24 de jun. de 2026

Gen Y - Capítulo 23

Capítulo 23

O peso sobre seu corpo começou a mudar de posição.

Continuava descendo lentamente enquanto Kit tentava entender o que Mark pretendia fazer. Um sopro quente atingiu a pele da parte inferior de seu abdômen, fazendo Phi Kit contrair o corpo involuntariamente de susto...

Phi Kit não teve tempo para pensar mais nas intenções de Mark, porque aquele ar quente...

...continuava descendo.

— Mark! Mark!... Espera!

Kit se moveu, apoiando a testa com a mão antes que Mark chegasse ao destino que desejava.

— Já que você não me deixou falar, eu pretendia resolver desse jeito.

Mark respondeu com uma expressão perfeitamente natural.

Era verdade...

Mas isso não significava que Kit permitiria que sua boca fosse usada para algo além de falar!

— Não! Mesmo que fosse isso... e... e...

Pense nos acontecimentos de hoje, de ontem e de qualquer outro dia! Porque eu não me lembro de ter concordado em ser o namorado de Mark!

Essas palavras fizeram o cérebro de Phi Kit entrar em curto-circuito por alguns segundos.

Quando recuperou a consciência, todas aquelas faíscas que piscavam dentro dele desapareceram num instante.

Quem imaginaria que Mark chegaria tão perto assim?

Kit engoliu em seco.

Se pensasse nisso como uma forma de compensação pelo trauma que causou a Mark...

Nesse momento, a racionalidade do estudante de medicina finalmente voltou ao normal.

— Se você não gostar, eu posso fazer outra coisa no lugar...

Mark olhou para Kit, que tentava impedi-lo.

Estar tão perto da pessoa amada, envolvida em seus braços...

Quem conseguiria resistir?

— A única coisa que você deveria fazer agora é parar de ficar impressionado comigo.

O rosto de Kit voltou a exibir sua habitual expressão irritada.

Mark ficou sem reação.

Kit se afastou, esperando sair da zona perigosa da cama.

Mas Mark o segurou a tempo.

Com tanta força que Kit percebeu o quanto o outro estava sem ar.

— Phi Kit, nós já chegamos até aqui... ou você simplesmente não gosta de mim?

Dez minutos atrás ele parecia um cachorrinho.

Como havia se transformado num lobo faminto?

Ou essa era a verdadeira personalidade do novo Mark, alguém com quem Phi Kit teria que aprender a lidar?

— Não vou falar muito. Mas você veio aqui hoje para conversar sobre nós.

Kit o lembrou.

Se isso ajudasse a apagar o fogo nos olhos de Mark, então podiam conversar.

— Conversamos depois.

Mark tentou se aproximar outra vez.

Mas, desta vez, Kit o manteve afastado com firmeza.

— Não! Eu não gosto de pular etapas. Nem quando se trata de conversar.

Kit o encarou ferozmente.

Usou toda a sua severidade para controlar aquele garoto teimoso que ainda não conseguia se acalmar.

— É isso que você quer, Phi Kit?... Você realmente é cruel comigo.

Mark murmurou.

Reprimiu o coração acelerado e o sangue fervendo que subia pelo corpo.

Fechou os olhos e permaneceu deitado ao lado de Phi Kit por alguns instantes.

Inspirou.

Expirou.

Até que seus batimentos voltassem ao ritmo normal.

Kit finalmente conseguiu escapar daquela situação perigosa nos braços de Mark.

Sentou-se e esfregou o rosto.

Ao olhar para si mesmo, uma série de palavrões passou por sua mente.

Droga.

Quase tinha arrancado os botões da camisa e afrouxado o cordão da calça.

Era impossível ignorar os olhos tristes de Mark.

Começou então a abotoar a camisa novamente.

Phi Kit...

Você provoca desse jeito e depois foge.

Se Mark quisesse reclamar, para onde poderia apelar por justiça?

— Mark...

Kit pronunciou seu nome em tom de advertência.

Porque Mark já estava levando a mão até sua camisa outra vez.

O dono do nome sorriu.

Assumiu a responsabilidade por aquilo que havia feito e começou a ajudar Kit a abotoar a camisa.

— Olha para mim. Eu sou um bom garoto. Obedeço ao Phi Kit.

Se você mandar eu parar, eu paro.

Não vou insistir, mesmo que você não queira fazer nada.

Mark arrumou cuidadosamente a roupa de Kit.

Depois se levantou e foi para os pés da cama, onde deveria ter ficado desde o início.

— Sobre nós...

Eu sei que nunca vou conseguir desistir de você.

O que seremos daqui para frente...

Cabe ao Phi Kit decidir se quer ou não me dar outra chance.

Kit ficou em silêncio.

Preparou-se mentalmente.

Achava que reconquistar Mark e recomeçar levaria muito tempo e esforço...

Mas aquele garoto já havia se preparado para deixá-lo decidir tudo.

Phi Kit deixaria de lado seu orgulho pela pessoa que amava?

— Se alguém precisa pedir outra chance... provavelmente sou eu.

Mark sempre foi muito mais sincero consigo mesmo do que Kit.

E, a partir de agora, Kit não pretendia deixá-lo escapar novamente.

— Se formos namorados, serei eu quem vai te pedir em namoro, Mark.

Mark congelou.

Não conseguia esconder a felicidade.

Agarrou imediatamente o braço de Kit.

— Sério!?... Phi Kit vai me pedir em namoro?

Quando?

Pode ser em qualquer lugar! Onde você quiser!

Claro que não agora.

Ainda mais considerando que Phi Kit estava de pijama no dormitório.

E que tinha acabado de sobreviver ao risco de perder o controle por causa do invasivo Mark.

— Você vai descobrir sozinho.

Prepare-se bem para esse dia.

— Não pode ser agora, Phi Kit?

Eu ouvi claramente que você disse que vai me pedir em namoro.

Mark parecia completamente ansioso.

Queria deixar de ser solteiro o quanto antes.

— Espere até a hora certa. Consegue fazer isso?

Kit colocou a mão sobre a de Mark.

— Quanto tempo vou ter que esperar?

Só peço que Phi Kit não me faça esperar por muito tempo.

Mark aproximou o rosto.

Esperando que Phi Kit tivesse pena daquele cachorrinho de olhos escuros.

Tão obediente quanto Mark.

Kit revirou os olhos quando os mesmos braços carentes o abraçaram novamente.

Eles haviam voltado a ficar juntos.

Provavelmente Mark imaginava que Kit estava preparando um pedido especial.

Por isso queria aproveitar cada segundo para tocá-lo.

A solidão em seu peito desapareceu quando Mark voltou para sua vida.

Foi substituída pelo calor daquele abraço.

Era inútil continuar enganando a si mesmo.

Além de aceitar honestamente seus sentimentos, Kit também gostava daquele abraço.

— Eu queria te ver hoje porque, na próxima semana, talvez eu não tenha tempo.

Vou ensaiar música todas as noites.

Mas vou tentar vir te ver sempre que puder, Phi Kit.

Você sabe, né?

O Festival de Inverno das Estrelas Quentes.

Kit assentiu.

Pensou no próximo festival musical.

Era um evento organizado por estudantes de diversas faculdades da universidade, realizado na área do píer à beira-mar.

Uma atmosfera ao ar livre.

Música suave.

Alunos veteranos e novatos se revezando para cantar e tocar instrumentos.

Da tarde até o cair da noite.

Era um dos eventos mais aguardados do ano.

Kit acabara de descobrir que Mark e Wayu participariam dele.

— Você tem que ir.

Vamos reservar os melhores lugares para você.

Esse também era um dos motivos pelos quais Mark tinha ido procurá-lo.

— ...Se eu estiver livre, talvez apareça.

No último ano da faculdade de medicina, Kit ainda fingia não entender.

Aquilo era praticamente um palco para declarações de amor através de músicas.

— Não está curioso?

Sobre a música que eu vou cantar?

Mark tentou convencê-lo.

Aceitou uma agenda de ensaios exaustiva justamente porque queria impressionar a pessoa que amava.

— Se eu quiser saber, posso perguntar ao Wayu.

— Ninguém pode te contar melhor do que eu.

Mais uma vez.

Esse novo Mark aparecia para seduzi-lo a cada três minutos.

— ...Então se apresse e vá ensaiar.

Eu vou voltar a dormir.

Kit inventou uma desculpa para expulsar o visitante não convidado de sua cama.

Quando viu os olhos brilhantes de Mark, sentiu a respiração falhar.

Parecia que algo estava florescendo novamente dentro dele.

Nem o Doutor Kit sabia se conseguiria resistir outra vez.

Mark lambeu os lábios distraidamente.

Conseguir entrar no dormitório de Phi Kit não era algo fácil.

Mas também temia perder o controle se continuasse sozinho com ele.

Levantou-se devagar.

— ...Eu estava pensando, Phi Kit.

Da próxima vez que eu vier ao dormitório como seu namorado...

Isso não vai ser pular etapas, certo?

— Não sei!

O rosto de Kit ficou vermelho imediatamente.

Diante daquela pergunta ambígua, ele simplesmente se recusou a responder.

Reunindo todas as forças que ainda tinha, empurrou Mark pelas costas para fora do quarto.


Área de ensaios — Universidade

Mark e Wayu estavam ocupados ensaiando violão e as músicas que apresentariam no próximo Festival de Música de Inverno.

Wayu franziu a testa.

Ainda não estava satisfeito.

Depois de terminarem o ensino médio, ambos haviam passado um bom tempo sem cantar ou tocar.

— Ensaiamos de novo, Mark.

Não ficou bom.

— Você parece mais sério do que eu, Yu.

A música que você escolheu tem algum significado especial?

Conta para o seu amigo Mark.

— Só escolhi uma música que combina com a sua. Só isso.

Wayu voltou a ensaiar.

— É mesmo?

Você também está apaixonado.

Eu vi você ensaiando ontem.

Me diz... em quem você estava pensando, Yu?

— Mark!

Você quer ensaiar ou não?

Hoje eu também tenho um compromisso. A pessoa chega em quinze minutos.

— Então continuamos amanhã.

Cante com o coração.

Mark tomou um gole de água.

Wayu apenas balançou a cabeça diante das brincadeiras dele.

Enquanto observava o amigo, a expressão de Mark mudou ligeiramente.

Havia preocupação em seu olhar.

Olhe para o coração, não para a aparência.

— Com quem você vai se encontrar?

Você anda ocupado demais ultimamente.

Antes ficava sentado aqui o dia inteiro.

— Hã? Eu não posso encontrar outro amigo?

— Claro.

Mas se fosse só um amigo comum, seu rosto não ficaria vermelho assim.

A provocação foi extremamente eficaz.

Wayu levou a mão à bochecha imediatamente.

Suspeito demais.

O barulho de outros estudantes entrando na sala chamou a atenção dos dois.

Ao olharem na direção do som, viram uma figura alta caminhando lentamente.

Ele cumprimentava os alunos que se lembravam dele das atividades beneficentes realizadas semanas antes.

Seus olhos afiados encontraram Wayu e Mark.

E então ele sorriu levemente.

Fazendo aquele rosto sério parecer muito mais suave.

— Não me diga que é ele...

Mark provocou.

Wayu não negou.

— Olá, Phi Thanu.

Wayu cumprimentou o outro.

Mas não teve coragem de encará-lo diretamente.

Era o primeiro encontro dos dois depois dos acontecimentos daquele dia.

Mesmo após tanto tempo, o toque e o calor daquele momento ainda permaneciam vivos em sua memória.

Mark se levantou completamente.

Um astro da universidade como Doutor Thanu parecia ter vindo especificamente atrás de alguém.

Quando se tratava de Phi Kit, Mark tinha confiança suficiente.

Mas quando o assunto era seu amigo importante...

Ele ainda não conseguia interpretar as intenções de Thanu.

— Você veio me procurar?

Tem algum assunto para conversar?

Mark perguntou sinceramente.

Apesar de já ter percebido que aqueles olhos escuros estavam voltados para Wayu.

Thanu respondeu calmamente:

— Eu vim procurar Wayu.

Objetivo direto e claro.

Mark estava prestes a continuar investigando.

Mas Wayu interrompeu antes que ele pudesse agir como um amigo ciumento.

— Até amanhã, Mark.

Hoje vou levar o irmão Thanu para comer como agradecimento por ter me ajudado quando fiquei doente.

Vamos!

Antes que Mark começasse a interrogá-lo ou fazer piadas.

— Até a próxima, Nong Mark.

Thanu assentiu educadamente.

Hmm.

Pelo menos era educado.

— Não esqueça de vir ouvir Nong Wayu cantar no Festival de Inverno.

Ele também tem uma música especial.

As palavras fizeram Wayu lançar um olhar mortal para Mark.

Thanu encontrou os olhos de Wayu.

Desta vez, suas bochechas realmente começaram a corar.

A expressão silenciosa de Wayu era ao mesmo tempo adorável e irritante.

— Phi, não escute as bobagens que o Mark fala.

Wayu murmurou.

Como se estivesse lançando um feitiço para fazê-lo parar de falar.

Mas Mark observou atentamente seus lábios.

Sabia que Wayu tinha palavras capazes de silenciá-lo completamente.

E provavelmente o ameaçaria contando tudo para Phi Kit.

— ...Mas se vocês vão apenas comer, por que está segurando o braço dele desse jeito?

— Ah... ah...

Desculpe, Phi Thanu.

Só então Wayu percebeu que ainda estava agarrado ao braço de Thanu.

Soltou-o imediatamente.

— Tudo bem.

Vamos, Wayu.

Thanu não comentou mais nada.

Discretamente, pegou os pertences que Wayu carregava.

Wayu ficou sem jeito.

Mas não teve coragem de recusar.

Apenas agradeceu em voz baixa e seguiu ao lado dele.

Há quanto tempo seu coração não sentia esse tipo de calor?

Mark permaneceu de braços cruzados observando os dois se afastarem.

Mesmo vendo apenas suas costas, alguém que conhecia Wayu há mais de dez anos conseguia perceber claramente o que estava acontecendo.

E então se perguntou:

Será que as músicas que os dois apresentariam naquele evento...

...não seriam apenas para declarar amor a Phi Kit?


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