ficando doido cada dia mais. — Khun Prem falava enquanto apontava com a cabeça para o P’Prood, que acabava de descer do carro luxuoso, marca diferente a cada dia.

Aquele desgraçado do P’Prood é rico pra caralho. O pai dele é nível magnata, a mãe é filha de um grande banqueiro. A aura de playboy gruda nele. Mas essa aura não apareceu nem um pouco no Khun Prem.

— E nesses três, quatro dias ele vive vindo na nossa faculdade. Fico me perguntando se as meninas daqui são tão top assim pra ele vir todo dia. Daqui a pouco ele vem me encher o saco de novo -_- Sacoo.

Nem terminou de falar e as pernas longas do P’Prood já trouxeram aquele corpo cheio de músculos pra cá. Cabelo raspado estilo skinhead somado ao rosto bonito meio emburrado fez as meninas que passavam nem terem coragem de cumprimentar. Os caras do Prem fizeram o wai e se entreolharam, apreensivos. Quanto a mim, continuei tentando entender os slides na parte que eu tinha que explicar.

— Vou sentar aqui com vocês.

Abri espaço um pouco antes do P’Prood sentar do meu lado. — Prem, compra comida pra mim.

“Ué! Você veio até aqui só pra me mandar comprar comida pra você?! Que palhaçada é essa?”

“Problema?”

Khun Prem fez bico. — Tá, tá bom. O que o p’ quer comer?

“Traz qualquer coisa aí. Algo que seja gostoso pro meu paladar.”

“Como se você comesse fácil igual gente normal, né. Merda, vive mandando em mim. Fren, vem comigo.”

“Ei! Então eu vou também. Vou ajudar o Kim a carregar as coisas.”

E aí Khun Tik, Khun Prem e Khun Fren saíram todos. Fiquei focado nos slides, quase querendo entrar dentro do meu notebook velho porque o P’Prood não parava de me encarar, como se quisesse achar a senha da loteria no meu rosto. Digitei um conteúdo novo para não me perder na hora de explicar. Fale com linguagem minha, mas formal. A máquina estava lenta porque a RAM é do tamanho de uma unha, condizente com o preço que também não foi alto. Mas esse note eu troquei pelo meu iPhone, tá! Não subestima ele não!

“Não atende o telefone, desliga na minha cara. Quer que o país inteiro te veja gemendo, é?” Fiz ouvido de mercador, igual nos primeiros dois dias em que fingi não ouvir o celular. Aquele desgraçado do P’Prood ligou mais de trezentas vezes. Sério. Ligou pra quê, não sei. Ligou até a bateria do iPhone acabar, e eu nem pensei em carregar. Deixei desligado mesmo. Irritante.

“Não tive tempo de atender.”

“Diz que não sabe! Como quer que eu te chame?”

“Não estou bem, não deu pra atender. O P’Prood quer alguma coisa?”

O que mais você quer de mim? Queria perguntar de verdade. Não ir no seu prédio, eu já não vou. Ainda vem na minha cara pra quê? Tá de sacanagem, seu desgraçado?!

“Não tá bem como?”

Fiquei quieto, lendo os slides. Mas o P’Prood fechou meu notebook na cara dura. Aqueles olhos bonitos me encararam firmes até eu quase quebrar a pose.

“Melhorou?”

“....”

“Pluem! Tô perguntando, por que não responde!”

“Melhorei! O que o P’Prood quer tanto comigo?!”

P’Prood me olhou fixo, talvez porque eu tenha levantado a voz. Mas isso é pouco perto do que ele fez comigo. Eu nem reclamei de nada. Ainda fica enchendo meu saco. Se não levasse um chute na cara já podia agradecer por ter feito muita caridade!

“Hoje à noite vai comigo.”

“Não vou.”

“Pluem acha que pode me recusar?”

Suspirei, já de saco cheio da ameaça que não me afeta em nada. “Tenho que trabalhar, p’.”

“Que horas acaba o trabalho? Vou te buscar.”

“Três da manhã. Mas tenho que entrar no outro trampo depois.”

“Então três da manhã te espero na frente do 7-Eleven de sempre. Vou te buscar.”

“Tá.”

P’Prood sorriu satisfeito, a mão longa acariciou minha mão de leve. — E o celular que te dei, trouxe?

“Deixei carregando no quarto.”

“Hmm... da próxima vez que eu ligar e você não atender, você sabe o que vou fazer.”

“Tá.”

“Sabe que não pode ser teimoso comigo, né.”

“Sei. Já posso voltar pro meu trabalho?”

“Hmm.”

Abri o notebook e voltei pros slides, enquanto o P’Prood ficava só me olhando. Irritante, mas não quis falar nada. O trabalho que tenho que apresentar é mais importante porque essa nota é bruta, não divide. Se eu errar, perco trinta pontos na lata.

Demorou um pouco até o pessoal do Prem voltar. P’Prood ficou conversando com eles de bom humor enquanto comia o omelete que o Khun Prem comprou. Khun Prem arregalou os olhos e tirou foto do P’Prood dizendo que ia mostrar pra mãe que o irmão topou comer omelete. Que exagero, na minha opinião. Minha água de crisântemo foi roubada na cara dura. Não reclamei porque o Khun Tik estava olhando pra mim e pro P’Prood com curiosidade, aqueles olhos castanhos grandes cheios de fofoca.

“Já comeu?” P’Prood virou pra me perguntar, enquanto os outros conversavam baixo. Só o Khun Tik, que não tinha nada pra fazer igual os outros, ficou prestando atenção em mim e no P’Prood descaradamente.

“Já.”

“Pluem gosta de chá de crisântemo?”

“Não é que goste.”

“Então gosta de quê?”

“Não gosto de nada em especial.”

“Tem certeza?”

Olhei pro rosto bonito do P’Prood em silêncio, deixando claro com o olhar que estava de saco cheio das perguntas, porque precisava focar nos slides. Mas acabei ficando vermelho quando o P’Prood se aproximou e sussurrou no meu ouvido: “Não é que gosta da... minha não? Vi que o Pluem bebeu tudo, sem deixar uma gota.”

‘Desgraçado!’ Mexi a boca sem emitir som, mas o P’Prood deve ter entendido o que eu disse, porque aquele rosto bonito ficou sério na hora.

“Vai se dar mal.”

“P’Proooooood, tem alguma coisa com meu amigo?” Khun Kim perguntou rindo. — Não pega pesado com o Pluem não, p’. Olha ele, tá todo vermelho. Mas mesmo quieto assim, o Pluem te idolatra muito, viu. Hehe.

“Calado você não morre, sabia, Khun Kim?” Retruquei na hora. Khun Kim ficou boquiaberto, apontou pra mim como se fosse me dar um tapa, mas eu já guardei as coisas e levantei.

“Vou esperar na sala.”

“Uééé, Pluem, ei! Tá bravo? Tô brincando!!! Plueeem!” A voz do Khun Kim ficou pra trás, mas não olhei. Não estava bravo com ninguém. Só queria ficar quieto, me concentrar pra apresentação que começa em uma hora.

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Terminei o trabalho, enchi a barriga e fui sentar na frente do 7-Eleven esperando o P’Prood, que ligou dizendo que em cinco minutos chegava e pediu pra eu comprar pão e chá com leite pra ele. Fiz o que mandou. Fiquei olhando os carros passarem, dois ou três, e a BMW preta do P’Prood parou na minha frente.

“Entra.”

Fui sentar no banco do carona e entreguei o pão e o chá com leite. P’Prood pegou, sorriu pra mim de leve.

“Acabei de sair da aula.” Disse só isso e dirigiu. Não perguntei pra onde íamos, porque não me importava tanto. Só me importava que o P’Prood me deixasse de volta a tempo pro trabalho.

Fiquei quieto o caminho todo. P’Prood também parecia não ter nada pra falar comigo. O carro luxuoso entrou no estacionamento de um condomínio chique com mais de vinte andares. Segui o P’Prood até o elevador. Ele apertou o 35º andar e ficou do meu lado, comendo o pão.

“Decorou o caminho, né?”

“Sim.”

“Bom... da próxima vez que eu chamar, você já sabe vir sozinho.”

Fiquei quieto enquanto olhava os números subindo rápido até o elevador parar no 35º. Meu ouvido zumbiu um pouco. Saí do elevador meio tonto. Se der um terremoto de 8 graus, esse desgraçado do P’Prood não escapa não. Quem manda morar tão alto assim, não vai morar no céu logo - -_

O apê do P’Prood não é diferente dos outros condomínios de luxo. Tem tudo. Sala, quarto, cozinha, banheiro, tudo separado claramente. Vi a cozinha que parece ser o único cômodo pouco usado. Os utensílios pareciam novos, sem uso. Olhando pra cara do dono, não consigo imaginar o P’Prood de avental rosa com estampa de urso. Diferente da sala, que parece ser o cômodo mais usado. Uma estante embutida na parede do chão ao teto, cheia de livros. Do lado, uma mesa de computador bagunçada com papéis, o monitor cheio de post-its. Depois, uma mesa de vidro grande que imagino que ele use pra estudar, porque tinha apostilas e livros espalhados. No centro, um home theater, TV LCD de 60 polegadas na frente de um sofá preto enorme. Parece macio, confortável. Dá pra dormir ali melhor que na cama do meu alojamento - -_

“Faz alguma coisa pra comer.” P’Prood mandou.

“Só sei fazer miojo.”

“Coisa sem nutriente.”

“Se não comer, faz você mesmo. Senão sai pra comer fora.”

“Hoje estou cansado. Não quero sair.”

P’Prood parecia cansado mesmo, porque foi direto se jogar no sofá. Fui ver o P’Prood deitado de bruços igual criança. “Pode ser miojo? É o que eu sei fazer.”

“Uhum.”

Fui pra parte da cozinha, que nem dá pra chamar de cômodo, porque só tem um balcão separando do resto. Abri a geladeira e vi que estava cheia de coisas frescas. Comida congelada também lotava o freezer. Voltei pra ver o P’Prood, que agora assistia documentário sobre cobras.

“Quer arroz com manjericão e ovo frito? Eu esquento pra você.”

“Miojo mesmo. Coloca verdura e carne de porco pra mim.”

Com ele dizendo isso, voltei a procurar miojo. Boca fala que é sem nutriente, mas o P’Prood tem mais miojo estocado que no meu alojamento. Preparei o miojo, meu prato especial. Primeiro escaldei a verdura, piquei e cozinhei a carne, depois coloquei dois ovos, e por fim joguei a água na tigela com o miojo. Eu não cozinho o macarrão antes não, porque se cozinhar fica mole demais e feio. Pronto, chamei o P’Prood pra comer, e ele comeu quieto. Terminou, bebeu a água que preparei e voltou pro documentário.

“P’Prood, já posso ir?”

Depois de lavar a louça não tinha mais o que fazer. Fiquei massageando as pernas do P’Prood um tempo. Olhei a hora e já estava quase na hora do trabalho.

“Ainda não.”

“Daqui a pouco tenho que trabalhar.”

“Não deixei ir.”

“Tem mais alguma coisa pra fazer?”

“Me dá banho.”

P’Prood sorriu satisfeito ao ver minha cara. “Não vai fazer?”

“Não é demais?”

“O quê que é demais? Esposa dando banho no... marido.” P’Prood abaixou a cabeça, a palavra marido jogada na minha cara. “Tem algo de estranho?”

“....”

“Ou não vai fazer... mas acho que... Pluem não tem escolha, né. Já que virou esposa do marido... desgraçado! Desse aqui.”

Escolhi ficar quieto, porque realmente não tinha escolha. P’Prood devia estar bravo pelo que aconteceu mais cedo, mas as palavras nojentas dele já mereciam, não?

O banheiro é do tamanho do meu quarto. Tem uma banheira enorme no canto esquerdo, box de vidro no canto direito, plantas ornamentais em vasos chiques no meio. P’Prood entrou na banheira que preparei, com pose de rei mandando no escravo, que sou eu, com propriedade. Esfreguei as costas forte demais e levei bronca. Puxei o cabelo dele de leve na hora de lavar e levei esporro. Não posso fazer nada, quem mandou ficar aleijado? Se não tem capacidade de tomar banho sozinho, merece apanhar um pouco assim mesmo.

“Faz pra mim.” P’Prood saiu da água, sentou na borda da banheira, as pernas longas e brancas como leite levemente abertas. Olhei pra aquela coisa perigosa que quase me matou de dor quatro dias atrás, apreensivo. Agora ela apontava pra mim, ameaçando igual ao olhar do dono.

“Pluem, rápido. Senão não te levo.”

“Tá.”

“Sem usar as mãos.”

Me senti mal com o que o P’Prood fez, mas o que eu podia dizer? Alguém como eu teria direito de exigir alguma coisa? Usei minha boca pra ajudar o P’Prood, que agora segurava meu rosto e mexia o quadril no próprio ritmo. O rosto bonito se ergueu, os dentes morderam o lábio com força. Não demorou muito e o corpo do P’Prood tremeu duas, três vezes antes de soltar o líquido quente na minha boca. Chupei forte e engoli sem escolha, porque o P’Prood não saiu. Ouvi o som dele gemendo, o rosto bonito contorcido de prazer.

“Pluem... chega... solta...” O rosto do P’Prood parecia em agonia. Saiu devagar de mim antes de me puxar pra sentar no colo e me beijar de leve.

“Muito bem... daqui a pouco te levo.”

Assenti, antes de me afastar do P’Prood, cujos lábios já roçavam meu pescoço.

“Tá com raiva de mim...?”

“Não.”

“Nojo?”

“Talvez.”

As sobrancelhas grossas se franziram antes de ele apertar meu braço com força. “Mentira!”

“Pensa o que quiser.”

“Sai pra fora!” P’Prood gritou, me empurrou e entrou no box.

Esperei o P’Prood por uns vinte minutos, até ele sair do quarto com camiseta e shorts de basquete que, se outro homem usasse, não ficaria tão bem quanto no Ma Prood. Só isso já exala uma aura de beleza acima de qualquer mortal.

“Toma, usa.”

Cinco notas de mil foram estendidas pra mim, que olhei sem entender por que o P’Prood estava me dando.

“Pra que isso... não quero.”

“Tá sem dinheiro, não tá?”

“Mas isso não tem nada a ver com o P’Prood. Eu me viro.”

“Tá trabalhando que nem um condenado sem tempo pra descansar e ainda banca o orgulhoso.”

“Mas eu tô sobrevivendo. Guarda seu dinheiro, p’.”

“Não seja teimoso comigo... Pluem sabe que eu não gosto.”

Só de ver a cara... já sei o quanto o P’Prood está irritado. Ma Prood, o cara que as mulheres da universidade inteira sonham, não é só pela beleza que faz elas quererem ficar sob os cuidados desse homem. É por esse hábito de distribuir dinheiro e presentes. O boato de que as mulheres chamam ele de ‘Seu Prood’ deve ser verdade!

“Pluem te pergunta de verdade, P’Prood, o que mais você quer? Mandei não ir no seu prédio, já não vou. O que mais o P’Prood quer de mim?”

“Para de drama comigo, pode?”

Isso é drama? Isso é ser dramático? Minha dúvida não foi respondida e ainda levei bronca. Esse desgraçado do P’Prood deve estar querendo levar um chute pra acordar, né?!

“E o que o P’Prood quer?!”

“Levanta a voz de novo.”

“Desculpa.”

“Que horas o Pluem sai do trabalho? Vou te buscar.” Além de ignorar o que eu falo, o P’Prood ainda adora mudar de assunto do nada. Parece que ele acha que é o centro do universo, que todos os seres vivos têm que orbitar ao redor dele.

“Seis da manhã.”

“E que horas você dorme? Não, não deixo trabalhar.”

“Que que é isso, P’Prood?”

“Falei que não deixa trabalhar, não deixa. Não sei de nada. Pede demissão hoje.”

“Preciso de dinheiro! Se eu pedir demissão, vou viver de quê!”

“Eu te banco.”

“O p’ tá doido?! Não quero. Por que o p’ ia me bancar?”

“Chega! Falei que não deixa trabalhar, não deixa!”

Fiquei calado na hora com o grito do P’Prood, que foi mais forte que quando me expulsou do banheiro. Aquele rosto bonito estava pronto pra me chutar se eu ainda ousasse retrucar. Então só pude ficar quieto e assentir, sem escolha.

“Hoje dorme aqui. Não vou te levar. Tô cansado.”

Decidiu tudo sozinho de novo, antes de me deixar parado no meio da sala. E o P’Prood foi sentar pra ler na mesa de trabalho como se nada tivesse acontecido.

“Pluem vai tomar banho. Para de complicar. Amanhã tenho prova, não tenho tempo pra ficar te aturando.”

“Então vou de táxi mesmo. Melhor não incomodar o P’Prood.”

P’Prood virou com cara de bravo pra mim, o rosto bonito com óculos de armação preta no nariz alto fazia ele ficar ainda mais atraente. É, não importa a hora, eu ainda fico babando pela aparência desse homem, né -_- Que droga.

“Escolhe: ou faz o que eu mando na boa ou quer ir pra aula se arrastando amanhã.”

Claro que escolhi obedecer o P’Prood. Quem é doido de querer ir pra aula se arrastando? Só de ter levado aquela vez já fiquei todo dolorido, perdi aula por causa da febre ainda por cima.

...P’Prood sorriu satisfeito antes de mandar eu pegar toalha e roupa pra trocar no guarda-roupa do quarto. Peguei uma camiseta, mas calça não tinha nenhuma que servisse... a cintura era grande demais. Ainda bem que achei uma cueca tamanho único, nova, na gaveta de baixo. Peguei tudo e fui tomar banho rápido, senão o P’Prood ia reclamar de novo. Quanto à calça, depois a gente vê. Talvez eu tenha que amarrar alguma coisa na cintura.

Tomei banho e fui procurar o P’Prood, que estava lendo com cara séria na mesa. A camiseta do P’Prood que achei que seria a menor, mas quando vesti a gola quase caiu no ombro e ainda era comprida, cobrindo metade da coxa.

“P’Prood, vou dormir no sofá.”

P’Prood tirou os olhos do livro e me olhou dos pés à cabeça. — Vai dormir no quarto.

“Mas dá pra eu dormir no sofá.”

“Pluem!”

“Não quero incomodar o P’Prood.”

“Se não quer me incomodar, faz o que eu mando. Vai dormir. Vou estudar.”

Vendo que o P’Prood estava prestes a vir me estrangular, só pude assentir. P’Prood é muito bonito mesmo, mas outra coisa tão famosa quanto a fama de galinha é a fama de violento. Não ouso testar o pé número quarenta e tantos dele. Dá pra ver que ele pode quebrar minhas costelas se eu continuar arrumando problema. É, dormir na cama é bom também. Pulei e quase afundei no colchão. A cama dura do meu alojamento não chega nem perto.

Agora passa da meia-noite. Ainda não consegui dormir e o P’Prood não dá sinal de que vai entrar no quarto. Hoje também não fui trabalhar. Normalmente nessa hora eu estaria em pé firme atrás do caixa atendendo clientes. Ficar deitado à toa aqui é anormal pra mim. Pedir demissão eu também não vou fazer, só assenti pra ele parar de pensar em me bater. É, se eu sair do emprego, vou comer o quê, usar o quê? Descansei pra juntar força, quem sabe amanhã eu ache uma saída pro problema e um jeito de fugir do P’Prood de vez.

............................................Continua...............................................

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