2 de mar. de 2026
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Call My Name - Capítulo 05
MSN - Capítulo 06.2
27 de fev. de 2026
Fanhlaruk - Capítulo 03
Manner of Death - Capítulo 32
Deja Vu - Capítulo 22
S.C.I. Mystery Files Vol. 01 - Capítulo 17
Capítulo 17 – O Caso Antigo
Zhan Zhao folheava os arquivos um a um. A cada pasta aberta, sua expressão tornava-se mais sombria.
— O que foi, Gatinho? — perguntou Bai Yutang, apreensivo.
— Rato… como você descobriu isso? — Zhan Zhao ergueu os olhos para ele.
— …Descobri o quê?
— Todas essas pessoas têm relação com TOC e com sugestão psicológica! — Zhan Zhao bateu os arquivos contra o peito dele. — Responda! Não se faça de desentendido!
— Não estou me fazendo de desentendido. — Bai Yutang pegou a revista que estava lendo. — Pense um pouco. Este caso tem alguma ligação com você… e com o Departamento de Psicologia da Universidade C. Então imaginei que pudesse ter relação com psicologia.
— Além disso — continuou, Wang Chao e a equipe estão analisando esses arquivos há dias, mas não encontraram nenhuma conexão entre as vítimas. O único ponto em comum é que todos estavam passando por dificuldades na vida e não eram bem-sucedidos na carreira. Alguns inclusive tinham histórico de transtornos mentais.
— Ah… — murmurou Zhan Zhao, acariciando o queixo. — Então foi por isso que você veio aqui buscar inspiração.
Bai Yutang ergueu o queixo dele com dois dedos.
— E pelo visto encontrou. Olha essa cara convencida.
Zhan Zhao afastou a mão dele com um tapa leve.
— Vamos!
— Ei! Gato! Pra onde? — Bai Yutang correu atrás dele.
— Você sabia que nossa delegacia foi a primeira a criar o “Escritório de Pesquisa em Psicologia Criminal”? — perguntou Zhan Zhao, andando apressado.
— Hum… não foi criado há vinte anos, por sugestão do Comissário Bao? — Bai Yutang igualou o passo. — O que isso tem a ver com o caso?
Zhan Zhao apertou o botão do elevador.
— Sabe por que esse departamento foi fundado?
— Dá pra ir direto ao ponto?
— Naquela época houve um grande caso. Por causa das implicações, quase ninguém sabe os detalhes. Eu mesmo só descobri quando entrei para o setor.
Os dois entraram no elevador. Zhan Zhao apertou o botão do 11º andar.
— O que se sabe é que o assassino usava sugestão psicológica para controlar e matar pessoas. Em cinco anos, mais de cem morreram. Mais de uma dezena eram policiais.
As portas se abriram.
— Como eu nunca ouvi falar disso? — Bai Yutang perguntou, incrédulo.
Zhan Zhao riu, caminhando em direção ao arquivo.
— Quantos anos você tinha há vinte anos? Que criança teria acesso a esse tipo de coisa?
Bai Yutang revirou os olhos.
— E você sabia como?
Zhan Zhao lançou-lhe um olhar enviesado.
— Sou mais velho que você.
Estalou a língua, satisfeito, ao ver o rosto de Bai Yutang empalidecer de irritação.
— Quem diria que aquele menininho fofo que vivia me chamando de “Gege” cresceria para virar esse sujeito irritante?
— Ora, seu gato miserável! — retrucou Bai Yutang. — E você? Quer que eu conte como era quando pequeno? Quem era mesmo que voltava do jardim de infância com o rosto todo babado de tanto beijo das tias?
— Aham! — Zhan Zhao mudou de assunto abruptamente. — Chegamos ao arquivo!
Entrou depressa na sala.
— Se não fosse eu te proteger naquela época, acha que teria crescido inteiro? Ingrato… — resmungou Bai Yutang.
De repente, Zhan Zhao tentou fechar a porta na cara dele. Por reflexo, Bai Yutang segurou a porta a tempo.
— Você é cruel! Está com inveja do meu nariz perfeito?
— Shhh! — Zhan Zhao fez sinal para que ele se calasse e começou a procurar nas estantes.
— Isso não é extremamente ineficiente? — Bai Yutang olhou para as etiquetas amontoadas. — Não tem nada digitalizado?
— Já verifiquei. Não há registro no sistema… — Zhan Zhao interrompeu-se. — Hein?
— O que foi? Achou?
— Faltam muitos arquivos entre os anos de 82 e 87!
— Esses são confidenciais — disse uma voz envelhecida atrás deles.
…
Mesmo não sendo medrosos, era madrugada e o arquivo estava mergulhado em sombras. A voz repentina quase os fez saltar.
Um feixe de lanterna iluminou-os.
— Senhor Sun? — Bai Yutang protegeu os olhos, colocando-se instintivamente à frente de Zhan Zhao. — Por que está usando lanterna se as luzes estão acesas? Não estamos filmando um terror.
O velho arquivista riu.
— Pensei que fosse algum idiota tentando roubar documentos.
Zhan Zhao apontou a prateleira vazia.
— O senhor disse que esses arquivos são confidenciais?
O velho Sun fez sinal para que o seguissem até a sala dele. Lá dentro, um fogareiro elétrico fervia macarrão instantâneo.
— Que cheiro bom… — disseram os dois ao mesmo tempo, lembrando que não haviam comido nada a noite toda.
— Sentem-se. — Ele colocou mais dois pacotes na panela.
Enquanto distribuía as tigelas, explicou:
— Todos os arquivos desaparecidos pertencem ao mesmo caso. Parte foi selada como confidencial. A outra parte… destruída.
— Destruída?! Como assim?
— Foi destruída por aquela pessoa.
— Que pessoa?
— Se ele não tivesse destruído, talvez jamais tivesse sido capturado.
— Foi o próprio assassino quem destruiu os documentos? — Zhan Zhao arregalou os olhos.
O velho assentiu.
— Ele não era apenas o culpado. Era também policial.
Bai Yutang engasgou.
— Policial?!
— Já ouviram falar dos famosos “Preto e Branco” daquela época?
Bai Yutang riu.
— Está falando do Comissário Bao e do meu pai?
— Sim. Pode soar exagerado hoje, mas era impressionante. Só que… “Preto e Branco” na verdade eram três.
— Três?! — Zhan Zhao ficou chocado. — O terceiro era o assassino?
O velho Sun o encarou por alguns segundos.
— Ele era como você.
— …?
— Um gênio em análise psicológica. Mas naquela época não existia esse cargo. Então deram a ele o título de policial.
Bai Yutang ficou tenso.
— Afinal, quem é ele?
— É confidencial. Só três pessoas sabem tudo.
— Três? Além do meu pai e do Comissário Bao?
— Ele próprio.
— Ele ainda está vivo?! — Zhan Zhao deixou escapar.
— Matou mais de cem pessoas e não foi executado? — Bai Yutang não acreditava.
O velho balançou a cabeça.
— Ele não pode mais machucar ninguém.
E não disse mais nada.
Mais tarde, ao saírem, Bai Yutang resmungou:
— Esse mistério todo é irritante!
— E agora? Perguntamos ao seu pai?
— Pelo amor de Deus, não!
— E ao Comissário Bao?
— Você pergunta!
Enquanto discutiam, Zhan Zhao perguntou de repente:
— Xiao Bai, quantos anos seu irmão é mais velho que você?
— Oito… Aaaah!
— Então ele devia lembrar!
— Não é disso que estou gritando! — Bai Yutang parecia à beira do colapso. — Meu irmão chega hoje. Eu disse que iria buscá-lo.
— Que horas?
— Meio-dia…
Zhan Zhao olhou o relógio. Era exatamente meio-dia.
— Então corre! Meia hora de atraso não é tão grave.
Bai Yutang quase chorou.
— Meio-dia… de agora.
Zhan Zhao ficou em silêncio por um segundo.
— Considerando a personalidade do seu irmão… você está morto.
O restante terminou com Bai Yutang carregando Zhan Zhao à força até o elevador sob gritos de “Rato Branco!” e a porta se fechando com um ding.
Foi essa cena que Gongsun presenciou ao sair do Instituto Médico-Legal.
Logo depois, outro elevador se abriu. Dele saiu um homem alto, elegante, de traços marcantes.
— Está procurando alguém? — perguntou Gongsun.
— E você é quem? — respondeu o homem, frio.
Gongsun sorriu.
— Gongsun Ce, Instituto Médico-Legal.
Aperto de mão.
O homem então percebeu algo estranho: a luva cor de pele de Gongsun estava coberta por resíduos vermelhos e esbranquiçados.
— O vermelho é fígado. O branco, fluido cerebral. O preto é gordura carbonizada — explicou Gongsun com naturalidade.
O homem empalideceu, mas manteve a compostura.
— Como devo chamá-lo?
— Bai Jintang.
Um silêncio coletivo percorreu o corredor.
Então Bai Jintang abriu um sorriso enigmático e puxou Gongsun para um abraço.
— Yutang fala muito de você.
Nas costas de Gongsun ficou uma marca evidente, vermelha e branca.
Dry Drowning - Capítulo 20
Capítulo 20
Kyle, que sorria até então, interrompeu o riso ao perceber o olhar de Ian um olhar que parecia duvidar de seu caráter e compôs uma expressão injustiçada.
— A nossa Shucream nem sabe o que é “Shetier”.
Ian o encarou como se aquilo não tivesse a menor relevância, e Kyle, como se estivesse esperando por essa reação, continuou:
— Ela mal consegue escrever o próprio nome. Ensinar o nome do príncipe seria crueldade, não acha?
Soava como um disparate, mas, raramente, havia algo próximo da verdade ali. Já haviam tentado ensiná-la ao menos a escrever se não falava, talvez pudesse aprender pelas letras, mas a iniciativa fora interrompida por Victorian. Mesmo ele, que o tratava como a um irmão mais novo e lhe ensinava tudo com paciência, desistira em apenas um mês. Por mais que repetissem, Shu não memorizava sequer palavras simples. Parecia não ter vontade de aprender.
“Entendeu?” — perguntavam. E ele apenas sorria: “Hi”. Era de se imaginar quantas vezes alguém já não perdera a paciência.
Talvez ao ouvir a voz de Kyle, Shu assentiu energicamente e correu para apanhar um graveto caído ali perto. Pelo menos o próprio nome ele precisava saber escrever insistira Victorian e, a duras penas, ela conseguira decorar ao menos um caractere.
Com o som áspero do graveto riscando a terra, Shu se agachou e começou a escrever.
Um único som. Uma sílaba. Sem sobrenome.
— Mm!
Orgulhosa por conseguir escrever o único nome que sabia, abriu um sorriso radiante e virou a cabeça bruscamente na direção de Ian. Ele, que não conseguia sequer escrever o próprio nome, limitou-se a encarar aquela caligrafia trêmula que também não sabia ler.
Ao lado do nome de Shu, a palavra “cream” surgiu num instante. Kyle, sacudindo as mãos sujas de terra como se nada tivesse feito, proclamou:
— Viu? Ele já fica satisfeito com isso. E você duvidou da minha generosidade por não querer dar dever de casa à toa, não foi?
Era só provocação, embora falasse como se fosse algo grandioso. Ian desviou o olhar, como se não valesse a pena responder. Já Shu, que escutava atentamente os sofismas de Kyle, parecia concordar em parte.
É por isso que te tratam como boba.
Ian deu um leve toque na testa dele com a ponta do dedo. Shu arregalou os olhos. Quando ele a fitou de cima, como quem pergunta “o que foi?”, ele apenas inclinou a cabeça, confuso e levemente ofendido. Kyle não perdeu a cena e estendeu o graveto a Ian.
Ian o encarou como se perguntasse por que aquilo estava sendo entregue a ele. Kyle sorriu enviesado.
— Mas e se vocês nem sabem o nome um do outro? Escreve você mesmo. Seu nome.
— …
— Não é nada difícil. Até Shucream consegue decorar, não é?
O problema era que o dono do nome “não tão difícil” não o conhecia.
Ian alternou o olhar entre o graveto agora em sua mão e Shu, que o observava com olhos brilhantes. Não conteve o suspiro. O que estava fazendo ali? Não queria se envolver em trivialidades, mas o olhar insistente dela era impossível de ignorar.
Por mais que o encarasse assim, as letras que desconhecia não surgiriam magicamente.
Pensou em largar o graveto e ir embora, mas teve a sensação de que Shu o seguiria como um filhote. Reconsiderou.
De todo modo, naquele país ele era estrangeiro. Mandaram que escrevesse o nome não que fosse em Shetier. Chegando a essa conclusão, Ian se agachou e traçou uma longa linha diagonal logo abaixo do nome de Shu.
Eu escrevo no idioma que eu quiser.
— …
Mas ele não avançou além do “I”. Após alguns segundos fitando o chão, desenhou um círculo à esquerda da letra. Depois outro círculo ao lado. Em seguida, um traço que se projetava lateralmente. E, por fim, uma linha angulosa descendente.
Shu, ainda agachado, observava fascinado o nome escrito em hangul como se tentasse gravar na memória aquelas formas arredondadas e angulosas que representavam “Ian”. A expressão de Kyle, também voltado para o chão, tornou-se estranhamente ambígua. Leu várias vezes, como se tivesse presenciado algo incomum, e quando abriu a boca para falar.
— Se já voltou, apresente o relatório primeiro à chefia.
A voz firme veio de trás, e os três voltaram-se quase ao mesmo tempo. O homem que se aproximava pela entrada era um rosto conhecido.
Cabelos azuis presos no alto. O sinal sagrado traçado na testa. Traços bem definidos e uma expressão impassível, como se nem uma lâmina pudesse desalinhá-la.
Era Claude, o vice-comandante que, no dia da procissão, conduzira Ian a cavalo até a vila.
— Ora, se não é o Claude. O quê? Veio correndo do treino da manhã porque sentiu minha falta? Isso já é meio perturbador.
— Devo responder?
— Ah, agora nem nega mais?
Falavam com rapidez, como velhos conhecidos — embora não no melhor dos sentidos. Enquanto Kyle exibia um entusiasmo escorregadio, Claude caminhava com calma, respondendo como quem instrui alguém lento de entendimento.
— O treino começa às oito em ponto. Eu sempre chego cinco minutos antes. Não tem nada a ver com você.
— Sério?
Kyle continuava sorrindo. Shu, acostumado àquela atmosfera, inclinou a cabeça em cumprimento a Claude e puxou discretamente a manga de Ian.
Vamos escrever nomes juntos!
O pedido estava todo em seu olhar, mas o clima entre os dois homens esfriava rapidamente. Ian já ouvira menções aos nomes deles, mas era a primeira vez que os via lado a lado.
— Já devo ter dito isso mil vezes. Até um vira-lata retardado tem memória melhor que a sua.
Na Ordem, a rivalidade entre os dois era pública. Kyle, escravo de seus próprios impulsos, e Claude, um aristocrata rigoroso. Só pelas inclinações opostas, já eram incompatíveis. Ambos integrantes da elite, frequentemente designados às mesmas missões pelo Grão-Duque e, sempre que se encontravam, colidiam. Nenhum dos dois tinha o hábito de medir palavras. Transformar a Ordem num campo minado parecia quase um passatempo.
— O quê?
Kyle fez um rosto chocado.
Não era alguém que se abalasse com tão pouco. Ian suspeitou que viria algo absurdo e veio.
— Peça desculpas ao cachorro!
Parecia uma piada. Mas piorou:
— Claude, esse é o seu problema. Tenha mais consideração pelos sentimentos alheios. Compará-los a mim? Já pensou como eles ficariam magoados? O Alexander, que criam na frente da taverna, é inteligentíssimo!
— …
— Que expressão é essa? Não me diga que… toquei numa ferida? Bem, para ir à taverna, é preciso ter amigos… Foi mal. Essa foi minha.
— O erro foi meu por falar com você.
Claude se afastou, ignorando o dilúvio de provocações como quem corta ruído com uma lâmina. Se Kyle nascera com o dom de revirar o estômago alheio, Claude era especialista em ignorar disparates.
Aproximou-se então de Ian.
— Recebi ontem o relatório sobre o mal-entendido com alguns de nossos cavaleiros.
“Mal-entendido” talvez fosse brando demais. Ainda assim, Ian apenas assentiu após um instante. Não pretendia discutir. Em qualquer época, quem destoa é rejeitado.
— Era algo que eu deveria ter supervisionado.
Mentira. Era impossível que desconhecesse o tumulto causado por Fred durante mais de uma semana. Ian preparava-se para assentir novamente.
— Não supervisei.
— …Era uma provocação? Ou franqueza?
— Se deseja punição aos envolvidos, basta dizer. Incluirei o instigador e todos os que se omitiram.
Se Ian concordasse, parecia pronto para abrir um julgamento ali mesmo. Por que aquilo, uma semana depois? Ele não sabia. Mas sua resposta já estava decidida.
Ergueu lentamente a mão.
— …E apontou para si mesmo.
Claude permaneceu em silêncio. Só podia haver uma razão para aquilo.
As sobrancelhas se ergueram por um instante. Entrara há pouco na Ordem e já se deixara acuar por alguém como Fred? Corajoso.
— …Muito bem. Inclua-me também.
Ele também fora omisso. Se houvesse punição, que fosse justa.
Ian abaixou a mão. Já entendia que tipo de homem Claude era. Não tinha idade para fofocas pelas costas.
Fez um gesto indicando que não era necessário e virou-se.
Ali não encontraria o homem que procurava. E era esse seu único objetivo. Melhor voltar ao quarto.
— Ian.
Pensando bem, ele deveria ter fugido naquele momento.
Sem fazer perguntas. Sem querer saber de nada. Se tivesse simplesmente corrido, sem olhar para trás sem revisitar o homem que matara talvez, desta vez, pudesse ter encontrado a morte tranquila que desejava.
As memórias perdidas poderiam ter sido apenas um lampejo final.
Mas Ian não percebeu.
Virou-se ao ouvir aquela voz de articulação rígida. Por trás do rosto impassível de Claude, emoções indecifráveis passaram brevemente.
— O comandante deseja vê-lo.
Era um convite.
E também, um prenúncio.