Às sete da manhã, Fah levou Sher ainda todo amassado para comer arroz com frango em um restaurante perto do prédio. Não havia muitos estudantes por ali, já que a área não era residencial.
— Nossa, você está acabado comentou Fah, rindo ao observar o rosto pálido do outro. Havia apenas uma marca avermelhada próxima ao pescoço. — Eu te levo para casa daqui a pouco.
— Não precisa. Eu moro longe.
Na manhã seguinte, eles apenas se despediram no prédio. Sher dirigia sozinho.
— O que foi?
— Duas noites seguidas… pesa um pouco.
— Hm…
— Melhor eu te levar de volta.
— Não precisa cuidar de mim. Eu não sou seu namorado — Sher murmurou, abaixando a cabeça para continuar comendo.
— Não posso fazer isso por gentileza?
— Gentileza… ou luxúria? — provocou Sher.
— Você quer apanhar de novo? — Fah retrucou, bagunçando o cabelo longo dele. Irritante. Totalmente irritante. Sher tinha aquele rosto astuto, palavras insinuantes e uma postura que parecia sempre distante.
— Hoje não dá mais. Tenho aula às dez e meia.
— Eu já disse que te levo.
— Tenho preguiça de deixar você ver minha casa.
— E por que eu não posso ver?
Sher franziu as sobrancelhas e lançou um olhar impaciente.
— Parceiros são uma coisa. Vida pessoal é outra. Não quero misturar.
Para Sher, Fah era apenas um parceiro.
E para Fah… Sher também era.
Ainda assim, o estado de Sher não parecia confiável para deixá-lo voltar sozinho.
— Então somos amigos?
— Quem disse isso? Essa é a sua lógica.
— Amigos com benefícios — Fah sorriu.
O belo rosto permaneceu em silêncio. O cabelo de Fah estava ajeitado às pressas; o de Sher também não estava melhor.
— Eu nunca repito a mesma pessoa.
— Ah, não? — Fah sorriu de forma provocativa. — Se não tivesse gostado, não teria gemido daquele jeito.
— Você é péssimo.
— Se eu fosse tão péssimo, você não teria passado duas noites seguidas comigo… ainda mais uma noite inteira. O que acha, Sher? Nong Sher?
— Vai se ferrar, Fahlan!
Fah caiu na gargalhada. Mesmo emburrado, Sher continuava absurdamente bonito.
— Admita… você sente atração por mim.
— Só de olhar para sua cara, meu “dragão” já ficou quieto.
— Dragão ou minhoca? — Fah provocou.
Sher desviou o olhar rapidamente.
— Fala isso de novo.
— Ah… continua — Fah riu.
— Ainda não aceito ser seu amigo.
— Eu estou obrigando.
Sher riu. Fah era teimoso demais.
— Quer que eu me renda, não é?
— Quero.
— Suspiro… Prazer em conhecer você. Amigo com benefícios.
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Cada um comeu dois pratos de arroz. Depois, Fah levou Sher ao condomínio dele pela primeira vez não tão perto da universidade, mas também não tão longe. O aluguel era acessível, o apartamento pequeno.
— Obrigado.
— Nos vemos na universidade.
— Estamos em faculdades diferentes. Não é tão simples assim.
Fah balançou a cabeça.
— Eu te ligo mais tarde.
— Você não tem meu número.
Fah sorriu, pegou o celular e entregou para Sher.
— Agora tenho.
— Droga… por que eu fui virar amigo de alguém que me levou para a cama duas noites seguidas…
— Anda, tenho que ir. Me liga.
Fah passou o braço pelo pescoço de Sher, apoiando o queixo em seu ombro enquanto brincava com seus cabelos.
Sher apoiou a cabeça nos ombros largos dele, pegou o próprio celular e ligou para o número recém-salvo.
— Pronto.
Fah retirou o celular do bolso e encerrou a chamada.
— Salva meu nome também.
Sher estalou a língua, irritado.
— E por que eu faria isso?
— Como quiser me chamar.
Sher salvou como: FL FWB.
Fahlan. Friend With Benefits.
— Ei, a ligação foi recebida.
— Se terminou, me solta.
— Primeiro um beijo.
— Quem disse que é regra beijar…?
Sher o beijou inesperadamente.
Fah riu contra seus lábios. Era exatamente do jeito que ele gostava — sem timidez, sem constrangimento.
Sher entrou no condomínio sem olhar para trás.
Fah tocou os próprios lábios antes de entrar no carro. Ele também tinha aula às dez e meia.
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— Caramba, Fah! Você sumiu ontem — reclamou Ping, batendo na cabeça dele.
— Foi mal.
— Levou o garoto para o quarto de novo? — provocou Tap.
Os três estavam sentados no fundo do auditório em formato de cinema. Era aula de disciplina geral, obrigatória para todas as faculdades.
— Nem precisa responder — disse Ping. — Esse seu bom humor entrega tudo.
— E vocês dois?
— Ping bebeu demais e vomitou. Tive que arrastá-lo para casa — Tap resmungou.
— Vocês ficaram juntos, então?
— Vai se ferrar, Fahlan!
Os dois negaram imediatamente, arrancando risadas.
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Pouco depois, o professor anunciou:
— O docente responsável ficará fora por duas semanas. A turma de Arquitetura dividirá a sala conosco.
Estudantes de Arquitetura começaram a entrar. Aparência descuidada, cabelos bagunçados, olheiras profundas. Bem diferente dos alunos de Economia, sempre impecáveis.
— Vamos, sentem-se. A aula vai começar.
Fah procurou discretamente pela sala.
Arquitetura tinha cinco anos. Será que Sher estava nessa turma?
— Ei, garoto arquiteto.
As últimas duas pessoas entraram.
Sher.
Cabelos longos presos de qualquer jeito, óculos vintage de armação preta, camisa social com mangas longas, jeans preto, sapatos de couro. Uma bolsa atravessada no peito e um livro fino na mão.
— Não tem mais lugar.
— Tem aqui — disse Fah.
Os colegas ficaram surpresos. Ele não costumava chamar qualquer um para sentar ao seu lado.
— Prince, sente com Gear. Eu sento ali — Sher falou para um colega antes de subir até o fundo.
— Que coincidência — murmurou, sentando ao lado de Fah.
— Pescoço vermelho.
Sher levou a mão imediatamente ao próprio pescoço, irritado.
— Você não me larga, né?
— Está quente.
— A sala tem ar-condicionado.
— Eu estava falando de mim.
Sher inclinou a cabeça e Fah soltou o elástico de seu cabelo, deixando os fios negros caírem pelos ombros.
— Ei, minha presilha!
— Droga — Sher resmungou.
A aula durava uma hora e meia, duas vezes por semana.
Fah anotava tudo com atenção, concentrado nas explicações.
O homem provocador da noite anterior agora parecia apenas um estudante aplicado.
Já Sher… como muitos de Arquitetura, não dava tanta importância à matéria geral. Deitou a cabeça na mesa, virado para a parede.
O ar-condicionado estava frio. A voz do professor, monótona.
E havia alguém acariciando seu cabelo suavemente.
Fah sorriu de leve, escrevendo com a mão direita enquanto a esquerda passava pelos fios longos e macios.
— Ei, Fah… — cochichou Ping.
— Shh. Ele vai acordar.
— Seu “Nong” está com frio? — brincou Tap.
Sher encolheu os braços.
— Está frio…
— Quer minha camisa? — ofereceu Ping.
Fah riu.
O professor colocou um vídeo. Fah segurou a mão branca e esfregou levemente.
— Hm… — Sher abriu os olhos.
— Está melhor?
Ele assentiu.
— Deita aqui.
Sher apoiou a cabeça no colo de Fah, abraçando sua cintura.
Respiração lenta.
Dormiu.
— Cara… — Ping quase assobiou.
— Finge que não está vendo — murmurou Fah, ainda acariciando os cabelos espalhados sobre suas pernas.
… Satisfeito.
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