5 de ago. de 2026

Ang Ang - Capítulo 19

Capítulo 19


— Ah, desculpa. Claro, até filho de rico tem coisa pra fazer. Se eu ficar só sentado brincando, acha que meu pai vai me deixar em paz? Você conhece bem meu pai, né?  


Sungjun disse, cumprimentando-o de forma leve, e caminhou em direção ao seu sub. O rapaz se encolheu. Jogar ácido clorídrico nele não era uma atitude comum vindo de Sungjun.  


Sungjun levantou o sub com delicadeza. O garoto nem conseguia erguer a cabeça e só tremia.  


— Vamos sentar um pouco. Você não apanhou tão forte... ... Graças a Deus.  


Seongjun sentou o sub ao seu lado, com um tom que não dava pra saber se era sincero ou falso.  


A expressão de Hwayoung endureceu ao ver aquela cena. Ela sorriu, ampla, com o rosto frio e cortante. Seongjun, que sabia que aquele sorriso significava que Hwayoung estava realmente furiosa, também sorriu.  


Deve ser difícil ser filho de uma família de gangsters, mas também não é fácil ser filho de uma família rica e ter tudo. Ele tinha mais do que capacidade para lidar com Hwayoung. O único problema era que, naquele momento, a situação lhe era desfavorável. Podia abrir mão do sub, mas não podia permitir que pensassem que ele "entregou o sub porque era fraco".  


Hwayoung parecia ter perdido o interesse nesse mundo depois de conhecer o "gato gigante" com quem sonhava desde criança. Mas Seongjun era diferente. A preferência sexual dele não tinha outro lugar pra existir a não ser naquele mundo pequeno e fechado.  


— Tá. Agora vamos ouvir a história direito. O que o Hyun-gil disse?  


Quando Hwayoung perguntou "Quem é Hyungil?", Sungjun apontou para o sub e disse:  

— Ei.  


Hwayoung acendeu um cigarro novo. Sungjun acendeu pra ela com destreza e lançou um olhar para o cinzeiro. Estava limpo. Por mais brava que ficasse, ela nunca fumava na frente do pai ou do irmão. Sungjun achou aquilo típico dela.  


— Manda ele me contar.  


Hwayoung, que costumava ficar ereta quando o pai e o irmão estavam por perto, resmungou enquanto se jogava de forma desconfortável no sofá individual. O som do risinho dela era ameaçador.  


Seongjun voltou o olhar para Hyungil.  

— Responde minhas perguntas direito. Consegue, Hyun-gil?  


Hyun-gil assentiu.  

— O que exatamente você fez com a Hwayoung?  


Hyun-gil não abriu a boca desde o início. Sungjun, observando Hwayoung soltar a fumaça para cima, teve um pensamento estranho. Lembrou de muito tempo atrás, de um pensamento obsceno: abrir as pernas dela e entrar nela.  


Mesmo enquanto fantasiava por um instante, Hyun-gil continuava calado. Então Sungjun teve que perguntar para Hwayoung:  

— Que dano ele te causou?  


— A Benz ficou toda arranhada. Escreveram "pervertido" na porta da frente. Ligaram pra minha casa ameaçando colocar fogo... Preciso continuar? — os olhos de Hwayoung não tinham nenhuma misericórdia. — Mesmo que eu fale isso, o que me deixa mais brava é provavelmente o ferimento do Gyuwon. Se não fosse pelo ácido clorídrico, como teriam limpado? Sungjun ficou decepcionado com isso.  


— Você fez tudo isso?  


Hyun-gil assentiu com força.  


Seongjun fez uma pausa e perguntou:  

— Por que diabos você fez isso?  


Hyun-gil sussurrou:  

— Quero falar só com os dois.  


Assim que ele disse isso, Hwayoung se levantou de repente. Seongjun entrou em pânico, achando que ela tinha perdido o controle, mas Hwayoung apenas caminhava em silêncio em direção à porta.  


— Espero uma resposta que me ajude a entender, Gu Seongjun.  


Seongjun respondeu "Claro" com uma expressão ruim para a pergunta de Hwayoung: "Você sabe o que eu quero dizer?"  


Assim que a porta se fechou, Seongjun agarrou os ombros de Hyungil.  

— O que você está pensando?  


Hyun-gil, que o encarava em branco, sorriu.  

— Mestre.  


Ao ver ele chamando assim, baixinho, Sungjun assentiu. Hyungil então falou:  

— Eu te amo.  


Seongjun olhou para Hyungil, atônito. Mesmo com o rosto machucado, Hyungil sorria.  

— Eu sei, Mestre não se importa comigo.  


Seongjun perguntou, num tom apressado:  

— Você ficou louco? Por que diabos tem história de amor aqui?  


Hyun-gil franziu a testa. Ao ver aquela cara, Seongjun o sacudiu.  

— Ei, você sabe onde está? Sabe o que você fez? Hwayoung, o caçula da família Yoon. Aquele que você viu mais cedo era o Yoon Soo-hyeop. Você mexeu com a máfia. Está querendo ser vendido pra um barco de pesca no alto mar? Ou quer virar escravo de verdade? Por que você é tão imaturo? Precisa ver o tamanho da merda que fez!  


Hyun-gil murmurou:  

— O-o que você está dizendo...?  


Sungjun bateu no próprio peito, frustrado. Hyun-gil tinha 21 anos. Afinal, era bem imaturo. Quem diria que isso ia acertar ele pelas costas assim?  


Ao ver aquela expressão de "meu único pecado é te amar", Sungjun sentiu até medo de matar Hwayoung antes que ela fizesse alguma coisa. Hyungil olhou para o rosto de Sungjun e se encolheu.  


Sungjun acabou explodindo ao ver aquela cara de "Mestre, Mestre vai me salvar".  

— Escuta aqui, Cha Hyun-gil. Mestre e escravo é só um jogo. O que você fez foi crime. Você cometeu o crime de tentar machucar alguém. Entendeu, seu idiota!  


No corredor, Hwayoung acendia outro cigarro quando Sungjun abriu a porta. Ele saiu com o rosto vermelho, acenou lá de dentro e disse:  

— Droga, aquele garoto que se dane. Eu resolvo sozinho, então não se preocupa.  


E tentou ir embora. Naquele momento, Hwayoung colocou o pé na soleira da porta.  

— Quem vai embora assim? Seongjun, vamos acertar as contas direito.  


— Se continuar assim vai me deixar bravo? — Hwayoung sorriu abertamente. Não havia nem um pingo de medo no rosto de Sungjun quando ele disse: "Para de rir, meu queixo está formigando". Ele arrancou o cigarro da boca de Hwayoung e colocou na própria.  

— O que você quer?  


Hwayoung deu uma risadinha.  

— Bem, ainda não tenho nenhum pedido. Então deixa pra depois.  


Seongjun franziu a testa.  

— Ou assim você diz.  


Prestes a sair, Seongjun tirou a carteira e entregou o cartão de crédito. Hwayoung olhou para baixo e respondeu:  

— Isso é um pouco fraco, não?  


Seongjun suspirou e soltou a fumaça.  

— Não é isso. O irmão "gato" de vocês se machucou. Vou pagar por isso.  


Hwayoung pegou o cartão e riu.  

— Tá. Vou anotar na sua conta.  


Sungjun riu.  

— É, o limite é alto, então usa à vontade. Aproveita e compra umas roupas pra você também. Garoto, desperdício de bacia.  


E tentou sair. Mas Hwayoung o segurou.  

— Deixa eu te perguntar só uma coisa.  


Seongjun assentiu na direção dela.  

— Ele disse que eu estuprei ele. O que isso significa? Você perguntou pra ele?  


Seongjun franziu a testa.  

— Você fez porque eu mandei. Acho que você não quis transar comigo.  


— O que quer dizer? Não foi combinado?  


Sungjun suspirou, escolhendo as palavras.  

— Eu achei que era consensual. Droga, aquele garoto e eu ficamos um ano juntos. A não ser que ele tivesse se oposto com força, é natural pensar que foi consensual. Mas aquele garoto... ... Droga, desculpa por isso... ...  


Naquele instante, o punho de Hwayoung acertou fundo o abdômen de Seongjun.  

— Você chama isso de desculpa, seu merda?  


Seongjun se dobrou ao meio.  

— Desculpa... Eu disse que sim!  


Hwayoung o empurrou e começou a bater com a parte de trás da cabeça na parede. Antes da quinta ou sexta vez, Seongjun, segurando a barriga, se aproximou e colocou a mão no local onde ela batia.  

— Ei, olha. Já basta eu apanhar de você. Se seus irmãos e seu pai tentarem me comer vivo por estragar sua cabecinha bonita, eu vou surtar de vez. Tá? Se segura.  


Hwayoung empurrou o rosto de Sungjun de novo e cobriu o próprio rosto com as duas mãos.  

— Droga. Sério... ... Ai, meu Deus!  


Quanto mais pensava, mais raiva e ressentimento sentia. Hwayoung nunca tinha estuprado ninguém — podia jurar por Deus — mas o resultado estava sujo. Claro que ela achou que foi consensual. Como perguntar para o sub de outra pessoa "Foi consensual?". Era tão injusto que quase pulava e surtava, mas não podia fazer nada.  


Hwayoung abriu a porta com força e pegou um cassetete de madeira no canto. Era algo que Kiyoung usava para "corrigir" os subordinados.  

— Você acha que está com sorte, garoto. Tá? Não quero te ver de novo. Se eu te ver na rua, vou te jogar no meio do trânsito, entendeu?!  


Depois de gritar com Hyungil, Hwayoung ficou de frente para Seongjun.  

— Não preciso de mais nada. Só morre. Se tiver com medo, me enfrenta. Quer que eu saia?!  


Seongjun, vendo Hwayoung gritar, se inclinou e gritou:  

— Ah, desisto! Desisto!  


Mas Hyungil se meteu no meio.  

— Por quê, por que vocês estão fazendo isso?! A culpa foi minha, então falem comigo. Falem com o Mestre... ...  


Não foi Hwayoung, e sim Sungjun, quem jogou Hyungil no chão. Ele gritou com uma cara de quem ia realmente perder a cabeça:  

— Pelo amor de Deus, cala a boca e não se mete, por favor!  


Diante dele, Hwayoung apenas riu, chocada.  

— O que você quer que eu diga pra você?  


Hyun-gil assentiu ao ouvir a voz baixa de Hwayoung.  

— Eu assumo a culpa, então faz comigo!  


Vendo aquilo, Seongjun levantou os dois braços em sinal de rendição e balançou a cabeça para Hwayoung.  

— Ei, não me culpa por ter um idiota desses.  


Hwayoung coçou a cabeça e jogou o cassetete. Depois agarrou Hyungil pelo pescoço e o levantou. Com as costas dele contra a parede, Hyungil abriu os olhos e se debateu, mas Hwayoung nem piscou.  

— O quê? Está xingando? Está querendo brincar de casinha comigo agora?  


Hyun-gil tentou falar, mas não conseguiu. As mãos de Hwayoung estavam no pescoço dele, suspendendo-o contra a parede. Os pés dele não tocavam o chão.  

— Ei, garoto. Quer que eu te faça mergulhar pro resto da vida? Prefere o Mar do Leste ou o Mar do Oeste? Hã? Parece que você não entendeu o que está acontecendo agora. Mas se não gosta do mar, quer mergulhar com um tambor cheio de ácido clorídrico?  


A calça de Hyun-gil ficou completamente encharcada. Urina escorria, mas Hwayoung não afrouxou a mão.  


Quem a impediu foi Sungjun. Assim que ele puxou Hwayoung à força, o corpo de Hyun-gil escorregou pela parede.  

— Yoon Hwa-young, eu não queria dizer isso, mas você virou alvo agora. Estão te chamando de traidora em todo lugar. Mesmo que não fosse o Hyun-gil, alguém teria te machucado.  


Hwayoung olhou de volta para Seongjun.  

— O quê?  


Seongjun continuou, com o rosto frio:  

— Você é a única sonhando com um futuro brilhante nesse chão maldito. Acha que os garotos vão deixar? É fácil entrar, mas você sabe que nunca é fácil sair.  


Hwayoung riu, sem humor.  

— Sou a única feliz, então vou embora porque minha barriga dói, é isso?  


Apesar do sarcasmo, nenhuma expressão mudou no rosto de Sungjun.  

— Sendo direto, sim. Isso me machuca bastante. Você sempre diz que até um par de sandálias tem um par... ... Nós somos filhos da escuridão.  


Seongjun não mudou a expressão nem sob o olhar furioso de Hwayoung.  

— Eu não sou casado. Só peguei um sub homem. Isso é traição?  


Seongjun deu de ombros.  

— Seria melhor se casar. Depois de casar, você vai acabar insatisfeita e vai voltar pro clube pra brincar, como propriedade de todos. Se esperar, um dia talvez seja escolhida. Aqueles garotos que te seguem sem falhar. Eles ouvem rumores, descobrem seus gostos e ficam esperando enquanto o gerente aparou o cabelo e treinou os músculos. Do ponto de vista deles, você está arranjando um amante e saindo desse lugar. Claro que é injusto. Isso deixa eles com raiva. Se você tivesse tendência a ser sub, se fosse switch... ... Eu não teria deixado o cartão de visita dele de propósito e entregue o vídeo para o cara que é apaixonado por você. Eu mesmo teria tomado uma atitude.  

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