26 de jun. de 2026
A round trip to love Vol. 04 - Capítulo 12 (Final)
Gear drive - Capítulo 13
24 de jun. de 2026
Poem of Light Year - Capítulo 08
Preciso admitir que tenho trabalhado bastante ultimamente.
Tudo o que pode ser feito para evitar morrer de fome, eu estou fazendo.
Às vezes, sobreviver exige definir prioridades e viver apenas com o básico.
Por isso fui entregar meu portfólio a uma empresa que trabalha com tradução.
No fim, eles não me aceitaram porque ainda não tenho experiência suficiente.
Tudo bem.
Talvez me liguem daqui a alguns anos.
Como sempre, continuei com meu outro trabalho de meio período:
Cantar no bar.
Na verdade, não exigia muito esforço.
Os clientes gostavam, o dono do bar me pagava e ainda me dava comida.
Isso já era suficiente.
— Kawee, estes são meus amigos. Golf... e Ran.
— Olá.
Pisaeng trouxe os amigos para o bar.
Eu os reconhecia de vista porque estudávamos na mesma faculdade, mas nunca havíamos conversado de verdade.
Já passava um pouco da uma da tarde.
Eu precisava me preparar para a apresentação.
Não sei quanto tempo os cantores profissionais gastam ensaiando ou ajustando instrumentos.
Minha preparação consistia basicamente em comer.
— Senta aqui comigo.
Dei de ombros e me sentei.
Ran era quase tão alto quanto Pisaeng.
Talvez até alguns centímetros mais alto.
Sua pele extremamente clara fazia seu rosto parecer delicado como o de um ator chinês.
Golf também era alto e branco, mas tinha uma expressão mais séria.
Ainda assim, os três tinham exatamente o mesmo olhar sedutor.
Definitivamente eram amigos próximos.
— Meus amigos queriam conhecer você.
Pisaeng sentou-se ao meu lado.
Os outros dois ficaram do lado oposto da mesa.
— Olá. Eu sou Kawee. Prazer em conhecer vocês.
Continuei enchendo a boca de arroz.
— Ele nem parece nervoso. Só continua comendo.
Uma pessoa com fome come.
O que havia de estranho nisso?
— O cozinheiro deve gostar muito de você. Preparou uma porção extra.
— Parece pouco. Acho que vou terminar o resto.
Se Pisaeng não tivesse segurado meu braço, a colher provavelmente teria voado na cabeça dele.
— O que foi?
— Não perca tempo. Termine de comer.
Depois disso, voltei para minha preparação pré-show.
O que mais me surpreendeu foi a quantidade de clientes naquela noite.
O bar estava lotado.
— Kawee, lembre-se. Você não pode aceitar bebidas de ninguém.
Se algum cliente oferecer alguma coisa, recuse.
— Como vou recusar? Eles são clientes.
— Eu vou sentar bem na sua frente.
Então todas as bebidas serão minhas.
Mas se alguém vier falar com você, diga não.
Entendeu?
— Entendi.
— Você prometeu.
— Tá bom.
Sem responder mais nada, subi ao palco.
Os aplausos começaram imediatamente.
P'Fluke devia estar radiante.
Ainda eram sete e meia da noite e o bar já estava lotado.
Comparado à semana passada, a diferença era enorme.
— Olá. Eu sou Kawee. Vocês podem me encontrar aqui todas as terças e quintas-feiras.
Eu estava tão nervoso que mal conseguia esconder o tremor.
— Obrigado por todos os comentários.
— WOOOOOO!
— Da última vez, li os comentários deixados na caixa de sugestões. Um cliente pediu que eu cantasse I Love You So.
Então me preparei para isso.
— WOOOOOO!
Nunca imaginei que alguém pudesse gritar tão alto por minha causa.
Antes as pessoas apenas me ignoravam.
Ou reclamavam.
— Então vamos começar. Cantem comigo.
Meus dedos tocaram as cordas do violão.
A introdução foi curta.
Então a música começou.
I just need someone in my life to give it structure
To handle all the selfish ways I spend my time without her
You're everything I want but I can't deal with all your lovers
Gen Y - Capítulo 23
O peso sobre seu corpo começou a mudar de posição.
Continuava descendo lentamente enquanto Kit tentava entender o que Mark pretendia fazer. Um sopro quente atingiu a pele da parte inferior de seu abdômen, fazendo Phi Kit contrair o corpo involuntariamente de susto...
Phi Kit não teve tempo para pensar mais nas intenções de Mark, porque aquele ar quente...
...continuava descendo.
— Mark! Mark!... Espera!
Kit se moveu, apoiando a testa com a mão antes que Mark chegasse ao destino que desejava.
— Já que você não me deixou falar, eu pretendia resolver desse jeito.
Mark respondeu com uma expressão perfeitamente natural.
Era verdade...
Mas isso não significava que Kit permitiria que sua boca fosse usada para algo além de falar!
— Não! Mesmo que fosse isso... e... e...
Pense nos acontecimentos de hoje, de ontem e de qualquer outro dia! Porque eu não me lembro de ter concordado em ser o namorado de Mark!
Essas palavras fizeram o cérebro de Phi Kit entrar em curto-circuito por alguns segundos.
Quando recuperou a consciência, todas aquelas faíscas que piscavam dentro dele desapareceram num instante.
Quem imaginaria que Mark chegaria tão perto assim?
Kit engoliu em seco.
Se pensasse nisso como uma forma de compensação pelo trauma que causou a Mark...
Nesse momento, a racionalidade do estudante de medicina finalmente voltou ao normal.
— Se você não gostar, eu posso fazer outra coisa no lugar...
Mark olhou para Kit, que tentava impedi-lo.
Estar tão perto da pessoa amada, envolvida em seus braços...
Quem conseguiria resistir?
— A única coisa que você deveria fazer agora é parar de ficar impressionado comigo.
O rosto de Kit voltou a exibir sua habitual expressão irritada.
Mark ficou sem reação.
Kit se afastou, esperando sair da zona perigosa da cama.
Mas Mark o segurou a tempo.
Com tanta força que Kit percebeu o quanto o outro estava sem ar.
— Phi Kit, nós já chegamos até aqui... ou você simplesmente não gosta de mim?
Dez minutos atrás ele parecia um cachorrinho.
Como havia se transformado num lobo faminto?
Ou essa era a verdadeira personalidade do novo Mark, alguém com quem Phi Kit teria que aprender a lidar?
— Não vou falar muito. Mas você veio aqui hoje para conversar sobre nós.
Kit o lembrou.
Se isso ajudasse a apagar o fogo nos olhos de Mark, então podiam conversar.
— Conversamos depois.
Mark tentou se aproximar outra vez.
Mas, desta vez, Kit o manteve afastado com firmeza.
— Não! Eu não gosto de pular etapas. Nem quando se trata de conversar.
Kit o encarou ferozmente.
Usou toda a sua severidade para controlar aquele garoto teimoso que ainda não conseguia se acalmar.
— É isso que você quer, Phi Kit?... Você realmente é cruel comigo.
Mark murmurou.
Reprimiu o coração acelerado e o sangue fervendo que subia pelo corpo.
Fechou os olhos e permaneceu deitado ao lado de Phi Kit por alguns instantes.
Inspirou.
Expirou.
Até que seus batimentos voltassem ao ritmo normal.
Kit finalmente conseguiu escapar daquela situação perigosa nos braços de Mark.
Sentou-se e esfregou o rosto.
Ao olhar para si mesmo, uma série de palavrões passou por sua mente.
Droga.
Quase tinha arrancado os botões da camisa e afrouxado o cordão da calça.
Era impossível ignorar os olhos tristes de Mark.
Começou então a abotoar a camisa novamente.
Phi Kit...
Você provoca desse jeito e depois foge.
Se Mark quisesse reclamar, para onde poderia apelar por justiça?
— Mark...
Kit pronunciou seu nome em tom de advertência.
Porque Mark já estava levando a mão até sua camisa outra vez.
O dono do nome sorriu.
Assumiu a responsabilidade por aquilo que havia feito e começou a ajudar Kit a abotoar a camisa.
— Olha para mim. Eu sou um bom garoto. Obedeço ao Phi Kit.
Se você mandar eu parar, eu paro.
Não vou insistir, mesmo que você não queira fazer nada.
Mark arrumou cuidadosamente a roupa de Kit.
Depois se levantou e foi para os pés da cama, onde deveria ter ficado desde o início.
— Sobre nós...
Eu sei que nunca vou conseguir desistir de você.
O que seremos daqui para frente...
Cabe ao Phi Kit decidir se quer ou não me dar outra chance.
Kit ficou em silêncio.
Preparou-se mentalmente.
Achava que reconquistar Mark e recomeçar levaria muito tempo e esforço...
Mas aquele garoto já havia se preparado para deixá-lo decidir tudo.
Phi Kit deixaria de lado seu orgulho pela pessoa que amava?
— Se alguém precisa pedir outra chance... provavelmente sou eu.
Mark sempre foi muito mais sincero consigo mesmo do que Kit.
E, a partir de agora, Kit não pretendia deixá-lo escapar novamente.
— Se formos namorados, serei eu quem vai te pedir em namoro, Mark.
Mark congelou.
Não conseguia esconder a felicidade.
Agarrou imediatamente o braço de Kit.
— Sério!?... Phi Kit vai me pedir em namoro?
Quando?
Pode ser em qualquer lugar! Onde você quiser!
Claro que não agora.
Ainda mais considerando que Phi Kit estava de pijama no dormitório.
E que tinha acabado de sobreviver ao risco de perder o controle por causa do invasivo Mark.
— Você vai descobrir sozinho.
Prepare-se bem para esse dia.
— Não pode ser agora, Phi Kit?
Eu ouvi claramente que você disse que vai me pedir em namoro.
Mark parecia completamente ansioso.
Queria deixar de ser solteiro o quanto antes.
— Espere até a hora certa. Consegue fazer isso?
Kit colocou a mão sobre a de Mark.
— Quanto tempo vou ter que esperar?
Só peço que Phi Kit não me faça esperar por muito tempo.
Mark aproximou o rosto.
Esperando que Phi Kit tivesse pena daquele cachorrinho de olhos escuros.
Tão obediente quanto Mark.
Kit revirou os olhos quando os mesmos braços carentes o abraçaram novamente.
Eles haviam voltado a ficar juntos.
Provavelmente Mark imaginava que Kit estava preparando um pedido especial.
Por isso queria aproveitar cada segundo para tocá-lo.
A solidão em seu peito desapareceu quando Mark voltou para sua vida.
Foi substituída pelo calor daquele abraço.
Era inútil continuar enganando a si mesmo.
Além de aceitar honestamente seus sentimentos, Kit também gostava daquele abraço.
— Eu queria te ver hoje porque, na próxima semana, talvez eu não tenha tempo.
Vou ensaiar música todas as noites.
Mas vou tentar vir te ver sempre que puder, Phi Kit.
Você sabe, né?
O Festival de Inverno das Estrelas Quentes.
Kit assentiu.
Pensou no próximo festival musical.
Era um evento organizado por estudantes de diversas faculdades da universidade, realizado na área do píer à beira-mar.
Uma atmosfera ao ar livre.
Música suave.
Alunos veteranos e novatos se revezando para cantar e tocar instrumentos.
Da tarde até o cair da noite.
Era um dos eventos mais aguardados do ano.
Kit acabara de descobrir que Mark e Wayu participariam dele.
— Você tem que ir.
Vamos reservar os melhores lugares para você.
Esse também era um dos motivos pelos quais Mark tinha ido procurá-lo.
— ...Se eu estiver livre, talvez apareça.
No último ano da faculdade de medicina, Kit ainda fingia não entender.
Aquilo era praticamente um palco para declarações de amor através de músicas.
— Não está curioso?
Sobre a música que eu vou cantar?
Mark tentou convencê-lo.
Aceitou uma agenda de ensaios exaustiva justamente porque queria impressionar a pessoa que amava.
— Se eu quiser saber, posso perguntar ao Wayu.
— Ninguém pode te contar melhor do que eu.
Mais uma vez.
Esse novo Mark aparecia para seduzi-lo a cada três minutos.
— ...Então se apresse e vá ensaiar.
Eu vou voltar a dormir.
Kit inventou uma desculpa para expulsar o visitante não convidado de sua cama.
Quando viu os olhos brilhantes de Mark, sentiu a respiração falhar.
Parecia que algo estava florescendo novamente dentro dele.
Nem o Doutor Kit sabia se conseguiria resistir outra vez.
Mark lambeu os lábios distraidamente.
Conseguir entrar no dormitório de Phi Kit não era algo fácil.
Mas também temia perder o controle se continuasse sozinho com ele.
Levantou-se devagar.
— ...Eu estava pensando, Phi Kit.
Da próxima vez que eu vier ao dormitório como seu namorado...
Isso não vai ser pular etapas, certo?
— Não sei!
O rosto de Kit ficou vermelho imediatamente.
Diante daquela pergunta ambígua, ele simplesmente se recusou a responder.
Reunindo todas as forças que ainda tinha, empurrou Mark pelas costas para fora do quarto.
Área de ensaios — Universidade
Mark e Wayu estavam ocupados ensaiando violão e as músicas que apresentariam no próximo Festival de Música de Inverno.
Wayu franziu a testa.
Ainda não estava satisfeito.
Depois de terminarem o ensino médio, ambos haviam passado um bom tempo sem cantar ou tocar.
— Ensaiamos de novo, Mark.
Não ficou bom.
— Você parece mais sério do que eu, Yu.
A música que você escolheu tem algum significado especial?
Conta para o seu amigo Mark.
— Só escolhi uma música que combina com a sua. Só isso.
Wayu voltou a ensaiar.
— É mesmo?
Você também está apaixonado.
Eu vi você ensaiando ontem.
Me diz... em quem você estava pensando, Yu?
— Mark!
Você quer ensaiar ou não?
Hoje eu também tenho um compromisso. A pessoa chega em quinze minutos.
— Então continuamos amanhã.
Cante com o coração.
Mark tomou um gole de água.
Wayu apenas balançou a cabeça diante das brincadeiras dele.
Enquanto observava o amigo, a expressão de Mark mudou ligeiramente.
Havia preocupação em seu olhar.
Olhe para o coração, não para a aparência.
— Com quem você vai se encontrar?
Você anda ocupado demais ultimamente.
Antes ficava sentado aqui o dia inteiro.
— Hã? Eu não posso encontrar outro amigo?
— Claro.
Mas se fosse só um amigo comum, seu rosto não ficaria vermelho assim.
A provocação foi extremamente eficaz.
Wayu levou a mão à bochecha imediatamente.
Suspeito demais.
O barulho de outros estudantes entrando na sala chamou a atenção dos dois.
Ao olharem na direção do som, viram uma figura alta caminhando lentamente.
Ele cumprimentava os alunos que se lembravam dele das atividades beneficentes realizadas semanas antes.
Seus olhos afiados encontraram Wayu e Mark.
E então ele sorriu levemente.
Fazendo aquele rosto sério parecer muito mais suave.
— Não me diga que é ele...
Mark provocou.
Wayu não negou.
— Olá, Phi Thanu.
Wayu cumprimentou o outro.
Mas não teve coragem de encará-lo diretamente.
Era o primeiro encontro dos dois depois dos acontecimentos daquele dia.
Mesmo após tanto tempo, o toque e o calor daquele momento ainda permaneciam vivos em sua memória.
Mark se levantou completamente.
Um astro da universidade como Doutor Thanu parecia ter vindo especificamente atrás de alguém.
Quando se tratava de Phi Kit, Mark tinha confiança suficiente.
Mas quando o assunto era seu amigo importante...
Ele ainda não conseguia interpretar as intenções de Thanu.
— Você veio me procurar?
Tem algum assunto para conversar?
Mark perguntou sinceramente.
Apesar de já ter percebido que aqueles olhos escuros estavam voltados para Wayu.
Thanu respondeu calmamente:
— Eu vim procurar Wayu.
Objetivo direto e claro.
Mark estava prestes a continuar investigando.
Mas Wayu interrompeu antes que ele pudesse agir como um amigo ciumento.
— Até amanhã, Mark.
Hoje vou levar o irmão Thanu para comer como agradecimento por ter me ajudado quando fiquei doente.
Vamos!
Antes que Mark começasse a interrogá-lo ou fazer piadas.
— Até a próxima, Nong Mark.
Thanu assentiu educadamente.
Hmm.
Pelo menos era educado.
— Não esqueça de vir ouvir Nong Wayu cantar no Festival de Inverno.
Ele também tem uma música especial.
As palavras fizeram Wayu lançar um olhar mortal para Mark.
Thanu encontrou os olhos de Wayu.
Desta vez, suas bochechas realmente começaram a corar.
A expressão silenciosa de Wayu era ao mesmo tempo adorável e irritante.
— Phi, não escute as bobagens que o Mark fala.
Wayu murmurou.
Como se estivesse lançando um feitiço para fazê-lo parar de falar.
Mas Mark observou atentamente seus lábios.
Sabia que Wayu tinha palavras capazes de silenciá-lo completamente.
E provavelmente o ameaçaria contando tudo para Phi Kit.
— ...Mas se vocês vão apenas comer, por que está segurando o braço dele desse jeito?
— Ah... ah...
Desculpe, Phi Thanu.
Só então Wayu percebeu que ainda estava agarrado ao braço de Thanu.
Soltou-o imediatamente.
— Tudo bem.
Vamos, Wayu.
Thanu não comentou mais nada.
Discretamente, pegou os pertences que Wayu carregava.
Wayu ficou sem jeito.
Mas não teve coragem de recusar.
Apenas agradeceu em voz baixa e seguiu ao lado dele.
Há quanto tempo seu coração não sentia esse tipo de calor?
Mark permaneceu de braços cruzados observando os dois se afastarem.
Mesmo vendo apenas suas costas, alguém que conhecia Wayu há mais de dez anos conseguia perceber claramente o que estava acontecendo.
E então se perguntou:
Será que as músicas que os dois apresentariam naquele evento...
...não seriam apenas para declarar amor a Phi Kit?
After I Died, the Scum Gong's Grief was Too Much for Him to Live - Capítulo 46
Dry Drowning - Capítulo 21
"Esse é o seu problema, Claude. Você devia ser mais atencioso com os sentimentos dos outros. Quão desolados eles devem ficar ao serem comparados comigo? Como você pôde dizer uma coisa dessas quando Alexander, que eles estão criando na frente da taverna, é tão esperto!"
"..."
"O que foi essa expressão? Não me diga..."
Kyle, que havia mudado arbitrariamente o nome de Kiki, da frente da taverna, para Alexander, cobriu a boca com a mão.
"Será que toquei num ponto sensível? Bom, para começar, você precisaria ter amigos para ir a uma taverna... Desculpa. Foi um ato falho. Você vai me perdoar, não vai, Claude?"
"Foi erro meu ter dado atenção a você."
Parecia que o método de conversa dele era consistentemente assim com todo mundo. Como se estivesse cansado de Kyle despejar mais uma torrente de calúnias, Claude se afastou sem qualquer apego remanescente.
Se Kyle nasceu com um talento natural para irritar as pessoas, Claude era um homem que tinha o dom de ignorar completamente as bobagens dos outros. Ele caminhou até Ian, que vinha observando a situação com uma expressão que dizia que não poderia se importar menos com o que estava sendo tagarelado às suas costas.
"Recebi um relatório ontem dizendo que houve um pequeno mal-entendido com nossos cavaleiros."
Não parecia ser algo pequeno, mas também era ambíguo demais para chamar de grave. Ian, que não se importava muito de qualquer jeito, deu um aceno superficial após uma pausa. Ele não tinha intenção de questionar. Isolar quem não se encaixava no grupo provavelmente era a mesma coisa em qualquer época.
"Foi algo ao qual eu deveria ter prestado atenção."
Uma mentira. Ele não poderia estar alheio às palhaçadas de Fred, que vinham causando confusão há mais de uma semana. Ian, considerando aquilo mera formalidade, estava prestes a acenar de novo quando Claude falou.
"Para ser honesto, eu não prestei."
"..."
Ele está se gabando?
Foi uma declaração confusa, não dava para saber se ele estava tentando arrumar briga ou apenas sendo honesto. Sob o olhar silencioso de Ian, Claude, com a expressão inalterada, continuou sem demora.
"Se você quer que os cavaleiros em questão sejam punidos, é só dizer. Vou incluir todos, do instigador até aqueles que ficaram parados assistindo."
Ele parecia pronto para realizar um julgamento ali mesmo se Ian ao menos assentisse. Ian não conseguia entender a razão exata para ele aparecer depois de uma semana e dizer isso. No entanto, a resposta para aquela pergunta já estava decidida. Enquanto ele erguia o braço lentamente, os olhos de Claude o seguiram.
"..."
Claude ficou em silêncio por um momento diante do gesto de Ian de apontar para si mesmo com a ponta do dedo.
Havia apenas uma razão para ele apontar para Claude quando perguntado se queria punição.
As pontas de suas sobrancelhas bem-feitas se ergueram, mas só por um instante. Ele achara estranho a notícia de que Ian, depois de todo o trabalho para se juntar aos cavaleiros, estava sendo empurrado de um lado para o outro por gente como Fred. Ele tem culhões. Claude, relembrando a imagem de Ian durante a procissão, abriu a boca lentamente.
"...Sim, vou me incluir também."
Ele também tinha sido um espectador.
Se a punição fosse aplicada, teria que ser justa.
Diante da atitude de Claude de aceitar sem desculpas, Ian abaixou a mão erguida e manteve a boca fechada. Achando que já tinha uma ideia do tipo de pessoa que Claude era, engoliu um suspiro e balançou a cabeça.
Ele não era uma criança, e não tinha o hábito de fazer fofoca pelas costas dos outros.
Acenando com a mão como se dissesse que não era necessário, ele se virou.
Parecia improvável que fosse encontrar aquele homem ficando ali. Já que esse era seu único propósito desde o início, ficar mais tempo parecia perda de tempo. Ignorando Shu, que encarava sem expressão nessa direção, Ian caminhou até a entrada. Ele tinha acabado de pensar que seria melhor voltar para seu quarto.
"Ian."
Olhando para trás, Ian deveria ter fugido naquela hora.
Sem mais perguntas, sem querer saber de nada. Se ele tivesse simplesmente fugido sem olhar para o homem que havia matado, talvez pudesse ter tido uma morte pacífica desta vez, exatamente como desejava.
Quanto às suas memórias perdidas, ele poderia apenas tê-las folheado nos lampejos de seus últimos momentos.
Sem saber disso, Ian se virou abruptamente ao som daquela voz rígida e articulada. Algumas emoções indecifráveis passaram pelo rosto inexpressivo de Claude.
"O Comandante deseja vê-lo."
Era uma condolência.
"Bem-vindo!"
Entrando em uma sala bem organizada, Ian piscou, olhando para a figura que se levantou de um pulo.
O homem, que estendeu a mão para um aperto assim que seus olhos se encontraram, era excepcionalmente alto, mesmo comparado às pessoas daqui que geralmente pareciam ter bons físicos, independentemente da idade ou gênero.
Ele deve ter bem mais de dois metros de altura.
Ele mesmo não era baixo de forma alguma, mas por algum motivo, frequentemente se pegava olhando para cima para as pessoas aqui.
Pensando que o volume de voz dele combinava com sua constituição, Ian pegou a mão oferecida, e uma risada calorosa se seguiu.
"Ouvi algumas coisas sobre você."
Sua mão apertada foi chacoalhada com tanta força que ele achou que seu braço fosse sair do lugar. Em vez de resistir, deixou a mão ser sacudida, e o homem logo soltou devagar.
"Ah, minhas desculpas."
Era um olhar raro e amigável entre pessoas que eram incondicionalmente hostis. Não havia traço de malícia no rosto do homem que olhava para ele com um sorriso completo.
Ombros largos, cabelo bem curto. Músculos retesados se destacando na pele escura. Só isso já era uma visão intimidadora o bastante, mas outra coisa chamava mais atenção.
Parecia que uma fera enorme havia arranhado seu rosto inteiro.
Traçando lentamente o rosto do homem, que tinha um tapa-olho preto cobrindo o olho direito, Ian inclinou a cabeça levemente. Um urso? Pelas marcas com aquele espaçamento, teria que ser algo daquele tamanho.
Os ferimentos pareciam antigos, com carne nova já tendo crescido por cima, deixando apenas cicatrizes, mas era certamente uma primeira impressão aterrorizante, o suficiente para fazer uma criança cair no choro.
"Me machuquei um pouco durante a última expedição. O ferimento não cicatrizava nem com tratamento. Por causa disso, fiquei longe dos cavaleiros por um bom tempo. Claude trabalhou duro, mas... deve ter havido coisas às quais ele não conseguiu atender."
"Peço desculpas."
"Não. Você assumiu meus deveres também. A culpa foi minha por ter sido descuidado."
Quando Claude, que estava atrás de Ian, respondeu como se estivesse esperando a deixa, o homem acenou com a mão e balançou a cabeça. Havia risco de infecção adicional, então por várias semanas ele não pôde encontrar ninguém exceto o médico ou o Grão-Duque. Sabendo que o Vice-Capitão, Claude, havia assumido suas funções também, ele balançou a cabeça, então de repente olhou para Ian com um ar de realização.
"Deixei meu convidado de pé. Por favor, sente-se."
Com suas palavras, Ian se aproximou de uma cadeira que parecia ser para convidados e viu que alguém já estava sentado do lado oposto. Sua atenção estava tão focada no homem com uma presença tão forte que ele não tinha notado quem era. Enquanto se sentava, ele olhou para cima. Viu dedos elegantes levantando uma xícara de chá.
Era Aily, tomando chá em um traje impecável, diferente da última vez que ele a viu.
"..."
Ela não era a chefe das criadas?
Talvez sentindo o olhar de Ian enquanto ele confirmava que o cabelo castanho dela, balançando na altura do queixo, não estava empastado de sangue como daquela vez, ela olhou em sua direção.
A expressão dela era muito sutil e complexa.
"Nos encontramos de novo."
Ian não sabia, mas essa era a Aily que havia apostado três meses de seu salário que ele não duraria nem uma semana. Foi bom ela só ter pensado consigo mesma; do contrário, teria perdido todo o seu precioso dinheiro, ganho com tanto esforço.
Para Aily, para quem o dinheiro era a primeira, segunda e trigésima quinta coisa mais importante na vida, não foi nada menos que uma experiência de parar o coração.
Ela precisava corrigir seu hábito de ser incapaz de resistir a uma aposta, mas se fosse tão fácil corrigir, não teria sido um problema para começar.
Quem imaginaria que alguém da realeza lavaria roupa em uma fonte, e por uma semana inteira ainda por cima?
Refletindo sobre sua tolice em julgá-lo pela aparência suave, Aily suou frio sem perceber e ergueu os cantos da boca. Ian não demonstrou nenhuma reação particular ao sorriso limpo e profissional dela.
"A propósito, Kyle, não me lembro de ter chamado você também."