5 de ago. de 2026

Anata No Miteiru Mukogawa – Capítulo 08

Capítulo 08

Eu sempre achei que gostar de alguém era só uma ilusão.  

Cheguei a duvidar se um amor tão intenso, capaz de incendiar tudo, existia de verdade.  

Mas ao me ver, mesmo nesse estado, incapaz de parar de pensar no Kanto, tive que admitir: talvez esse tipo de coisa exista sim.  

E também entendi que, por mais intenso que seja o amor, se for apenas de um lado, ele não leva a lugar nenhum.  

Falando nisso, o Fukuhara já tinha dito algo assim, não foi? Que ao se entregar ao amor, o importante não é "como somos amados", e sim "o quanto conseguimos amar o outro".  

Realmente. Que garoto mais homem.  
Ele entende de amor muito mais do que eu.  

Por mais que eu ame, se ele não me amar de volta, esse amor não vai dar em nada.  

Para encerrar essa história, eu tinha planejado jogar tudo pro alto, chorar e dar um ponto final.  

Mas nos dois longos dias de fim de semana, fiquei ali, parada como uma casca vazia, sem conseguir derramar uma única lágrima.  

Eu achei que se dissesse que gostava dele, algo mudaria.  
Achei que se nossos corpos se tocassem, eu ganharia alguma coisa.  

No entanto, agora que tudo terminou da pior forma, o que eu faço? O que eu deveria fazer?  
Não consigo pensar em nada. E ainda assim quero buscar algo, então só consigo ficar sentada, sem me mexer.  

E então chegou a segunda-feira.  

Me levantei da cama com dificuldade, me arrumei como sempre e fui para a empresa.  

Já passava do meio-dia. Quando cheguei ao escritório, bem na hora Fukuhara e Fukada estavam se levantando para ir almoçar.  

— Boa tarde atrasada.  
Fukada provocou.  

— Hum. Fukuhara, desculpa, mas posso te pedir um favorzinho?  
— O que foi?  
— Queria que você levasse esse DVD para o chef chamado Kanto, do restaurante Kanaria. Precisa entregar em mãos.  

Era a cópia do DVD que eu tinha pegado emprestado do Fukuhara.  

Eu não aguentaria ir entregar isso para ele pessoalmente.  
Por isso quis pedir para o Fukuhara ir, com um pouco de maldade e um pouco de bondade.  

Queria saber como ele reagiria se tivesse a chance de conversar diretamente.  

— Claro. O Kanto... é aquele cara alto que sempre fica olhando pra cá, né?  
...O garoto também percebeu isso?  
Que surpresa.  

— Olhando?  
Fukada repetiu a fala dele.  

— É. Faz tempo que eu notei. Toda vez que venho aqui, ele olha pra cá. Então é conhecido do Miyamoto-san.  
— Isso. É conhecido meu. Por isso estou te pedindo.  
— Entendi.  

— ...Nesse caso eu vou junto. A gente almoça lá.  
— Isso não dá. O Fukada tem outra coisa pra fazer.  

Me apressei em impedir o Fukada.  
Se ele visse o Fukuhara conversando com o Kanto, talvez percebesse os sentimentos do Kanto.  

— Eu não vou almoçar. Volto logo. Se o senhor puder esperar.  
— Esperar isso aqui eu espero, né?  

Não era minha intenção atrapalhar os dois, por isso falei e olhei para o Fukada.  

Ele hesitou um pouco, mas sorriu.  
— Claro que espero. Volta cedo. Aliás, lembrei que também tenho algo pra falar com o Miyamoto.  
— Comigo?  

A mão do Fukada segurou meu braço com força, como se não fosse me deixar escapar.  

— Então eu vou.  
Fukuhara, sem perceber nada, acenou para nós e seguiu direto para o Kanaria.  

Fiquei olhando o garoto ir embora e me virei para o Fukada.  
— Qual é esse assunto que o senhor quer falar comigo?  

E então ele me puxou para longe da entrada da empresa, para um beco próximo, ainda segurando meu braço.  

— Acabei de lembrar.  
— Do que?  
— Do perseguidor.  
— ...Hã?  

Fiquei sem graça diante do olhar irado do Fukada.  
É mesmo. No início eu tinha pedido a opinião dele sobre o Kanto. E ele lembrava até agora.  

Não, é óbvio. Ele sempre gostou do Fukuhara de forma séria.  

— O senhor disse que tinha um homem olhando fixamente para o garoto de longe, né? Disse que era estranho porque, toda vez que ia ao lugar dele, o cara só ficava encarando sem puxar assunto.  
— Eu falei isso?  
— Não finja.  

Fukada apertou ainda mais meu braço.  
— Está doendo.  
— Esse cara é o Kanto, do restaurante Kanaria, não é?  
— Fukada.  
— O senhor sabia disso e mesmo assim mandou o garoto ir até ele? Está tentando me sacanear?  
— Não é isso. O Kanto não é um perseguidor nem nada.  

Percebi que não dava mais para esconder, então contei só o necessário.  

— Eu acho... que o Kanto... gosta do Fukuhara. Mas isso é só uma suposição minha. Ainda não sei a verdade.  
— O senhor não sabe, mas por que deixou o Fukuhara ir sozinho?  
— É que... eu queria que eles se encontrassem pessoalmente uma vez...  

Por que eu sou incapaz de entender o sentimento dos outros? Só penso em mim...  
Na posição do Fukada, era natural que ele estivesse furioso.  

— Mas... dentro do restaurante não tem como acontecer nada estranho, né? O Fukuhara também disse que ia voltar logo depois de entregar.  
— E se esse cara for mesmo um perseguidor e fizer algo com o Fukuhara, o que o senhor vai fazer?  
— Não vai acontecer nada!  

O Kanto olhava para o Fukuhara com tanto carinho. Ele jamais machucaria o garoto. Mas como eu tinha dito que não sabia ao certo os sentimentos dele, não podia explicar assim.  

— O Kanto... é uma pessoa decente. Ele não faria isso.  
— Quem está apaixonado consegue manter a calma?  
— Fukada!  

Ele me soltou com um empurrão e saiu correndo.  
— Fukada!  

O que eu faço?  
Não me diga que ele foi para o Kanaria...  
Preciso ir atrás.  
Não posso deixar os três se encontrarem.  

Mesmo pensando isso, meus pés não se mexiam.  
No momento, eu não queria ver o rosto do Kanto. Tinha medo de ver que expressão ele faria com o Fukuhara na frente dele.  

Eu sou uma pessoa horrível. Não importa o que aconteça, só penso em mim.  

Saí do beco devagar e voltei para frente da empresa. Vi o Fukuhara vindo de longe. Mas não estava com o Fukada.  

— Ah, Miyamoto-san. Eu entreguei.  
O rosto dele estava sorridente.  

Não parecia o rosto de quem tinha recebido uma declaração. Eu pensava isso... mas tinha medo de perguntar se algo mais tinha acontecido.  

— O Kanto-san disse: "Diga a ele que não precisa fazer coisas desnecessárias". E também "chega". Ele dá um pouco de medo, né?  
— ...E o Fukada? Não encontrou ele?  
— Encontrei. Na esquina ali.  
— E depois?  
— Depois... ele saiu correndo dizendo que também tinha sido chamado pelo Miyamoto-san. "Miyamoto-san só fica mandando o Fukada-san fazer recado, que pena"... Miyamoto-san?  

Ele tinha ido.  
— Seu rosto está pálido. Está tudo bem?  

Tinha ido encontrar o Kanto.  
— Está com anemia? Se apoia aqui.  

Afastei a mão do Fukuhara, que ia me segurar, e segui cambaleando.  
— Aonde o senhor vai? Está com uma cara péssima!  
— Não precisa. Não me siga.  
— Miyamoto-san.  
— É minha responsabilidade. Proibido você ir.  

Eu precisava ir.  
Precisava ir atrás.  
Porque eu fui quem causou isso.  

Mas minhas pernas estavam pesadas como chumbo e eu mal conseguia andar.  
Na verdade eu queria correr, mas sem me apoiar na parede eu não conseguiria ficar de pé.  

De algum jeito continuei. Quando vi o Kanaria, o Fukada estava saindo de dentro do restaurante.  

— Fukada!  
Chamei, e ele se aproximou.  
— O que houve? Está com uma cara péssima.  
— O que o senhor fez? O que disse?  
— Fazer? ...Eu só fui dar um aviso.  
Ah...  
— Eu disse que ouvi dizer que ele gostava de um colega meu, mas que essa pessoa é minha. Que de agora em diante não se aproximasse mais. E que eu não ia deixar o garoto ir lá de novo.  
— E o Kanto disse o quê...?  
— Nada. Só "entendi".  

Dei vontade de socar o Fukada.  
De cobrar por que ele não conseguia ser compreensivo, quando o outro só pensava no Fukuhara.  
Mas eu não tinha nem um milímetro de direito para isso.  

O Fukada é o namorado do Fukuhara. E eu, sabendo disso, mandei o Fukuhara até lá para me consolar, para me vingar dele.  
Pior: eu sabia que o Kanto gostava do Fukuhara e fiquei calada. Então eu é quem deveria ser cobrada pelo Fukada.  

— Vou repetir mais uma vez. Eu gosto do garoto de verdade. Não tenho a menor intenção de entregá-lo para mais ninguém. Não faça uma coisa dessas de novo. E se não está bem, vá para casa.  

Fukada me deixou ali e voltou para a empresa.  

Diante de mim estava o Kanaria.  
Mas o Kanto certamente não me veria daqui. Então eu podia voltar para a empresa sem encará-lo.  
Podia fingir que não sabia de nada e deixar tudo passar.  

Mas eu não me permiti.  
Eu era a única que sabia de tudo. A causa desse resultado também era eu.  

Respirei fundo, me armei de coragem e fui até a porta do restaurante.  

A porta estava a poucos passos.  
A porta que eu sempre abria com facilidade agora parecia de ferro, dura e pesada.  

— Seja bem-vindo.  
Parece que o Fukada foi discreto e não contou nada na frente dos outros. O gerente me recebeu com o sorriso de sempre.  
— O Kanto está...  
— Está sim. Hoje o Kanto-san não para de ter cliente, né? Kanto-san, é o Miyamoto-san.  

O gerente chamou para dentro e ele apareceu com uma expressão neutra.  
— ...O que você quer?  
A voz dele estava cheia de espinhos.  
— Eu preciso falar...  

Aqueles espinhos cravaram no meu peito, mas eu precisei aceitar a dor.  

Kanto ficou em silêncio. Depois soltou um suspiro longo e fez um gesto com o queixo para fora, indicando que eu o seguisse.  

Saímos pela mesma porta por onde eu tinha entrado.  
Assim que a porta fechou, ele tirou o chapéu e suspirou de novo.  

— É sobre o homem de antes?  
— Desculpa...  
— Chega.  
— Mas...  
— Não venha mais aqui.  

Aquela frase apertou meu peito.  
— Essa é minha liberdade.  

Tentei parecer forte, mas mal conseguia respirar.  
— Não é sua liberdade. Resumindo: eu não quero te ver mais. Então não venha. Ou se vier ao restaurante, não me chame.  

Chegar a esse ponto...  
— Pelo amor de Deus...  

Ele murmurou, irritado. E só isso fez toda a minha mágoa e raiva explodirem.  

Eu fiz isso porque achei que seria bom para ele. Me calei, pensei nele, foi por isso que fiz.  
Mesmo que eu possa ter calculado errado, não foi por maldade.  
E mesmo assim ele diz que nem me ver eu posso?  

— Pelo amor de Deus, o que é isso!  
Gritei para não chorar.  
Tive a sensação de que, em vez de chorar, a raiva manteria meu coração forte.  

— Se o senhor não gosta de mim, tudo bem. Eu já sabia disso desde o começo. Mas e aí? O Fukuhara gosta mais do Fukada. Até eu... queria não gostar do senhor. Porque eu sei que o senhor ama o Fukuhara. Se eu não gostasse do senhor, não estaria sofrendo assim. Mesmo assim, por gostar, achei melhor não contar e fiquei calada. Não foi para sacanear o senhor.  
— Miyamoto?  
— Em vez de um covarde como o Kanto, que não tem coragem de dizer que gosta, o Fukada combina muito mais com o Fukuhara. Um cara desligado como o Kanto, levar um fora é merecido! ...Mas... eu realmente queria que o Kanto fosse feliz...  
— Espera aí.  

Enquanto eu gritava, ele segurou meus ombros com força.  
— O que é isso? É a verdade.  
— O tal Fukada é o homem que veio aqui me cobrar antes?  
— É.  
— Ele não é seu namorado?  
— ...Hã?  
— Esse "não mexa com meu colega" não era sobre você?  

O sangue que tinha subido à cabeça por causa da raiva desceu de repente.  
— Ele é namorado do Koji? Não é seu namorado?  
— Eu não sei!  

Fugi dali como um coelho fugindo do caçador.  
— Miyamoto!  

Como eu posso ser tão idiota?  
Se ele achou que eu tinha namorado, era só deixar o mal-entendido. Era só deixar o Kanto alimentar esse sonho.  
Eu não só cuspi meus verdadeiros sentimentos, como destruí o amor sério dele.  

Se eu pudesse fazer isso, já teria feito há muito tempo. Foi justamente para isso não acontecer que fiquei calada todo esse tempo.  

Kanto não correu atrás de mim.  
Claro. Era horário de pico do almoço. Um chef não pode sair do restaurante.  
Mas um caminho sem passos atrás de mim é um caminho que leva à separação.  

A partir de agora, tudo vai acabar.  
Meu amor. O amor do Kanto. Tudo vai acabar.  

Era o resultado inevitável. E ainda assim me odeio por ter sido eu quem puxou o gatilho.  
Mais do que o Kanto, que não me ama. Mais do que o Fukuhara, que o Kanto ama. Mais do que o Fukada, que não me ouviu e foi declarar o amor para o Kanto... eu sou a mais idiota, a mais patética, a mais detestável...  

Já me chamaram de irresponsável e tudo mais, mas eu ainda achava que tinha consciência. De que, mesmo querendo morrer de dor, eu voltava para a empresa e trabalhava.  

Eu pensei que me conhecia por completo.  
Pensei que era alguém bonito, talentoso, com a vida nos trilhos, cabeça no lugar, com tudo o que queria.  

Mas agora sinto que tudo isso estava errado.  
O homem que eu gosto não liga para mim. Envolvi meus amigos. Não só não fui clara sobre meus sentimentos, como ainda interpretei tudo errado e estraguei o sentimento de uma pessoa importante.  

Pode ser que, no fundo, eu seja só uma idiota, ciumenta e desajeitada.  
Não. Com certeza sou.  

— ...O senhor está derretendo.  
Ao me ver com a cara na mesa, sem me mexer, o Fukuhara veio falar comigo. Ele é mais novo que eu no cargo.  
Gentil, fofo, alegre, querido por todos.  

— Se não está bem, volte para casa.  
— ...Vou trabalhar. Se ficar sozinho em casa, vou piorar.  
— Sério, o que houve? Não parece o Miyamoto-san de sempre.  
— Esse é o Miyamoto de verdade. Eu sou uma pessoa horrível.  
— O que o senhor está falando. O senhor é alguém que eu admiro.  

...Ainda bem que quem o Kanto gosta é esse garoto. Consigo apagar um pouco do sentimento negativo.  

— Fukuharaaa.  
E me joguei no Fukuhara que estava do lado, como quem faz manha.  
— Estou péssimo mesmo...  

O Fukuhara, todo másculo, só ficou fazendo carinho na minha cabeça e dizendo "calma, calma".  
— Quer um café?  
— Hum. Café preto.  
— Então solta.  
— Tá.  

Soltei o Fukuhara e, meio à força, me sentei de novo no computador.  

O trabalho de agora é uma concorrência. Mas com esse estado mental, duvido que a gente ganhe.  
Enquanto pensava nisso, ouvi algo como gritos.  

— Hã...?  
Deve ser alguém brigando. Prestei atenção e vinha do andar de baixo.  

Esse prédio tem escada e janelas abertas, então mesmo sem ouvir claramente, a voz de baixo chegava até aqui.  

— Sim, um café.  
Peguei a xícara que o Fukuhara me deu e perguntei.  
— O que está acontecendo lá embaixo?  
— Não sei direito, mas parece que é cliente do Fukada-san.  
— Do Fukada? Mas essa voz...  

O barulho parecia cada vez mais uma briga.  
Logo todo mundo começou a prestar atenção lá embaixo.  

— Quem? O que foi?  
Perguntei para quem subia, e a pessoa deu de ombros.  
— Sei lá. O Fukada mandou todo mundo sair, então não sei o que é... Mas a outra pessoa é do restaurante aqui perto.  
— Restaurante aqui perto...?  
Tive um mau pressentimento...  
— É. Sabe, aquela cafeteria que o Miyamoto-san sempre vai.  
— Não é o Kanaria?  
— Não sei o nome, mas é aquele lugar com comida boa. Na janela tem umas decorações de vidro...  

Sem ouvir até o fim, me levantei.  
Por quê?  
Não preciso nem perguntar.  

Quem contou para ele que o namorado do Fukuhara se chama "Fukada" fui eu. E o próprio Fukada disse que o Fukuhara era colega dele.  
Ele deve saber que o garoto trabalha nesta empresa.  
E não só eu, mas todos daqui somos clientes frequentes, então o Kanto com certeza sabe que este é o nosso escritório.  

— Kanto!  

Desci correndo as escadas, afastei a multidão que estava na sala de espera e entrei. E naquele instante vi o soco do Kanto atingir o rosto do Fukada.  

— Fukada!  

Não foi forte o suficiente para derrubar, mas levar um soco no rosto nunca é pouca coisa.  

— ...Boa. Então agora é a minha vez.  
— Para!  

Me joguei na frente do Fukada, que estava esfregando o rosto e levantando o punho, para proteger o Kanto.  
Sou mais fraca que o Fukada, mas talvez ele não me batesse.  

— Miyamoto.  
— O que o senhor está fazendo, seu idiota!  
Ele ainda acha que o Kanto é um perseguidor?  
Ou o Kanto veio aqui declarar seus sentimentos?  

— Sai da frente. Não tenho motivo para não bater nele.  
— O senhor não está entendendo nada.  

De qualquer forma, eu não queria que o Fukada batesse no Kanto. O Fukada já tem o Fukuhara, então não quero que ele machuque mais ninguém.  

— Eu já apanhei por ter motivo para isso. Agora é a minha vez. E o senhor não tem motivo nenhum para proteger essa pessoa.  
Então era isso.  
— Tenho! Esse é o homem da minha vida. Eu gosto do Kanto, então não bata nele!  

Mesmo achando que o Fukada não pararia por causa disso, em vez de discutir besteira, eu quis falar o que realmente sentia.  

— ...O senhor está falando sério?  
— Estou.  

Fukada suspirou e baixou o punho.  
E então, atrás de mim, o cara que tinha batido nele riu.  
— Então vamos considerar que estamos quites.  
— Quites? Para mim ele também é importante. Então eu posso bater.  
— Não dá. Nosso relacionamento não é tão profundo quanto o meu.  
— Faz sentido, né...  

O quê...?  
A briga parecia ter acabado, mas por que o Fukada estava sendo tão educado com o Kanto? E "nosso relacionamento não é tão profundo quanto o meu"... o Kanto, que levou um fora, dizendo isso para o Fukada, que é o namorado?  

— Depois o senhor me explica direito e me mostra as provas, certo?  
— Se você for sincero.  
Nesse ponto, o Kanto parecia estar por cima...  
— Eu sou sincero. Por isso deixei o senhor me bater.  
— Ótimo. Então vamos conversar direito.  
— Kanto...?  

Olhei para ele, confusa, e ele me sorriu.  
Parece que... não está bravo. Não está bravo com quem deu o ultimato e destruiu o amor dele.  

— Então, Fukada. O resto é com você.  
— ...Entendi.  
— Vem, Miyamoto.  
Kanto pegou na minha mão, enquanto eu não entendia nada.  

— Aonde?  
O que aconteceu? Por que os dois estão tão amigáveis de repente?  

— Deixa eu ver... Seu apartamento é mais perto que o meu, então é melhor irmos para lá, né?  
— E o restaurante? Ainda não fechou.  
— Já deixei o resto com o Ono-san. Resolver o mal-entendido seu e o meu é mais importante agora.  
— O quê?  

Não entendi nada.  
Só sei que parece que ele não me odeia.  
Mas não faço ideia do porquê.  

Ang Ang - Capítulo 19

Capítulo 19


— Ah, desculpa. Claro, até filho de rico tem coisa pra fazer. Se eu ficar só sentado brincando, acha que meu pai vai me deixar em paz? Você conhece bem meu pai, né?  


Sungjun disse, cumprimentando-o de forma leve, e caminhou em direção ao seu sub. O rapaz se encolheu. Jogar ácido clorídrico nele não era uma atitude comum vindo de Sungjun.  


Sungjun levantou o sub com delicadeza. O garoto nem conseguia erguer a cabeça e só tremia.  


— Vamos sentar um pouco. Você não apanhou tão forte... ... Graças a Deus.  


Seongjun sentou o sub ao seu lado, com um tom que não dava pra saber se era sincero ou falso.  


A expressão de Hwayoung endureceu ao ver aquela cena. Ela sorriu, ampla, com o rosto frio e cortante. Seongjun, que sabia que aquele sorriso significava que Hwayoung estava realmente furiosa, também sorriu.  


Deve ser difícil ser filho de uma família de gangsters, mas também não é fácil ser filho de uma família rica e ter tudo. Ele tinha mais do que capacidade para lidar com Hwayoung. O único problema era que, naquele momento, a situação lhe era desfavorável. Podia abrir mão do sub, mas não podia permitir que pensassem que ele "entregou o sub porque era fraco".  


Hwayoung parecia ter perdido o interesse nesse mundo depois de conhecer o "gato gigante" com quem sonhava desde criança. Mas Seongjun era diferente. A preferência sexual dele não tinha outro lugar pra existir a não ser naquele mundo pequeno e fechado.  


— Tá. Agora vamos ouvir a história direito. O que o Hyun-gil disse?  


Quando Hwayoung perguntou "Quem é Hyungil?", Sungjun apontou para o sub e disse:  

— Ei.  


Hwayoung acendeu um cigarro novo. Sungjun acendeu pra ela com destreza e lançou um olhar para o cinzeiro. Estava limpo. Por mais brava que ficasse, ela nunca fumava na frente do pai ou do irmão. Sungjun achou aquilo típico dela.  


— Manda ele me contar.  


Hwayoung, que costumava ficar ereta quando o pai e o irmão estavam por perto, resmungou enquanto se jogava de forma desconfortável no sofá individual. O som do risinho dela era ameaçador.  


Seongjun voltou o olhar para Hyungil.  

— Responde minhas perguntas direito. Consegue, Hyun-gil?  


Hyun-gil assentiu.  

— O que exatamente você fez com a Hwayoung?  


Hyun-gil não abriu a boca desde o início. Sungjun, observando Hwayoung soltar a fumaça para cima, teve um pensamento estranho. Lembrou de muito tempo atrás, de um pensamento obsceno: abrir as pernas dela e entrar nela.  


Mesmo enquanto fantasiava por um instante, Hyun-gil continuava calado. Então Sungjun teve que perguntar para Hwayoung:  

— Que dano ele te causou?  


— A Benz ficou toda arranhada. Escreveram "pervertido" na porta da frente. Ligaram pra minha casa ameaçando colocar fogo... Preciso continuar? — os olhos de Hwayoung não tinham nenhuma misericórdia. — Mesmo que eu fale isso, o que me deixa mais brava é provavelmente o ferimento do Gyuwon. Se não fosse pelo ácido clorídrico, como teriam limpado? Sungjun ficou decepcionado com isso.  


— Você fez tudo isso?  


Hyun-gil assentiu com força.  


Seongjun fez uma pausa e perguntou:  

— Por que diabos você fez isso?  


Hyun-gil sussurrou:  

— Quero falar só com os dois.  


Assim que ele disse isso, Hwayoung se levantou de repente. Seongjun entrou em pânico, achando que ela tinha perdido o controle, mas Hwayoung apenas caminhava em silêncio em direção à porta.  


— Espero uma resposta que me ajude a entender, Gu Seongjun.  


Seongjun respondeu "Claro" com uma expressão ruim para a pergunta de Hwayoung: "Você sabe o que eu quero dizer?"  


Assim que a porta se fechou, Seongjun agarrou os ombros de Hyungil.  

— O que você está pensando?  


Hyun-gil, que o encarava em branco, sorriu.  

— Mestre.  


Ao ver ele chamando assim, baixinho, Sungjun assentiu. Hyungil então falou:  

— Eu te amo.  


Seongjun olhou para Hyungil, atônito. Mesmo com o rosto machucado, Hyungil sorria.  

— Eu sei, Mestre não se importa comigo.  


Seongjun perguntou, num tom apressado:  

— Você ficou louco? Por que diabos tem história de amor aqui?  


Hyun-gil franziu a testa. Ao ver aquela cara, Seongjun o sacudiu.  

— Ei, você sabe onde está? Sabe o que você fez? Hwayoung, o caçula da família Yoon. Aquele que você viu mais cedo era o Yoon Soo-hyeop. Você mexeu com a máfia. Está querendo ser vendido pra um barco de pesca no alto mar? Ou quer virar escravo de verdade? Por que você é tão imaturo? Precisa ver o tamanho da merda que fez!  


Hyun-gil murmurou:  

— O-o que você está dizendo...?  


Sungjun bateu no próprio peito, frustrado. Hyun-gil tinha 21 anos. Afinal, era bem imaturo. Quem diria que isso ia acertar ele pelas costas assim?  


Ao ver aquela expressão de "meu único pecado é te amar", Sungjun sentiu até medo de matar Hwayoung antes que ela fizesse alguma coisa. Hyungil olhou para o rosto de Sungjun e se encolheu.  


Sungjun acabou explodindo ao ver aquela cara de "Mestre, Mestre vai me salvar".  

— Escuta aqui, Cha Hyun-gil. Mestre e escravo é só um jogo. O que você fez foi crime. Você cometeu o crime de tentar machucar alguém. Entendeu, seu idiota!  


No corredor, Hwayoung acendia outro cigarro quando Sungjun abriu a porta. Ele saiu com o rosto vermelho, acenou lá de dentro e disse:  

— Droga, aquele garoto que se dane. Eu resolvo sozinho, então não se preocupa.  


E tentou ir embora. Naquele momento, Hwayoung colocou o pé na soleira da porta.  

— Quem vai embora assim? Seongjun, vamos acertar as contas direito.  


— Se continuar assim vai me deixar bravo? — Hwayoung sorriu abertamente. Não havia nem um pingo de medo no rosto de Sungjun quando ele disse: "Para de rir, meu queixo está formigando". Ele arrancou o cigarro da boca de Hwayoung e colocou na própria.  

— O que você quer?  


Hwayoung deu uma risadinha.  

— Bem, ainda não tenho nenhum pedido. Então deixa pra depois.  


Seongjun franziu a testa.  

— Ou assim você diz.  


Prestes a sair, Seongjun tirou a carteira e entregou o cartão de crédito. Hwayoung olhou para baixo e respondeu:  

— Isso é um pouco fraco, não?  


Seongjun suspirou e soltou a fumaça.  

— Não é isso. O irmão "gato" de vocês se machucou. Vou pagar por isso.  


Hwayoung pegou o cartão e riu.  

— Tá. Vou anotar na sua conta.  


Sungjun riu.  

— É, o limite é alto, então usa à vontade. Aproveita e compra umas roupas pra você também. Garoto, desperdício de bacia.  


E tentou sair. Mas Hwayoung o segurou.  

— Deixa eu te perguntar só uma coisa.  


Seongjun assentiu na direção dela.  

— Ele disse que eu estuprei ele. O que isso significa? Você perguntou pra ele?  


Seongjun franziu a testa.  

— Você fez porque eu mandei. Acho que você não quis transar comigo.  


— O que quer dizer? Não foi combinado?  


Sungjun suspirou, escolhendo as palavras.  

— Eu achei que era consensual. Droga, aquele garoto e eu ficamos um ano juntos. A não ser que ele tivesse se oposto com força, é natural pensar que foi consensual. Mas aquele garoto... ... Droga, desculpa por isso... ...  


Naquele instante, o punho de Hwayoung acertou fundo o abdômen de Seongjun.  

— Você chama isso de desculpa, seu merda?  


Seongjun se dobrou ao meio.  

— Desculpa... Eu disse que sim!  


Hwayoung o empurrou e começou a bater com a parte de trás da cabeça na parede. Antes da quinta ou sexta vez, Seongjun, segurando a barriga, se aproximou e colocou a mão no local onde ela batia.  

— Ei, olha. Já basta eu apanhar de você. Se seus irmãos e seu pai tentarem me comer vivo por estragar sua cabecinha bonita, eu vou surtar de vez. Tá? Se segura.  


Hwayoung empurrou o rosto de Sungjun de novo e cobriu o próprio rosto com as duas mãos.  

— Droga. Sério... ... Ai, meu Deus!  


Quanto mais pensava, mais raiva e ressentimento sentia. Hwayoung nunca tinha estuprado ninguém — podia jurar por Deus — mas o resultado estava sujo. Claro que ela achou que foi consensual. Como perguntar para o sub de outra pessoa "Foi consensual?". Era tão injusto que quase pulava e surtava, mas não podia fazer nada.  


Hwayoung abriu a porta com força e pegou um cassetete de madeira no canto. Era algo que Kiyoung usava para "corrigir" os subordinados.  

— Você acha que está com sorte, garoto. Tá? Não quero te ver de novo. Se eu te ver na rua, vou te jogar no meio do trânsito, entendeu?!  


Depois de gritar com Hyungil, Hwayoung ficou de frente para Seongjun.  

— Não preciso de mais nada. Só morre. Se tiver com medo, me enfrenta. Quer que eu saia?!  


Seongjun, vendo Hwayoung gritar, se inclinou e gritou:  

— Ah, desisto! Desisto!  


Mas Hyungil se meteu no meio.  

— Por quê, por que vocês estão fazendo isso?! A culpa foi minha, então falem comigo. Falem com o Mestre... ...  


Não foi Hwayoung, e sim Sungjun, quem jogou Hyungil no chão. Ele gritou com uma cara de quem ia realmente perder a cabeça:  

— Pelo amor de Deus, cala a boca e não se mete, por favor!  


Diante dele, Hwayoung apenas riu, chocada.  

— O que você quer que eu diga pra você?  


Hyun-gil assentiu ao ouvir a voz baixa de Hwayoung.  

— Eu assumo a culpa, então faz comigo!  


Vendo aquilo, Seongjun levantou os dois braços em sinal de rendição e balançou a cabeça para Hwayoung.  

— Ei, não me culpa por ter um idiota desses.  


Hwayoung coçou a cabeça e jogou o cassetete. Depois agarrou Hyungil pelo pescoço e o levantou. Com as costas dele contra a parede, Hyungil abriu os olhos e se debateu, mas Hwayoung nem piscou.  

— O quê? Está xingando? Está querendo brincar de casinha comigo agora?  


Hyun-gil tentou falar, mas não conseguiu. As mãos de Hwayoung estavam no pescoço dele, suspendendo-o contra a parede. Os pés dele não tocavam o chão.  

— Ei, garoto. Quer que eu te faça mergulhar pro resto da vida? Prefere o Mar do Leste ou o Mar do Oeste? Hã? Parece que você não entendeu o que está acontecendo agora. Mas se não gosta do mar, quer mergulhar com um tambor cheio de ácido clorídrico?  


A calça de Hyun-gil ficou completamente encharcada. Urina escorria, mas Hwayoung não afrouxou a mão.  


Quem a impediu foi Sungjun. Assim que ele puxou Hwayoung à força, o corpo de Hyun-gil escorregou pela parede.  

— Yoon Hwa-young, eu não queria dizer isso, mas você virou alvo agora. Estão te chamando de traidora em todo lugar. Mesmo que não fosse o Hyun-gil, alguém teria te machucado.  


Hwayoung olhou de volta para Seongjun.  

— O quê?  


Seongjun continuou, com o rosto frio:  

— Você é a única sonhando com um futuro brilhante nesse chão maldito. Acha que os garotos vão deixar? É fácil entrar, mas você sabe que nunca é fácil sair.  


Hwayoung riu, sem humor.  

— Sou a única feliz, então vou embora porque minha barriga dói, é isso?  


Apesar do sarcasmo, nenhuma expressão mudou no rosto de Sungjun.  

— Sendo direto, sim. Isso me machuca bastante. Você sempre diz que até um par de sandálias tem um par... ... Nós somos filhos da escuridão.  


Seongjun não mudou a expressão nem sob o olhar furioso de Hwayoung.  

— Eu não sou casado. Só peguei um sub homem. Isso é traição?  


Seongjun deu de ombros.  

— Seria melhor se casar. Depois de casar, você vai acabar insatisfeita e vai voltar pro clube pra brincar, como propriedade de todos. Se esperar, um dia talvez seja escolhida. Aqueles garotos que te seguem sem falhar. Eles ouvem rumores, descobrem seus gostos e ficam esperando enquanto o gerente aparou o cabelo e treinou os músculos. Do ponto de vista deles, você está arranjando um amante e saindo desse lugar. Claro que é injusto. Isso deixa eles com raiva. Se você tivesse tendência a ser sub, se fosse switch... ... Eu não teria deixado o cartão de visita dele de propósito e entregue o vídeo para o cara que é apaixonado por você. Eu mesmo teria tomado uma atitude.  

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Let me free - Capítulo 03

Capítulo 03: Frenético por Controle 

Depois da confusão da noite passada, a casa voltou ao silêncio. Um silêncio pesado, que só era quebrado pela minha própria respiração.
Eu me virei na cama por horas. Impossível dormir depois de tudo que aconteceu.

Mark estava no quarto de hóspedes. De vez em quando eu ouvia ele se mexer, tossir baixo. Mas eu não saí do meu quarto.
Se eu saísse, ia acabar perguntando coisas que não tinha coragem de ouvir a resposta.

Quando o sol nasceu, eu já estava acordada. O cheiro de café invadiu o corredor.
Ele estava na cozinha. De costas pra mim, mexendo uma frigideira. O braço ainda enfaixado, a camisa branca um pouco grande no corpo, o cabelo molhado.
— Bom dia — falei baixo.
Ele não se virou.
— O café está pronto. Se sirva.

A voz dele estava fria. Distante. O Mark vulnerável de ontem à noite tinha desaparecido.
No lugar dele estava o Mark de sempre: o "frenético por controle". O que organiza tudo, que dá ordens, que não suporta nada fora do lugar.

Eu me aproximei devagar.
— Você não devia estar cozinhando com esse braço. Vai abrir os pontos.
— E você não devia estar me dando ordens — ele retrucou, virando-se de repente. Os olhos escuros me encararam. — Eu me viro sozinho, Lin. Sempre me virei.

O silêncio entre nós ficou denso. Só o chiado da frigideira.
Até que ele largou a espátula, suspirou e a máscara rachou por um segundo.
— Obrigado. Por ontem.

Meu peito apertou.
— De nada...

Antes que eu pudesse dizer mais, o celular dele vibrou na bancada. Ele olhou a tela e o rosto fechou na hora.
— Alô? — atendeu seco. — Eu já disse que não vou. Resolvam vocês.

Ele desligou e jogou o aparelho na mesa com força.
— Problema? — perguntei, cauteloso.
— Família — ele cuspiu a palavra, como se fosse veneno. — Sempre um problema.

Ele passou a mão no cabelo, frustrado.
— Eles acham que podem decidir minha vida só porque têm o mesmo sobrenome. Mas não podem. Não mais.

— Mark... — eu tentei.
— Não — ele me interrompeu, erguendo a mão. — Não quero falar sobre isso.

E mudou de assunto como quem vira uma chave.
— Você vai trabalhar hoje?
— Vou. No restaurante, às 10h.

Ele assentiu e voltou a mexer na comida. Mas eu percebi: a mão dele tremia um pouco.
— Senta — ele disse, colocando um prato na minha frente. Panqueca, ovo e café. — Come. Você precisa de energia.

— Você também.
Ele deu de ombros e sentou na minha frente. Comemos em silêncio por alguns minutos.
Era estranho. Ontem ele estava sangrando nos meus braços. Hoje estávamos tomando café juntos como se nada tivesse acontecido.

— Por que você fugiu do hospital? — perguntei por fim, sem conseguir me segurar.
Ele parou de mastigar.
— Porque odeio aquele lugar. Cheiro de remédio. Gente me tratando como paciente. Como fraco.
— Você estava fraco.
— E daí? — ele ergueu os olhos pra mim. — Fraco é o que eu não posso ser. Nunca.

A intensidade da resposta me fez recuar na cadeira.
— Entendi — murmurei.

Ele percebeu e suavizou o tom.
— Desculpa. Eu... não sou bom com isso. Com gente se preocupando comigo.
— Pois vai ter que se acostumar — eu disse, tentando leveza. — Porque eu vou ficar te enchendo o saco até esse braço sarar.

Pela primeira vez na manhã, ele sorriu. Um sorriso pequeno, de canto, mas um sorriso.
— Frenética por controle também, hein?
— Talvez — eu sorri de volta. — Alguém precisa manter você na linha.

O momento foi quebrado pelo barulho de passos na porta. A governanta da casa entrou, seguida por dois homens de terno.
— Senhor Mark — disse um deles. — Precisamos falar sobre a reunião de hoje.
Mark fechou a cara na hora.
— Eu já disse que não vou.
— Mas o conselho...
— Eu. Disse. Que. Não. Vou. — cada palavra foi uma ordem.

Os homens olharam pra mim, depois pra ele, e saíram sem dizer mais nada.
Quando a porta fechou, Mark passou as duas mãos no rosto.
— Droga...

— Quer conversar? — perguntei.
— Não — ele respondeu rápido demais. Depois completou, mais baixo: — Mas... obrigado por perguntar.

Ele se levantou, pegou as chaves e a jaqueta com a mão boa.
— Vou sair. Tenho coisas pra resolver.
— Com esse braço?
— Eu disse que me viro — ele já estava na porta. — Não me espera acordado.

E saiu. Batendo a porta atrás de si.

Eu fiquei na cozinha, com o prato meio cheio na minha frente.
O "frenético por controle" tinha ido embora.
E me deixou aqui, me perguntando quantas camadas ainda existiam por baixo daquela armadura.

E o pior: me perguntando por que eu me importava tanto.

4 de ago. de 2026

Novel TH (Ativo)

  
古墓里的一窝蛇
Love Storm

Gênero:   Yaoi, Romance, Slice of Life 

Autor(S):  MAME 


  
古墓里的一窝蛇
My Boyfriend is the School President

Gênero:   Yaoi, Romance, Slice of Life

Autor(S):  Pruesapha 


  
古墓里的一窝蛇
NITI man, society and lover 

Gênero:   Comédia, Drama, Romance, Yaoi 

Autor(S):  Chamaij 


  
古墓里的一窝蛇
Master of The Mafia 

Gênero: Yaoi, Romance, Sobrenatural, Fantasia, Ficção, Drama

Autor(S):  BlueBell'w 


  
古墓里的一窝蛇
The Last Woods 

Gênero: Yaoi, Romance

Autor(S):  theneoclassic


 
古墓里的一窝蛇
SunsetxVibes 

Gênero: Romance, Yaoi, Ficção

Autor(S):  Rosesarin_ 


  
古墓里的一窝蛇
Love Upon a Time  

Gênero:  Romance, Yaoi, Fantasia

Autor(S):  littlebbear96 


  
古墓里的一窝蛇
ER-Minute Heart  

Gênero:   Comédia, Dia mordeno,Shounen-aí

Autor(S):  Leggydan 


  
古墓里的一窝蛇
Let me free  

Gênero:  Shounen-aí

Autor(S):  Nin Manee


 
古墓里的一窝蛇The Next Prince

Gênero:   Ação, Fantasia, Romance, Yaoi

Autor(S):  CEO. ft. ENNICE 




© As traduções são de fãs para fãs, no caso de qualquer reivindicação da DMCA, o conteúdo reivindicado será excluído.

 

3 de ago. de 2026

Art Adore En - Capítulo 05

Capítulo 05  :: O dia em que doeu


P'Nong disse que hoje eu deveria descansar em casa e não sair para lugar nenhum. Ele disse que já tinha resolvido tudo no hospital. Um milhão de baht é muito dinheiro para um estudante como eu pagar. Mesmo que eu ganhasse na loteria, não conseguiria juntar tudo de uma vez.
Hoje é o dia em que preciso ir ao hospital para fazer o exame final antes de receber alta. É o dia em que vou saber se consigo ver de novo ou não. E também é o dia em que a dívida vai ficar mais clara.

"Alô?"
Já tinha acabado de acordar e meu irmão não estava. Deve ter ido comprar café da manhã e as coisas que faltavam. Eu sei, porque ele me mandou mensagem no Line dizendo que já estava a caminho.
"Irmão... está aí?" Tive que falar baixo porque doía a garganta. Voltei a deitar na cama e esperei ele voltar correndo me abraçar.
Clic... A porta se abriu. Dentro do quarto estava escuro porque as cortinas estavam fechadas. Só entrou um pouco de luz da fresta da porta.
"Não faz barulho... O irmão ainda está dormindo." Respondeu baixinho e entrou no quarto.
"O que é isso?" Ele colocou as sacolas na mesa de cabeceira. Percebi pelo cheiro que tinha comida de restaurante caro. E tinha o cheiro do perfume que ele sempre usa.
Eu não respondi. Só fingi que ainda estava dormindo. Na verdade o coração estava doendo de medo.
"Irmão está com dor? Vou chamar o médico?" Falou com a voz preocupada.
"Não estou com dor."
"Isso é bom... Irmão dormiu bem ontem? P' teve que ir resolver umas coisas no hospital, por isso não pôde ficar aqui. Desculpa." Tem cheiro de shampoo.
Eu não respondi e continuei fingindo dormir... o coração estava acelerado sem motivo... hoje é o dia da verdade. Não posso deixar ele ver que estou com medo.
"Então... vou no banho." Ele falou e levantou para ir ao banheiro e o som da água saindo veio em seguida.
"Irmão." Chamei baixinho e ele desligou o chuveiro na hora.
O irmão saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura. Pingava água.
"Irmão vai limpar o corpo pra mim, certo?"
"Já ia fazer isso mesmo." Ele respondeu e se aproximou.

O tempo passou devagar até a hora em que tínhamos que sair. Ele não me deixou ir de jeito nenhum. Insistiu para me levar no colo até o carro. Todo o caminho ele ficou segurando minha mão com força.
"Irmão..." Ele apertou minha mão com mais força quando ouviu minha voz. Mas não disse nada. O rosto dele estava sério. Diferente do irmão que sempre sorri e brinca comigo.
"Chegamos." O carro parou na frente do hospital. Tem muita gente. Tem médico, enfermeiro, paciente. O cheiro de remédio e álcool invadiu meu nariz assim que entrei.
O irmão me pegou no colo de novo. A sensação de estar nos braços dele era estranha. Não era como antes. Antes era confortável. Agora meu coração apertava.
"Não vai doer... o irmão está aqui."
"Irmão não vai me deixar, né?"
"Claro que não."
"Mesmo que eu não consiga ver?"
"Mesmo assim." A voz dele saiu firme, mas a mão que segurava a minha tremia.
Não sei há quanto tempo fiquei esperando. Só sei que quando chamaram meu nome, o coração quase saiu pela boca.
"Irmão, tenho medo." Falei com a voz embargada.
"Shhh... não chora. O irmão está aqui." Ele me beijou na testa. Pela primeira vez em muito tempo.
O médico fez vários exames. Luz forte nos olhos. Máquinas fazendo barulho. E perguntas que eu não conseguia responder direito.
O irmão ficou do meu lado o tempo todo. Segurando minha mão. Sem soltar nem um segundo.
Quando terminou, fomos para a sala do médico. O silêncio ali dentro era pesado.
"O resultado saiu." O médico olhou para nós dois. "A cirurgia deu certo. Ele vai voltar a enxergar. Mas vai demorar um pouco. E vai precisar de fisioterapia ocular."
Naquele momento eu não escutei mais nada. Só senti o aperto da mão do irmão e a lágrima quente caindo no meu rosto.
"Obrigado, doutor." A voz do irmão falhou.
Saímos do consultório. O irmão continuava calado. Só me levou até o carro e dirigiu sem falar nada.
"Irmão está bravo comigo?"
"Por quê eu estaria?"
"Porque eu causei todo esse problema."
"Não fala isso." Ele bateu forte no volante. "Você não pediu pra ficar assim."
Ficamos em silêncio o resto do caminho.
Quando chegamos em casa, ele me carregou de novo até o quarto e me deitou na cama com cuidado.
"Descansa. O irmão vai fazer comida."
"Irmão..."
"Hmm?"
"Obrigado."
Ele parou na porta. Não se virou. Só respondeu baixinho:
"Para de agradecer." E saiu fechando a porta devagar.

Fiquei olhando para o teto escuro. Pela primeira vez em 5 dias... a dor não estava só nos olhos. Estava no peito.
Medo de que mesmo enxergando de novo, eu tivesse perdido a coisa mais importante.

21:00 h
Os amigos vieram me visitar em casa. Aou, Up e os outros. Trouxeram comida e ficaram dizendo que eu estava com boa cara. Porque fazia muito tempo que não nos víamos. E também porque ficaram sabendo que a cirurgia tinha dado certo.
"Vem comer alguma coisa, fica só deitado aí."
O P'Tun sentou do meu lado na cama. Pegou um garfo e assoprou a comida antes de levar na minha boca. Era arroz com frango, ovo frito e sopa. E tinha também a sobremesa que eu mais gosto.
O Aou disse que isso era para eu recuperar as forças. E que eu tinha que comer tudo para ficar forte logo.
"Come, Tun..." Eu disse para o amigo.
"P'Tun não está com fome... espera ele comer depois." Ele respondeu e continuou me dando comida.
"P'Tun não precisa fazer isso... eu mesmo posso comer." "Calado... não fala muito. Fica quieto e come." "Tun... não precisa ficar bravo. Eu só estou preocupado." As palavras dos amigos me fizeram rir.
"Então... vamos contar para ele que viramos um trio? 3P, fechou?" O Up falou rindo e os outros riram junto.
...que amigos chatos...
"Tá... tá." Eu ri e eles riram comigo e ficaram me fazendo cócegas. Eu ri tanto.
"P... P... Tun!" Eu chamei enquanto ria e o P'Tun me abraçou por trás. O corpo dele ainda estava quente.
"Não! Tun!" O P'Tun tapou minha boca e riu também.
"Olha como ele é manhoso quando está com dor." O P'Pai disse e me cutucou na bochecha até doer.
"Não é que eu seja manhoso, é que dói." Respondi sem jeito.
"Os amigos não têm coração, né? Vão ficar rindo da minha desgraça." Eu fiz cara de bravo.
O Aou pegou minha mão que estava fora do cobertor e apertou. Estava quente, doce, salgada. Tinha gosto de tudo.
"P' Tun, os amigos estão falando que você está estranho esses dias. Fica calado e só olha para ele." O Up falou baixinho para o P'Tun ouvir.
"O quê?" O P'Tun fingiu que não ouviu.
"Estranho como?"
"Estranho... tipo... ou quer brigar com a enfermeira ou fica..." O Up não terminou.
"Tun... você quer brigar comigo ou o quê?" Eu virei para ele e perguntei.
"Quieto." Ele respondeu com a voz baixa e me puxou para mais perto. "Fica quieto e come."
Eu obedeci. Porque a voz dele estava diferente. E porque o coração estava batendo muito forte.

"...não precisa ter medo de ser um peso pra mim." Ele disse de repente, tão baixo que só eu escutei.
"Eu nunca pensei isso."
"Mentira." Ele apertou minha mão. "Eu vejo no seu olhar."
Fiquei em silêncio. Porque era verdade. Eu tinha medo. Medo de que quando eu voltasse a enxergar, ele não quisesse mais olhar para mim.
"Olha pra mim." Ele pediu.
Eu não respondi.
"Por favor."
Devagar eu virei o rosto na direção da voz dele. Mesmo sem enxergar direito, eu sabia onde ele estava.
Os dedos dele encostaram de leve na minha bochecha. Frio.
"Quando você abrir os olhos de novo, a primeira coisa que vai ver é a minha cara. Fechou?"
"Fechou." Eu respondi com a voz falhando.
"Isso mesmo. Menino obediente." Ele riu baixinho e encostou a testa na minha.

Depois disso os amigos ficaram mais um pouco e foram embora. O quarto ficou quieto de novo. Só tinha o som da respiração dele e a minha.
"P'Tun vai dormir aqui hoje?"
"Sim. Vou dormir no sofá."
"Não. Dorme aqui na cama."
Ele não respondeu. Só deitou do meu lado, por cima do cobertor. Sem me tocar.
Fiquei quieto. Sentindo o calor do corpo dele perto do meu.
"P'Tun..."
"Hmm?"
"Se eu não enxergar mais... você vai continuar do meu lado?"
Ele demorou para responder. Tanto que pensei que tinha dormido.
"Vou." A resposta veio simples. "Mesmo que você me mande embora."
O coração apertou. Uma lágrima escorreu. Dessa vez não de dor. De alívio.
"Boa noite, Tun."
"Boa noite, Talay."

Fechei os olhos. Pela primeira vez em 5 dias... eu não tinha medo do amanhã.