2 de mar. de 2026

ER-Minute Heart - Capitulo 02.1

Capítulo 02 – Conhecer

— Aonde o P’Puen vai e com quem? — a voz doce de Ratchaya soou pelo telefone naquela sexta-feira à tarde, depois que o namorado ligou para avisar que estava saindo.

Pawat apoiou o celular entre o ombro e a orelha enquanto tirava o jaleco e o jogava no armário do descanso médico, ao lado do pronto-socorro.
— Vou jantar com o Jiw, ué.

Empurrou a porta metálica já enferrujada com o quadril e saiu pelo corredor, ainda bem humorado demais para perceber o tom da voz dela, que começava a se elevar.

— Mas hoje você tinha combinado de ir ao cinema comigo, não tinha?

A mão que girava a maçaneta congelou no ar. O chaveiro escapou de seus dedos e caiu no chão com um estrondo metálico.

— Cinema?

— Não vai me dizer que esqueceu, vai?

— Eu… não… claro que não! Quem esqueceria um encontro com você? Daqui a meia hora a gente se vê. Beijo.

O jovem médico enfiou o telefone no bolso, levou as duas mãos às têmporas e esfregou com força. Como resolver aquilo? De repente, uma mão surgiu à sua frente segurando o chaveiro — um Doraemon sorridente de expressão exagerada.

— Isso é seu, doutor Puen?

O rapaz que o devolvia tinha um rosto tão redondo e expressivo quanto o personagem pendurado ali.

— Valeu.

Pawat suspirou e voltou pelo caminho movimentado do pronto-socorro. Já passava das seis. Provavelmente Wit e Nuchanun o esperavam no restaurante de sempre, mesa farta como sempre. Não queria faltar ainda mais sendo ele quem marcara, mas… não havia escolha.

Discou.

— E aí, Puen? Onde você está? Eu e a Aum não vamos te esperar pra sempre.

A voz de Wit soava animada, o que só aumentava o peso na consciência dele.

— Desculpa… tô com dor de barriga. Acho que não vou conseguir ir. Pede desculpa pra Aum por mim.

A resposta grave do amigo foi interrompida por uma voz feminina, doce e irritada ao mesmo tempo:

— Vai levar a Nong New aonde, senhor Pawat?

Os pelos da nuca dele se arrepiaram.

— Aonde? Do que você tá falando, Aum? E o que a New tem a ver com isso? Eu tô mesmo passando mal!

Ele conseguia imaginar os lábios finos de Nuchanun comprimidos em desaprovação. Ela odiava mentiras. E não era a primeira vez que ele faltava por esse motivo.

Mas a resposta veio cortante:

— Eu já estaria brava só por você faltar. Mas por que mentir pra eu te odiar também? Não pense que eu não sei aonde você vai. Escuta aqui! Você me prometeu. Se eu não te vir hoje à noite, pode esquecer nossa amizade. Entre mim e aquela garota, escolha.

A ligação caiu.

Pawat ficou imóvel alguns segundos, imaginando a amiga devolvendo o celular a Wit e explodindo em fúria. Guardou o telefone no bolso e, pela primeira vez em muito tempo, desejou sinceramente que o mundo acabasse.


[___]

— Vai querer ver esse? — Pawat franziu o cenho diante do enorme pôster de um romance meloso. Só pelo título já dava arrepio. — Você sabe que eu não gosto desse tipo de filme…

— Mas eu gosto. E você vai ver comigo. Nada de dormir, nada de cara entediada, entendeu?

Ratchaya ergueu o queixo com teimosia adorável e o cutucou no peito.

Entre a mãe e as duas mulheres que conhecia melhor Nuchanun e Ratchaya, ele sabia bem que cada uma tinha personalidade distinta. Ratchaya era delicada como modelo, cabelos longos ondulados até o meio das costas, traços suaves… e um temperamento mimado típico de filha única.

Para ele, aquilo não era defeito. Mulheres eram assim, pensava só variava a intensidade. Ele sobrevivera a coisas piores.

Mas aquele filme… era demais.

— Mas…

— Sem “mas”. Você está pagando por ter esquecido nosso encontro.

— Eu cancelei com meus amigos pra vir com você.

— E ainda tem coragem de dizer “cancelei” quando foi você que esqueceu?

Ela retrucou com precisão mortal.

No fim, ele se rendeu.

— Tá bom, tá bom… Ainda temos tempo antes da sessão. Quer jantar? Comprar alguma coisa? O que você quiser.

Ela sorriu de modo astuto.

— Prepare sua carteira, P’Puen.


[___]

Mais tarde, preso no trânsito, Pawat tamborilava os dedos no volante do BMW preto.

O encontro terminara pior que o esperado. Ele dormira no meio do filme. E o comentário infeliz “Quando vi com a Aum também dormi e ela não reclamou” foi o golpe final.

Nem podia ligar para a namorada. Nem para os amigos.

O trânsito voltou a andar lentamente. Mais adiante, viu um acidente: um carro esmagado contra um poste, ambulância da fundação de resgate com sirene ligada, curiosos ao redor.

Sem hesitar, estacionou e saiu.

Sangue no asfalto. Um tênis rasgado. A experiência no pronto-socorro lhe dizia o suficiente: com tanto sangue assim, as chances eram mínimas.

Mesmo assim, avançou.

— Doutor, já é tarde demais — disse um socorrista.

— Não!

Mas o corpo já estava envolto em pano branco.

Uma mulher de meia-idade, coberta de sangue e sujeira, chorava e se agarrava ao corpo.

— Ele não morreu! Não é verdade!

Pawat recuou, o peito ardendo.

E se tivesse chegado antes?

Olhou para o céu escuro.

De repente, um clarão de faróis.

— Doutor Puen, cuidado!!!

Tudo ficou negro.


[___]

Quando abriu os olhos, estava sentado… e o chão não parecia duro.

— Está bem?

Uma voz grave ao lado.

Braços fortes o envolviam pela cintura.

— O que aconteceu? — perguntou Pawat, atordoado.

— Eu é que pergunto! Você saiu andando distraído pro meio da rua! Quase foi atropelado!

Ele finalmente percebeu: estava sentado no colo do rapaz.

Levantou-se num salto.

O jovem agora de camiseta e jeans, sem o uniforme de resgate parecia bem diferente. Mais jovem. Quase da idade que aparentava.

— Obrigado por me salvar.

— Não precisa agradecer! Agora levanta… minha perna tá com cãibra. Você é mais pesado do que parece!

Pawat pigarreou, desconcertado.

Olhou ao redor: condomínios luxuosos, nada que combinasse com aquele garoto.

— O que você faz aqui?

— E o senhor, doutor?

Ele suspirou.

— Eu estava passando de carro.

— Eu também. De moto.

A resposta parecia ensaiada, mas Pawat não insistiu.

— Vou indo.

— Espera.

O rapaz segurou seu pulso.

O contato o fez estremecer. Ao erguer os olhos, encontrou um par de olhos negros profundos.

Por um segundo, ouviu novamente o som de trovão na memória. Viu mãos pequenas, frias, manchadas de sangue, tentando alcançar algo. E aqueles olhos intensos como estrelas que jamais se apagam.

Ele sacudiu a cabeça.

Era a segunda vez, em poucos dias, que sentia como se fosse enfeitiçado por aquele olhar.

— Você já jantou?

Ele mesmo não entendia por que perguntara.

Só sabia que queria conhecer aquele garoto. Queria descobrir o que se escondia por trás daqueles olhos.

Porque eram iguais.

Iguais aos olhos que ele jamais conseguira esquecer.


Call My Name - Capítulo 05

Capítulo 5 - Confissão

💧💧💧

[Castiel]

A família Campbell tem concorrentes nos negócios... bem, todo negócio geralmente tem seus concorrentes. Mas, no caso da família Campbell, um dos concorrentes é um sujeito teimoso. Desde que meu pai morreu, minha mãe teve que assumir todas as responsabilidades da empresa em seu lugar.

A família de David costumava nos atacar porque achavam que minha mãe, Catherine, era apenas uma mulher estúpida e incompetente. Mas perderam a pose quando a poderosa Sra. Campbell assumiu o controle e, com o tempo, tornou a Campbell Company ainda mais próspera.

David é um teimoso desgraçado. Ele é um homem frio e calculista que planejou me manter como refém, forçando minha mãe a vender as ações da empresa na esperança de destruir nosso negócio familiar.

E não só isso... o desgraçado me garantiu que se minha mãe não assinasse o contrato de compra e venda das ações, ele me mataria. "Aishhhh... ele não é um desgraçado qualquer."

No ano passado, fui espancado secretamente até perder a consciência. Desde então, os sequestros se intensificaram, a ponto de eu quase morrer ao cair de um prédio enquanto estava amarrado a uma cadeira.

Aquele dia não terminou em tragédia para mim, porque, pouco antes de eu mergulhar na escuridão, a mão de alguém me segurou com tanta força que me permitiu sobreviver. Até hoje, ainda me lembro do toque daquela mão.

O sonho que me assombra todas as noites sempre chega ao mesmo ponto. No momento em que caio, sem conseguir ver nada porque meus olhos estão vendados, e no momento em que uma mão agarra meu pulso... só consigo gritar atordoado porque não consigo enxergar e estou flutuando no ar.

No fim, fui salvo, embora tenha perdido a consciência imediatamente, então não pude ver nem saber quem era a pessoa que me salvou naquele dia.

Mais tarde, descobri que a pessoa que salvou minha vida era um policial. Apesar de eu ter desejado conhecê-lo em diversas ocasiões, ninguém me ajudou, nem concordaram em revelar a identidade do policial a quem eu devia minha vida.

Urgh!

Ofeguei e acordei no meio da noite, como na maioria das vezes. Meu corpo estava encharcado de suor. Um braço estava em volta da minha cintura.

Sinceramente, lembro-me vagamente de Colton ter vindo à minha casa. Lembro-me até dele me ajudando a satisfazer meus desejos, até que ambos atingimos o clímax.

"Ei..." minha voz estava rouca.

Colton acendeu a luz e me entregou um copo d'água. Eu bebi.

E, como previsto, Colton deu uma risada baixa, rouca e perigosa. Suas mãos deslizaram possessivamente para baixo. O toque, o beijo, o hálito quente tudo isso me fez cambalear.

Será que Colton Harris está tentando me enlouquecer?

Nos encaramos intensamente. Nossos ritmos de respiração se misturaram. As sensações se intensificaram até que meu corpo tremeu e eu atingi o ápice. Colton chegou ao clímax alguns minutos depois. Exaustos, ficamos deitados nos abraçando.

Talvez porque eu esteja muito cansado… física e mentalmente.

"Você tem pesadelos assim todas as noites?"

"Como você sabe?"

"Porque eu vi você assustado quando acordou."

Quando eu disse quatro horas, Colton me disse que eu tinha dormido metade do dia porque estava bêbado desde a manhã.

Não estou com fome. Estou apenas cansado.

"Você não gosta de luz quando dorme, não é?"

Colton é sempre atencioso, mesmo que isso seja irritante.

Mas, de repente, ele a beijou com uma nova intensidade. O beijo se transformou em um empurrão, um desafio. Estávamos perdidos na paixão novamente, nos impulsionando, testando os limites um do outro.

"Eu entrarei em você... algum dia."

A risada baixa de Colton soou novamente.

"Eu apenas chutei", disse ele ao falar sobre meu pesadelo. E ele estava certo.

Tenho tido pesadelos há muito tempo. Mas nos últimos três meses a situação piorou tanto que comecei a consultar um psiquiatra.

O médico disse que isso poderia estar relacionado às duas experiências de quase morte que eu tive.

"Eu estava com medo", confessei. "Quase morri ao cair de um prédio. E quase levei um tiro. Quem levou o tiro foi meu irmão."

"É normal ter medo da morte."

"Mas há uma coisa que eu temo mais do que a minha própria morte", disse Colton seriamente.

"O que?"

"O que mais temo é que você morra."

Meu coração está acelerado.

"Eu posso morrer de amor."

Quase todas as noites sonho com o sequestro. Com o fato de estar suspensa no ar. Com as mãos que me salvaram. E toda vez que sou resgatada, eu acordo.

"No mês que vem irei ao médico novamente."

"Eu irei com você. Todo mês."

"Você decide."

Há uma coisa em que sempre penso.

"Quero saber quem me salvou."

O semblante de Colton endureceu.

"Você está apaixonada por ele? Eu não vou deixar."

"Quem pediu sua opinião?"

"Castiel Campbell!"

Fiz um biquinho e disse: "Se eu vou gostar, qual é o problema?"

"Você nem sequer viu o rosto dela, nem a conhece. Além disso, você me tem como sua alma gêmea", retrucou Colton rápida e relutantemente.

Mas não sei por que senti que suas palavras não foram tão duras... como se ele não estivesse realmente proibindo.

"E daí?... nem todas as almas gêmeas precisam se amar e estar sempre juntas."

"Mas eu... opa!" Abri bem os olhos e estendi a mão para tapar a boca da minha alma gêmea boba.

"Não diga essa palavra assustadora, Harris! Seu desgraçado! Quem te ensinou a dizer e pensar essa palavra? Eu não quero ouvi-la!"

MSN - Capítulo 06.2

Capítulo 6.2

Acordei muito cedo ou melhor, talvez nem tenha dormido. Passar uma noite no quarto de alguém que gosta de mim sozinho foi uma experiência estranhamente desconcertante. Assim que o sol nasceu, não hesitei: tratei de me despedir e ir embora o mais rápido possível.

Yuk não me obrigou a nada. Devolveu-me os últimos mil baht da vida dele para que eu pudesse pagar o táxi de volta, registrando o valor como dívida depois. Sempre acreditei que amigos não se aproveitam uns dos outros. Quando eu tiver dinheiro, vou devolver cada centavo.

Assim que cheguei ao quarto, desabei na cama, exausto. Quando acordei de novo, já eram três da tarde. O celular marcava vinte chamadas perdidas de dois grandes amigos: Bird e Top.

Liguei primeiro para Bird. Desci a lenha sem dó até ficar satisfeito, então desliguei e parti para Top. Esse era outro problema. Se eu soubesse que ele ficava tão insuportável quando bebia, nunca mais o convidaria para sair.

— Chayin, liguei e você não atendeu, seu desgraçado!

Nem tive tempo de falar antes de ele disparar como metralhadora.

— Eu estava dormindo. Passei a noite inteira acordado. Você, bêbado e fazendo escândalo, não sabe de nada. Pesado igual a um búfalo, droga!

— Posso pedir desculpa?

— Não perdoo.

— E ontem à noite, como você voltou? O Bird me ligou cedo dizendo que você não atendia. Ele ficou tão bêbado que esqueceu você no bar.

Belos amigos eu tenho.

— Voltei com o Yuk.

— Ihhhh… Ele te deixou no quarto ou vocês foram para outro lugar?

— O que você ouviu? Foi o Yuk que saiu falando demais?

— Não fala do meu Callisto. Eu só estou chutando.

— Então vai ser o marido dele.

— Por que está bravo assim? Falei algo que atingiu em cheio?

O tom provocador me irritava, mas cortei o assunto antes de acabar descontando nele.

— Se não tem mais nada, é isso.

— Espera, Chayin! Tenho uma coisa importante pra contar! O marketing avisou que a revista com a sua entrevista está vendendo muito. Já esgotou nas bancas.

— Tudo isso? Eu nem sou Ativo.

— Tem muita gente falando de você. Entra na fanpage ou no YouTube e vê.

Desligou dizendo que, se surgisse trabalho, me ligaria de novo. “Sua maré está subindo, Chayin.”

Corri para o laptop. Na minha fanpage, havia duzentas mensagens não lidas, além de uma enxurrada de comentários.

A maioria dizia a mesma coisa:

“P’Chayin é tão fofooooo, sou sua fã!”
“Você tem namorada? Quero conquistar um compositor.”
“Vou continuar acompanhando seu trabalho, Khun Chayin. Suas músicas são ótimas, você também.”
“Até nas fotos distraído você é bonito. A pessoa que te viu ontem à noite já morreu?”

E ainda anexaram uma foto minha, cabelo desgrenhado, bebendo cerveja. Agora eu entendia.

“Eu te admiro muito, você é meu ídolo!”

Mas anexaram uma foto do Yuk. Escolheram o ídolo errado, seus idiotas.

No YouTube, os comentários nas músicas que compus eram todos sobre mim.

“Vim pelo Chayin.”
“Vim do bar de ontem.”

Sinceramente, nem sabia que eu parecia tão bonito assim. Devia ter participado do concurso da revista Cleo para ver se arrancava uns gritos das garotas.

Foi então que encontrei comentários no topo de uma música do A little bliss:

“Vim da #YukYinCouple no Twitter. Tô surtandoooo.”
“#YukYinCouple é tão fofo >//<”

Que diabos era #YukYinCouple?

Quase não uso Twitter. Entrei pela primeira vez em meses e pesquisei a hashtag.

Explosão.

Meu rosto estava por toda parte. Até fotos do meu Instagram privado tinham vazado. E não eram só minhas incluíam Yuk também.

“O compositor e o escritor combinam muito!”
“Eu vi eles saindo do bar de mãos dadas.”
“Não é ship, é real!”
“Callisto é tão bonito!”
“Chayin é fofo.”
“Fanfic #YukYinCouple (uke pode engravidar) capítulo 1 já disponível!”

Desde quando eu posso engravidar? Por que estou chorando?

Dizem que na hashtag o nome que vem primeiro é o ativo. Então por que eu não sou o ativo? Indignado, respondi fingindo ser uma fã:

“P’Chayin é tão cool, acho que ele devia ser o ativo.”

Recebi resposta quase instantânea:

“Você não é fujoshi, né? P’Chayin não parece capaz de dominar P’Yuk.”

“Você ainda não conhece bem o P’Chayin.”

Sou eu, droga! Quem me conhece melhor do que eu mesmo?

Passei horas discutindo no Twitter, quase enlouquecendo. Até que, cansado, fechei o laptop e me joguei na cama.

Nos dias seguintes, Yuk desapareceu. O MSN 0832/676 também sumiu. A hashtag continuava fervendo. Top marcou entrevista dupla para o mês seguinte parte do marketing.

Como ele não conseguia falar com Yuk, pediu que eu avisasse.

Acabei indo até o apartamento dele.

Bati à porta.

— Quem é?

— …!

Ele se aproximou tanto que nossos narizes quase se tocaram.

— Ah, Chayin.

— Quem mais seria?

— Estou sem lente. Sou míope.

Setecentos graus.

Dentro do quarto cercado de estantes, ele lavou as lentes, colocou-as e me encarou.

— Pelo menos agora consigo ver você claramente.

— Vou pagar um LASIK¹ pra você.

— Vai ficar cuidando de mim depois?

Rimos. Conversamos. Ele provocava. Eu explodia.

— Eu li a fanfic onde você engravida. Muito fofa.

— Não leia!

— Tem até cena cortada. Quase tive sangramento nasal.

— Yuk, seu pervertido!

Ele só ria.

Então alguém bateu à porta. Era Palm, a editora dele. Sexy demais para uma editora.

— Entre fechar o manuscrito e conquistar o compositor, qual escolhe?

— Conquistar o compositor.

Ela riu, se despediu e ainda comentou:

— A fanfic onde você engravida é tão fofa. Sou fã.

Porta fechada. Eu queria desaparecer.

Yuk pegou meus sapatos.

— Eu te levo.

— Não precisa.

— Você economiza no táxi.

Dinheiro. Parei de discutir.

— Já fiz tudo o que queria este ano — disse ele. — Escrevi quatro livros. Fiz exercícios. Estou parando de fumar. Falta só uma coisa.

— O quê?

— Entrar na vida de alguém.

Ele me olhou.

— E, entre tudo o que eu desejo, você é parte disso.

Não sei se haverá outro dia em que eu consiga ser tão fraco por alguém assim.

Chayin, quando está com os amigos, é todo ríspido.
Mas quando está com Yuk… é adorável, exatamente como alguém amado deve ser. >//<
Nota do Tradutor 

[1] O LASIK (Laser-Assisted in Situ Keratomileusis) é uma cirurgia refrativa a laser amplamente utilizada para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo. Basicamente e aquela velha brincadeira do "Vou comprar um óculos para você ver se enchega melhor" 🤣🤣

27 de fev. de 2026

Fanhlaruk - Capítulo 03

Capítulo 03

Às sete da manhã, Fah levou Sher ainda todo amassado para comer arroz com frango em um restaurante perto do prédio. Não havia muitos estudantes por ali, já que a área não era residencial.

— Nossa, você está acabado comentou Fah, rindo ao observar o rosto pálido do outro. Havia apenas uma marca avermelhada próxima ao pescoço. — Eu te levo para casa daqui a pouco.

— Não precisa. Eu moro longe.

Na manhã seguinte, eles apenas se despediram no prédio. Sher dirigia sozinho.

— O que foi?

— Duas noites seguidas… pesa um pouco.

— Hm…

— Melhor eu te levar de volta.

— Não precisa cuidar de mim. Eu não sou seu namorado — Sher murmurou, abaixando a cabeça para continuar comendo.

— Não posso fazer isso por gentileza?

— Gentileza… ou luxúria? — provocou Sher.

— Você quer apanhar de novo? — Fah retrucou, bagunçando o cabelo longo dele. Irritante. Totalmente irritante. Sher tinha aquele rosto astuto, palavras insinuantes e uma postura que parecia sempre distante.

— Hoje não dá mais. Tenho aula às dez e meia.

— Eu já disse que te levo.

— Tenho preguiça de deixar você ver minha casa.

— E por que eu não posso ver?

Sher franziu as sobrancelhas e lançou um olhar impaciente.

— Parceiros são uma coisa. Vida pessoal é outra. Não quero misturar.

Para Sher, Fah era apenas um parceiro.

E para Fah… Sher também era.

Ainda assim, o estado de Sher não parecia confiável para deixá-lo voltar sozinho.

— Então somos amigos?

— Quem disse isso? Essa é a sua lógica.

— Amigos com benefícios — Fah sorriu.

O belo rosto permaneceu em silêncio. O cabelo de Fah estava ajeitado às pressas; o de Sher também não estava melhor.

— Eu nunca repito a mesma pessoa.

— Ah, não? — Fah sorriu de forma provocativa. — Se não tivesse gostado, não teria gemido daquele jeito.

— Você é péssimo.

— Se eu fosse tão péssimo, você não teria passado duas noites seguidas comigo… ainda mais uma noite inteira. O que acha, Sher? Nong Sher?

— Vai se ferrar, Fahlan!

Fah caiu na gargalhada. Mesmo emburrado, Sher continuava absurdamente bonito.

— Admita… você sente atração por mim.

— Só de olhar para sua cara, meu “dragão” já ficou quieto.

— Dragão ou minhoca? — Fah provocou.

Sher desviou o olhar rapidamente.

— Fala isso de novo.

— Ah… continua — Fah riu.

— Ainda não aceito ser seu amigo.

— Eu estou obrigando.

Sher riu. Fah era teimoso demais.

— Quer que eu me renda, não é?

— Quero.

— Suspiro… Prazer em conhecer você. Amigo com benefícios.


---

Cada um comeu dois pratos de arroz. Depois, Fah levou Sher ao condomínio dele pela primeira vez não tão perto da universidade, mas também não tão longe. O aluguel era acessível, o apartamento pequeno.

— Obrigado.

— Nos vemos na universidade.

— Estamos em faculdades diferentes. Não é tão simples assim.

Fah balançou a cabeça.

— Eu te ligo mais tarde.

— Você não tem meu número.

Fah sorriu, pegou o celular e entregou para Sher.

— Agora tenho.

— Droga… por que eu fui virar amigo de alguém que me levou para a cama duas noites seguidas…

— Anda, tenho que ir. Me liga.

Fah passou o braço pelo pescoço de Sher, apoiando o queixo em seu ombro enquanto brincava com seus cabelos.

Sher apoiou a cabeça nos ombros largos dele, pegou o próprio celular e ligou para o número recém-salvo.

— Pronto.

Fah retirou o celular do bolso e encerrou a chamada.

— Salva meu nome também.

Sher estalou a língua, irritado.

— E por que eu faria isso?

— Como quiser me chamar.

Sher salvou como: FL FWB.

Fahlan. Friend With Benefits.

— Ei, a ligação foi recebida.

— Se terminou, me solta.

— Primeiro um beijo.

— Quem disse que é regra beijar…?

Sher o beijou inesperadamente.

Fah riu contra seus lábios. Era exatamente do jeito que ele gostava — sem timidez, sem constrangimento.

Sher entrou no condomínio sem olhar para trás.

Fah tocou os próprios lábios antes de entrar no carro. Ele também tinha aula às dez e meia.


---

— Caramba, Fah! Você sumiu ontem — reclamou Ping, batendo na cabeça dele.

— Foi mal.

— Levou o garoto para o quarto de novo? — provocou Tap.

Os três estavam sentados no fundo do auditório em formato de cinema. Era aula de disciplina geral, obrigatória para todas as faculdades.

— Nem precisa responder — disse Ping. — Esse seu bom humor entrega tudo.

— E vocês dois?

— Ping bebeu demais e vomitou. Tive que arrastá-lo para casa — Tap resmungou.

— Vocês ficaram juntos, então?

— Vai se ferrar, Fahlan!

Os dois negaram imediatamente, arrancando risadas.


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Pouco depois, o professor anunciou:

— O docente responsável ficará fora por duas semanas. A turma de Arquitetura dividirá a sala conosco.

Estudantes de Arquitetura começaram a entrar. Aparência descuidada, cabelos bagunçados, olheiras profundas. Bem diferente dos alunos de Economia, sempre impecáveis.

— Vamos, sentem-se. A aula vai começar.

Fah procurou discretamente pela sala.

Arquitetura tinha cinco anos. Será que Sher estava nessa turma?

— Ei, garoto arquiteto.

As últimas duas pessoas entraram.

Sher.

Cabelos longos presos de qualquer jeito, óculos vintage de armação preta, camisa social com mangas longas, jeans preto, sapatos de couro. Uma bolsa atravessada no peito e um livro fino na mão.

— Não tem mais lugar.

— Tem aqui — disse Fah.

Os colegas ficaram surpresos. Ele não costumava chamar qualquer um para sentar ao seu lado.

— Prince, sente com Gear. Eu sento ali — Sher falou para um colega antes de subir até o fundo.

— Que coincidência — murmurou, sentando ao lado de Fah.

— Pescoço vermelho.

Sher levou a mão imediatamente ao próprio pescoço, irritado.

— Você não me larga, né?

— Está quente.

— A sala tem ar-condicionado.

— Eu estava falando de mim.

Sher inclinou a cabeça e Fah soltou o elástico de seu cabelo, deixando os fios negros caírem pelos ombros.

— Ei, minha presilha!

— Droga — Sher resmungou.

A aula durava uma hora e meia, duas vezes por semana.

Fah anotava tudo com atenção, concentrado nas explicações.

O homem provocador da noite anterior agora parecia apenas um estudante aplicado.

Já Sher… como muitos de Arquitetura, não dava tanta importância à matéria geral. Deitou a cabeça na mesa, virado para a parede.

O ar-condicionado estava frio. A voz do professor, monótona.

E havia alguém acariciando seu cabelo suavemente.

Fah sorriu de leve, escrevendo com a mão direita enquanto a esquerda passava pelos fios longos e macios.

— Ei, Fah… — cochichou Ping.

— Shh. Ele vai acordar.

— Seu “Nong” está com frio? — brincou Tap.

Sher encolheu os braços.

— Está frio…

— Quer minha camisa? — ofereceu Ping.

Fah riu.

O professor colocou um vídeo. Fah segurou a mão branca e esfregou levemente.

— Hm… — Sher abriu os olhos.

— Está melhor?

Ele assentiu.

— Deita aqui.

Sher apoiou a cabeça no colo de Fah, abraçando sua cintura.

Respiração lenta.

Dormiu.

— Cara… — Ping quase assobiou.

— Finge que não está vendo — murmurou Fah, ainda acariciando os cabelos espalhados sobre suas pernas.

… Satisfeito.


Manner of Death - Capítulo 32

Capítulo 32 -  “Tutor gato, passe adiante!”

Eu ri quando a garota do meu curso de biologia me mostrou seu telefone. Na tela, vi uma foto em que eu estava de boca bem aberta tentando explicar algo aos meus alunos que vieram estudar comigo embaixo do prédio da Faculdade de Medicina. Quem quer que tenha tirado essa foto deveria ter me avisado antes de postá-la, porque eu parecia horrível com a minha boca fazendo um formato de "O" como aquele.

— É isso aí, alguém tirou fotos suas e as compartilhou on-line com essa hashtag. Muitas pessoas estão compartilhando isso. — Koi sorriu. — Você é famoso agora, professor Tann. Cheque os comentários.

— Céus, quem fez isso comigo?

Na verdade, apesar da minha reclamação verbal, fiquei feliz por minhas fotos receberem comentários positivos. Ontem à noite o número de visitas na minha página comercial aumentou, o que provavelmente deve ser resultado dessas fotos com a hashtag ? #Tutorgatopasseadiante.
Tive sorte de possuir os belos genes do meu pai, mas nunca pensei em fazer um bom uso deles antes. Nunca me considerei bonito em comparação com o meu irmão falecido, Pert. Ele podia fazer os joelhos de uma mulher cederem sem uma única palavra, e até Bunn costumava ter uma queda por ele, aliás.
Mas como aparência era outro método que poderia me levar ao sucesso, eu tentaria promover mais fotos minhas na página comercial.

Depois de recarregar nossos cérebros cansados durante o intervalo, Koi e eu continuamos nossa lição sobre os componentes celulares até às oito da noite. Koi queria fazer o Teste Olímpico da Academia, então o conteúdo do curso que preparei para ela era mais intensivo que o currículo geral das pessoas da sua idade. Era biologia a nível universitário. Embora a matéria fosse difícil, Koi estava determinada, então fui encorajado a continuar a ensiná-la. Koi colocou as apostilas em sua bolsa e juntou as palmas das mãos, despedindo-se de mim com o wai.

— Tenho que ir, minha mãe está aqui.

— Claro, te vejo na quarta.

Peguei meu celular no caminho de volta para a minha casa. Eram oito e quinze da noite, então provavelmente eram oito da manhã na América. Bunn já devia ter ido trabalhar. Se eu ligasse para ele agora, acabaria atrapalhando. Poderíamos conversar na manhã seguinte, quando ele saísse do trabalho. Eu estava prestes a colocar o aparelho de volta no bolso quando um som de notificação tocou. Puxei-o mais uma vez.

Havia uma notificação do Messenger. Uma mensagem. O remetente era Kittiphong Chaingam, um nome do qual eu nunca tinha ouvido falar antes. Cliquei para abrir e ler a mensagem inteira.

[Oi, sou um velho amigo do Dr. Bunn.
Vi que vocês dois são bem próximos.
Quero falar com o Tarr, o cara com quem ele está neste momento.]

Mandei uma mensagem para Bunn, mas ele não me respondeu.

[Você poderia dizer a ele para falar com Tarr para mim?]

[Isso seria de grande ajuda. Muito obrigado mesmo.]

Lá vamos nós... Agora ele está me sacaneando. Eu estava esperando por isso. O canto da minha boca se levantou. Esse usuário anônimo do Facebook tentou deixar escapar que Bunn estava com Tarr, seu ex-namorado. Tudo bem, eu faria o papel de um namorado ignorante que ficou chocado ao saber que seu amor foi ver seu ex-namorado pelas suas costas.

[Como você sabe que Bunn está com Tarr?] Digitei de volta.

[Estou em Nova Iorque.]
— Eu não caí nessa, idiota — amaldiçoei antes de tirar uma captura de tela e enviá-la para Bunn via LINE. Quando pudesse, ele me ligaria. Passei para a próxima etapa do meu plano. Cliquei no ícone do Facebook e digitei no mural:
[Nada pode ser feito para que você tenha minha confiança novamente, pois uma única mentira é o suficiente para perdê-la para sempre.]

Isso será o suficiente para causar um drama, Bunn?

Desliguei a tela e continuei andando. Depois que cheguei em casa, joguei pela janela o plano de preparar meus materiais de ensino e olhei tudo no perfil de “Kittipong Chaingam”. Eu não sabia como essa pessoa estava relacionada com Bunn ou Tarr. Até onde eu sabia, ele podia ser apenas um estranho ou o próprio Tarr por trás de uma conta falsa. No entanto, eu tinha quase certeza tipo, cem milhões por cento de certeza de que essa pessoa era Tarr disfarçado.

[Eu deveria fingir um choro, certo?] Bunn disse, brincando. 

[Fui pego em flagrante. Término garantido.] — Sim, algo do tipo. — Ri e afastei meu olhar da tela do computador para encarar Bunn. Eu estava no FaceTime com ele usando o iPad à minha direita. Bunn estava se vestindo para ir ao hospital pela manhã e, naquele momento, abotoava a camisa. Eu faria qualquer coisa para me teletransportar pela tela para vê-lo pessoalmente. Eu queria ajudá-lo a se preparar para o dia, ou provavelmente o contrário.

[Então quem foi falar de mim para você? Você tem mais informações?] Bunn perguntou, interrompendo meus pensamentos eróticos.

Limpei minha garganta. 

— O Facebook dele está em modo privado, Bunn. Há apenas algumas fotos que não ajudaram muito, então enviei um pedido de amizade, que ele ainda não aceitou, mas aqui está o que eu sei: sua intenção é má. Ele intencionalmente me contou sobre Tarr.

Quantos tailandeses saberiam sobre vocês dois se encontrando em Nova Iorque se não fosse Tarr?

[Humm.] Bunn ponderou. [Então deve ser ele.] Eu sorri. — Ele é o suspeito número um. Com certeza ele fez isso.

[Estamos levando essa merda muito mais a sério do que levamos uma investigação de assassinato.] Bunn virou-se para o cachecol e o enrolou em seu pescoço. Devia estar congelando lá.

 [Acho que posso encontrar mais informações com a minha ex-namorada, quando eu tiver um tempo livre.] — Legal. — Comecei a gostar desse jogo de “pegar o vilão”. Eu poderia me envolver nessa “investigação” sem ter que arriscar minha vida ou entrar em quaisquer atividades ilegais. 

Não havia necessidade de formular um plano genial para vencer isso, era apenas algo para eliminar nossa suspeita incômoda. E a julgar pelo seu sucesso anterior, Bunn logo encontraria a resposta.

Com uma expressão melancólica no rosto, encarei o hambúrguer enorme que a garçonete havia colocado sobre a mesa. Tarr me olhou como a familiar simpatia de sempre. Eu o chamei ali, dizendo que queria alguém comigo neste momento, e ele concordou sem hesitar.

— Desculpe incomodá-lo assim depois do trabalho, mas não tenho ninguém a quem recorrer. 

— Olhei para o homem à minha frente.

— Está tudo bem. Estou sempre aqui para ajudá-lo, Bunn. Você pode me dizer qualquer coisa. — Tarr pegou uma grande porção de batata frita e colocou na boca. — Qual é o problema?

— Eu... briguei com o meu namorado. — Fui direto ao assunto, observando de perto a reação de Tarr. — Nunca tivemos uma briga tão feia antes. Como Tann descobriu que nós nos encontramos em Nova Iorque? — Meus olhos se voltaram para uma multidão de pessoas caminhando do lado de fora do restaurante.

— Isso é terrível! — Tarr gritou, e uma expressão de choque apareceu em seu rosto. — Como ele soube?

— Tann falou que alguém que diz ser meu amigo entrou em contato com ele, falando que você e eu estávamos juntos e que precisava do teu contato, mas não conseguiu falar comigo para pegar — Fiz uma careta.

— Mas depois de todo esse tempo ninguém me perguntou sobre você, e Tann não quer me dizer quem é esse cara. Ele disse que não importa quem é, o que importa é que eu menti para ele. Agora ele provavelmente não vai mais confiar em mim. 

— Eu estava me perguntando se deveria deixar escapar um soluço para fazer a atuação parecer mais convincente, mas decidi que não. Tarr colocou sua mão em cima da minha que estava sobre a mesa.

— Apenas algumas pessoas aqui conhecem você e eu. Vou ajudá-lo a descobrir quem ele é. Você poderia pedir ao seu namorado para me enviar o nome dele?

— Vou tentar perguntar a ele, mas vai ser difícil. Tann não quer falar comigo. — Olhei para a mão de Tarr, ainda apoiada sobre a minha, e lentamente puxei a minha mão. — Você não contou a ele sobre nós, né?

Tarr balançou sua cabeça. — Por que eu faria isso?

— Porque você ainda está bravo comigo. Você não quer que eu seja feliz em minha vida amorosa. Você estava me perseguindo, tentando descobrir se eu estava namorando alguém, e encontrou uma maneira de destruir meu relacionamento contando meus segredos para outras pessoas.

— O rosto de Tarr permaneceu sereno, o que era incomum para quem foi acusado de mentir. O rosto dele era mais fácil de ler que o de Tann, que tinha um talento natural para mentir.

— Sinto muito que você me veja assim. — Uma centelha de raiva armazenada em seu olhar sob os óculos pôde ser vista depois de algum tempo. — Não vejo por que eu teria que fazer uma coisa dessas com você.

O que aconteceu entre nós acabou há muito tempo.

Balancei minha cabeça. — Você conhece um amigo da Prae, minha ex-namorada.

Tarr franziu a testa. — Não estou entendendo o que você quer dizer.

— Você disse a um amigo da minha ex que eu sou gay. Esse amigo foi avisá-la sobre isso. Já perguntei e ele confirmou que te conhecia e que foi você quem contou a ele sobre mim.

 — Mostrei meu telefone para ele, revelando a verdade sobre suas mentiras na conversa entre eu e o amigo de Prae. Tarr parecia relutante em olhar para ele. — E logo depois de implorar para você não contar ao meu namorado sobre o nosso encontro secreto, alguém tentou entrar em contato com ele e dar uma dica de que você e eu estávamos juntos.

Tarr permaneceu em silêncio, então decidi desferir o golpe final.

— E aparentemente esta não é a primeira vez. 

Você se lembra da Chompoo? A garota da farmácia com quem namorei? Ontem tentei entrar em contato com ela e, adivinha, nós conversamos. Ela me disse que, depois de fingir que estava perguntando sobre as direções no hospital, você tentou entrar em contato com ela para afastá-la de mim. E ela realmente me deixou depois disso. 

— Olhei para Tarr com um olhar penetrante.

Tarr tirou os óculos e colocou-os no bolso da camisa. Seus olhos estavam brilhantes. Ele parecia aquela mesma pessoa que eu conhecia quando era jovem. Eu podia sentir que sua energia começou a morrer. 

— Sei que eu não deveria ter feito isso, mas sou uma pessoa má, Bunn. Não pude evitar ficar com raiva e ciúme.

Soltei um sorriso vitorioso. Foi exatamente como aquele momento em que consegui enganar Rungthiwa, a irmã de Jane.

Tarr juntou as mãos, recusando-se a me olhar nos olhos. 

— Admito que o que aconteceu com Chompoo foi minha culpa, mas o que aconteceu entre você e Prae foi um acidente. Voltei para a Tail?ndia para visitar meus pais e encontrei meu antigo colega de faculdade, com quem saí para beber.

Ele é gay, como nós, na verdade, então contei coisas a ele quando fiquei bêbado. 

— Tarr passou a mão no nariz. — Ele me perguntou quantos namorados eu já tive, disse que você foi o meu primeiro, falei sobre como você me tratou e mostrei a ele o seu Facebook. Juro que eu não sabia naquela época que ele conhecia a sua ex. Só mais tarde descobri que eu fui o motivo do rompimento de vocês.
Eu bufei com um longo suspiro. 

— Embora você não quisesse fazer isso, suponho que seja verdade que você usou intencionalmente um perfil falso do Facebook para contar ao meu namorado sobre nosso encontro secreto, né? Não pense que eu não sei sobre isso, Tarr.

Tarr ficou em silêncio por um longo tempo enquanto olhava para a tigela de batata frita, que já havia esfriado.

 — Eu sinto muito.

Recostei-me na cadeira, sentindo como se uma aflição tivesse sido tirada do meu peito. Encarei Tarr com um olhar frio. Na verdade, Tann e eu ainda não tínhamos conseguido encontrar nenhuma evidência para forçá-lo a admitir a verdade, então escolhi usar as informações que reuni e usá-las contra ele, e, felizmente, Tarr confessou. — Eu não quero acabar com a nossa amizade, mas se você fez isso para me ferir, não tenho mais nada a dizer.

Outro prato foi servido em nossa mesa, o que nos fez ficar em silêncio por um tempo. Quando a garçonete foi embora, continuei: — Lamento ter ferido seus sentimentos, Tarr. Mas, por favor, deixe-me em paz de agora em diante.

Um sorriso triste gradualmente apareceu em suas feições. 

— Vou tentar.

— Você não pode simplesmente “tentar”, isso precisa parar. Se você não parar... — Eu não queria fazer isso, mas pessoas como o Tarr sempre passavam o tempo morando no passado. Se eu fosse tolerante com isso, certamente haveria mais caos à frente. 

— Steve pode querer saber sobre a nossa história, não acha? E aí não posso garantir o que vai acontecer depois disso.

Seus olhos se arregalaram com a minha ameaça, e vi o terror aparecendo em seu olhar. Eu peguei ele agora, percebi. 

— Você não mudou nem um pouco. Você é cruel pra caramba, sabia disso? — Tarr deu uma risada forçada.

— Não, na verdade eu sou dez vezes mais cruel do que costumava ser. — Sorri levemente para amenizar a atmosfera tensa que pairava sobre nós. Estendi a mão para pegar o hambúrguer no prato e me preparei para comê-lo.

 — Mas isso não significa que você não pode ser meu amigo.

— Hum. — Tarr pegou o garfo, parecendo abatido como nunca. — Fui pego em flagrante. Como posso ser seu amigo agora?

— Está tudo bem, eu te perdoo. Vou falar com o meu namorado e fazer com que ele te perdoe também. 

— Surpreendi Tarr mais uma vez ao lhe dizer que Tann também sabia disso. 

— Talvez o que você fez tenha sido uma coisa boa. Conheci Tann, e ele acabou por ser o homem certo, parei de mentir para mim mesmo e voltei ao caminho correto.

Tarr massageou as têmporas. — Você é um chato. Certo, você realmente faz jus à sua reputação, Bunn. Eu desisto. Vou deixá-lo em paz.

— Boa. Steve não ficaria feliz em saber que você ainda está apegado ao seu ex. 

— Minhas sobrancelhas ergueram-se desafiadoramente.

Agora esse caso foi oficialmente encerrado. O caso de um homem que andava por aí se intrometendo na vida amorosa de outras pessoas. Eu não sabia se conseguiríamos continuar do jeito que estávamos ou se, na pior das hipóteses, não seríamos capazes de nos falar nunca mais.

Seguimos caminhos separados, voltando às nossas casas logo após o jantar. Tarr foi embora sem uma despedida prolongada. Eu só pude olhar para as suas costas se afastando, sem sentir nada, antes que ele se misturasse à multidão. No passado, Tarr sempre me dizia que eu era a primeira pessoa da qual ele queria se aproximar, apesar dos meus comportamentos notoriamente indisciplinados. Ele concordou em manter nosso relacionamento em segredo se isso significasse que ele poderia permanecer ao meu lado, segurando minha mão e sussurrando palavras doces em meus ouvidos, algo com que eu não me importava nem um pouco.

Ainda assim, quando a represa das emoções rachou-se e transbordou, Tarr explodiu, fazendo com que eu largasse ele naquele dia.

Sinto muito por ter magoado você, Tarr. Mas nós dois nos tornamos apenas linhas paralelas.




Deja Vu - Capítulo 22

CAPÍTULO 22 – “STAND BY ME”

Eu estava exausto naquele dia. Trabalho, concurso, ensaios… e, como se não bastasse, meus pensamentos insistiam em girar em torno de P’Kin. Não era apenas o corpo que doía minha mente também parecia sobrecarregada.

Depois de terminar tudo o que precisava, arrastei-me até o quarto. Meu rosto devia estar pálido como o de um morto. Deitei no sofá com a intenção de descansar só um pouco antes do banho. Planejava ensaiar dez vezes antes de dormir.

Mas o cansaço venceu.

Adormeci sem perceber.

Em meio ao sono, senti meu corpo ser erguido.

— Hã… o que está acontecendo…?

Abri os olhos assustado. Meu coração disparou, e um pequeno grito escapou antes que eu pudesse me conter.

Era P’Phu.

Ele me segurava com cuidado, aproximando-me do peito.

— P’Phi… — murmurei, ainda sonolento, sem resistir. Eu sabia que ele me levaria para a cama. Não queria que eu dormisse no sofá e pegasse frio.

— Você acordou? Eu te chamei antes, mas não respondia.

A voz dele era suave. Foi a primeira vez que entrou no meu quarto ou melhor, no que agora era oficialmente meu quarto.

— Já acordei… obrigado, Phi — respondi, envergonhado.

Levantei-me rápido demais, tentando organizar as palavras e também a bagunça do quarto.

— Vá tomar um banho e descanse direito — disse ele.

— Krab… Ah, mas aconteceu alguma coisa? Por que você veio até aqui?

— Passei para ver como estava a loja e aproveitei para te visitar. Hoje você parecia cansado. E quando cheguei, estava dormindo no sofá… parecia exausto.

Corei.

— O ensaio foi puxado… — admiti, constrangido. O quarto estava desarrumado. Que vergonha.

Ele suspirou, parecendo culpado.

— Eu devia ter te dado folga. Um trabalho assim realmente esgota. Não acredito que deixei você nesse estado.

Balancei a cabeça.

— Não é culpa sua, Phi. Eu já estava doente há dois dias. Não queria que os outros funcionários pensassem coisas erradas.

— Você pode tirar licença médica. Todos ficaram preocupados. Amanhã não precisa ir. Já pedi para outro funcionário te substituir. Volte só na segunda-feira. Não quero que trabalhe tão duro.

— E-eu não posso… Se eu faltar, meu salário será descontado…

— Não seja bobo — respondeu, firme, mas gentil. — Não vou descontar nada. Volte na segunda. Eu não faço isso só por você, faço pela loja também.

Ele era o presidente do segundo ano… e também o dono da loja.

— Mas…

— Sem discussão.

Não consegui argumentar mais.

— Certo… então vou descansar — murmurei, encostando a cabeça no ombro dele. O sono ainda pesava.

Ele acariciou meus cabelos como sempre fazia.

— Descanse. Não pense demais. Vai ficar tudo bem.

Quando ele se afastou para guardar o violão no estojo, percebi seus dedos inchados e avermelhados pela pressão constante das cordas.

Um aperto de culpa atravessou meu peito.

Quando ele se preparou para ir embora, senti um impulso estranho. Não sabia o que dizer… mas estendi a mão e segurei a manga de sua camisa.

— P’Phi… obrigado. De verdade.

Ele parou.

Seus olhos escureceram por um instante. Algo mudou na expressão dele.

Tarde demais.

De repente, fui puxado para dentro de seus braços.

O abraço era firme. Forte demais.

Meu corpo enrijeceu, mas não lutei imediatamente. Era P’Phu. Ele nunca ultrapassaria limites… certo?

— Phi… — sussurrei, tentando me afastar.

Mas ele não soltou.

As mãos dele seguraram meu rosto. Seu rosto se aproximou do meu… e então seus lábios tocaram os meus.

Fiquei paralisado.

Quando voltei a mim, tentei empurrá-lo, mas ele aprofundou o beijo. Seus lábios se moveram com intensidade. Sua língua invadiu minha boca antes que eu pudesse protestar.

Um som fraco escapou de mim.

O beijo era experiente. Ardente. Quase desesperado.

Eu não queria aquilo.

Mas também não consegui impedir que meu corpo reagisse.

Era errado.

Eu não podia brincar com o coração de ninguém muito menos com o dele.

Quando finalmente reuni forças, apertei seus ombros e o empurrei.

Ele se afastou, respirando pesado.

— Little boy… me desculpe — murmurou, vendo a expressão de decepção no meu rosto.

Respirei fundo.

— Eu é que deveria pedir desculpas… Eu não posso corresponder aos seus sentimentos.

Ele fechou os olhos por um instante.

— Não é assim. Sou eu quem não consegue controlar o que sente.

O silêncio que se seguiu era denso.

Carregado.

Porque ambos sabíamos que, depois daquele beijo, nada seria exatamente igual.


— Tudo bem… — Ai’Tong acenou para os veteranos, avisando onde estávamos. Corri os olhos pelo grupo, mas ali só estavam três: P’Phu, P’Cho e P’Tee. Nem sinal de P’Kin ou P’Liz.

Estranho… Mesmo dizendo a mim mesmo que não queria vê-los juntos, no fundo eu desejava encontrar P’Kin. Talvez fosse apenas o resquício do sonho da noite passada. Embora eu negasse qualquer relação entre nós, algo ainda me prendia a ele. E agora ele simplesmente havia sumido ontem disse que viria me ver competir, mas não apareceu. Além disso, o arroz com coco e o porco grelhado que eu tinha preparado também desapareceram. Tudo aquilo me deixou com um gosto amargo.

— N’Thai, vai demorar muito? A P’Tee atrasou um pouco — disse P’Phu com a gentileza de sempre, agindo como se nada tivesse acontecido na noite anterior.

— Ah, Phu, nós também acabamos de chegar. — Cumprimentei os veteranos com uma leve reverência. P’Tee carregava o violão e parecia incrivelmente charmoso.

— Ai’Phu me ligou cedo demais. Estou com dor de estômago, então me atrasei um pouco — explicou P’Tee, no tom despreocupado de sempre, embora eu percebesse um cansaço sutil em seu rosto.

— Quem mandou viver comendo sem cuidado? — provocou P’Cho, que normalmente era calado, mas naquele dia resolveu implicar. — Estou só lembrando você de parar de exagerar.

— Cala a boca. Quando você fala, só sai ofensa.

— Claro. Minha boca foi feita especialmente para te ofender.

— Idiota!

— Vocês dois não têm vergonha de discutir na frente dos calouros? — repreendeu P’Phu, arrancando risos dos outros veteranos. Na verdade, P’Cho era quieto, mas entre os mais próximos tornava-se falante.

— Certo, chega de implicância, Ai’Cho. Hoje é o dia de N’Thai. Vamos treinar — disse P’Tee, olhando para mim com um sorriso encorajador. Ele parecia ter energia inesgotável.

— Hum… Tudo bem. Phi não vai tomar café antes?

— Não precisa. Já estou atrasado. Depois do treino eu como. Tenho aula às dez. E você, N’Thai, já comeu?

— Já.

— Ótimo. Vamos treinar perto da piscina, é mais tranquilo lá.

Concordei. Seguimos juntos até o lago do campus — P’Phu, P’Cho e P’Tee à frente. Ai’Tong ficou para tomar café, pois tinha aula às nove.

— N’Thai… você ainda está pensando no que aconteceu ontem? Está tão pálido — perguntou P’Phu enquanto caminhávamos lado a lado.

— Não, Phi. Foi só um pesadelo. Não consegui dormir direito, mas não tem nada a ver com ontem. — Forcei um sorriso para tranquilizá-lo. Com P’Phu era diferente; eu conseguia deixar as coisas para trás com facilidade. Ele sempre fora sincero comigo, e por isso eu não precisava me preocupar.

— Eu é que deveria pedir desculpas. Sou eu quem não consegue corresponder aos seus sentimentos.

— Little boy, não diga isso. Eu que não soube controlar meus sentimentos. Prometo que não vou repetir aquele erro.

— Phi, você realmente acha que isso te faz bem? Se estiver te machucando, talvez seja melhor se afastar. Eu não quero que sofra por minha causa. A vida não é um drama coreano em que sempre existe alguém perfeito esperando para retribuir o amor. Se você continuar ao meu lado, pode acabar se ferindo ainda mais.

— Little boy… não diga isso. Eu sei o que sinto. Às vezes posso perder o controle porque gosto de você, mas, se você estiver feliz, isso já é suficiente para mim. — Ele sorriu com suavidade. — E uma coisa eu garanto: nunca vou obrigar você a nada. Se um dia eu ultrapassar os limites, a culpa será minha. O tempo cura quase tudo. Talvez eu me canse… ou talvez seja você quem comece a aceitar meus sentimentos.


---

Naquela noite sonhei outra vez. Acordei com lágrimas escorrendo pelo rosto. Não me lembrava do sonho, apenas tinha certeza de que era sobre P’Kin e de que não fora nada bom.

Levantei às cinco da manhã para treinar canto. Depois preparei mingau e tentei me distrair com pequenas tarefas, para afastar a tristeza.

Às sete em ponto, tomei café com o mingau de porco que fizera. O aroma quente trouxe um breve conforto. Mas, ao provar a primeira colher, algo me ocorreu: na noite anterior eu dormira sem trancar a porta. Mesmo assim, P’Kin não viera ao meu quarto. E o arroz doce com coco e o porco grelhado que preparei também não estavam mais na mesa.

Fui para a faculdade como de costume. Combinei de encontrar Ai’Tong, P’Tee e P’Phu. Não sabia se era cansaço ou excesso de pensamentos, mas naquele dia eu me sentia completamente desanimado até ouvir Ai’Tong me chamar.

— Ei, por que essa cara de enterro? Encontrou um fantasma ontem à noite? — provocou, sem nem me cumprimentar direito.

— Dormi tarde e acordei cedo. Estou tão horrível assim?

— Um pouco pálido, mas a maquiagem resolve. O importante é não parecer acabado por dentro. Acabado por dentro.

— “Acabado por dentro”? Isso existe? — rebati, indignado.

— Vai olhar sua cara no espelho. Fui o primeiro a te ver hoje. Você está com uma expressão terrível.

— Para de falar besteira. Só estou com sono.

— Seja como for… que horas você vai encontrar P’Phu?

— Agora. Mas é estranho… eles ainda não chegaram. Normalmente tomamos café juntos.

Ai’Tong estreitou os olhos, olhando por cima do meu ombro.

— Ah… é ele.

— E a próxima apresentação será do representante de Engenharia Aeronáutica, Thai Padung. Ele cantará ao som de violão a música Baleia Encalhada!

A voz do MC ecoou pelo auditório, arrancando gritos animados da plateia. Ai’Tong e eu trocamos um olhar rápido. Pelo visto, houve um equívoco anunciaram que eu me apresentaria sozinho.

Já era tarde demais para corrigir qualquer coisa. Eu precisava subir ao palco de qualquer forma. Só torcia para que a equipe mantivesse a música de apoio; sem acompanhamento, eu pareceria um idiota parado sob os holofotes.

Quando dei o primeiro passo em direção ao palco, senti um braço envolver meus ombros com suavidade. O calor daquele corpo e o perfume familiar fizeram meu coração disparar. Meu fôlego falhou.

— Calma, little boy…

Aquela voz grave a mesma que eu desejara ouvir a manhã inteira soou ao meu lado. Antes que eu pudesse reagir, meus dedos já estavam entrelaçados aos dele. P’Kin.

Sua mão envolveu a minha com firmeza. Pouco antes de chegarmos ao centro do palco, ele a soltou, como se nada tivesse acontecido. Fiquei atordoado. Era como se sua simples presença tivesse dissipado toda a confusão, a ansiedade e o medo que me consumiam minutos antes.

P’Kin caminhava ao meu lado com um violão nas mãos. Eu não sabia que ele tocava. Mas naquele momento, não duvidei nem por um segundo.

Os gritos da plateia aumentaram certamente dirigidos a ele. P’Kin mantinha a expressão serena. Esforcei-me para sorrir também. Quando nos acomodamos, o burburinho diminuiu, dando lugar ao silêncio expectante.

O som do violão preencheu o auditório. A melodia era a mesma que eu havia ensaiado com P’Tee. Sorri, reconhecendo o talento de P’Kin extraordinário, como sempre.

Antes de começar a cantar, olhei para ele por um breve instante. Eu estava feliz por ele ter vindo. Ainda assim, havia uma sombra discreta em seu olhar. Respirei fundo e me concentrei.

> Há uma baleia que nada sozinha,
o peito mais apertado que antes.
Ela tenta seguir o rastro do amor,
mas, no fim, acaba encalhada quando a maré sobe.



A apresentação transcorreu sem falhas. Ao final, fomos recebidos por uma salva de palmas calorosa. Inclinei-me em agradecimento ao lado de P’Kin.

Assim que descemos do palco, ele se afastou sem dizer uma palavra. Não olhou para trás. Não se despediu. Apenas caminhou até desaparecer entre as cortinas.

Ai’Tong se aproximou para me parabenizar, mas confesso que mal ouvi o que ele disse. Meus pensamentos ainda estavam presos àquela figura alta que havia sumido como um sonho.


---

— Ele foi ao banheiro de novo. Está cada vez mais pálido. Tenho medo de que não consiga se apresentar — informou P’Cho.

Meu coração apertou. Talvez a indisposição de P’Tee estivesse piorando.

— Então deixe que eu suba ao palco no lugar dele — sugeriu P’Phu, sério.

— Não dá. Se você se apresentar, vão dizer que está favorecendo o N’Thai. Ainda mais porque ele está concorrendo. As pessoas vão falar — retrucou P’Cho.

— E o que você pretende fazer? — P’Phu me perguntou, aflito.

Eu não queria que aquilo se tornasse um problema maior. Muito menos que prejudicasse alguém.

— Está tudo bem, Phi. Vou avisar a P’Gib para deixar o karaokê preparado como plano B.

No fundo, eu sabia que tomaria essa decisão ao ver o estado de P’Tee.

— É a melhor saída — concordou P’Cho. — Eu vou verificar como ele está.

— Se acontecer qualquer coisa, me avise imediatamente — disse P’Phu antes de sair apressado em busca de P’Tee.

Respirei fundo e fui falar com P’Gib, líder das líderes de torcida naquele ano. Por sorte, um amigo já havia me orientado: qualquer problema deveria ser comunicado à organização para que tivessem um plano emergencial.

P’Gib ouviu com atenção. Não ficou irritada — apenas pediu que eu a informasse com antecedência se precisasse cantar sozinho.

Quando voltei aos bastidores, vi Ai’Tong andando de um lado para o outro, inquieto.

— Thai, P’Tee não está nada bem. P’Cho disse que ele não consegue subir ao palco — contou, aflito.

Meu peito apertou.

— Ele veio mesmo doente só para me ajudar… Deveria ter ido ao médico.

— E agora? Vai cantar sozinho como antes?

— Sim. Já confirmei com P’Gib. Por favor, peça ao P’Phu que leve P’Tee ao hospital. E diga a ele para não se preocupar comigo.

Ai’Tong assentiu.

— Então use seu charme para ganhar esse concurso. Volto já.

Observei enquanto ele saía correndo.

No fim das contas, não posso ser egoísta a ponto de obrigar alguém doente a permanecer no palco por minha causa. Às vezes, a única pessoa em quem podemos realmente confiar somos nós mesmos.

Faltavam poucos minutos para minha vez novamente. A condição de P’Tee piorava, e P’Cho e P’Phu precisaram levá-lo ao hospital. Ai’Tong permaneceu ao meu lado, batendo de leve em meus ombros e murmurando palavras de incentivo.

Respirei fundo.

Se fosse para enfrentar aquilo sozinho… então que fosse.



S.C.I. Mystery Files Vol. 01 - Capítulo 17

Capítulo 17 – O Caso Antigo

Zhan Zhao folheava os arquivos um a um. A cada pasta aberta, sua expressão tornava-se mais sombria.

— O que foi, Gatinho? — perguntou Bai Yutang, apreensivo.

— Rato… como você descobriu isso? — Zhan Zhao ergueu os olhos para ele.

— …Descobri o quê?

— Todas essas pessoas têm relação com TOC e com sugestão psicológica! — Zhan Zhao bateu os arquivos contra o peito dele. — Responda! Não se faça de desentendido!

— Não estou me fazendo de desentendido. — Bai Yutang pegou a revista que estava lendo. — Pense um pouco. Este caso tem alguma ligação com você… e com o Departamento de Psicologia da Universidade C. Então imaginei que pudesse ter relação com psicologia.

— Além disso — continuou, Wang Chao e a equipe estão analisando esses arquivos há dias, mas não encontraram nenhuma conexão entre as vítimas. O único ponto em comum é que todos estavam passando por dificuldades na vida e não eram bem-sucedidos na carreira. Alguns inclusive tinham histórico de transtornos mentais.

— Ah… — murmurou Zhan Zhao, acariciando o queixo. — Então foi por isso que você veio aqui buscar inspiração.

Bai Yutang ergueu o queixo dele com dois dedos.

— E pelo visto encontrou. Olha essa cara convencida.

Zhan Zhao afastou a mão dele com um tapa leve.

— Vamos!

— Ei! Gato! Pra onde? — Bai Yutang correu atrás dele.

— Você sabia que nossa delegacia foi a primeira a criar o “Escritório de Pesquisa em Psicologia Criminal”? — perguntou Zhan Zhao, andando apressado.

— Hum… não foi criado há vinte anos, por sugestão do Comissário Bao? — Bai Yutang igualou o passo. — O que isso tem a ver com o caso?

Zhan Zhao apertou o botão do elevador.

— Sabe por que esse departamento foi fundado?

— Dá pra ir direto ao ponto?

— Naquela época houve um grande caso. Por causa das implicações, quase ninguém sabe os detalhes. Eu mesmo só descobri quando entrei para o setor.

Os dois entraram no elevador. Zhan Zhao apertou o botão do 11º andar.

— O que se sabe é que o assassino usava sugestão psicológica para controlar e matar pessoas. Em cinco anos, mais de cem morreram. Mais de uma dezena eram policiais.

As portas se abriram.

— Como eu nunca ouvi falar disso? — Bai Yutang perguntou, incrédulo.

Zhan Zhao riu, caminhando em direção ao arquivo.

— Quantos anos você tinha há vinte anos? Que criança teria acesso a esse tipo de coisa?

Bai Yutang revirou os olhos.

— E você sabia como?

Zhan Zhao lançou-lhe um olhar enviesado.

— Sou mais velho que você.

Estalou a língua, satisfeito, ao ver o rosto de Bai Yutang empalidecer de irritação.

— Quem diria que aquele menininho fofo que vivia me chamando de “Gege” cresceria para virar esse sujeito irritante?

— Ora, seu gato miserável! — retrucou Bai Yutang. — E você? Quer que eu conte como era quando pequeno? Quem era mesmo que voltava do jardim de infância com o rosto todo babado de tanto beijo das tias?

— Aham! — Zhan Zhao mudou de assunto abruptamente. — Chegamos ao arquivo!

Entrou depressa na sala.

— Se não fosse eu te proteger naquela época, acha que teria crescido inteiro? Ingrato… — resmungou Bai Yutang.

De repente, Zhan Zhao tentou fechar a porta na cara dele. Por reflexo, Bai Yutang segurou a porta a tempo.

— Você é cruel! Está com inveja do meu nariz perfeito?

— Shhh! — Zhan Zhao fez sinal para que ele se calasse e começou a procurar nas estantes.

— Isso não é extremamente ineficiente? — Bai Yutang olhou para as etiquetas amontoadas. — Não tem nada digitalizado?

— Já verifiquei. Não há registro no sistema… — Zhan Zhao interrompeu-se. — Hein?

— O que foi? Achou?

— Faltam muitos arquivos entre os anos de 82 e 87!

— Esses são confidenciais — disse uma voz envelhecida atrás deles.

Mesmo não sendo medrosos, era madrugada e o arquivo estava mergulhado em sombras. A voz repentina quase os fez saltar.

Um feixe de lanterna iluminou-os.

— Senhor Sun? — Bai Yutang protegeu os olhos, colocando-se instintivamente à frente de Zhan Zhao. — Por que está usando lanterna se as luzes estão acesas? Não estamos filmando um terror.

O velho arquivista riu.

— Pensei que fosse algum idiota tentando roubar documentos.

Zhan Zhao apontou a prateleira vazia.

— O senhor disse que esses arquivos são confidenciais?

O velho Sun fez sinal para que o seguissem até a sala dele. Lá dentro, um fogareiro elétrico fervia macarrão instantâneo.

— Que cheiro bom… — disseram os dois ao mesmo tempo, lembrando que não haviam comido nada a noite toda.

— Sentem-se. — Ele colocou mais dois pacotes na panela.

Enquanto distribuía as tigelas, explicou:

— Todos os arquivos desaparecidos pertencem ao mesmo caso. Parte foi selada como confidencial. A outra parte… destruída.

— Destruída?! Como assim?

— Foi destruída por aquela pessoa.

— Que pessoa?

— Se ele não tivesse destruído, talvez jamais tivesse sido capturado.

— Foi o próprio assassino quem destruiu os documentos? — Zhan Zhao arregalou os olhos.

O velho assentiu.

— Ele não era apenas o culpado. Era também policial.

Bai Yutang engasgou.

— Policial?!

— Já ouviram falar dos famosos “Preto e Branco” daquela época?

Bai Yutang riu.

— Está falando do Comissário Bao e do meu pai?

— Sim. Pode soar exagerado hoje, mas era impressionante. Só que… “Preto e Branco” na verdade eram três.

— Três?! — Zhan Zhao ficou chocado. — O terceiro era o assassino?

O velho Sun o encarou por alguns segundos.

— Ele era como você.

— …?

— Um gênio em análise psicológica. Mas naquela época não existia esse cargo. Então deram a ele o título de policial.

Bai Yutang ficou tenso.

— Afinal, quem é ele?

— É confidencial. Só três pessoas sabem tudo.

— Três? Além do meu pai e do Comissário Bao?

— Ele próprio.

— Ele ainda está vivo?! — Zhan Zhao deixou escapar.

— Matou mais de cem pessoas e não foi executado? — Bai Yutang não acreditava.

O velho balançou a cabeça.

— Ele não pode mais machucar ninguém.

E não disse mais nada.



Mais tarde, ao saírem, Bai Yutang resmungou:

— Esse mistério todo é irritante!

— E agora? Perguntamos ao seu pai?

— Pelo amor de Deus, não!

— E ao Comissário Bao?

— Você pergunta!

Enquanto discutiam, Zhan Zhao perguntou de repente:

— Xiao Bai, quantos anos seu irmão é mais velho que você?

— Oito… Aaaah!

— Então ele devia lembrar!

— Não é disso que estou gritando! — Bai Yutang parecia à beira do colapso. — Meu irmão chega hoje. Eu disse que iria buscá-lo.

— Que horas?

— Meio-dia…

Zhan Zhao olhou o relógio. Era exatamente meio-dia.

— Então corre! Meia hora de atraso não é tão grave.

Bai Yutang quase chorou.

— Meio-dia… de agora.

Zhan Zhao ficou em silêncio por um segundo.

— Considerando a personalidade do seu irmão… você está morto.



O restante terminou com Bai Yutang carregando Zhan Zhao à força até o elevador sob gritos de “Rato Branco!” e a porta se fechando com um ding.

Foi essa cena que Gongsun presenciou ao sair do Instituto Médico-Legal.

Logo depois, outro elevador se abriu. Dele saiu um homem alto, elegante, de traços marcantes.

— Está procurando alguém? — perguntou Gongsun.

— E você é quem? — respondeu o homem, frio.

Gongsun sorriu.

— Gongsun Ce, Instituto Médico-Legal.

Aperto de mão.

O homem então percebeu algo estranho: a luva cor de pele de Gongsun estava coberta por resíduos vermelhos e esbranquiçados.

— O vermelho é fígado. O branco, fluido cerebral. O preto é gordura carbonizada — explicou Gongsun com naturalidade.

O homem empalideceu, mas manteve a compostura.

— Como devo chamá-lo?

— Bai Jintang.

Um silêncio coletivo percorreu o corredor.

Então Bai Jintang abriu um sorriso enigmático e puxou Gongsun para um abraço.

— Yutang fala muito de você.

Nas costas de Gongsun ficou uma marca evidente, vermelha e branca.

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Dry Drowning - Capítulo 20

Capítulo 20



Kyle, que sorria até então, interrompeu o riso ao perceber o olhar de Ian um olhar que parecia duvidar de seu caráter e compôs uma expressão injustiçada.

— A nossa Shucream nem sabe o que é “Shetier”.

Ian o encarou como se aquilo não tivesse a menor relevância, e Kyle, como se estivesse esperando por essa reação, continuou:

— Ela mal consegue escrever o próprio nome. Ensinar o nome do príncipe seria crueldade, não acha?

Soava como um disparate, mas, raramente, havia algo próximo da verdade ali. Já haviam tentado ensiná-la ao menos a escrever se não falava, talvez pudesse aprender pelas letras, mas a iniciativa fora interrompida por Victorian. Mesmo ele, que o tratava como a um irmão mais novo e lhe ensinava tudo com paciência, desistira em apenas um mês. Por mais que repetissem, Shu não memorizava sequer palavras simples. Parecia não ter vontade de aprender.

“Entendeu?” — perguntavam. E ele apenas sorria: “Hi”. Era de se imaginar quantas vezes alguém já não perdera a paciência.

Talvez ao ouvir a voz de Kyle, Shu assentiu energicamente e correu para apanhar um graveto caído ali perto. Pelo menos o próprio nome ele precisava saber escrever insistira Victorian e, a duras penas, ela conseguira decorar ao menos um caractere.

Com o som áspero do graveto riscando a terra, Shu se agachou e começou a escrever.

Um único som. Uma sílaba. Sem sobrenome.

— Mm!

Orgulhosa por conseguir escrever o único nome que sabia, abriu um sorriso radiante e virou a cabeça bruscamente na direção de Ian. Ele, que não conseguia sequer escrever o próprio nome, limitou-se a encarar aquela caligrafia trêmula que também não sabia ler.

Ao lado do nome de Shu, a palavra “cream” surgiu num instante. Kyle, sacudindo as mãos sujas de terra como se nada tivesse feito, proclamou:

— Viu? Ele já fica satisfeito com isso. E você duvidou da minha generosidade por não querer dar dever de casa à toa, não foi?

Era só provocação, embora falasse como se fosse algo grandioso. Ian desviou o olhar, como se não valesse a pena responder. Já Shu, que escutava atentamente os sofismas de Kyle, parecia concordar em parte.

É por isso que te tratam como boba.

Ian deu um leve toque na testa dele com a ponta do dedo. Shu arregalou os olhos. Quando ele a fitou de cima, como quem pergunta “o que foi?”, ele apenas inclinou a cabeça, confuso e levemente ofendido. Kyle não perdeu a cena e estendeu o graveto a Ian.

Ian o encarou como se perguntasse por que aquilo estava sendo entregue a ele. Kyle sorriu enviesado.

— Mas e se vocês nem sabem o nome um do outro? Escreve você mesmo. Seu nome.

— …

— Não é nada difícil. Até Shucream consegue decorar, não é?

O problema era que o dono do nome “não tão difícil” não o conhecia.

Ian alternou o olhar entre o graveto agora em sua mão e Shu, que o observava com olhos brilhantes. Não conteve o suspiro. O que estava fazendo ali? Não queria se envolver em trivialidades, mas o olhar insistente dela era impossível de ignorar.

Por mais que o encarasse assim, as letras que desconhecia não surgiriam magicamente.

Pensou em largar o graveto e ir embora, mas teve a sensação de que Shu o seguiria como um filhote. Reconsiderou.

De todo modo, naquele país ele era estrangeiro. Mandaram que escrevesse o nome não que fosse em Shetier. Chegando a essa conclusão, Ian se agachou e traçou uma longa linha diagonal logo abaixo do nome de Shu.

Eu escrevo no idioma que eu quiser.

— …

Mas ele não avançou além do “I”. Após alguns segundos fitando o chão, desenhou um círculo à esquerda da letra. Depois outro círculo ao lado. Em seguida, um traço que se projetava lateralmente. E, por fim, uma linha angulosa descendente.

Shu, ainda agachado, observava fascinado o nome escrito em hangul como se tentasse gravar na memória aquelas formas arredondadas e angulosas que representavam “Ian”. A expressão de Kyle, também voltado para o chão, tornou-se estranhamente ambígua. Leu várias vezes, como se tivesse presenciado algo incomum, e quando abriu a boca para falar.

— Se já voltou, apresente o relatório primeiro à chefia.

A voz firme veio de trás, e os três voltaram-se quase ao mesmo tempo. O homem que se aproximava pela entrada era um rosto conhecido.

Cabelos azuis presos no alto. O sinal sagrado traçado na testa. Traços bem definidos e uma expressão impassível, como se nem uma lâmina pudesse desalinhá-la.

Era Claude, o vice-comandante que, no dia da procissão, conduzira Ian a cavalo até a vila.

— Ora, se não é o Claude. O quê? Veio correndo do treino da manhã porque sentiu minha falta? Isso já é meio perturbador.

— Devo responder?

— Ah, agora nem nega mais?

Falavam com rapidez, como velhos conhecidos — embora não no melhor dos sentidos. Enquanto Kyle exibia um entusiasmo escorregadio, Claude caminhava com calma, respondendo como quem instrui alguém lento de entendimento.

— O treino começa às oito em ponto. Eu sempre chego cinco minutos antes. Não tem nada a ver com você.

— Sério?

Kyle continuava sorrindo. Shu, acostumado àquela atmosfera, inclinou a cabeça em cumprimento a Claude e puxou discretamente a manga de Ian.

Vamos escrever nomes juntos!

O pedido estava todo em seu olhar, mas o clima entre os dois homens esfriava rapidamente. Ian já ouvira menções aos nomes deles, mas era a primeira vez que os via lado a lado.

— Já devo ter dito isso mil vezes. Até um vira-lata retardado tem memória melhor que a sua.

Na Ordem, a rivalidade entre os dois era pública. Kyle, escravo de seus próprios impulsos, e Claude, um aristocrata rigoroso. Só pelas inclinações opostas, já eram incompatíveis. Ambos integrantes da elite, frequentemente designados às mesmas missões pelo Grão-Duque e, sempre que se encontravam, colidiam. Nenhum dos dois tinha o hábito de medir palavras. Transformar a Ordem num campo minado parecia quase um passatempo.

— O quê?

Kyle fez um rosto chocado.

Não era alguém que se abalasse com tão pouco. Ian suspeitou que viria algo absurdo e veio.

— Peça desculpas ao cachorro!

Parecia uma piada. Mas piorou:

— Claude, esse é o seu problema. Tenha mais consideração pelos sentimentos alheios. Compará-los a mim? Já pensou como eles ficariam magoados? O Alexander, que criam na frente da taverna, é inteligentíssimo!

— …

— Que expressão é essa? Não me diga que… toquei numa ferida? Bem, para ir à taverna, é preciso ter amigos… Foi mal. Essa foi minha.

— O erro foi meu por falar com você.

Claude se afastou, ignorando o dilúvio de provocações como quem corta ruído com uma lâmina. Se Kyle nascera com o dom de revirar o estômago alheio, Claude era especialista em ignorar disparates.

Aproximou-se então de Ian.

— Recebi ontem o relatório sobre o mal-entendido com alguns de nossos cavaleiros.

“Mal-entendido” talvez fosse brando demais. Ainda assim, Ian apenas assentiu após um instante. Não pretendia discutir. Em qualquer época, quem destoa é rejeitado.

— Era algo que eu deveria ter supervisionado.

Mentira. Era impossível que desconhecesse o tumulto causado por Fred durante mais de uma semana. Ian preparava-se para assentir novamente.

— Não supervisei.

— …Era uma provocação? Ou franqueza?

— Se deseja punição aos envolvidos, basta dizer. Incluirei o instigador e todos os que se omitiram.

Se Ian concordasse, parecia pronto para abrir um julgamento ali mesmo. Por que aquilo, uma semana depois? Ele não sabia. Mas sua resposta já estava decidida.

Ergueu lentamente a mão.

— …E apontou para si mesmo.

Claude permaneceu em silêncio. Só podia haver uma razão para aquilo.

As sobrancelhas se ergueram por um instante. Entrara há pouco na Ordem e já se deixara acuar por alguém como Fred? Corajoso.

— …Muito bem. Inclua-me também.

Ele também fora omisso. Se houvesse punição, que fosse justa.

Ian abaixou a mão. Já entendia que tipo de homem Claude era. Não tinha idade para fofocas pelas costas.

Fez um gesto indicando que não era necessário e virou-se.

Ali não encontraria o homem que procurava. E era esse seu único objetivo. Melhor voltar ao quarto.

— Ian.

Pensando bem, ele deveria ter fugido naquele momento.

Sem fazer perguntas. Sem querer saber de nada. Se tivesse simplesmente corrido, sem olhar para trás sem revisitar o homem que matara talvez, desta vez, pudesse ter encontrado a morte tranquila que desejava.

As memórias perdidas poderiam ter sido apenas um lampejo final.

Mas Ian não percebeu.

Virou-se ao ouvir aquela voz de articulação rígida. Por trás do rosto impassível de Claude, emoções indecifráveis passaram brevemente.

— O comandante deseja vê-lo.

Era um convite.

E também, um prenúncio.

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Ang Ang — Capítulo 16

Capítulo 16 

“agh.” Gyuwon abriu as nádegas enquanto gemia, exatamente como Hwayoung queria. E mesmo sabendo que Hwayoung estava observando, ele inseriu os dedos e as abriu bem. Teria sido ótimo se tivesse sido uma brincadeira desde o início, mas como sua atitude mudou no meio do caminho, ele ficou nervosa e não foi fácil, então se frustrou. Quando seu traseiro começou a ficar pegajoso, e ele mal tinha inserido dois dedos, ouviu um tapa e sentiu uma ardência nas nádegas.

- Que chato. Não pareceu que você estava me dizendo para praticar? 

Hwayoung percebeu que a bunda dele estava se mexendo e o ânus encolhendo, então deu-lhe outro tapa na bunda. 

“Puay…!” exclamou Gyuwon. 

"Números e cumprimentos?" Quando Hwayoung gritou, os ombros de Gyuwon caíram lamentavelmente. Hwayoung deu-lhe outra palmada na bunda. 

“Ugh… três… obrigado.” Ao ser tratado com tanta cortesia, os genitais de Gyuwon, que não haviam se movido, já estavam expelindo um fluido transparente. Hwayoung deu um tapa nele. 

Teria sido melhor se ele tivesse batido nas duas nádegas, mas Hwayoung estava batendo apenas na direita. Ele estava ficando ansiosa porque só um lado estava quente. 

Ele queria que o outro lado também fosse palmado. Queria que esquentasse. Conforme ia fazendo isso, percebeu que estava movendo as nádegas lentamente, sem se dar conta. Hwayoung gritou quando levou palmadas fortes nas nádegas.

“Você não vai fazer direito?!” Naquela idade, o corpo de Gyuwon congelou. Suas costas já estavam molhadas. Molharam-se sozinhas, como se soubessem que deveriam abrir bem as nádegas depois de levar umas palmadas. Esse era o resultado do seu treinamento. Trinta. Hwayoung sabia que um lado estava quente demais e o outro não a estava tocando, e isso a estava enlouquecendo. No entanto, Gyuwon não conseguia pedir ou implorar direito. Hwayoung o havia ensinado isso. 

Então, Gyuwon voltou seu olhar para a federação e encarou Hwayoung, esperando que ele entendesse seus sentimentos. Ele era como uma princesa sereia. Pensando que a princesa sereia se animaria com isso, Hwayoung deu uma risadinha, e Gyuwon o chamou, tremendo. 

Agh. 

“O que esse corpo obsceno deseja?” Ao dizer isso, Hwayoung beliscou as nádegas inchadas de Gyuwon. Quando Gyuwon gemeu “Eung”, Hwayoung baixou lentamente a mão. Tocando a entrada úmida, a mão de Hwayoung sussurrou “Desagradável” e deslizou pelo períneo, agarrando seus genitais. Ele não apenas apertou os genitais sensíveis com força, como também ergueu as unhas. 

"Implore, Borboleta." Borboleta, um gemido de "Ah..." escapou dos lábios de Gyuwon por um instante. Gyuwon, que começava a ficar sem fôlego por ser tratado como um animal de estimação, disse suavemente: "O outro lado também... por favor." Sua voz não só estava fraca no início, como ele nem conseguia ouvi-la, pois seu rosto estava contorcido de vergonha. Hwayoung agarrou Gyuwon pelos cabelos e o puxou para cima. 

Implore-me claramente. Não tenha vergonha de ser um gato. 

Mesmo que Hwayoung tenha dito isso, ele sabia muito bem que Gyuwon não conseguiria escapar do constrangimento. Não, pelo contrário, mesmo que Hwayoung esquecesse todas as coisas embaraçosas que fez, Gyuwon não conseguiria esquecê-las e se sentiria ainda mais envergonhada remoendo-as. Como a maioria das submissas. É por isso que ele é ainda mais fofo.

Gyuwon hesitou, sem saber o que dizer.
Hwayoung congelou ao pensar em sexo normal enquanto ele tentava provocá-lo ainda mais. Era estranho. Tinha começado assim, mas quando ele recuperou a consciência, já estava daquele jeito. Hwayoung, decidindo provocá-lo um pouco menos, abriu a boca delicadamente. 

“Onde você quer que eles te acertem?” Mas, ao contrário de Hwayoung, Gyuwon pensou: “Já começou”. 

E ele mordeu o lábio de dor, sentindo que a persistência de Hwayoung o machucaria. 

“Seu traseiro…” Antes que Gyuwon pudesse terminar de falar, Hwayoung o interrompeu.
 
"Eu te acertei." "Do outro lado." Hwayoung riu disso. Era uma risada alegre. Hwayoung sussurrou baixinho. 

Ele está implorando. Dê um tapa na outra face dela. Butterfly diz: 
"Minha bochecha está fazendo cócegas." E ela chora baixinho.

Hwayoung olhou com carinho para o traseiro trêmulo de Gyuwon. Gyuwon forçou a voz. 

“Borboleta…” Os lábios de Hwayoung fizeram cócegas na orelha de Gyuwon, e então ela a mordeu suavemente. Gyuwon disse, tremendo com a estranha sensação: “Está fazendo cócegas na minha bochecha, então… me bate… por favor.” Era fofo o jeito como ele falava entrecortado, então Hwayoung mordeu a nuca de Gyuwon. Gyuwon, cujo corpo estremeceu novamente, olhou para Hwayoung. Seu olhar vago era provocante. 

“Miau.” Esse era o único som permitido. Gyuwon rezou com todo o seu coração. Apenas um lado estava quente e insuportável. Era um calor moderado. Gyuwon chorou várias vezes com uma impaciência que não se transformava em calor e ficou dormente, pouco antes de parar. Hwayoung, que gostava de vê-la se contorcer e chorar, deu palmadas com toda a força na outra bunda de Gyuwon. 

Ele murmurou “obrigado” várias vezes. Hwayoung ficou bravo e mandou que ele falasse direito, e as palmadas pioraram. Mas Gyuwon não conseguia falar direito. Ele agarrou o lençol e o rasgou enquanto tentava não deixar a bunda cair. 

Às vezes, quando Hwayoung ficava com raiva e arranhava as nádegas inchadas com as unhas, mordia os lábios de dor, mas um líquido escorria de sua vagina. Ele tentou várias vezes evitar a sensação de ejaculação. O ato humilhante aumentava o constrangimento de Gyuwon. Ele gritava "obrigado" enquanto a espancava, usando toda a sua força para não ejacular. Para usar toda a sua força, ele não tinha escolha a não ser manter as nádegas fechadas. Hwayoung riu novamente da cena. Ele tocou o ânus com o dedo em vez da testa, em tom de brincadeira. 

— Seu gatinho sujo! Puxe o gatilho! 
Ao ouvir o estalo da língua dela, Gyuwon arqueou as costas e soltou um gemido inconfundível: "Eung..." Hwayoung, vendo a linda marca vermelha da mão dela nas nádegas dele, afastou-as com satisfação. As costas de Gyuwon se contraíram de antecipação e medo, pois Hwayoung nunca o havia penetrado, embora ele não tivesse pedido. Hwayoung riu baixinho enquanto segurava a cintura tensa dele com as duas mãos. 

Estou muito ansioso. Meu coração está acelerado. 

E Hwayoung penetrou à força as costas de Gyuwon, que ainda não estava completamente molhado. Gyuwon elevou a voz: 
“Ah… Ah!” Hwayoung não o soltou e se moveu bruscamente. Gyuwon, perdido mais no prazer do que na dor, agarrou o lençol e o rasgou sem recuperar a consciência. O grandalhão chorava como uma estrela pornô, mal conseguindo manter as nádegas no ar. Era terno, mas também a deixava sádica, e Hwayoung insistiu: “Você gosta? Você está sendo estuprado. Você gosta desse tratamento?” Sua voz soava excitante e cruel ao mesmo tempo. 

Gyuwon respondeu várias vezes. 

—Ok, ok, sim, ah, ok, ali também, ah, bom. Três, quebrar, buraco, rasgo… Ah, sim, ah, ufa…! 
Ao ver o rosto dele despedaçado e dilacerado, suas emoções cruéis se intensificaram. Hwayoung continuou a humilhá-lo, sussurrando incessantemente enquanto ofegava. 

Você é indecente, não é? Tch, você é, bem, você é indecente. 

Homem lascivo. Mulher… haha, ela chora de forma mais lasciva, né? 

Gyuwon já começava a sentir frio. Hwayoung ostentava sua presença com movimentos extremamente bruscos. A sensação de ser dominado por ele era insuportável. Elr estava sendo contido. Ele estava sendo dominado. Tudo nele, até mesmo suas partes miseráveis e feias, estava se dissolvendo e sendo absorvido por alguém. Era eufórico. 

— Eung, ah, bom, aí, bom… huuuut! Qu, aí, aí… bom, morra… uh, morra… juntos… aaaah… Sinto que estou indo…! 

— Me pega, me pega… me faz… ah, ah, quente, ha…! 

Naquele instante, a palma da mão de Hwayoung atingiu com força as nádegas de Gyuwon. 

— Preparem-se! Sirvam bem! 

As chicotadas de Hwayoung eram ainda mais doces. Quando o chicote atingiu suas nádegas, o prazer parou por um instante, mas imediatamente depois, o calor e o prazer retornaram com força total. Vendo Gyuwon balançar a cabeça e lutar para resistir, Hwayoung agarrou seus cabelos. Gyuwon gemeu de dor ao sentir seu pescoço torcer, e Hwayoung deu-lhe permissão para ir embora, sussurrando em seu ouvido: "Você pode ir." 

Assim que ele soltou a mão dela, Hwayoung deu a estocada final por trás. Gyuwon suportou o movimento em silêncio, tão forte que produziu um som estalado. 

Hwayoung deu permissão, mas ele não queria ejacular. Não queria ejacular até que Hwayoung chegasse ao clímax. Mordeu o lábio para anestesiar o prazer e apertou as costas de Hwayoung para ejacular um pouco mais rápido. 

A cada aperto, uma risada escapava da garganta de Hwayoung. 

— Que buraco imundo! Sério, ficou ótimo em você. Acho que vou desmaiar... É tão, tão fofo. 
Palavras vergonhosas saíram da boca de Hwayoung. 

Enquanto Hwayoung penetrava com força, o líquido se espalhou dentro dele. No momento em que percebeu que Hwayoung havia chegado ao clímax, Gyuwon arqueou as costas e ejaculou. Hwayoung gemeu: "Tão... apertada!", sentindo suas nádegas se contraírem. Hwayoung mordeu o ombro de Gyuwon enquanto sua mucosa se contraía, como se estivesse prestes a liberar seu próprio sêmen. 

“É obsceno.” Nesse momento, Gyuwon começou a insistir: “Peça mais, peça mais, peça mais…” A dor era prazerosa. A sensação de queimação se transformou em prazer, amplificando-o ainda mais. 

“Por favor, Hwayoung… É tão bom ser mordido… Ah, peça mais… Mais…” Ao pedido de Gyuwon, Hwayoung mordeu o lábio com força.

“Ahhhhhhhhhhh!” Gyuwon gemeu e a apertou ainda mais por trás. Gyuwon tremia de prazer, sem saber o que fazer. Hwayoung contou mentalmente até dez e se afastou lentamente. 
Então, uma sensação de formigamento percorreu seus ombros como se os paralisasse, e Gyuwon gritou: “Eeeeeung! Isso foi tão bom!… Sim!” e enterrou o rosto nos lençóis. Hwayoung esperou até que Gyuwon tivesse ejaculado completamente e, quando ele terminou, perguntou: “Devo limpar?” Ele retirou lentamente o pênis. Assim, Gyuwon pôde sentir claramente o muco se desprendendo, a abertura anal, o sêmen fluindo e até mesmo a sensação de defecar. 

Enquanto a água fluía, Gyuwon emitiu um som estranho: 
“Heeeeee”. 

Abra a parte de trás. Assim o líquido fluirá mais. 

Ao comando de Hwayoung, Gyuwon ergueu os quadris, que estavam rígidos, e tocou o próprio ânus com o dedo. Seu ânus inchado coçava e doía a cada toque, mas Gyuwon obedeceu ao comando de Hwayoung com um leve baque. As costas de Gyuwon, por onde os genitais de Hwayoung haviam entrado e saído bruscamente, abriram-se com facilidade. Assim que se abriram, o líquido que Hwayoung havia vomitado vazou. O sêmen escorreu por suas nádegas e coxas, causando a Gyuwon uma sensação intensa, como a de um inseto rastejando. 

Hwayoung cravou as unhas na bunda de Gyuwon. 

Isso se limpa sozinho. Da próxima vez, use esse truque, Butterfly. 

Gyuwon sentiu uma forte contração no traseiro. Quando tudo parecia ter acabado, Hwayoung deitou-se ao lado dele e exigiu: "Agora, limpe também o que eu fizer." Gyuwon sabia o que aquela ordem significava. Subiu em cima de Hwayoung como um animal, com o traseiro para cima. E, antes que pudesse colocar os genitais de Hwayoung na boca, ela o impediu, fazendo-o olhar para ele. 

Olhos obedientes que pareciam aguardar ordens. Até mesmo seu rosto feroz transbordava obediência, a ponto de ser impossível interpretá-lo como rejeição. Hwayoung se conteve para não abraçá-lo devido à sua ternura. 

"Eu cuidarei do que acontecer a seguir", disse ele. 

Ao contrário do tom afetuoso que sussurrou para uma aluna do ensino fundamental, o conteúdo era cruel. No entanto, Gyu-won apenas corou com aquelas palavras. Ele olhou para os genitais de Hwayoung e abriu a boca para dizer: "Volta..." 

No entanto, ele engoliu em seco a saliva antes de terminar de falar e abriu a boca lentamente. 
“Eu… cuidarei das consequências…” Então ele abriu a boca e mordeu os genitais de Hwayoung. 

Ao morder o pênis coberto de sêmen e um fluido desconhecido, Gyuwon pensou que tinha sorte de já ter lhe aplicado um enema. Um gosto amargo persistia em sua boca. 

Enquanto ele a lambia com força, Hwayoung começou a dizer palavras obscenas. 

Limpe com mais cuidado. Limpe cada cantinho com a língua. Lamba todos os restos e jogue fora. Lamba os testículos dele também. 

Um guincho ecoou no quarto silencioso. Hwayoung olhou para Gyuwon, que baixou o olhar ao ouvir o som embaraçoso. Depois de deixar Hwayoung morder por um tempo, Gyuwon imediatamente afastou a boca dela e disse: 
"Sem problemas". 

“Quer que eu te lave?”, perguntou Hwayoung a Gyuwon, que estava deitado de costas. Quando Gyuwon balançou a cabeça negativamente, Hwayoung deu um tapinha brincalhão em suas nádegas inchadas e saiu da cama.

Diferentemente do habitual, Hwayoung não disse coisas como “fim” ou “obrigada pelo seu esforço”. Foi assim que seus corações se conectaram, provando que o relacionamento deles era diferente do anterior. Era diferente… 
…Uma emoção que misturava prazer e medo confundia Gyuwon. 

Hwayoung era a pessoa com quem ele sonhara. E ele era alguém que não conseguia amar ninguém igualmente. Então, da perspectiva de Gyuwon, isso poderia ser considerado um final feliz. No entanto, Gyuwon estava cheio de preocupações sobre o futuro, como o que fazer se ele exigisse um relacionamento que mudaria sua vida com DS, e ele se sentia inquieto. Ele se lembrou das palavras de seu companheiro mercenário. 

Tem uma garota linda por aí. Mas, como foi só uma noite, é claro que você não sabe se ela tem alguma DST. 

Se você der muito azar, ela pode ter AIDS. Mas você a deixaria só porque acha que ela pode ter AIDS? 

Meu colega sempre se aproveitava disso com conversa fiada e perdeu toda a sua fortuna. 
Gyuwon sorriu, mesmo com uma expressão ansiosa. Ele não queria fugir. 

Ele gostava de Yoon Hwayoung e o apreciava como professor. 

Era seu primeiro amor e seu primeiro DS. Ele não podia desistir. Nem sequer havia hesitado em um campo de batalha sob uma chuva de balas, então era ridículo hesitar quando seu sonho estava prestes a se tornar realidade. Ele decidiu ser corajoso.