27 de fev. de 2026

S.C.I. Mystery Files Vol. 01 - Capítulo 17

Capítulo 17 – O Caso Antigo

Zhan Zhao folheava os arquivos um a um. A cada pasta aberta, sua expressão tornava-se mais sombria.

— O que foi, Gatinho? — perguntou Bai Yutang, apreensivo.

— Rato… como você descobriu isso? — Zhan Zhao ergueu os olhos para ele.

— …Descobri o quê?

— Todas essas pessoas têm relação com TOC e com sugestão psicológica! — Zhan Zhao bateu os arquivos contra o peito dele. — Responda! Não se faça de desentendido!

— Não estou me fazendo de desentendido. — Bai Yutang pegou a revista que estava lendo. — Pense um pouco. Este caso tem alguma ligação com você… e com o Departamento de Psicologia da Universidade C. Então imaginei que pudesse ter relação com psicologia.

— Além disso — continuou, Wang Chao e a equipe estão analisando esses arquivos há dias, mas não encontraram nenhuma conexão entre as vítimas. O único ponto em comum é que todos estavam passando por dificuldades na vida e não eram bem-sucedidos na carreira. Alguns inclusive tinham histórico de transtornos mentais.

— Ah… — murmurou Zhan Zhao, acariciando o queixo. — Então foi por isso que você veio aqui buscar inspiração.

Bai Yutang ergueu o queixo dele com dois dedos.

— E pelo visto encontrou. Olha essa cara convencida.

Zhan Zhao afastou a mão dele com um tapa leve.

— Vamos!

— Ei! Gato! Pra onde? — Bai Yutang correu atrás dele.

— Você sabia que nossa delegacia foi a primeira a criar o “Escritório de Pesquisa em Psicologia Criminal”? — perguntou Zhan Zhao, andando apressado.

— Hum… não foi criado há vinte anos, por sugestão do Comissário Bao? — Bai Yutang igualou o passo. — O que isso tem a ver com o caso?

Zhan Zhao apertou o botão do elevador.

— Sabe por que esse departamento foi fundado?

— Dá pra ir direto ao ponto?

— Naquela época houve um grande caso. Por causa das implicações, quase ninguém sabe os detalhes. Eu mesmo só descobri quando entrei para o setor.

Os dois entraram no elevador. Zhan Zhao apertou o botão do 11º andar.

— O que se sabe é que o assassino usava sugestão psicológica para controlar e matar pessoas. Em cinco anos, mais de cem morreram. Mais de uma dezena eram policiais.

As portas se abriram.

— Como eu nunca ouvi falar disso? — Bai Yutang perguntou, incrédulo.

Zhan Zhao riu, caminhando em direção ao arquivo.

— Quantos anos você tinha há vinte anos? Que criança teria acesso a esse tipo de coisa?

Bai Yutang revirou os olhos.

— E você sabia como?

Zhan Zhao lançou-lhe um olhar enviesado.

— Sou mais velho que você.

Estalou a língua, satisfeito, ao ver o rosto de Bai Yutang empalidecer de irritação.

— Quem diria que aquele menininho fofo que vivia me chamando de “Gege” cresceria para virar esse sujeito irritante?

— Ora, seu gato miserável! — retrucou Bai Yutang. — E você? Quer que eu conte como era quando pequeno? Quem era mesmo que voltava do jardim de infância com o rosto todo babado de tanto beijo das tias?

— Aham! — Zhan Zhao mudou de assunto abruptamente. — Chegamos ao arquivo!

Entrou depressa na sala.

— Se não fosse eu te proteger naquela época, acha que teria crescido inteiro? Ingrato… — resmungou Bai Yutang.

De repente, Zhan Zhao tentou fechar a porta na cara dele. Por reflexo, Bai Yutang segurou a porta a tempo.

— Você é cruel! Está com inveja do meu nariz perfeito?

— Shhh! — Zhan Zhao fez sinal para que ele se calasse e começou a procurar nas estantes.

— Isso não é extremamente ineficiente? — Bai Yutang olhou para as etiquetas amontoadas. — Não tem nada digitalizado?

— Já verifiquei. Não há registro no sistema… — Zhan Zhao interrompeu-se. — Hein?

— O que foi? Achou?

— Faltam muitos arquivos entre os anos de 82 e 87!

— Esses são confidenciais — disse uma voz envelhecida atrás deles.

Mesmo não sendo medrosos, era madrugada e o arquivo estava mergulhado em sombras. A voz repentina quase os fez saltar.

Um feixe de lanterna iluminou-os.

— Senhor Sun? — Bai Yutang protegeu os olhos, colocando-se instintivamente à frente de Zhan Zhao. — Por que está usando lanterna se as luzes estão acesas? Não estamos filmando um terror.

O velho arquivista riu.

— Pensei que fosse algum idiota tentando roubar documentos.

Zhan Zhao apontou a prateleira vazia.

— O senhor disse que esses arquivos são confidenciais?

O velho Sun fez sinal para que o seguissem até a sala dele. Lá dentro, um fogareiro elétrico fervia macarrão instantâneo.

— Que cheiro bom… — disseram os dois ao mesmo tempo, lembrando que não haviam comido nada a noite toda.

— Sentem-se. — Ele colocou mais dois pacotes na panela.

Enquanto distribuía as tigelas, explicou:

— Todos os arquivos desaparecidos pertencem ao mesmo caso. Parte foi selada como confidencial. A outra parte… destruída.

— Destruída?! Como assim?

— Foi destruída por aquela pessoa.

— Que pessoa?

— Se ele não tivesse destruído, talvez jamais tivesse sido capturado.

— Foi o próprio assassino quem destruiu os documentos? — Zhan Zhao arregalou os olhos.

O velho assentiu.

— Ele não era apenas o culpado. Era também policial.

Bai Yutang engasgou.

— Policial?!

— Já ouviram falar dos famosos “Preto e Branco” daquela época?

Bai Yutang riu.

— Está falando do Comissário Bao e do meu pai?

— Sim. Pode soar exagerado hoje, mas era impressionante. Só que… “Preto e Branco” na verdade eram três.

— Três?! — Zhan Zhao ficou chocado. — O terceiro era o assassino?

O velho Sun o encarou por alguns segundos.

— Ele era como você.

— …?

— Um gênio em análise psicológica. Mas naquela época não existia esse cargo. Então deram a ele o título de policial.

Bai Yutang ficou tenso.

— Afinal, quem é ele?

— É confidencial. Só três pessoas sabem tudo.

— Três? Além do meu pai e do Comissário Bao?

— Ele próprio.

— Ele ainda está vivo?! — Zhan Zhao deixou escapar.

— Matou mais de cem pessoas e não foi executado? — Bai Yutang não acreditava.

O velho balançou a cabeça.

— Ele não pode mais machucar ninguém.

E não disse mais nada.



Mais tarde, ao saírem, Bai Yutang resmungou:

— Esse mistério todo é irritante!

— E agora? Perguntamos ao seu pai?

— Pelo amor de Deus, não!

— E ao Comissário Bao?

— Você pergunta!

Enquanto discutiam, Zhan Zhao perguntou de repente:

— Xiao Bai, quantos anos seu irmão é mais velho que você?

— Oito… Aaaah!

— Então ele devia lembrar!

— Não é disso que estou gritando! — Bai Yutang parecia à beira do colapso. — Meu irmão chega hoje. Eu disse que iria buscá-lo.

— Que horas?

— Meio-dia…

Zhan Zhao olhou o relógio. Era exatamente meio-dia.

— Então corre! Meia hora de atraso não é tão grave.

Bai Yutang quase chorou.

— Meio-dia… de agora.

Zhan Zhao ficou em silêncio por um segundo.

— Considerando a personalidade do seu irmão… você está morto.



O restante terminou com Bai Yutang carregando Zhan Zhao à força até o elevador sob gritos de “Rato Branco!” e a porta se fechando com um ding.

Foi essa cena que Gongsun presenciou ao sair do Instituto Médico-Legal.

Logo depois, outro elevador se abriu. Dele saiu um homem alto, elegante, de traços marcantes.

— Está procurando alguém? — perguntou Gongsun.

— E você é quem? — respondeu o homem, frio.

Gongsun sorriu.

— Gongsun Ce, Instituto Médico-Legal.

Aperto de mão.

O homem então percebeu algo estranho: a luva cor de pele de Gongsun estava coberta por resíduos vermelhos e esbranquiçados.

— O vermelho é fígado. O branco, fluido cerebral. O preto é gordura carbonizada — explicou Gongsun com naturalidade.

O homem empalideceu, mas manteve a compostura.

— Como devo chamá-lo?

— Bai Jintang.

Um silêncio coletivo percorreu o corredor.

Então Bai Jintang abriu um sorriso enigmático e puxou Gongsun para um abraço.

— Yutang fala muito de você.

Nas costas de Gongsun ficou uma marca evidente, vermelha e branca.

Página anterior》《Menú inicial

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar!! _ (: 3 」∠) _

Por favor Leia as regras

+ Sem spam
+ Sem insultos
Seja feliz!

Volte em breve (˘ ³˘)