Capítulo 18: Confusão
Quando Zhan Zhao e Bai Yutang chegaram ao aeroporto, já era 1h da manhã. E o Salão de Chegadas estava praticamente vazio. Os dois deram algumas voltas pelo local, mas não havia sinal de Bai Jintang.
— Onde ele está? — Bai Yutang perguntou, olhando ao redor.
— Talvez ele tenha ido embora sozinho? — Zhan Zhao sugeriu.
— Isso é improvável. Ele sempre me espera.
— Você já se atrasou 12 horas antes?
—...Bem, não... — Bai Yutang coçou a cabeça — Meu recorde anterior foi de 8 horas.
— Pra onde ele iria? — Zhan Zhao disse enquanto conferia o relógio. — Da última vez que me lembro, ele não tem casa aqui.
Bai Yutang deu de ombros.
— Ele só volta uma ou duas vezes por ano, então geralmente fica no meu alojamento.
— E se ele foi te procurar?
— Isso seria ainda pior! Ele não tem o menor senso de direção!
— Liga pra ele?
— Ele não carrega celular... Geralmente são os subordinados dele que ficam com o aparelho.
— Subordinados? Eu nunca vi ele com ninguém por perto.
— É porque ele não os traz quando volta pro país.
Diante disso, nada que Zhan Zhao pudesse fazer.
— Vamos chamar a polícia...
— Eu acho... que eu sou a polícia...
...
Justamente quando os dois não sabiam o que fazer, um “miau~” veio do celular de Bai Yutang — uma mensagem?
Zhan Zhao se inclinou para olhar e também pegou o próprio celular. Era uma mensagem de Zhao Hu: `>_< |||||||| Tem um incêndio…`
Bai Yutang olhou para Zhan Zhao.
— O que isso quer dizer?
Zhan Zhao balançou a cabeça, igualmente confuso.
“Miau~”
Outra.
Mensagem de Jiang Ping: `╥﹏╥ …voltem logo`
Os dois trocaram um olhar... um pressentimento nada bom...
17º andar da delegacia, Setor de Medicina Legal.
Um bisturi brilhante desce com um reflexo frio e ossos, tendões, músculos e gordura são todos separados em pedaços.
A mistura sangrenta de carne é então despejada em uma pasta branca leitosa.
Acende-se o bico de Bunsen, monta-se o forno e despeja-se um líquido inflamável amarelado.
Pega-se a carne pegajosa e coloca-se no líquido borbulhante. Uma nuvem de fumaça sobe com um chiado.
Depois de um tempo, as partes do corpo estavam douradas e foram retiradas para serem refogadas em um molho vermelho espesso... depois de adicionar um pouco de cebolinha, são servidas em um béquer.
Gongsun estava encostado na mesa de dissecação com um relatório na mão, lendo o relatório enquanto comia um pedaço de costelinha agridoce com uma pinça.
Todo mundo parado na porta correu para o banheiro tapando a boca com as mãos. Só Bai Jintang permaneceu na porta, tão refinado e composto como sempre. Gongsun ergueu o olhar para ele e perguntou enquanto batia no béquer com a pinça:
— Quer um pouco?
Depois de respirar fundo, Bai Jintang respondeu com calma, embora pálido:
— Eu não como coisas doces.
— Também posso fazer Mapo Tofu. Quer provar?
...Bai Jintang balançou a cabeça em silêncio...
“Ârgh~~~” Todo mundo que tinha acabado de voltar do banheiro ouviu isso e... imediatamente deu meia-volta e voltou correndo para o banheiro.
Bai Yutang e Zhan Zhao estavam voltando a toda.
“Miau~”
Mais um texto.
— Lê, Gato! — Bai Yutang estava com as duas mãos no volante, então fez um gesto para Zhan Zhao pegar o celular no bolso dele.
Desta vez era de Zhang Long: `>口< @@@@@@@ Me salva!`
“Miau~”
Outro?
De Ma Han: `-O-~~~~~~~ Socorro!!`
Zhan Zhao parecia bastante confuso com as mensagens.
— O que diabos eles estão tentando dizer?
Bai Yutang suspirou.
— Acho melhor eu acelerar.
Quando as pessoas que tinham terminado de vomitar saíram do banheiro, foram recebidas com a cena de Bai Jintang sentado em cima de uma mala grande, olhando para o nada.
Zhao Hu se aproximou dele de forma entusiasmada e ofereceu:
— Irmão, por que não espera lá dentro? Eu te ajudo a carregar a bagagem.
Bai Jintang se levantou e Zhao Hu foi pegar a maior mala.
Ele não conseguiu levantá-la com uma mão... Com as duas mãos... Ainda não conseguiu.
— Eu cuido dessa. Que tal você me ajudar com a menor? — Dito isso, Bai Jintang levantou facilmente a mala maior com uma mão só.
...
“Miau~”
Texto de Zhao Hu: `@口@……Por quê??`
— O que você acha que aconteceu? — Zhan Zhao perguntou curioso enquanto lia aquelas mensagens curtas.
— Se segura, Gatinho! — e Bai Yutang pisou fundo no acelerador.
...
Zhao Hu, ferido no orgulho, pegou a bagagem menor, que era uma caixa preta retangular com alguns furos.
De repente, a caixa se mexeu sozinha.
??
Zhao Hu achou aquilo estranho. O que tinha dentro? Olhou mais de perto... parecia ter um trinco e ele esticou a mão para abri-lo...
Com um estrondo alto, uma bola de pelo saiu voando.
“Aaaaaaah!!”
Seguindo o grito de Zhao Hu, todos foram recebidos com a visão de uma criatura parecida com um guaxinim saindo disparada da caixa.
— Pega ele! — Bai Jintang gritou enquanto corria.
Só se pode dizer que Bai Jintang era de fato o irmão mais velho de Bai Yutang, ou talvez só estivesse acostumado a mandar. Com uma ordem, todo mundo, exceto Gongsun, saiu correndo atrás do “guaxinim”.
Em um instante, o corredor fora da S.C.I. virou um caos.
Naquele momento, as portas do elevador abriram com um Ding e revelaram um homem de meia-idade imponente e de pele escura...
Vendo a bagunça além das portas do elevador, com Zhao Hu e Zhang Long no chão, Wang Chao e Ma Han grudados na parede e Jiang Ping segurando uma vassoura... Depois de cerca de 10 segundos de silêncio, Bao Zheng calmamente apertou o botão para as portas do elevador se fecharem.
“Miau~”
Com uma mão na alça do teto do carro e o celular na outra, Zhan Zhao disse:
— Adivinha de quem é dessa vez.
As palavras “De: Bao Zheng” estavam claramente na tela.
Bai Yutang ergueu uma sobrancelha.
— Talvez seja melhor não lermos?
Zhan Zhao revirou os olhos e abriu a mensagem: `╰_╯╬ ╬ Voltem pra cá AGORA!`
Bai Yutang estacionou o carro e os dois saíram correndo e entraram no prédio.
Quando as portas do elevador abriram no 17º andar, antes que pudessem sair, uma bola de pelo pulou neles.
Zhan Zhao o pegou por instinto e o bichinho aproveitou para se aconchegar nos braços de Zhan Zhao antes de soltar um satisfeito “Miau~~”
Zhan Zhao olhou para Bai Yutang e perguntou:
— Outra mensagem?
Bai Yutang apontou para a criatura nos braços dele e respondeu:
— Acho que veio dessa daí.
Zhan Zhao olhou para baixo e viu um gato parecido com guaxinim aninhado em seus braços.
— Um Ragdoll?
“Miau~~” O gato parecia gostar muito de Zhan Zhao, pois se esfregou carinhosamente no pescoço dele e até lambeu o queixo.
— Ei! — Bai Yutang pegou o gato pela nuca.
“Miaaaau~” O gato mostrou as garras de forma ameaçadora, querendo arranhá-lo.
— Chefe! Não solta ele! — Zhao Hu gritou de fora do elevador enquanto segurava a caixa.
Bai Yutang ergueu a cabeça e só então viu que o escritório estava um caos, os membros estavam desgrenhados... Ele soltou um rugido de fúria:
— Que porra é essa com esse gato!
Justo quando ia sair do elevador com o gato, ouviu uma voz carismática vinda do corredor:
— O gato se chama Ruben, um Ragdoll Birmanês. É um presente para Zhan Zhao.
Bai Yutang congelou na hora.
Pela voz dava para perceber o quão bravo Bai Jintang estava. Aquele tom... Ele tinha acabado de fazer um voo de 11 horas, esperou no aeroporto por 12 horas e a S.C.I. devia estar um caos agora há pouco... O que significava que o irmão dele não dormia há 24 horas e a falta de sono o deixava incrivelmente irritável.
— Gato, pega! — Bai Yutang recuou de volta para dentro do elevador num instante, fechando as portas com um único pensamento na cabeça: “Corre!”
Porém, bem antes das portas se fecharem.
Pá!
Um par de mãos as segurou.
Zhan Zhao se encolheu num canto do elevador, abraçando o gato com força, enquanto Bai Yutang apertava desesperadamente o botão de fechar, mas...
Aquele par de mãos fortes já tinha forçado a abertura das portas. Bai Jintang espiou para dentro com um sorriso aterrorizante no rosto.
— Faz tempo... Yutang.
— Ge... Por favor, se acalma... — enquanto recuava para o lado de Zhan Zhao — Gato, fala alguma coisa!
Zhan Zhao correu para o outro canto do elevador com o gato nos braços e apontou para Bai Yutang enquanto dizia para Bai Jintang, que estava furioso:
— Isso não tem nada a ver comigo! Ele está ali!
— Gato traidor... — Vendo Bai Jintang entrar no elevador sorrindo, Bai Yutang lembrou de uma cena direto de filme de terror...
— Sai, Xiao Zhao! — Bai Jintang encurralou Bai Yutang no canto do elevador enquanto abria um caminho pequeno para Zhan Zhao sair.
Zhan Zhao saiu correndo com o gato na mão, mas não antes de apertar o botão de fechar e dizer:
— Da Ge! Eu fecho a porta pra você!
— Gato! Não vai! AAAAAaaaAAAh! — Enquanto as portas do elevador se fechavam, os gritos de Bai Yutang ecoaram pelo prédio inteiro.
Enquanto o resto da equipe da S.C.I. ficou paralisado, Gongsun estava encostado na porta da sala de autópsia comendo o último pedaço de costelinha.
Zhan Zhao acariciava o gato enquanto os gritos no elevador continuavam. Ele se sentiu um pouco culpado...
— Descanse em paz, Ratinho.
No Gabinete do Comissário, Bao Zheng tentou desfazer as sobrancelhas franzidas enquanto balançava a cabeça resignado. Então abriu uma gaveta da mesa.
Na gaveta vazia, havia apenas uma porta-retrato antiga.
Bao Zheng acendeu um cigarro enquanto levantava a foto para encará-la.
Em meio à fumaça, quatro jovens sorriam radiantes na foto.
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