20 de jul. de 2026

Future Fake Husband - Capítulo 12

Capítulo 12 

Rhett

Taiti era um sonho. Um sonho bom demais para ser verdade, estrelado por Cole Mallory, o falso namorado charmoso da versão nerd e de repente um pouco bêbada de Rhett. A visão da única cama no quarto fez a cabeça de Rhett girar. Ok, talvez parte desse tontura tivesse a ver com a cerveja que ele tomou no jantar.

“Apenas uma cama, Rhett.” A voz de Cole saiu baixa, como se temesse assustá-lo.

Tarde demais. Rhett respirou fundo. “Ela é bem maior que a minha cama em casa.”

“Eu sei.”

As palavras de Cole o fizeram lembrar como tinha sido tê-lo no quarto, sentado na beirada da cama. Ele se sentira exposto, mas não de um jeito ruim. Agora era a mesma coisa. Como se Cole tivesse o dom de olhar para ele e realmente enxergá-lo. E aquele brilho de interesse que Rhett jurava ver nos olhos de Cole às vezes alimentava a vontade de deixá-lo entrar, de se abrir. Havia algo em Cole que o fazia se sentir seguro. E era nessa sensação que ele se agarrava agora, com a mesma força com que apertava a mão de Cole.

“Vou me arrumar para dormir.” Ele finalmente soltou a mão de Cole, fuçou na mala à procura do nécessaire e entrou no banheiro. Mal conseguia respirar por causa do aperto no peito. Aquela viagem dos sonhos tinha algo perigosamente doméstico. Jantar na praia. Brincar no mar sentindo o olhar de Cole o tempo todo. O jantar. Ser salvo do caranguejo. E agora Cole estava no quarto ao lado enquanto Rhett ia ao banheiro e escovava os dentes.

Cole sempre tinha sido amigo do Ryan. Um dos caras. Ryan falava sem parar das coisas que faziam juntos, da diversão que tinham, e Rhett nunca sentira ciúmes. Ele tinha a própria vida, os próprios amigos, e não trocaria a Penny por nada. Agora também não sentia ciúmes. Só um tipo novo de calor por dentro. Ele tinha aquelas memórias novas com Cole. Memórias que eram só deles dois. Parecia bobo até para ele mesmo, mas não queria contar para ninguém. Tinha medo de que perdessem a magia se fossem ditas em voz alta.

Uma batida na porta o tirou dos pensamentos.  
“Está tudo bem aí dentro?”

“Sim, já saio.” Rhett riu e terminou de escovar os dentes. Deixou o nécessaire na pia e saiu do banheiro. “Não quis demorar. Acho que me perdi nos pensamentos.”

“Mais cansado do que imaginava?”

“Algo assim.” Rhett sorriu, grato por Cole não ouvir o coração disparado nem sentir a umidade nas palmas das mãos. “Vou dormir.” O olhar dele escapou para a cama.

“Posso dormir no chão. Ou na poltrona. Não acredito que esse quarto não veio com sofá.”

“Cole, não. Está tudo bem. Somos adultos. Podemos dividir a cama.”

“Ok.” Cole sorriu. “Já volto.”

Assim que Cole sumiu no banheiro, Rhett tirou a roupa e se enfiou na cama. Ele costumava dormir nu, mas naquela noite achou melhor ficar de cueca. Deitou de lado, de frente para o mar, e torceu para adormecer milagrosamente antes de Cole se juntar a ele.

Descobriu rápido que dormir seria impossível sem desacelerar o coração. A cada segundo que passava, ele ficava mais desperto. Saber que ia dormir ao lado de Cole tinha lhe dado um segundo fôlego.

A porta do banheiro abriu e, um instante depois, o outro lado da cama afundou quando Cole se deitou.

E então…  
Nada.

Rhett inspirou, fechou os olhos e imaginou que podia sentir o gosto da pasta de dente de Cole, o sal na pele dele e o cheiro persistente da cerveja de Taiti.

“Rhett?” A voz de Cole estava rouca e íntima demais. Parecia uma carícia na escuridão do quarto de hotel. Um momento que Rhett guardou só para si, junto com todas as outras coisas que jamais contaria a ninguém.

“Sim?” Ele respondeu.

“Se você não parar de ficar todo sem jeito com isso, eu durmo no chão.”

“Eu não estou sem jeito.” A cama se mexeu e Rhett teve a nítida impressão de estar sendo observado.

“Então por que está grudado na beirada da cama?”

Rhett virou de barriga para cima e olhou para Cole, ridiculamente bonito na penumbra. “Desculpa. Vou tentar me controlar.”

“Por favor. Seria bom se você guardasse isso para a próxima vez que estivermos na rua e você for atacado por um bando de caranguejos errantes.”

Rhett sentiu o rosto queimar de novo. “Você vai ficar repetindo isso? Podia ter sido qualquer coisa.”

“Mas não foi. Foi o jantar. Você se assustou com o almoço de pernas.” Cole riu, o tom carinhoso.

Os dois caíram na gargalhada e o estranhamento sumiu. No lugar ficou um silêncio confortável, preenchido apenas pela amizade. Não era ruim, afinal, gostar de passar tempo com o falso namorado. Rhett se aconchegou nas cobertas, se remexendo até achar a posição perfeita. Abriu um olho e encontrou Cole olhando para ele.

“Boa noite, Cole.”

“Boa noite, Rhett.”

- _ _

Dormir com as cortinas abertas fez Rhett acordar com o sol. Ele assistiu ao primeiro nascer do sol em outro país ainda na cama, tentando negar que teria preferido acordar nos braços de Cole e não apenas nos lençóis. Teria sido um acidente, e talvez deixasse tudo ainda mais constrangedor, mas fazia um tempo desde que ele tinha alguém para abraçar dormindo. Rhett não sabia ao certo como funcionaria a dinâmica do relacionamento falso, mas esperava um dia negociar uma cota de abraços. Não achava que Cole se oporia.

“Bom dia.” Ele ouviu Cole resmungar atrás dele e a cama se mexeu. “O que quer fazer hoje? É o nosso único dia livre antes de começar a correria do casamento.”

Rhett se virou, abandonando o nascer do sol para olhar Cole, que estava lindo demais com cara de sono e cabelo bagunçado. “Não sei. Você é o especialista. O que sugere?”

Cole bocejou e se espreguiçou, e Rhett fez o possível para não encarar o peito nu dele. “Podemos pegar um barco para uma ilha particular. Podemos andar a cavalo. Podemos mergulhar com tubarões.”

Rhett guinchou. “Definitivamente não.”

Cole sorriu, aberto e lindo, com os cantos dos olhos franzidos. “Eu cuidaria de você, seu medroso.”

“Você me protege melhor se não me levar para nadar com tubarões. Parece a coisa menos segura que a gente poderia fazer juntos.” Na verdade, a segunda menos segura, pensou Rhett, torcendo para que Cole saísse da cama primeiro e lhe desse tempo de controlar a ereção insistente. Não era uma ereção matinal normal. Era movida pelo rosto sonolento de Cole e pela fantasia de passar o dia inteiro deitado na cama com ele, assim.

“Tá, sem tubarões.” Cole jogou as cobertas para o lado e saiu da cama, esticando os braços e bocejando. “Vou tomar banho. Quer pedir room service ou sair para comer?”

Comer no quarto parecia íntimo demais para as fantasias desgovernadas de Rhett. “Tem alguma coisa aberta agora?”

“Sempre tem alguma coisa aberta,” ele respondeu, fuçando na mala. “Saio em instantes.”

Rhett ficou na cama enquanto Cole tomava banho, pensando no café da manhã e tentando não imaginar um Cole completamente nu no cômodo ao lado, com a água escorrendo pelo corpo e a espuma deslizando pela pele. Rhett saiu da cama e pressionou a mão contra a ereção, tentando fazê-la sumir. Dividir a cama com Cole tinha sido uma ideia tão ruim quanto ele imaginava.

Quando ouviu a porta do banheiro abrir, pegou depressa uma muda de roupa. “Não vou demorar,” disse a Cole quando se cruzaram.

“Fica à vontade.”

Rhett fechou a porta do banheiro e jogou as roupas na pia antes de ir até o chuveiro. Abriu a água e ajustou a temperatura antes de tirar a cueca e entrar.

Pensou em ligar a água gelada e resolver o problema de outro jeito, mas Cole já estava debaixo da pele dele. Mesmo sozinho no banheiro, era como se sentisse a presença de Cole se enrolando nele, se tornando parte dele.

Rhett levou a mão ao sexo e conteve um gemido. Apoiou a outra mão no azulejo e fechou os olhos. A água sozinha ficou um pouco áspera, então parou para usar sabonete e facilitar o movimento.

Pelo menos tentou pensar em qualquer coisa que não fosse Cole, mas parecia errado pensar em outra pessoa quando quem ele realmente queria e não deveria estava no quarto ao lado esperando por ele. Então deixou pensar em Cole. Na forma como as mãos deles se encaixavam tão bem. Na forma como ele tocou o rosto de Rhett, ou encostou o ombro no dele. Cada lembrança tirou o fôlego de Rhett e logo ele estava mordendo o lábio para abafar um gemido quando o orgasmo veio, deixando as pernas bambas.

Terminou o banho e torceu para que um orgasmo fosse suficiente para manter o desejo recém-aceso sob controle até que pudesse ficar sozinho de novo.

Saiu do banheiro e soube que estava condenado. Cole guardou a carteira no bolso de trás e estendeu a mão para Rhett. “Pronto?”

“Para qualquer coisa, menos tubarões,” respondeu Rhett, pegando a mão de Cole e corando ao lembrar para que acabara de usar aquela mão.

“Você está sorrindo,” Cole comentou, erguendo uma sobrancelha.

“Claro que estou. Estou em Taiti.” Rhett torceu para que Cole não insistisse e agradeceu quando ele apenas sorriu, como se soubesse de alguma forma, mas preferisse não dizer nada.


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