27 de fev. de 2026

Manner of Death - Capítulo 32

Capítulo 32 -  “Tutor gato, passe adiante!”

Eu ri quando a garota do meu curso de biologia me mostrou seu telefone. Na tela, vi uma foto em que eu estava de boca bem aberta tentando explicar algo aos meus alunos que vieram estudar comigo embaixo do prédio da Faculdade de Medicina. Quem quer que tenha tirado essa foto deveria ter me avisado antes de postá-la, porque eu parecia horrível com a minha boca fazendo um formato de "O" como aquele.

— É isso aí, alguém tirou fotos suas e as compartilhou on-line com essa hashtag. Muitas pessoas estão compartilhando isso. — Koi sorriu. — Você é famoso agora, professor Tann. Cheque os comentários.

— Céus, quem fez isso comigo?

Na verdade, apesar da minha reclamação verbal, fiquei feliz por minhas fotos receberem comentários positivos. Ontem à noite o número de visitas na minha página comercial aumentou, o que provavelmente deve ser resultado dessas fotos com a hashtag ? #Tutorgatopasseadiante.
Tive sorte de possuir os belos genes do meu pai, mas nunca pensei em fazer um bom uso deles antes. Nunca me considerei bonito em comparação com o meu irmão falecido, Pert. Ele podia fazer os joelhos de uma mulher cederem sem uma única palavra, e até Bunn costumava ter uma queda por ele, aliás.
Mas como aparência era outro método que poderia me levar ao sucesso, eu tentaria promover mais fotos minhas na página comercial.

Depois de recarregar nossos cérebros cansados durante o intervalo, Koi e eu continuamos nossa lição sobre os componentes celulares até às oito da noite. Koi queria fazer o Teste Olímpico da Academia, então o conteúdo do curso que preparei para ela era mais intensivo que o currículo geral das pessoas da sua idade. Era biologia a nível universitário. Embora a matéria fosse difícil, Koi estava determinada, então fui encorajado a continuar a ensiná-la. Koi colocou as apostilas em sua bolsa e juntou as palmas das mãos, despedindo-se de mim com o wai.

— Tenho que ir, minha mãe está aqui.

— Claro, te vejo na quarta.

Peguei meu celular no caminho de volta para a minha casa. Eram oito e quinze da noite, então provavelmente eram oito da manhã na América. Bunn já devia ter ido trabalhar. Se eu ligasse para ele agora, acabaria atrapalhando. Poderíamos conversar na manhã seguinte, quando ele saísse do trabalho. Eu estava prestes a colocar o aparelho de volta no bolso quando um som de notificação tocou. Puxei-o mais uma vez.

Havia uma notificação do Messenger. Uma mensagem. O remetente era Kittiphong Chaingam, um nome do qual eu nunca tinha ouvido falar antes. Cliquei para abrir e ler a mensagem inteira.

[Oi, sou um velho amigo do Dr. Bunn.
Vi que vocês dois são bem próximos.
Quero falar com o Tarr, o cara com quem ele está neste momento.]

Mandei uma mensagem para Bunn, mas ele não me respondeu.

[Você poderia dizer a ele para falar com Tarr para mim?]

[Isso seria de grande ajuda. Muito obrigado mesmo.]

Lá vamos nós... Agora ele está me sacaneando. Eu estava esperando por isso. O canto da minha boca se levantou. Esse usuário anônimo do Facebook tentou deixar escapar que Bunn estava com Tarr, seu ex-namorado. Tudo bem, eu faria o papel de um namorado ignorante que ficou chocado ao saber que seu amor foi ver seu ex-namorado pelas suas costas.

[Como você sabe que Bunn está com Tarr?] Digitei de volta.

[Estou em Nova Iorque.]
— Eu não caí nessa, idiota — amaldiçoei antes de tirar uma captura de tela e enviá-la para Bunn via LINE. Quando pudesse, ele me ligaria. Passei para a próxima etapa do meu plano. Cliquei no ícone do Facebook e digitei no mural:
[Nada pode ser feito para que você tenha minha confiança novamente, pois uma única mentira é o suficiente para perdê-la para sempre.]

Isso será o suficiente para causar um drama, Bunn?

Desliguei a tela e continuei andando. Depois que cheguei em casa, joguei pela janela o plano de preparar meus materiais de ensino e olhei tudo no perfil de “Kittipong Chaingam”. Eu não sabia como essa pessoa estava relacionada com Bunn ou Tarr. Até onde eu sabia, ele podia ser apenas um estranho ou o próprio Tarr por trás de uma conta falsa. No entanto, eu tinha quase certeza tipo, cem milhões por cento de certeza de que essa pessoa era Tarr disfarçado.

[Eu deveria fingir um choro, certo?] Bunn disse, brincando. 

[Fui pego em flagrante. Término garantido.] — Sim, algo do tipo. — Ri e afastei meu olhar da tela do computador para encarar Bunn. Eu estava no FaceTime com ele usando o iPad à minha direita. Bunn estava se vestindo para ir ao hospital pela manhã e, naquele momento, abotoava a camisa. Eu faria qualquer coisa para me teletransportar pela tela para vê-lo pessoalmente. Eu queria ajudá-lo a se preparar para o dia, ou provavelmente o contrário.

[Então quem foi falar de mim para você? Você tem mais informações?] Bunn perguntou, interrompendo meus pensamentos eróticos.

Limpei minha garganta. 

— O Facebook dele está em modo privado, Bunn. Há apenas algumas fotos que não ajudaram muito, então enviei um pedido de amizade, que ele ainda não aceitou, mas aqui está o que eu sei: sua intenção é má. Ele intencionalmente me contou sobre Tarr.

Quantos tailandeses saberiam sobre vocês dois se encontrando em Nova Iorque se não fosse Tarr?

[Humm.] Bunn ponderou. [Então deve ser ele.] Eu sorri. — Ele é o suspeito número um. Com certeza ele fez isso.

[Estamos levando essa merda muito mais a sério do que levamos uma investigação de assassinato.] Bunn virou-se para o cachecol e o enrolou em seu pescoço. Devia estar congelando lá.

 [Acho que posso encontrar mais informações com a minha ex-namorada, quando eu tiver um tempo livre.] — Legal. — Comecei a gostar desse jogo de “pegar o vilão”. Eu poderia me envolver nessa “investigação” sem ter que arriscar minha vida ou entrar em quaisquer atividades ilegais. 

Não havia necessidade de formular um plano genial para vencer isso, era apenas algo para eliminar nossa suspeita incômoda. E a julgar pelo seu sucesso anterior, Bunn logo encontraria a resposta.

Com uma expressão melancólica no rosto, encarei o hambúrguer enorme que a garçonete havia colocado sobre a mesa. Tarr me olhou como a familiar simpatia de sempre. Eu o chamei ali, dizendo que queria alguém comigo neste momento, e ele concordou sem hesitar.

— Desculpe incomodá-lo assim depois do trabalho, mas não tenho ninguém a quem recorrer. 

— Olhei para o homem à minha frente.

— Está tudo bem. Estou sempre aqui para ajudá-lo, Bunn. Você pode me dizer qualquer coisa. — Tarr pegou uma grande porção de batata frita e colocou na boca. — Qual é o problema?

— Eu... briguei com o meu namorado. — Fui direto ao assunto, observando de perto a reação de Tarr. — Nunca tivemos uma briga tão feia antes. Como Tann descobriu que nós nos encontramos em Nova Iorque? — Meus olhos se voltaram para uma multidão de pessoas caminhando do lado de fora do restaurante.

— Isso é terrível! — Tarr gritou, e uma expressão de choque apareceu em seu rosto. — Como ele soube?

— Tann falou que alguém que diz ser meu amigo entrou em contato com ele, falando que você e eu estávamos juntos e que precisava do teu contato, mas não conseguiu falar comigo para pegar — Fiz uma careta.

— Mas depois de todo esse tempo ninguém me perguntou sobre você, e Tann não quer me dizer quem é esse cara. Ele disse que não importa quem é, o que importa é que eu menti para ele. Agora ele provavelmente não vai mais confiar em mim. 

— Eu estava me perguntando se deveria deixar escapar um soluço para fazer a atuação parecer mais convincente, mas decidi que não. Tarr colocou sua mão em cima da minha que estava sobre a mesa.

— Apenas algumas pessoas aqui conhecem você e eu. Vou ajudá-lo a descobrir quem ele é. Você poderia pedir ao seu namorado para me enviar o nome dele?

— Vou tentar perguntar a ele, mas vai ser difícil. Tann não quer falar comigo. — Olhei para a mão de Tarr, ainda apoiada sobre a minha, e lentamente puxei a minha mão. — Você não contou a ele sobre nós, né?

Tarr balançou sua cabeça. — Por que eu faria isso?

— Porque você ainda está bravo comigo. Você não quer que eu seja feliz em minha vida amorosa. Você estava me perseguindo, tentando descobrir se eu estava namorando alguém, e encontrou uma maneira de destruir meu relacionamento contando meus segredos para outras pessoas.

— O rosto de Tarr permaneceu sereno, o que era incomum para quem foi acusado de mentir. O rosto dele era mais fácil de ler que o de Tann, que tinha um talento natural para mentir.

— Sinto muito que você me veja assim. — Uma centelha de raiva armazenada em seu olhar sob os óculos pôde ser vista depois de algum tempo. — Não vejo por que eu teria que fazer uma coisa dessas com você.

O que aconteceu entre nós acabou há muito tempo.

Balancei minha cabeça. — Você conhece um amigo da Prae, minha ex-namorada.

Tarr franziu a testa. — Não estou entendendo o que você quer dizer.

— Você disse a um amigo da minha ex que eu sou gay. Esse amigo foi avisá-la sobre isso. Já perguntei e ele confirmou que te conhecia e que foi você quem contou a ele sobre mim.

 — Mostrei meu telefone para ele, revelando a verdade sobre suas mentiras na conversa entre eu e o amigo de Prae. Tarr parecia relutante em olhar para ele. — E logo depois de implorar para você não contar ao meu namorado sobre o nosso encontro secreto, alguém tentou entrar em contato com ele e dar uma dica de que você e eu estávamos juntos.

Tarr permaneceu em silêncio, então decidi desferir o golpe final.

— E aparentemente esta não é a primeira vez. 

Você se lembra da Chompoo? A garota da farmácia com quem namorei? Ontem tentei entrar em contato com ela e, adivinha, nós conversamos. Ela me disse que, depois de fingir que estava perguntando sobre as direções no hospital, você tentou entrar em contato com ela para afastá-la de mim. E ela realmente me deixou depois disso. 

— Olhei para Tarr com um olhar penetrante.

Tarr tirou os óculos e colocou-os no bolso da camisa. Seus olhos estavam brilhantes. Ele parecia aquela mesma pessoa que eu conhecia quando era jovem. Eu podia sentir que sua energia começou a morrer. 

— Sei que eu não deveria ter feito isso, mas sou uma pessoa má, Bunn. Não pude evitar ficar com raiva e ciúme.

Soltei um sorriso vitorioso. Foi exatamente como aquele momento em que consegui enganar Rungthiwa, a irmã de Jane.

Tarr juntou as mãos, recusando-se a me olhar nos olhos. 

— Admito que o que aconteceu com Chompoo foi minha culpa, mas o que aconteceu entre você e Prae foi um acidente. Voltei para a Tail?ndia para visitar meus pais e encontrei meu antigo colega de faculdade, com quem saí para beber.

Ele é gay, como nós, na verdade, então contei coisas a ele quando fiquei bêbado. 

— Tarr passou a mão no nariz. — Ele me perguntou quantos namorados eu já tive, disse que você foi o meu primeiro, falei sobre como você me tratou e mostrei a ele o seu Facebook. Juro que eu não sabia naquela época que ele conhecia a sua ex. Só mais tarde descobri que eu fui o motivo do rompimento de vocês.
Eu bufei com um longo suspiro. 

— Embora você não quisesse fazer isso, suponho que seja verdade que você usou intencionalmente um perfil falso do Facebook para contar ao meu namorado sobre nosso encontro secreto, né? Não pense que eu não sei sobre isso, Tarr.

Tarr ficou em silêncio por um longo tempo enquanto olhava para a tigela de batata frita, que já havia esfriado.

 — Eu sinto muito.

Recostei-me na cadeira, sentindo como se uma aflição tivesse sido tirada do meu peito. Encarei Tarr com um olhar frio. Na verdade, Tann e eu ainda não tínhamos conseguido encontrar nenhuma evidência para forçá-lo a admitir a verdade, então escolhi usar as informações que reuni e usá-las contra ele, e, felizmente, Tarr confessou. — Eu não quero acabar com a nossa amizade, mas se você fez isso para me ferir, não tenho mais nada a dizer.

Outro prato foi servido em nossa mesa, o que nos fez ficar em silêncio por um tempo. Quando a garçonete foi embora, continuei: — Lamento ter ferido seus sentimentos, Tarr. Mas, por favor, deixe-me em paz de agora em diante.

Um sorriso triste gradualmente apareceu em suas feições. 

— Vou tentar.

— Você não pode simplesmente “tentar”, isso precisa parar. Se você não parar... — Eu não queria fazer isso, mas pessoas como o Tarr sempre passavam o tempo morando no passado. Se eu fosse tolerante com isso, certamente haveria mais caos à frente. 

— Steve pode querer saber sobre a nossa história, não acha? E aí não posso garantir o que vai acontecer depois disso.

Seus olhos se arregalaram com a minha ameaça, e vi o terror aparecendo em seu olhar. Eu peguei ele agora, percebi. 

— Você não mudou nem um pouco. Você é cruel pra caramba, sabia disso? — Tarr deu uma risada forçada.

— Não, na verdade eu sou dez vezes mais cruel do que costumava ser. — Sorri levemente para amenizar a atmosfera tensa que pairava sobre nós. Estendi a mão para pegar o hambúrguer no prato e me preparei para comê-lo.

 — Mas isso não significa que você não pode ser meu amigo.

— Hum. — Tarr pegou o garfo, parecendo abatido como nunca. — Fui pego em flagrante. Como posso ser seu amigo agora?

— Está tudo bem, eu te perdoo. Vou falar com o meu namorado e fazer com que ele te perdoe também. 

— Surpreendi Tarr mais uma vez ao lhe dizer que Tann também sabia disso. 

— Talvez o que você fez tenha sido uma coisa boa. Conheci Tann, e ele acabou por ser o homem certo, parei de mentir para mim mesmo e voltei ao caminho correto.

Tarr massageou as têmporas. — Você é um chato. Certo, você realmente faz jus à sua reputação, Bunn. Eu desisto. Vou deixá-lo em paz.

— Boa. Steve não ficaria feliz em saber que você ainda está apegado ao seu ex. 

— Minhas sobrancelhas ergueram-se desafiadoramente.

Agora esse caso foi oficialmente encerrado. O caso de um homem que andava por aí se intrometendo na vida amorosa de outras pessoas. Eu não sabia se conseguiríamos continuar do jeito que estávamos ou se, na pior das hipóteses, não seríamos capazes de nos falar nunca mais.

Seguimos caminhos separados, voltando às nossas casas logo após o jantar. Tarr foi embora sem uma despedida prolongada. Eu só pude olhar para as suas costas se afastando, sem sentir nada, antes que ele se misturasse à multidão. No passado, Tarr sempre me dizia que eu era a primeira pessoa da qual ele queria se aproximar, apesar dos meus comportamentos notoriamente indisciplinados. Ele concordou em manter nosso relacionamento em segredo se isso significasse que ele poderia permanecer ao meu lado, segurando minha mão e sussurrando palavras doces em meus ouvidos, algo com que eu não me importava nem um pouco.

Ainda assim, quando a represa das emoções rachou-se e transbordou, Tarr explodiu, fazendo com que eu largasse ele naquele dia.

Sinto muito por ter magoado você, Tarr. Mas nós dois nos tornamos apenas linhas paralelas.




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