— Ko Z, não se atrase, ouviu? Não quero que ela tenha uma impressão errada de mim. Ela pode ficar confusa quando chegar. Isso já aconteceu antes, tá?
— Eu sei, eu sei. Para de roer as unhas desse jeito. Sei muito bem o que tenho que fazer. Vai cuidar das suas coisas. Você está nervoso demais...
— Então por que você mesmo não vai, já que está tão preocupado? — provocou Ma Cho.
— Ugh... Tenho uma aula para dar. Não posso faltar. Isso está me deixando tão inquieto...
A querida tia Swe de Nyi estava voltando dos Estados Unidos. Como ele tinha um compromisso em um centro de reabilitação administrado por uma ONG local, onde atuava como instrutor voluntário de capacitação profissional, não poderia recebê-la no aeroporto e me pediu para ir em seu lugar.
Ele adorava aquela mulher, mas realmente não tinha escolha.
A maioria dos alunos de sua turma eram pessoas que haviam sofrido abusos físicos e psicológicos por tráfico humano, escravidão sexual ou exploração como profissionais do sexo, e que tinham sido resgatadas pela ONG. O objetivo era ajudá-las a recuperar a autoestima e construir uma vida confortável e digna.
Nyi ensinava panificação, preparo de café, confeitaria, culinária e gestão.
Era extremamente profissional no que fazia.
Mesmo assim, nós o tratávamos como um novato.
Bem... eu o tratava assim.
Na verdade, eu o admirava muito.
Mas, para mim, ele continuava sendo apenas um garoto.
Só para mim.
Eu e Ma Cho o apoiávamos em tudo o que queria fazer.
Qualquer coisa.
Absolutamente qualquer coisa.
— Ko Z, entregue para ela tudo o que eu preparei. E não se esqueça de explicar por que não pude vir recebê-la, certo? Não deixe de falar isso. É muito importante. Certifique-se de que ela entenda, ouviu?
Ele continuava repetindo instruções sem parar.
O que entregar.
O que dizer.
Como dizer.
Que inferno.
— Pronto, pronto, Senhor Vovô. Você já explicou tudo. Ele vai conseguir resolver isso. Pare de ficar tão nervoso — disse Ma Cho.
— Está vendo, Ma Cho? Está vendo como ele fica irritante quando está assim? Senhor Vovô...
— Ah, qual é! Vai logo! Ppalliga! (빨리가 — depressa!)
Ele me empurrou em direção à porta.
Saí imediatamente e fui para o aeroporto.
Cheguei tão cedo que parecia ridículo.
Tudo graças ao Nyi.
Os presentes para a tia Swe incluíam um urso de pelúcia gigante, mais alto do que eu e três vezes maior que meu corpo.
E aquilo era apenas um dos presentes de boas-vindas.
Havia inúmeras bolsas e pacotes.
Pequenos.
Grandes.
Enormes.
Muito obrigado, Senhor Vovô.
Parecia um completo maluco.
Todo mundo que passava olhava para mim com uma expressão que dizia claramente:
"O que há de errado com esse cara?"
Empilhei todos os presentes em um canto do saguão de desembarque e me sentei em um banco próximo.
Enquanto esperava, observando as pessoas passarem, meu radar captou algo interessante.
Uma mulher.
Talvez tivesse uns vinte e cinco anos.
Sorri para ela.
Pareceu que ela sorriu de volta.
Normalmente, as garotas apenas desviavam o olhar, colocavam o cabelo atrás da orelha e ficavam tímidas.
Mas aquilo era diferente.
Eu tinha certeza.
Ela conversava com alguém ao seu lado, sorrindo bastante e assentindo de vez em quando.
Só de observá-la, tive a sensação de que aquela mademoiselle não era comum.
Era extraordinária.
Simples e elegante.
Refinada.
Inteligente.
Muito acima do meu nível.
Jovem, mas experiente.
Cheia de mistério.
Uau.
Eu mesmo fiquei impressionado comigo por estar pensando tudo aquilo.
Era como encontrar uma joia rara.
Um tesouro precioso.
Seu cabelo longo e escuro parecia carregar segredos.
Misterioso.
Hipnotizante.
Lindo.
— Com licença.
Toda aquela fantasia desapareceu quando ouvi uma voz ao meu lado.
Era um estrangeiro pedindo para se sentar.
Retirei minhas coisas do banco e sorri.
— Obrigado.
Ele se acomodou.
— Conhecido seu? — perguntou Ko Zaw Htay.
— Não.
— Ah... então por que ele estava sorrindo para você? Esses jovens de hoje...
Ele falou em tom de reprovação.
Às vezes, Ko Zaw Htay se irritava com muita facilidade.
Mas eu entendia.
Quando alguém se preocupa demais com uma pessoa querida, acaba ficando nervoso.
Tenho certeza de que aquele rapaz apenas sorriu de forma amigável.
Nada além disso.
Um sorriso educado.
Sem segundas intenções.
Qual era o problema?
Ele devia ter cerca de um metro e oitenta.
Pele morena.
Musculoso.
Elegante.
Bonito.
Muito atraente.
Diferente da maioria dos homens de hoje.
Tinha um ar refinado e viril.
Além disso, conversava com confiança com o estrangeiro ao seu lado.
Seus gestos e postura transmitiam a imagem de alguém instruído.
Simples.
Mas cheio de energia.
♪ Tin Tone ♪
O aviso de chegada do voo ecoou pelos alto-falantes.
— Vamos, Mahar. Eles chegaram.
Eu estava tão distraída pensando naquele homem que quase me esqueci do motivo de estar ali.
Mas tinha alguém para receber.
Afastei o pensamento.
Um perfume familiar passou pelo ar.
Olhei ao redor.
— Ei, Z!
— O quê? Dipar? Myat Noe? O que vocês estão fazendo aqui? Quem está chegando? Ou vocês estão indo viajar?
— Vamos para Bangkok! Compras! — responderam animados. — Espera... onde está Kaung Kaung?
— Está ocupado. O Senhor Vovô tem aula para dar. Como podem ver, estou aqui resolvendo os negócios dele com esse urso gigante.
— Hahaha! Ele fez isso de novo!
Os dois começaram a rir.
— Precisamos tirar uma foto disso!
— O quê? Por quê?
— Porque vocês vivem grudados um no outro. Mas isso aqui parece uma exposição de museu!
— É verdade!
Revirei os olhos.
Mas eles não estavam errados.
Raramente passávamos muito tempo separados.
— Afinal, por que ele mandou você vir aqui? — perguntou Dipar.
Enquanto isso, Myat Noe tirava fotos ao lado do urso.
— A tia Swe está voltando dos Estados Unidos. Vim recebê-la.
— Sério?!
Os dois responderam ao mesmo tempo.
— Sim.
— Espera aí. Ela é tia de quem? Sua ou do Kaung Kaung?
— Minha tia de verdade.
— Sério? Nós sempre pensamos que fosse tia dele!
Depois de rir mais um pouco, despediram-se.
— Foi bom ver você! Agora vamos para Bangkok fazer compras!
E desapareceram.
Olhei ao redor mais uma vez.
A mulher que eu observava já havia sumido.
Então avistei tia Swe.
Acenei para ela.
Ela veio em minha direção e a primeira coisa que perguntou foi:
— Onde está Kaung Kaung?
Claro.
Ela perguntou por ele.
Expliquei tudo.
Contei o motivo de sua ausência.
Entreguei os presentes.
E ela sorriu.
— Mesmo de longe, ele continua sabendo exatamente do que eu gosto. Eu o amo tanto.
Claro que ama.
Aquele garoto encantava todo mundo.
Foi exatamente isso que pensei.
Caminhamos até o estacionamento.
No meio do caminho, ela passou por mim.
Mas não me notou.
Estava ocupada conversando com um estrangeiro que parecia um grande empresário.
Bem...
Até mais.
Ou talvez...
Nunca mais.
Criei uma nova pasta em meu coração.
Talvez também um atalho na memória.
Quem sabe um dia essa pasta acabe indo para a lixeira.
Talvez.
Só talvez.
Mademoiselle...
Até nos encontrarmos novamente.
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