Capítulo 18
Ele olhava para a mesa de pedra e a cadeira de balanço no pátio, com a mente distante. A cena familiar diante dele puxou seus pensamentos para muito longe.
No estúdio silencioso só se ouvia o som suave da ponta do lápis raspando no papel. Luo Shao Heng desenhava livremente as cenas que tinha no coração. Sob sua caneta, o esboço simples de um restaurante foi tomando forma. Depois de corrigir alguns erros de proporção, ele trocou o lápis e refez o contorno, firmando as linhas antes frágeis. O balcão, as mesas, as cadeiras, os vasos de plantas do salão foram ficando cada vez mais nítidos e detalhados.
Ao terminar o desenho, prendeu a folha em outro cavalete e voltou a trabalhar, dessa vez esboçando o pátio: a varanda comprida, o balanço, a mesa de pedra...
Quando Shen Mu Cheng voltou, encontrou Luo Shao Heng concentrado contornando o desenho. Ao lado, ainda estava uma caixa de miojo pela metade. Era óbvio que ele não tinha saído o dia todo e tinha passado o dia matando a fome só com miojo.
As sobrancelhas de Shen Mu Cheng se franziram. Ele estendeu a mão e segurou a mão de Luo Shao Heng que dançava sobre o papel:
— Chega.
Quando estava desenhando, Luo Shao Heng quase não ouvia nada ao redor, então nem percebeu que Shen Mu Cheng tinha chegado. Com a mão presa, ele simplesmente parou o lápis e ergueu a cabeça:
— Quando você chegou?
— Agora.
— Que bom que chegou. Olha só — Luo Shao Heng puxou a mão dele para baixo, mostrando com orgulho a obra do dia.
Shen Mu Cheng não se mexeu. Apontou com o queixo para o miojo do lado:
— Você só comeu isso hoje?
— Comi, sim. E estava gostoso — Luo Shao Heng ainda estava imerso no desenho e não percebeu a expressão dele. Fazia muito tempo que não comia miojo, e de vez em quando até achava o gosto bom.
— É mesmo — a voz de Shen Mu Cheng não demonstrava emoção. — Então esse mês inteiro você vai comer só isso.
Pela entonação, ficou claro que ele não ia cozinhar mais nesse mês. Luo Shao Heng só então caiu na real. Rápido, abraçou a cintura dele:
— Não, não, não. Acho a sua comida muito melhor que miojo. Só comi hoje porque você não estava. Na verdade é horrível.
Shen Mu Cheng bufou, não comprando a lábia dele. Luo Shao Heng esquecer de comer e dormir por causa dos desenhos não era de hoje. Se ele continuasse mimando assim, o outro ia se acostumar mal. E se um dia ele tivesse que viajar a trabalho, nem imaginava com o que aquele homem ia se alimentar.
Vendo que ele ainda estava carrancudo, Luo Shao Heng se levantou, segurou o rosto de Shen Mu Cheng e deu um beijo. Tentou acalmá-lo:
— Não fica assim, tá? Eu prometo que da próxima vez vou comer na hora certa.
Shen Mu Cheng sabia que insistir não adiantaria. Mudou de assunto:
— O que está desenhando?
Ao ouvir isso, Luo Shao Heng se animou. Pegou os dois desenhos prontos e mostrou:
— Olha, eu projetei um restaurantezinho.
O desenho de Luo Shao Heng era extremamente detalhado. Tanto o pátio com o lago artificial, a mesa de pedra e a cadeira de balanço, quanto o salão com o balcão, a adega e os enfeites nas vigas. Até o desenho do vaso no canto da parede estava claro. Dava para ver o quanto ele tinha se dedicado.
— O que é isso? — Shen Mu Cheng perguntou mesmo já sabendo.
— Um restaurante! Esse é o salão, esse é o pátio — Luo Shao Heng foi explicando ponto por ponto. — Não combinamos ontem à noite? Que no futuro a gente ia abrir um restaurante. O chef ia cozinhar para os clientes, e você ia cozinhar pra mim!
— Combinamos? — Shen Mu Cheng revirou os olhos, fingindo que não lembrava de nada.
— Combinamos, sim! — Luo Shao Heng ficou aflito ao ver que ele não lembrava. — A gente combinou sim. Você esqueceu?
Shen Mu Cheng franziu a testa como se pensasse:
— Quando? Onde?
— Ontem à noite, na cama... — Luo Shao Heng calou a boca de repente. Ao ver o meio sorriso de Shen Mu Cheng, percebeu que tinha caído na armadilha. Arrebatou os desenhos da mão dele e virou de costas:
— Se não lembra, dane-se. Eu abro sozinho. Você nem se mete.
Shen Mu Cheng riu baixinho. Abraçou-o por trás e beijou a orelha dele:
— A gente falou mesmo ontem à noite? Eu só lembro de você dizer...
A última frase foi tão baixa que só os dois ouviram. O rosto de Luo Shao Heng ficou vermelho na hora. Ele se desvencilhou:
— Como você pode ser tão sem vergonha? Como consegue falar esse tipo de coisa... — o resto das palavras foi abafado pela boca e pela língua de Shen Mu Cheng.
Shen Mu Cheng apertou de leve a cintura dele, beijando-o fundo, a língua brincando de forma ousada dentro da boca do outro. Só o soltou quando Luo Shao Heng já estava ofegante. Passou o polegar no lábio inferior dele, vermelho e inchado de tanto beijo, e riu baixo:
— Tudo como você quiser.
Luo Shao Heng mordeu de leve o dedo dele e lambeu, resmungando:
—...Agora sim.
[...]
Ao passar pelo pátio, Luo Shao Heng parou na entrada do salão. Parecia que toda a força do corpo tinha sido sugada. As pernas não conseguiam dar mais um passo à frente.
Cenas que o tempo tinha deixado borradas ficaram de repente nítidas. Os beijos íntimos ainda traziam o calor que fazia o coração acelerar só de lembrar. Ver o que ele tinha desenhado se tornar real diante dos olhos foi um choque indescritível.
Mesmo com pequenas mudanças, tanto o pátio quanto o salão mantinham a estrutura geral igual. Ele até sentia que não precisava entrar para saber onde cada objeto estava.
— Essa é a loja do Shen Mu Cheng.
Sem motivo algum, Luo Shao Heng teve essa certeza no coração. Igualzinho à gelatina de coco com vinho de arroz da última vez.
Shen Mu Cheng percebeu que ele não tinha seguido e olhou para trás:
— O que houve?
— Nada, só achei que esse lugar tem muito estilo — Luo Shao Heng se aproximou, fingindo indiferença. — O dono tem bom gosto. — Disse isso e riu sozinho, porque afinal o projeto era dele. Estava se elogiando.
— Gostou? — Shen Mu Cheng perguntou.
— Gostei muito — Luo Shao Heng respondeu com firmeza.
Com essa resposta, a expressão de Shen Mu Cheng suavizou e ele ficou de bom humor.
Os dois seguiram o garçom até uma sala privativa. Como Luo Shao Heng imaginava, o layout era praticamente igual ao do desenho que ele tinha feito. Até a posição dos quadros na parede era a mesma.
Ver tudo aquilo trouxe a mesma sensação de quando comeu a gelatina de coco com vinho de arroz na Suíça. Felicidade misturada com perda.
Por que Shen Mu Cheng lembrava de tudo o que eles tinham planejado juntos, mas só não lembrava dele? Será que ele não era tão importante quanto aquelas coisas?
Mesmo sabendo que não fazia sentido, Luo Shao Heng ficou remoendo. Durante o jantar até sorria, mas não conseguia esconder a tristeza sutil no olhar.
Os dois que já foram os mais apaixonados... Agora só ele lembrava do passado.
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